textos | alex castro

Herta Muller

Herta Müller, ganhadora do Nobel de Literatura de 2009, cresceu triplamente marginalizada:

Em primeiro lugar, era romena e viveu no país durante a fase mais repressiva da ditadura de Nicolae Ceaușescu.

Em segundo, era parte de uma minoria alemã dentro da Romênia, marginalizada por ser um lembrete vivo da aliança do país com Hitler. (O pai de Müller, e muitos de seus personagens, são ex-oficiais da SS.)

Em terceiro, por ser mulher.

As três marginalizações são, em larga medida, o tema de sua obra.

O homem é um grande faisão no mundo, escrito em 1986 e publicado no Brasil pela Cia das Letras em 2013, é a história de um moleiro que quer emigrar com a família para o ocidente e só consegue porque sua filha se deita com alguns figurões do partido. » leia o texto completo «

Wislawa Szymborska

Estou absolutamente apaixonado pela poetisa polonesa Wisława Szymborska (Visuáva Chamborska), ganhadora do Nobel de Literatura de 1996.

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A vegetariana, de Han Kang

A vegetariana (2007), da autora sul-coreana Han Kang, foi uma das minhas leituras de ficção mais impressionantes dos últimos meses.

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Por onde começar a ler Machado de Assis

Apesar de amar literatura, Esposa sempre teve ranço do Machado, como tantas de nós, por ter sido forçada a ler o Bruxo muito jovem.

Argumentei que ela não podia dizer que não gostava do maior escritor da nossa língua sem ter lhe dado uma chance justa. Então, pedi para que lesse cinco contos dele, que eu escolheria. Se continuasse não gostando, aí sim poderia bater no peito e dizer que “não gostava de Machado”.

Foi uma escolha dificílima, mas eis aqui meu escrete dos cinco melhores e mais representativos contos de Machado de Assis:

“Cantiga de esponsais” (De Histórias sem data, 1884)
“Noite de almirante” (De Histórias sem data, 1884)
“A causa secreta” (De Várias histórias, 1896)
“Missa do Galo” (De Páginas recolhidas, 1899)
“Pai contra mãe” (De Relíquias de casa velha, 1906)

Para quem está pensando em começar a namorar o Bruxo, eis aí minha sugestão.

Ah, ela adorou. Claro.

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Educar sem corrigir

Sempre que compartilho a imagem acima, aparece alguém retrucando:

“Você está ofendendo os professores! E os professores, hein? Os professores são babacas de corrigir? Hein? Hein?”

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Abrindo mão de mim

Ouço conselhos como

“Nunca abra mão de ser quem você é”

e penso:

a melhor coisa que fiz na vida foi abrir mão de ser quem eu era » leia o texto completo «

As quatro grandes peças de Shakespeare: Hamlet, Macbeth, King Lear e Othello

Shakespeare é um dramaturgo do começo ao fim. Ele precisa ser assistido, não lido.

O Othello de Oliver Parker (1995, com Kenneth Branagh) talvez seja um dos melhores exemplos de porque Shakespeare não pode ser só lido. É uma adaptação bem comportada, fiel, sem grandes invencionices. Mas, por Deus, como dá vida ao texto.

É impressionante, é realmente inacreditável, como pode frases tão truncadas e difíceis de entender na página escrita serem tão facilmente compreensíveis e digeríveis nos lábios de bons atores.

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Um pouco (quase nada) sobre literatura polonesa

Visitei a Polônia em 2016, para fazer um retiro zen budista em Auschwitz. Depois, peguei um trem até o porto de Gdańsk e, de lá, um barco pra Estocolmo.

Como sempre, quando chego num país novo, tento ler a literatura local. Já conhecia, e amava, Isaac Bashevis Singer, vencedor do Nobel de literatura e um dos grandes contistas de todos os tempos.

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Como ser rico

Pessoa rica é quem pode comprar tudo o que quer.

Existem duas maneiras de conseguir isso:

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Frankenstein, um romance sobre masculinidade tóxica

Frankenstein (1818), foi escrito por Mary Shelley, então uma menina de dezenove anos, orfã de uma mãe famosa que morreu em seu parto, Mary Wollstonecraft. Talvez por isso seja um romance sem nenhuma mãe.

A autora cresceu na casa de um homem famoso (seu pai, William Godwin) e cercada de outros homens famosos (seu futuro marido e já pai de seu primeiro filho, Shelley; Byron, etc), que morreram jovens e salpicaram filhos pela vida. Talvez por isso seja um romance sobre masculinidade tóxica e, mais especificamente, paternidade.

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Não vale a pena trocar o real pelo ilusório

Se trocar liberdade por segurança desse certo, seria até recomendável.

Se, ao abrir mão de nossa liberdade, realmente obtivéssemos a segurança de que não seríamos demitidas ou rejeitadas, atropeladas ou infectadas, valeria a pena.

O problema é que não existe segurança possível em um universo vasto e insensível, aleatório e entrópico.

A liberdade, mesmo a pouca e limitada liberdade de que dispomos, é um dom precioso que nos possibilita algum grau de potência e de autonomia perante esse universo que em breve nos matará.

Já a segurança é uma ilusão tão frágil que não sobrevive a um beijo adúltero na copa da empresa, que se desfaz na primeira demissão em massa, que não resiste a um diagnóstico de câncer.

Não vale a pena trocar o real pelo ilusório.

Você decide

Gosto de desejar às pessoas que colham tudo o que plantaram.

Assim cada uma decide por si mesma se é uma benção ou uma maldição.

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O controle de danos de nossa bondade

Você é uma pessoa boa? Você gosta de ajudar os menos favorecidos? Você tem consciência social? Então, o filme espanhol Até a chuva, de 2010, foi feito pra você.

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Eu não sei o que está acontecendo na Síria

Fala-se muito da obrigação de se informar, de seguir o noticiário.

Mas… por quê?

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Outrofobia, o espetáculo

O espetáculo Outrofobia, escrito por mim, está em cartaz em Curitiba.

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As únicas lutas

Pessoa querida me elogiando:

“Alex, admiro sua esperança, seu otimismo.”

Eu, surpreso:

“Esperançoso? Otimista? Eu? Onde foi que passei essa impressão?”

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A menina sonhadora feliz cabeça-de-vento

Sinopse do filme. Menino conhece menina. Em um enterro. Frequentam vários outros funerais juntos. Começam relacionamento. Menina tem câncer terminal. Menina morre, menino amadurece. Final feliz. Como não?

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Não entendo a Claudinha!

As pessoas não entendem a Claudinha porque não enxergam a Claudinha.

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Marionetes do destino: o teatro de Maeterlinck

Maurice Maeterlinck (1862-1949) foi um escritor, poeta e dramatugo belga, imensamente popular em sua época, um dos primeiros ganhadores do Nobel de Literatura (1911) e, hoje, injustamente esquecido.

Pelo menos duas de suas peças estão entre o melhor do teatro europeu do XIX: Os cegos e Interior, ambas do começo de sua carreira (década de 1890, quando estava na casa dos trinta) e escritas para marionetes, ambas pequenas joias de simplicidade e economia cênica.

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E se a sua mulher engordasse?

E se, ainda por cima, você fosse um homem muito bonito? Pois foi o que aconteceu com Pierce Brosnan.

E aí?

Aí nada, né? Por que é que tem que ser alguma coisa?

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