“e pelos coxinhas, ninguém tem empatia?”

um leitor pergunta, em tom de desafio:

“e pelos coxinhas, ninguém tem empatia?”

mas toda nossa sociedade já foi construída e é mantida como um imenso mecanismo para “ter empatia”, ou seja, para passar a mão na cabeça das pessoas privilegiadas.

o policial que “tem empatia” e quer ajudar a pobre loira branca que sofreu uma violência… ignora a cidadã negra favelada que tentou dar queixa da mesma violência.

o médico que “tem empatia” pela dor das pessoas brancas… dá menos anestesia para as pessoas negras.

nos escritórios, há muita “empatia” pelos pobres homens calorentos vestindo terno e nenhuma pelas mulheres friorentas de perna de fora. etc etc.

os exemplos poderiam continuar ao infinito.

então, não.

não são as pessoas privilegiadas que devem levantar os braços e pedir:

“poxa, e pra mim, não tem empatia?”

pelo contrário, são os homens que têm que ter empatia pelos problemas das mulheres, são as pessoas brancas que têm que ter empatia pelos problemas das pessoas negras, são as pessoas que moram em apartamentos de três quartos no eixo morumbi-leblon que têm que ter empatia pelas pessoas que precisam de bolsa-família para sobreviver.

meu trabalho é ensinar as pessoas privilegiadas a terem mais empatia pelas menos privilegiadas, e não a dominarem um novo vocabulário para exigir ainda mais privilégios:

“poxa, pelos empresários ninguém têm empatia, né?”

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esse é o tema principal do meu livro outrofobia: textos militantes. se o assunto te interessa, experimente ler.

novas dedicatórias apócrifas

o saldão dos meus livros foi um sucesso. onde perdemos tudo e lll estão esgotados, e sobraram só nove cópias do mulher de um homem só.

(cometi o erro de folhear o lll e quase devolvi o dinheiro de quem comprou, mas vá lá. saibam que o livro é horrível e que eu discordo de 80% do que está lá!)

os livros serão todos enviados ainda hoje.

para comprar meu novo livro outrofobia, ou uma das últimas nove cópias de mulher de um homem só, e também receber sua dedicatória apócrifa, visite minha página de livros.

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passei as últimas semanas escrevendo mais de duzentas dedicatórias.

abaixo, algumas das melhores.

muito obrigada a todas as pessoas que mandaram sugestões de dedicatórias.

de brinde, algumas fotos da capitu (tosada!) interagindo com os livros.

alfabetização

arruma emprego para filho do amigo Continue lendo “novas dedicatórias apócrifas”

a autobiografia do poeta-escravo

Juan Francisco Manzano, poeta na ilha de Cuba, foi a única pessoa escravizada latino-americana a escrever uma autobiografia sobre sua experiência no cativeiro.

manzano ediciones matanzas capa

Autobiografía, de Juan Francisco Manzano. Edição, introdução e notas de Alex Castro. (Ediciones Matanzas, Cuba, 2016.) R$200, com direito a dedicatória & marcadores exclusivos. Só 40 exemplares.

A edição cubana da Autobiografia do Poeta-Escravo não será comercializada no Brasil e tenho apenas 40 examplares. Por isso, estou vendendo mais caro, só para pessoas leitoras que queiram a satisfação fetichista de possuir um objeto-livro raro e exclusivo. Se você quer só ler o conteúdo do livro, está aqui. A compra dá direito a uma dedicatória exclusiva e individual, marcadores de página também exclusivos e, mais importante, a satisfação de estar ajudando diretamente o autor dos textos que você curte. 

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manzano hedra capa

A autobiografia do poeta-escravo, de Juan Francisco Manzano. Edição, tradução, introdução e notas de Alex Castro. (Editora Hedra, 2015.)

Compre no site da editora Hedra, da Livraria Cultura, da Livraria da Travessa, da Amazon.

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A autobiografia de Juan Francisco Manzano

“Em 1835, sob encomenda de um grupo de literatos, o poeta cubano Juan Francisco Manzano redigiu um testemunho de suas experiências enquanto escravo, um empreendimento repleto de dificuldades práticas e políticas. O quanto falar? O quanto silenciar? O quanto aqueles homens brancos e ricos, aparentemente tão tolerantes, eram capazes de ouvir e aceitar? Como denunciar a escravidão sem ofender seus patronos escravocratas? Após consideráveis revisões e reescrituras, o manuscrito foi traduzido para o inglês e publicado por abolicionistas em Londres.

