A criança que fui, o homem que inventei

Fazer hoje o que eu quero fazer hoje é mais importante do que fazer hoje o que eu posso vir a querer ter feito amanhã.

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quem sou eu, uma vídeo-biografia de alex castro

mais e mais pessoas autoras & artistas têm criado vídeos quem sou eu, onde falam sobre suas vidas & suas prioridades, seu trabalho & sua produção.

então, aqui vai a minha vídeo-biografia:

uma biografia em vídeo, do alex castro.

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bio de alex castro

alex castro é o espírito que tudo nega, a carne que sempre afirma.

alex castro, aberto à visitação

Todas nós, mesmo as mais tranquilas e bem-resolvidas, estamos sempre travando batalhas internas, carregando problemas pesados, buscando conexões significativas.

Por isso, todos os dias, sempre das 17h às 19h (menos terças), faço questão de estar disponível para receber quaisquer visitantes que precisem de ombros amigos, ouvidos atentos, abraços apertados.

Não é necessário ter intimidade, ser interessante. Basta vir.

Poucas coisas têm me trazido tanta satisfação quanto poder acolher as pessoas que me trazem suas histórias e seus traumas, suas dores e seus medos, suas esperanças e seus sonhos.

Quando estou com outras pessoas e ouço suas histórias com atenção plena, é como se minhas próprias preocupações mesquinhas não existissem.

De repente, percebo que se passaram várias horas, horas em que não mastiguei rejeições, não remoí desfeitas, não remendei vaidades; horas em que estive livre da ditadura do meu Eu.

Só consigo me libertar do fascismo de mim mesmo quando estou me doando.

* * *

Em casa, minha rotina é simples: trabalhar do nascer ao pôr do sol, com intervalos para meditar, cozinhar, ler.

Lá pelas cinco da tarde, cansado, meu ritmo de produção começa a diminuir e percebo que estou carente, depois de um dia inteiro de trabalho sem contato humano.

Essa é a hora perfeita para me visitar.

Aí, quem sabe, podemos beber um chá aqui no meu apartamento, tomar um açaí na casa de suco da esquina, passear pelo aterro.

Minhas informações de contato atualizadas estão sempre na minha página de contato.

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Quase todo dia tem aparecido pessoas diferentes, trazendo novas histórias de vida.

Sou um privilegiado de passar o dia inteiro fazendo aquilo que amo e ainda conhecer pessoas incríveis todos os dias.

Obrigado.

* * *

Uma dúvida que surge:

“Alex, como você aguenta receber visitas de pessoas desconhecidas? E se elas forem chatas, tediosas, pentelhas?”

A chatice que enxergamos na outra pessoa é a nossa própria.

Nenhuma pessoa pode ser mais desinteressante do que aquela que não está interessada nas outras à sua volta.

* * *

Filmes e livros podem ser interessantes ou desinteressantes.

Já uma pessoa é um universo de questões e entranhas, traumas e braços, sonhos e pêlos.

Ela não é nem interessante nem desinteressante, pois não está lá para me entreter, me divertir, me empolgar.

(Ou seja, não é uma relação de consumo, onde ela é o produto e eu sou o consumidor.)

A outra pessoa só é.

Ela está ali, em busca de conexão humana significativa (como todas nós), e a única questão realmente importante é se vou me fechar ou interagir, bloqueá-la ou acolhê-la.

* * *

Vivi 48 anos cercado por pessoas e ainda não encontrei essa tal mítica pessoa chata, desinteressante, tediosa.

Existem várias pessoas que, por questões de compatibilidade, eu não gostaria de conviver por longos períodos, mas nunca encontrei ninguém cujo convívio fosse insuportável, desagradável ou mesmo tedioso por curtos intervalos — digamos, duas, três horas.

Como alguém pode ser desinteressante por três horas?

Ao final das três horas, a pessoa ainda é um mistério quase tão grande quanto no começo: um universo ainda praticamente inexplorado e desconhecido de planos e ressentimentos, alegrias e ciúmes; uma fonte ainda inesgotada, talvez inesgotável, de histórias e amores, fofocas e ódios.

Há tanta coisa a ser descoberta, a ser dita, a ser ouvida, que me parece inconcebível eu me sentir entediada.

