Empregadas na piscina

A cena mais política e mais subversiva, mais bonita e mais inspiradora, mais inédita e mais surpreendente, da última imersão aconteceu depois do encerramento.

Ontem, fim de tarde. Acabou o evento, as participantes se beijaram e se abraçaram, e, assim, meio chacoalhadas e um pouco abobadas, foram todas embora.

E, então, a equipe da ecovila começou a cair na piscina.

A Geise e a Alda, que limparam. A Cris, que cozinhou. O David, que serviu. A Adriana, que coordenou.

Depois de todo um fim-de-semana servindo e atendendo aquele grupo de trinta pessoas vindas de dez estados brasileiros diferentes…

…agora estavam relaxando, ouvindo música, comendo e bebendo, nadando, rindo, aproveitando a vista do pôr-do-sol do deck da piscina.

E comecei a chorar, e chorei muito, de pura alegria.

Talvez elas não tenham entendido meu choro. Talvez tenham achado que estava chorando de felicidade por meu evento ter sido lindo. Não quis explicar. Tive medo de soar elitista, condescendente.

Sim, meu evento foi lindo.

Mas eu estava chorando mesmo pelo simples fato de elas estarem na piscina.

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livros em cuba

Ruínas da antiga casa-grande do Engenho Los Molinos, em Matanzas 7

há quase dez anos, estudo e pesquiso e escrevo sobre cuba.

apesar do país ter um mercado editorial grande e vibrante, por causa do bloqueio americano, é difícil de encontrar livros cubanos fora da ilha.

resultado: voltei de um mês em cuba com 58kg de livros. cinquenta e oito. quilos. só de livros.

e não são livros capa-dura, não. são livros leves, de capa mole, em papel-jornal. (imaginem o volume que isso ocupou!)

mas valeu a pena. cuba é incrível. sua cultura, sua literatura, sua história, sua revolução.

Ruínas da antiga casa-grande do Engenho Los Molinos, em Matanzas 3

em poucos meses, a editora hedra deve publicar, aqui no brasil, minha edição da autobiografia do poeta-escravo cubano juan francisco manzano, um documento fundamental para compreender a escravidão.

o livro não é editado em cuba desde 1972 e já está na hora de uma nova edição cubana também.

parece que vai ser a minha. com o texto original, e minha introdução e notas traduzidas ao espanhol.

se tudo der certo, a partir de 2015, serei um autor publicado em cuba.

seria um orgulho e uma felicidade enormes.

Ruínas da antiga casa-grande do Engenho Los Molinos, em Matanzas 7

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leia também: em cuba, atrás do poeta-escravo

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na fotos, por claudia regina, a casa-grande do engenho los molinos, em matanzas, onde viveu e cresceu o poeta-escravo juan franscisco manzano.

Ruínas da antiga casa-grande do Engenho Los Molinos, em Matanzas 7

primeiro de maio em cuba

estou trabalhando na biblioteca nacional josé martí, em havana, em plena praça da revolução, espécie de cinelândia cubana.

quinta-feira agora, 1º de maio, é a grande festa do dia do trabalho, apoteose do socialismo, maior celebração do ano.

já faz uma semana que estou acompanhando diariamente todos os preparativos na praça, os testes de som dos gigantescos alto-falantes, os ensaios, as decorações.

preparativos para o 1º de maio na plaza de la revolución
preparativos para o 1º de maio na plaza de la revolución

nos jornais, só se fala disso. quem vai desfilar por onde, quais ruas estarão fechadas, quais linhas especiais de ônibus farão o transporte para lá, etc.

mais de um milhão de pessoas devem vir.

e eu, idiota, marquei minha passagem de volta para o rio no dia 30 de abril.