A autobiografia do poeta-escravo é pela primeira vez publicada no Brasil, um dos países que mais tarde aboliu o horror narrado com tamanha vivacidade por estas páginas. É diante de tal delicadeza histórica que o tradutor e organizador Alex Castro nos apresenta o resultado de uma tarefa também árdua, a de transladar o texto de Manzano mantendo seu vigor e respeitando suas idiossincrasias, marcas tão reais e concretas como lanhos de chicote na carne do escravo. O livro inclui duas versões da Autobiografia, uma tradução para a norma culta do português e uma transcriação criativa, acompanhadas por mais de 300 notas explicativas e um conjunto de textos que torna a presente edição um marco na memória da escravidão e da luta pela liberdade.”

Da orelha da edição brasileira, publicada pela Editora Hedra em 2015.

O livro também foi publicado em Cuba, pela primeira vez em quarenta anos, em edição fac-símile da Ediciones Matanzas, com minha introdução e notas.

Para saber mais, confira o site dedicado ao autor, Juan Francisco Manzano.

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Trechos

Tradução à norma culta do português:

Uma tarde, saímos ao jardim e, durante muito tempo, fiquei ajudando minha ama a colher flores ou transplantar alguns matinhos como passatempo, enquanto o jardineiro andava por toda a largura do jardim, cumprindo sua obrigação. Ao nos retirarmos, sem consciência realmente do que fazia, peguei uma folhinha, uma folhinha qualquer de botão de gerânio. Essa malva extremamente cheirosa ia em minha mão, junto com sei lá mais o que eu levava. Distraído com meus versos de memória, seguia minha sinhá à distância de dois ou três passos e caminhava tão alheio a tudo que ia despedaçando a folha, do que resultava maior fragrância. Ao entrar em uma antessala, não sei com que motivo minha sinhá retrocedeu. Eu lhe dei passagem mas, ao passar por mim, lhe chamou atenção o cheiro. Imediatamente colérica, com uma voz fortíssima e alterada, me perguntou:

“O que tens nas mãos?”

Fiquei morto. Meu corpo gelou-se em um instante e, sem poder quase ficar de pé pelo tremor que me deu em ambas as pernas, deixei cair a porção de pedacinhos no chão.

Ela me tomou as mãos e as cheirou. Pegando os pedacinhos, eles pareciam um montão, um matagal, um atrevimento.

Quebraram meu nariz.

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Transcriação:

huma tarde sahimos ao jardim durante muinto tempo fiquei ajudando minha ama á colher flores ou transplantar alguns matinhos como pasatempo enquanto o jardineiro andava pr. toda a largura do jardim cumprindo sua obrigaçaõ ao nos retirarmos sem consiensia realmente do qe. fazia peguei huma folhinha, huma folhinha coalquer de botaõ de geranio esta malva estremamente odoroza ia em minha maõ junto com sei la mais o que eu levava distraido com meus versos de memoria seguia minha sinhá á distansia de dois ou trez pasos e caminhava taõ alheio á tudo qe. ia dispedaçando a folha do qe. rezultava maior fragansia ao entrar numa antesala naõ sei com qe. motivo a sinhá retrocedeu, le dei pasagem mas ao pasar por mim le chamou atensaõ o cheiro imediatamente colerica com huma voz fortisima e alterada me perguntou qe. tens nas maõs; eu fiquei morto meu corpo gelou-se num instante e sem poder quasi sustentar-me pelo tremor qe. me deu em ambas pernas, deixei cahir a porsaõ de pedaçinhos no chaõ me tomou as maõs e as cheirou e pegando os pedaçinhos paresiaõ hum montaõ hum matagal e hum atrevimento de nota quebraraõ meu nariz

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Original em espanhol:

una tarde salimos al jardin largo tiempo alludaba a mi ama a cojer flores o trasplantar algunas maticas como engenero de diversion inter el jardinero andaba pr. todo lo ancho del jardin cumpliendo su obligasion al retirarnos sin saber materialmente lo qe. asia cojí una ojita, una ojita no mas de geranio donato esta malva sumamente olorosa iva en mi mano mas ni yo sabia lo qe. llebaba distraido con mis versos de memoria seguia a mi señora a distansia de dos o tres pasos e iva tan ageno de mi qe. iva asiendo añiscos la oja de lo qe. resultaba mallor fragansia al entrar en una ante sala nosé con qe. motivo retrosedió, ise paso pero al enfrentar conmigo llamole la atension el olor colerica de proto con una voz vivisima y alterada me preguntó qe. traes en las manos; yo me quedé muerto mi cuerpo se eló de improviso y sin poder apenas tenerme del temblor qe. me dió en ambas piernas, dejé caer la porsión de pedasitos en el suelo tomóseme las manos se me olio y tomandose los pedasitos fue un monton una mata y un atrevimiento de marca mis narises se rompieron

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As capas, abertas

(Clique para ver em tamanho maior.)

manzano capa hedra 2a versao

Autobiografía Manzano, cubierta

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O manuscrito

A primeira página do manuscrito original, na caligrafia de Manzano, disponível na Biblioteca Nacional José Martí, em Havana:
(Clique para ver em tamanho maior.)

