não existe originalidade

somos sete bilhões de pessoas vivas e muitos bilhões de pessoas mortas: qualquer coisa a meu respeito que me pareça mais original, mais única, mais minha… já foi feita por muitas dessas pessoas.

minha percepção da minha própria originalidade é diretamente proporcional a minha enorme ignorância em relação a essas outras pessoas.

ser criativo não é ser original: ser criativo é roubar o mínimo possível do máximo possível de pessoas.

uma moça chamada lisa

lisa era pobre mas tinha um nome importante. o seu marido era rico, bem mais velho, mas não tinha nome. casaram. para marcar sua ascensão social, encomendaram um retrato da esposa, então com vinte e poucos. ela posou para o pintor diversas vezes ao longo de anos. ele fazia de tudo para distraí-la e manter sempre um sorriso em seus lábios. (como seria a convivência entre os dois? do que conversavam?) o pintor não ficou satisfeito com o quadro. nunca recebeu o dinheiro da comissão, nunca entregou o quadro inacabado. quando se mudou de cidade, levou o quadro junto. não sabemos a relação do casal com o quadro que encomendaram, não pagaram, não levaram. será que viram? devem ter vivido suas vidas sem pensar muito nisso. lisa teve 5 filhos e morreu aos setenta e poucos. hoje, 500 anos depois, ela talvez seja o rosto humano mais famoso de todos os tempos.

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