Se estou entediada, isso revela não que a outra pessoa é desinteressante, mas sim a minha falta de interesse por ela.

E o que pode ser tedioso, chato, pentelho do que uma pessoa como essa, interessada apenas em si mesma?

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O primeiro Exercício de Atenção é praticar um olhar generoso.

aviso de ficcionalidade

Sou um autor de ficção, escrevo textos de ficção.

Toda e qualquer anedota aparentemente autobiográfica em meus textos foi inventada por mim, para fortalecer ou ilustrar um argumento, e não possui relação alguma com a realidade.

borges e espelhos

A verdade raramente é verossímil: quanto mais verdadeiras parecerem as histórias, mais mentirosas serão. Na verdade, quase todas são reais, mas nenhuma é verdadeira. Algumas que digo que aconteceram comigo na verdade aconteceram com outras pessoas. Algumas que digo que aconteceram com outras pessoas na verdade aconteceram comigo.

Para evitar que meus textos se tornassem relatos egocêntricos da minha vida, todas as anedotas autobiográficas são consistentemente contraditórias, apenas acessórios a serviço de algum argumento sendo desenvolvido.

uma biografia em vídeo, do alex castro.

O que importa são as ideias sendo expostas, não a pessoa que as está expondo. Você, a pessoa destinatária, é muito mais importante do que eu, a remetente. É você que decifra, interpreta e contextualiza a mensagem. Meus textos vão dizer o que você disser que eles disseram.

Mas a ficção serve, entre outras coisas, para mostrar às pessoas leitoras que tudo é ficção. A verdade não existe. Tem coisa mais ficcional do que o Jornal Nacional, do que um livro de História do Brasil, do que uma biografia de celebridade? É tudo mentira. Tudo. O tempo todo. Especialmente as coisas que batem no peito pra se afirmar verdades verdadeiras.

Qualquer informação que você obtenha nos meus textos deve ser conferida em uma fonte independente antes de ser passada adiante. Então, quando aprender a fazer isso comigo, passe a fazer isso com todas as informações que receber de qualquer pessoa. Porque, no fundo, na prática, estamos todas imersas em nossas pequenas realidades, inventando que somos aquilo que nunca seremos, criando narrativas com base em nossas esperanças e preconceitos.

Somos todas autoras de ficção.

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Para saber a verdade sobre como fiquei assim, leia a minha Bio.

Para ler mais sobre como a verdade pode ser uma prisão, leia a Prisão Verdade.

agradecimento público às mecenas

queridas mecenas,

esse texto é só para agradecer. mais uma vez. sempre.

vocês não imaginam o quanto eu valorizo, prezo, respeito o mecenato de vocês.

não acho trivial, não acho comum, não acho ordinário, que pessoas que eu nem conheço me contribuam dinheiro em troca…

bem, de nada, de textos que eu já dei e que já leram de graça.

não quero nunca me acostumar. não quero nunca ser a pessoa que acha normal receber esse tipo de contribuição.

penso no mecenato de vocês como um privilégio e como uma obrigação.

saber que vocês estão aí me faz ser uma pessoa melhor, um artista mais produtivo, um homem menos gastador.

eu penso:

não, não posso chutar o balde, não posso passar o mês só lendo game of thrones, não posso fazer aquela extravagância financeira.

não é para isso que essas 280 mecenas me sustentam.

eu tenho obrigação de ser essa pessoa que elas acham que eu sou.

e, talvez, quem sabe, na prática diária, um dia eu venha a ser.

vocês me ajudam muito, muito mais do que imaginam. (a ajuda financeira é a menor delas.)

e sou grato, muito grato.

* * *

você daria uma esmola para ele?

para também contribuir: alexcastro.com.br/mecenato

O sonho dos meus 12 anos

Aos 12 anos, todas temos sonhos do que queremos ser quando crescer. Depois, quase todas nós caímos na real e percebemos que arriscar a vida pra apagar fogo pode não ser um bom negócio.

Os sonhos dos 12 anos tendem a ser inviáveis e irreais. Quase sempre insensatos.

Muito melhor dedicar a vida a fazer contabilidade do restaurante ou assessoria de imprensa da fábrica.