2

A edição cubana será fac-símile e vai contar com fotos de todas as páginas do manuscrito.

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As fotos

Em abril de 2014, a fotógrafa Claudia Regina e eu estivemos em Cuba para buscar os vestígios da passagem do poeta-escravo pela ilha. Ambas as edições cubana e brasileira serão ilustradas com as belíssimas fotos da Claudia Regina.

Ruínas da antiga casa-grande do Engenho Los Molinos, em Matanzas 7

Ruínas da antiga casa-grande do Engenho Los Molinos, em Matanzas 3

Ruínas da antiga casa-grande do Engenho Los Molinos, em Matanzas 7

Ruínas da antiga casa-grande do Engenho Los Molinos, em Matanzas 7

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Em Cuba

manzano ediciones matanzas capa

Autobiografía, de Juan Francisco Manzano. Edição, introdução e notas de Alex Castro. (Ediciones Matanzas, Cuba, 2016.) R$200, com direito a dedicatória & marcadores exclusivos. Só 40 exemplares.

outrofobia, textos militantes

Outrofobia. s.f. Rejeição, medo ou aversão ao outro. Termo genérico utilizado para abarcar diversos tipos de preconceito ao outro, como machismo, racismo, homofobia, elitismo, transfobia, classismo, gordofobia, capacitismo, intolerância religiosa etc.

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outrofobia Capa

Outrofobia, textos militantes. (Editora Publisher Brasil, 2015.)

Compre no site da editora, da Livraria Cultura, da Livraria da Travessa.

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Uma coletânea dos meus melhores textos políticos, sobre racismo, feminismo, transfobia, privilégio.

Textos de luta. Feitos para incomodar, despertar, cutucar.

Não são textos acadêmicos. Não trazem fatos novos, formulações originais, pesquisa primária, questões aprofundadas.

Eu jamais presumiria “ensinar” racismo para pessoas negras, feminismo para mulheres, transfobia para pessoas trans*.

O objetivo desse livro é tentar abrir os olhos das pessoas privilegiadas.

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Conteúdo

Prefácio, por Aline Valek

Sobre um uso da língua menos sexista e mais humano

Pra começar

Uma história de quatro pessoas

Racismo

Senzalas & campos de concentração

O peso da história: a escravidão e as cotas

Imigrantes sim, mas de que cor?

Racismo, miscigenação e casamentos interraciais no Brasil

Feminismo

Feminismo para homens, um curso rápido

A fácil paternidade

Cavalheirismo é machismo

O papel dos homens no feminismo

O segredo de beleza dos homens

Conversando sobre transfobia com uma criança

Faixa-bônus:

Como se sente uma mulher, por Claudia Regina

Privilégio

Carta aberta às pessoas privilegiadas

O assunto não é você

Ação de graças pelos privilégios recebidos

Carta aberta às humoristas do Brasil

Pra encerrar

O desabafo da moça do crachá

O baralho viciado

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Capa, contracapa, orelhas

Clique na imagem para ver em tamanho maior.

Outrofobia capa isabel final 19nov14.pdf

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Prefácio, de Aline Valek

Não gostar do Alex Castro foi a minha primeira reação. Foi até natural: quando descobri seus textos, descobri também que eles me provocavam certo mal-estar. Era comigo que eles falavam. Era pelo meu braço que eles me agarravam, sacudiam e ainda tentavam me arrastar para fora das linhas que delimitavam a minha zona de conforto.

Não encontro outra forma de começar a não ser com todo esse narcisismo: o que esses textos ME causaram, como eles pareciam ser escritos para MIM, como EU me senti. Eu. Eu. Eu. Porque, de certa forma, esses textos foram o aríete a derrubar meu ego para que eu pudesse enxergar a mensagem: o mundo não é sobre você.

Quão péssimo pode ser encarar essa verdade?

As páginas a seguir podem trazer o mesmo desconforto. Não é fácil digerir a possibilidade de ser um outrofóbico, alguém incapaz de perceber as outras pessoas e de se solidarizar com qualquer drama que vá além das paredes do seu mundo pessoal. Mas ninguém disse que se tornar uma pessoa melhor, mais empática e menos babaca, seria um passeio no parque.

A escrita de Alex Castro está aí para facilitar um pouco esse trabalho. Em ficção ou temas sérios, Alex consegue prender a atenção com uma linguagem constrangedoramente direta e não tem medo de te conduzir às mais profundas questões humanas, mesmo até aquelas das quais você talvez preferisse manter distância. É uma leitura que exige alguma coragem; Alex escreve como quem busca uma conversa franca. Aliás, Alex escreve como fala em seus encontros sobre As Prisões, dos quais já participei uma vez: enquanto fala dos costumes, tradições e preconceitos que arrastamos pela vida como bolas de ferro mentais, ele conta histórias e traz questionamentos provocadores, sem se importar se isso vai perturbar ou destruir todas as certezas de quem ouve. Tudo isso falando com muita calma, sentado bem à vontade sobre as pernas cruzadas e ainda preparando um cachimbo.

