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2ª aula: Gregos bacantes grande conversa orestéia

A Orestéia e As bacantes, entre o apolíneo e o dionisíaco

A Grécia Clássica oscilava entre dois polos: o apolíneo, mais racional, e o dionisíaco, mais instintivo. Duas peças, nos dois extremos cronológicos da Grécia Clássica, a Orestéia, no seu começo, e As bacantes, no seu fim, ilustram esse movimento, que continua marcando a arte ocidental até hoje.

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2ª aula: Gregos grande conversa ilíada

Ilíada, de Homero

A Ilíada é um poema em ponto de fuga, cada linha apontando para um final cataclísmico além da obra.

A tensão nunca relaxa, mesmo nos momentos de distensão: os ventos da batalha sopram para cá ou para lá; Aquiles é birrento ou Heitor, razoável; a vantagem oscila de um lado a outro; mas, ainda assim, todas sabemos: no final, inevitável e intransponível, inexorável e intolerável, Tróia será arrasada; os troianos, mortos; as troianas, escravizadas.

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2ª aula: Gregos grande conversa orestéia

A Orestéia e o apogeu da Grécia Clássica

A Orestéia simboliza o apogeu da Grécia Clássica e de sua ênfase nas infinitas possibilidades da racionalidade humana, e celebra a vitória das instituições democráticas sobre o infindável e sangrento código de vingança ancestral.

A última cena da série Game of Thrones, com todos os personagens sobreviventes, em uma reunião burocrática, começando a fazer as contas para reconstruir o país, deve muito ao espírito esperançoso (e institucionalizador) da Orestéia.

As tragédias do teatro grego eram sempre escritas e encenadas na forma de trilogias, onde cada peça comentava e complementava as outras. A Orestéia é a única trilogia que sobreviveu, o que só nos faz lamentar a perdas das outras. As peças que acompanhavam Édipo Rei ou Antígona, As bacantes ou Medeia, o que mais teriam nos revelado sobre essas obras-primas? Jamais saberemos.

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2ª aula: Gregos grande conversa ilíada

Qual Ilíada ler?

Uma boa tradução pode ser a diferença entre uma leitura empolgante e uma experiência tediosa.

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2ª aula: Gregos bacantes grande conversa

As bacantes e o fim da Grécia Clássica

As bacantes é a última, talvez a maior das tragédias gregas clássicas. A mais bela e mais complexa, a mais aterrorizante e mais incompreensível.

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2ª aula: Gregos bacantes grande conversa orestéia

Como sobreviveram as tragédias gregas

É difícil exagerar por quão pouco não perdemos todas as tragédias gregas.

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Tragédia grega: rápida introdução

A experiência de ir ao teatro na Grécia Antiga era tão diferente da nossa que é difícil até nos colocarmos nesse lugar.

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2ª aula: Gregos 6ª aula: Navegações grande conversa ilíada lusíadas

Tersites, um criador de caso da Ilíada a Shakespeare

Tersites é tudo que os herois homéricos não são, que ninguém mais é, que até então não existia. Tersites é uma figura que acaba de surgir na história humana: agitador popular e revolucionário marxista, um revoltado e um silenciado, o primeiro anarquista e o primeiro protestante. Um criador de caso que não sabe o seu lugar, um homem do povo que diz que o rei está nu. Um teórico da conspiração, um herói da classe trabalhadora. Tersites é aquilo que somente então se torna concebível.

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2ª aula: Gregos grande conversa

Guias de leitura & cola rápida: 2ª aula, Gregos

Já é na próxima quinta a segunda aula, Gregos, do curso Introdução à Grande Conversa: Um Passeio pela História do Ocidente através da Literatura.

A leitura principal é a Ilíada. As leituras secundárias são a Orestéia, de Ésquilo, e As bacantes, de Eurípedes.

Para quem não teve tempo de ler tudo, ou quiser só dar uma relida nos partes principais, eis aqui os trechos mais importantes que vou abordar na aula de quinta feira, 23 de julho:

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1ª aula: Bíblia Hebraica 2ª aula: Gregos grande conversa

Toda poesia é oral

Não tenho como exagerar a importância de ler poesia em voz alta.

A poesia é um meio eminentemente oral: o som das palavras, a cadência, o ritmo, é tão importante quanto o conteúdo do texto.

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2ª aula: Gregos grande conversa ilíada

Em qual livro Aquiles morreu?: conhecimento e oralidade

Quando uma participante do curso Introdução à Grande Conversa perguntou “de onde veio a expressão calcanhar de Aquiles?“, fiz uma distinção importante: esse mito está registrado em tal livro, mas esse livro não é a fonte do mito; a fonte do mito é a própria mitologia. (O texto completo está aqui.)

Outra pessoa perguntou leu o texto e perguntou:

“Entendi que o livro não é a fonte do mito, mas que a gente conhece o mito por causa do livro, certo?”

Na verdade, não. Essa é precisamente a diferença.

Se esse livro desaparecer, se nunca tivesse existido, provavelmente teríamos a expressão “calcanhar de Aquiles” do mesmo jeito.

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Literatura: a forma é o conteúdo

Em literatura, não existe separação entre forma e conteúdo. A forma não é um meio de nos transmitir o conteúdo. A forma é o conteúdo. O meio é a mensagem.

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1ª aula: Bíblia Hebraica 2ª aula: Gregos 3ª aula: Romanos grande conversa

Israel, Grécia, Roma

Um pouco sobre o contexto histórico das leituras de nossas três primeiras aulas.

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2ª aula: Gregos grande conversa ilíada orestéia

Mitologia grega

Algumas dicas para entender melhor a Ilíada: comprem um bom dicionário de mitologia, evitem séries.

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2ª aula: Gregos grande conversa ilíada

Depois da Ilíada

Para quem quer saber o que acontece com Tróia depois da Ilíada, recomendo o segundo canto da Eneida.

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Da Ilíada às Bacantes

Na próxima quinta, 23 de julho, às 19h, acontece a segunda aula do meu curso Introdução à Grande Conversa, sobre os Gregos. A narrativa da aula será a seguinte:

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Ser pedante

Um curso sobre o cânone ocidental é pedante por definição?

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2ª aula: Gregos grande conversa ilíada

Todas as pessoas da Ilíada

Pergunta de uma das participante do curso Introdução à Grande Conversa:

“Os gregos conheciam mesmo todas essas pessoas citadas na Ilíada?”

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2ª aula: Gregos grande conversa ilíada

O calcanhar de Aquiles: fontes e evidências

Não é a mitologia que vem da literatura, mas a literatura que vem da mitologia.

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2ª aula: Gregos grande conversa ilíada

Não dava pra ter banhado Aquiles por inteiro?

Podemos ler literatura como quisermos. Mas sim, existem leituras mais e menos superficiais.

* * *

Na Internet, abundam discussões sobre se Jack cabia ou não na porta onde Rose estava flutuando depois do naufrágio do Titanic. Pessoas fazem gráficos, cálculos, experimentos para provar que, sim, ele de fato caberia na porta. Respondeu James Cameron:

“Jack tinha que morrer. A história só faz sentido com a morte de Jack. Se por acaso caberiam os dois em cima da porta, então foi erro do carpinteiro que deveria ter feito uma porta menor.”

Jack, assim como Aquiles, tinha que morrer. Senão não tinha história. Ser mortal é parte integrante da persona de Aquiles. Se Tétis tivesse conseguido torná-lo imortal, ele seria outra pessoa, a Ilíada seria outro poema, nossa conversa aqui seria outra conversa. Tudo seria diferente.