Já eu, inviável e irreal, incapaz de sensatez, estou há 30 anos vivendo o sonho dos meus 12.

* * *

Quando tinha 12 anos, um quarto da idade que tenho hoje, decidi o que queria ser para o resto da minha vida.

Comprei uma verde e enorme máquina de escrever IBM elétrica, coloquei no meu quarto, montei um escritoriozinho, comecei a escrever.

Meus primeiros exercícios eram assim: eu reescrevia as histórias em quadrinhos do Mickey, trocando o rato da Disney por um detetive que eu tinha inventado. jAssim, já tendo o enredo pronto, podia me concentrar mais no estilo, no português, no personagem.

Nesse mesmo ano, de Copa do Mundo, Plano Cruzado e Roque Santeiro, enquanto cursava a 6ª série, eu escrevia e desenhava gibis, xerocava na empresa do meu pai, coloria as capas uma por uma e vendia assinaturas pras colegas de classe. Fechei o ano com dezesseis assinantes, além das vendas avulsas.

Ganhei meu primeiro dinheiro no concurso literário da Hebráica-Rio, em 1988. Participei de muitos concursos literários e de antologias-enganação. Escrevia grande parte dos jornaizinhos de todas as escolas por onde passei.

Resisti bravamente a todos os amigos e parentes que insistiam para eu publicar ainda criança: meu projeto era de longo prazo e não queria ser garoto-prodígio. (Um menino da minha escola publicou um romance aos 14 anos de idade e o que a imprensa falou dele era literalmente tudo que eu nunca queria que falassem de mim.)

Aos 17, enquanto caía a União Soviética, escrevi meu primeiro romance, altamente metalinguístico, cujo protagonista era eu mesmo, no ano 2000, aos 27 anos, vivendo de escrever, pobre de fazer dó mas com uma namorada que amava o que eu escrevia.

Minha irmã falou tanto de mim e do meu romance para uma amiga que ela ficou curiosa. Pediu pra ver. leu. Se apaixonou por mim antes de me conhecer. Logo depois, me descabaçou. Descobri que um dos segredos para conquistar uma pessoa é atiçar sua curiosidade. O outro é ser admirado por ela. (O terceiro, se querem saber, é ouvi-la com atenção.)

Todos os relacionamentos que tive na vida foram, de alguma maneira ou de outra, mediados pelos meus textos. Se não escrevesse, nenhum dos meus relacionamentos teria acontecido. Não imagino que estaria virgem até hoje mas, com certeza, tudo teria acontecido de forma bem diferente.

Escrevi, escrevi, escrevi. Todo dia. Às vezes, o dia todo.

Resisti bravamente às tentações pelo caminho. Não peguei empregos rentáveis, não aceitei mais um frila, não fiz aquela viagem – porque não me sobraria tempo pra escrever. Preferi sempre ajustar meu nível de consumo pra baixo, gastar menos, para poder trabalhar menos, viver com menos – e escrever mais.

Hoje, aos 41, vivi quase quatro vezes mais que aquele moleque de 12. Vejo que eu mesmo não consegui quase nada e ainda sou, pra todos os fins e efeitos, desconhecido e não-descoberto como escritor. Mas sabe? Estou satisfeito com a minha produção.

Escrevi muito. Escolhi com cuidado. Joguei quase tudo fora. Do que guardei, cortei grande parte. O que sobrou, me agrada. Literatura é artesanato e fico feliz.

Se eu tiver mais trinta anos para viver (será?), não tenho dúvidas de que vou passá-los escrevendo.

Sabe por quê? Porque essa vida é minha. Só tenho ela pra arriscar. Só tenho a mim mesmo para sacrificar. Se não jogar minha vida na roleta dos meus sonhos, quem vai fazer isso por mim?

* * *

Se meus textos tiveram impacto em você, se usa meus argumentos para ganhar discussões, se minhas ideias adicionaram valor à sua vida, por favor, considere fazer uma contribuição do tamanho desse valor.

Assim, você estará me dando a possibilidade de criar novos textos, produzir novos argumentos, inventar novas ideias.

minha página de mecenato:
alexcastro.com.br/mecenato