A piada que o Dalai Lama não entendeu

Uma piada budista, em inglês:

The Dalai Lama walks into a pizza place and says,

“Make me one with everything.”

* * *

Um apresentador de TV tentou contar essa piada pro Dalai Lama e ele não entendeu nada:

Esse artigo, em inglês, lista todos os pressupostos culturais e linguísticos que se precisa compartilhar pra entender essa piada. (São muitos.)

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Castelos de areia

Um grupo de crianças brincava de construir castelos na areia da praia. De repente, por acidente, uma das crianças pisou no castelo de areia de outra.

Em breve, havia uma briga generalizada. Grupos se formaram para atacar outros grupos. Narizes sangraram, bracinhos foram torcidos. Algumas crianças foram expulsas de volta para casa, derrotadas, chorando. Amizades incipientes se romperam e nunca se refizeram. Décadas no futuro, essas antipatias (cuja origem ninguém mais lembrava) ainda causavam hostilidade, agressão, sofrimento.

Então, o sol caiu, a noite esfriou, as mães chamaram.

Poucos minutos depois da última criança sair, veio uma onda e destruiu todos os castelos de areia.

* * *

Adaptado de uma velha história budista.

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Um dia tranquilo

Em poucos minutos, embarco pro Recife.

Hoje, está um dia especialmente agitado, cheio de bombas estourando no último minuto, vários problemas para resolver.

Então, em pleno tumulto, de repente, eu páro e penso: toda pessoa que morreu em acidente aéreo estava assim, ansiosa, correndo, resolvendo mil coisas.

E aí eu páro e sento e respiro. Como uma ameixa com calma, apreciando cada mordida. Dou um cheiro bem gostoso na Capitu e deixo ela lamber minha orelha. Escrevo esse textículo e jogo ao mundo, como quem lança um bilhete em uma garrafa.

Não porque eu acho que eu vá morrer nesse voo. (As chances disso acontecer são diminutas.) Mas porque, de fato, posso morrer a qualquer momento, inclusive nesse voo. E, se não for nesse voo, será atropelado por um caminhão que talvez ainda nem foi fabricado, ou traído por meu coração, esse que está aqui batendo agora, e que um dia pode decidir que não quer mais brincar.

E, no dia em que isso acontecer, quero que tenha sido um dia que passei tranquilo, onde comi uma fruta com gosto, apertei a Capitu como se não houvesse amanhã, escrevi um texto que, quem sabe, ajudou outras pessoas.

* * *

Depois de amanhã, começa a Imersão do Nordeste. Vejo vocês lá. Se sobrevivermos.

Carma

“Alex, como pode uma pessoa como você, agnóstica e cética, “acreditar” em carma?”

Não acho que carma seja algo em que eu “acredito” (realmente não acredito em nada) mas meu entendimento de carma é o seguinte, a partir de uma perspectiva budista secular.

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Algozes de nós mesmas

Nada pode ser mais poderoso, mais apavorante, mais necessário do que estarmos sozinhas com nossas mentes, sem intermediários e sem desculpas.

Se uma colega de trabalho me feriu hoje à tarde no escritório, essa foi uma ação dela sobre mim e, mais dia menos dia, ela vai pagar o preço: afinal, ela me fez sofrer.

Mas, se hoje à noite, fritando na cama sozinha com meus pensamentos, eu ainda estou remoendo esse insulto e mastigando essa ofensa, então essa é uma ação minha sobre eu mesma e o preço eu já estou pagando agora, em tempo real: eu estou me fazendo sofrer.

Mesmo em um universo tão cruel e tão aleatório, o meu maior algoz quase sempre sou eu mesma: meus pensamentos obssessivos, minha mente desordenada, meu apego à minha identidade.

Não precisa ser assim.

Relaxamento

Meditar não é pra se acalmar, pra se tranquilizar, para relaxar: pelo contrário, é pra nos darmos conta de que não somos calmas, tranquilas, relaxadas.

É para descobrirmos, muitas vezes para nossa surpresa, que ainda estamos obcecadas por aquele velho namorado, que ainda estamos sofrendo a dor daquela velha ofensa, que já estamos vivendo a angústia da morte que um dia morreremos.

Basta tentarmos habitar o momento presente para percebermos o quanto moramos no passado e no futuro.

A liberdade da biruta

Pergunta:

“Alex, faz sentido se esforçar tanto para controlar e disciplinar a mente? Por que tanta repressão?”

Porque, ironicamente, nenhuma mente está mais presa, nenhuma mente é menos livre, do que a mente descontrolada, refém de seus próprios condicionamentos, correndo sem rumo de um lado para o outro como um cachorro que não sabe qual carro perseguir.