Tendo em mente esse cara zen e despreocupado, que ouve com tanta atenção, fica difícil se manter na defensiva contra um suposto escritor malvado apontador-de-dedos que quer um conflito com você. Porque o assunto aqui não é você, mas tampouco Alex. Se não é sobre leitor nem autor, é sobre quem?

No seriado Lost, sobreviventes de um trágico acidente de avião se veem perdidos em uma ilha misteriosa. Os protagonistas estão vulneráveis, desesperados e confusos; quando percebem que eles não são os únicos habitantes da ilha, bate um terror. Em vários episódios, quando nossos heróis e heroínas estão andando na selva, ouvem vozes por todos os lados. Ouvem passos. Quando se escondem, são capazes de ver pernas de homens, mulheres e crianças passarem por eles. Começam a chamá-los de Os Outros. Pessoas que eles não sabem quem são, o que fazem, onde vivem e o que querem com eles – e, por isso mesmo, só podem ser uma ameaça.

Somos, em alguma medida, esses protagonistas nesse exato momento da história. Sabemos que não estamos sozinhos, mas não conhecemos aqueles que dividem o mundo, essa ilha misteriosa, com a gente. Os Outros são apenas sombras que passam por nós na floresta e vozes que ouvimos ao longe, mas não conseguimos distinguir o que dizem. Temos medo d’Os Outros. Passamos a desenvolver mecanismos de defesa para nos proteger dessa ameaça que Os Outros possam representar e fechamos a escotilha de nós mesmos para não precisar entrar em contato com eles.

É no sentido de desconstruir essas muralhas invisíveis e de nos abrir para o conhecimento do Outro que Alex escreve. O assunto aqui são Os Outros: justamente esses que fomos ensinados a ignorar, a não ouvir, a tratar como inimigos.

É isso que torna a leitura de Outrofobia tão difícil e, ao mesmo tempo, tão necessária. Se você for capaz de se abrir para essa proposta, já terá dado o primeiro passo para se abrir também a uma visão mais humana do mundo. Garanto que pode não ser agradável, mas o mundo sem empatia já não é um lugar muito suportável.

Aline Valek, escritora e feminista, publica seus textos na Carta Capital e no site alinevalek.com.br, e é co-criadora do projeto de ficção científica feminista “Universo Desconstruído”.

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outrofobia Capa

Outrofobia, textos militantes. (Editora Publisher Brasil, 2015.)

Compre no site da editora, da Livraria Cultura, da Livraria da Travessa.

dedicatórias apócrifas

todos os meus livros que vendo, seja pessoalmente ou pelo meu site, vêm sempre com uma dedicatória única e exclusiva, apócrifa e 100% falsa.

algumas vezes, escrevo como um pai dedicando um livro à filha. noutras, como um filho dedicando o livro ao pai. amante rejeitando, ou amante rejeitado. etc etc.

as dedicatórias fazem parte da própria ficcionalidade das obras e ajudam a borrar um pouco mais a relação autora-leitora.

além disso, cada edição de cada um dos meus livros de ficção tem sempre uma biografia do autor apócrifa e diferente.

todas essas iniciativas, que parecem brincadeira mas não são, fazem parte do mesmo projeto artístico de apagamento do autor, de demonstrar que o autor não importa, só o texto importa.

ocasionalmente, as dedicatórias causam problemas, crises de ciúmes, revoltas paternas. hoje, soube de uma moça que pegou antipatia de mim por ter pensado que a dedicatória era algum tipo de indireta sarcástica contra ela.

quando isso acontece, apesar de eu saber que a possibilidade sempre existe, fico bem chateado e peço desculpas.

só pessoas lindas e incríveis compram livros independentes direto da mão do autor — ao invés de simplesmente comprarem o novo best seller genérico na fnac mais próxima. a última coisa que quero é chatear minhas leitoras fiéis.

então, mais uma vez, perdão. as dedicatórias são minicontos ficcionais: quaisquer correspondências com a realidade serão sempre mera coincidência.

se você tem uma dedicatória apócrifa que gostou, compartilhe uma imagem dela nos comentários.

e eu te agradeço.

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abaixo, alguns exemplos.

dedicatoria apocrifa (1)

dedicatoria apocrifa (2)

dedicatoria apocrifa (3)

dedicatoria apocrifa (4)

dedicatoria apocrifa (5)

dedicatoria apocrifa (6)

dedicatoria apocrifa (7)

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dedicatoria apocrifa (17)

dedicatoria apocrifa (18)

dedicatoria apocrifa (19)

dedicatoria apocrifa (20)

dedicatoria apocrifa (21)

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