A gente se autocontrola para sermos mais livres.

birutas ddf

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A cruz e o carma

Outro dia, um moço me procurou. Setenta anos, alguns distúrbios mentais, um câncer no cérebro. Estava raivoso, puto, frustrado.

Em um dado momento, me acusou de não estar fazendo nada para ajudá-lo. Que o que ele precisava mesmo era que eu pegasse aquele câncer pra mim. Afinal, por que no cérebro dele e não no meu?!

E eu respondi:

“Se você pudesse pegar o meu diabetes, a minha hipertensão, a minha gota, a minha gastrite, eu pegaria o seu câncer de cérebro.”

cancer battle

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Os Padres do Deserto

Foram talvez os últimos cristãos verdadeiros, os últimos iconoclastas que escolheram seguir os ensinamentos da pessoa Jesus em detrimento das ordens da instituição criada por Paulo.

padres do deserto

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Por quê?

Um tipo de pergunta que me fazem muito:

“Alex, no templo zen, por que vocês meditam de frente para a parede? Ou se prostram para o altar? Ou andam em ângulos retos?” etc etc.

question everything why

E só tenho uma resposta:

“Não sei. Por toda a minha vida, sempre fui a pessoa que queria saber o porquê de tudo. Hoje, minha prática zen é desapegar do meu ego questionador e aprender a fazer as coisas sem precisar saber seus porquês.”

Noite escura, de João da Cruz

Meditamos não para fugir da realidade ou para nos isolar do mundo, mas por perceber que a vida não-contemplativa, a vida do ego, a vida do consumo, a vida do apego, é fundamentalmente irreal. Meditar é a nossa maneira de mergulharmos plenamente na realidade ilimitada.

Mas nem sempre a espiritualidade, a contemplação, a meditação trazem a paz: essa não-paz é o que João da Cruz chama de “noite escura”.

noite escura da alma joao da cruz

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Zen FLIP

A experiência da FLIP para uma pessoa que vive de escrever e está apegada ao Ego (perdão pela redundância) é uma verdadeira montanha russa emocional.

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a importância dos rituais

nem todo ritual é bobagem.

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tudo é prática

cada palavra conta. cada interação conta. tudo é prática.

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Notas de um retiro em um campo de concentração

Na primeira semana de novembro de 2016 — entre o Dia de Todos os Santos, quando todos os maus espíritos estão soltos no mundo, e uma eleição norte-americana entre uma direitista militarista e um louco racista misógino; enquanto meu país sofre sob um desgoverno ilegítimo e meu estado enfrenta a ressaca pós-olímpica cortando serviços essenciais — participei de um retiro zen-budista em Auschwitz, na Polônia, realizado pela Ordem dos Pacificadores Zen.

Para quem está chegando agora, recomendo começar por meu texto Um escritor no campo de concentração, escrito antes do retiro. Abaixo, algumas palavras sobre a experiência pós-retiro zen em Auschwitz.

tomando sopa do lado de fora do campo de concentração auschwitz-birkenau. tomávamos sopa trazida em um caminhão, sempre com a mesma cumbuca e não podíamos usar colher

tomando sopa do lado de fora do campo de concentração auschwitz-birkenau. tomávamos sopa trazida em um caminhão, sempre com a mesma cumbuca e não podíamos usar colher

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Prisão Conhecimento

Cultivando o não-conhecimento e abraçando a não-certeza, exercendo a não-opinião e praticando o não-debate. Ouvindo e aceitando, acolhendo e abraçando.

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um escritor no campo de concentração

retiro-auschwitz-2

não há nada a ser ensinado. não há nada a ser aprendido. só existe a dor para ser compartilhada.

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cinco perguntas sobre religião

o que é ser uma pessoa religiosa?

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as cinco lembranças

— adoecer faz parte da minha natureza. adoecer é uma lembrança da presença do mundo em mim.

— envelhecer faz parte da minha natureza. envelhecer é o ornamento da minha impermanência.

— morrer faz parte da minha natureza. morrer é uma dádiva da impermanência.

— tudo aquilo que amo ou odeio (objetos, parentes, pessoas amigas e inimigas) também compartilham da mesma natureza impermanente e passageira.

— somente as minhas ações são os meus pertences verdadeiros. não posso fugir às suas consequências. minhas ações são o chão que fazem o meu caminho.

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quem sou eu, uma vídeo-biografia de alex castro

mais e mais pessoas autoras & artistas têm criado vídeos quem sou eu, onde falam sobre suas vidas & suas prioridades, seu trabalho & sua produção.

então, aqui vai a minha vídeo-biografia:

uma biografia em vídeo, do alex castro.

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