alex castro

“Atenção.”, novo livro de Alex Castro. Por uma política do cuidado.

“Atenção.”, compre direto do autor

Você pagaria um pouco mais pelo mesmo produto em troca da satisfação de ajudar diretamente uma artista?

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Meu novo livro, Atenção., já está à venda.

"Atenção."

O ebook custa R$29,90 e o impresso, R$44,90.

(Eu ganho 30% do preço de capa do ebook e 10% do impresso.)

E também dá para comprar o livro na minha mão.

Nesse caso, você paga um pouco mais (R$95), mas tem o gostinho de estar ajudando diretamente um autor que você aprecia e acompanha. De fazer parte do meu processo criativo.

E eu te agradeço. :)

De brinde: um marcador de página exclusivo e uma dedicatória apócrifa única.

Compre com PagSeguro.
(No exterior, compre com PayPal.)

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Sem Atenção, não há Cuidado.

Nenhum ato pode ser mais político e mais transformador do que enxergarmos e cuidarmos umas das outras.

EbookAmazon, Cultura, Saraiva, GooglePlayFeltrinelli (Itália), iTunes, FNAC (França), FNAC (Espanha), FNAC (Portugal), Kobo.

ImpressoTravessa, Cultura, Amazon.

A capa é da artista plástica Isabel Löfgren.

Esse livro não teria sido possível sem a generosidade das mecenas, que me apoiam com suas contribuições em dinheiro. Todas as 743 mecenas estão citadas nos agradecimentos de Atenção. Muito, muito obrigado.

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Lançamentos

RJ: 19 de março, Livraria da Travessa Ipanema, 19h
SP: 30 de março, Livraria da Vila Lorena, 16h
Curitiba: 14 de abril, Livraria Curitiba Palladium, 15h

Lançamento RJ: 19 de março, Livraria da Travessa Ipanema, 19h

Lançamento RJ: 19 de março, Livraria da Travessa Ipanema, 19h

Lançamento SP: 30 de março, Livraria da Vila Lorena, 16h

Lançamento SP: 30 de março, Livraria da Vila Lorena, 16h

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Extras do e-book

O ebook tem três extras exclusivos que não estão disponíveis em nenhum outro lugar:

  1. Uma entrevista comigo, falando mais sobre os bastidores do livro, sobre As Prisões, sobre budismo;
  2. Um making of, contando como o Projeto As Prisões se transformou no Atenção. (Isso mesmo: Atenção. é parte integrante do Livro das Prisões!)
  3. As duas primeiras Práticas de atenção, publicadas no meu blog pessoal LLL há mais de dez anos, e nunca republicadas.

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Onde comprar?

Se quiserem me ajudar, prefiro que comprem na minha mão, pagando um pouco a mais. :)

Se preferirem pagar o preço normal, peço para darem preferência a livrarias independentes,como Travessa, Nobel, Leitura, Curitiba, etc, ou pelo site da Amazon.

Evitem a Saraiva e a Cultura, pois estão em recuperação judicial e não estão pagando as editoras.

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Sobre o livro

Atenção é o grande commodity da contemporaneidade. Ela é constantemente disputada pelas grandes empresas, que espalham todo o tipo possível de publicidade à nossa vista e contabilizam – e comercializam – os números de likes, compartilhamentos e pageviews de sites ou perfis em redes sociais. Há uma grande quantidade de informação e estímulos destinada a dividir a nossa atenção de nós mesmos e, principalmente, do outro. Mas, contraditoriamente, vivemos na era da desatenção, sempre fazendo tudo de maneira superficial, com falta de cuidado e de zelo. Neste livro, o zen-budista Alex Castro analisa as diferentes maneiras pelas quais podemos exercitar a atenção, não em busca do próprio autodesenvolvimento, mas para convertê-la em um instrumento de ação política. Mais do que olhar para si em busca de aprimoramento, o autor defende a necessidade de enxergar e aceitar o outro, acolher e cuidar do próximo.

A reflexão do livro se inicia com um questionamento: onde está nossa atenção em uma sociedade tão disposta a saber do que gostamos ou desejamos? Essa valorização do “autocentramento” nos faz dispensar uma quantidade ilimitada a nós mesmos e ao que nos interessa. Por outro lado, onde está o outro? Aquele a quem não damos atenção, mas, por outro lado, vemos, julgamos e criticamos a partir de nossa visão de mundo, de nossos conceitos e preconceitos?

Alex Castro apresenta ao leitor uma análise sobre o mal que a falta de atenção faz à sociedade e à necessidade de olhar de forma verdadeira o outro como forma de transformar o coletivo e a nós mesmos. Essa reflexão é desenvolvida no que o autor chama de práticas de atenção, entre elas, ouvir com atenção plena, praticar o não conhecimento e exercer a não opinião.

 

O essencial, numa sociedade autocentrada, é desapegar do Eu. Dar atenção é esvaziar o Eu e, por consequência, esvaziar-se de julgamentos e conceitos. “Dar atenção a alguém é estar plenamente com ela. Querer resolver o sofrimento a todo custo significa nunca estar realmente presente com a pessoa que sofre, nunca enxergar sua verdadeira dor. Cuidado sem atenção é superficial e pode ser até nocivo”, explica Castro.

Mas esse livro não é de “desenvolvimento pessoal”. Afinal, só faz sentido exercitar todas essas práticas como um caminho para um engajamento coletivo que nos transforme em uma sociedade mais igualitária: “praticamos a atenção para sermos melhores para as outras pessoas. Praticamos atenção não para vivermos vidas melhores, mas para que as pessoas que precisam conviver conosco vivam vidas melhores. Quanto mais atenção, mais vemos que não existem outras pessoas. Estamos todas juntas.” Leia Atenção. e descubra diferentes maneiras pelas quais podemos exercitar o cuidado engajado e a escuta ativa, atos transformadores para si mesmo e para a sociedade.

Para comprar: alexcastro.com.br/atencao

Página no site da editora.

Atenção, capa aberta.

Clique para ver em tamanho maior.

* * *

O Autor

Alex Castro publicou Mulher de um homem só (romance, 2009), Onde perdemos tudo (contos, 2011), Outrofobia (ensaios, 2015) e Autobiografia do poeta escravo (história, 2015). Foi colaborador da revista Mad in Brazil, do site PapodeHomem e do jornal Tribuna da Imprensa. Em 2016, lançou Autobiografia do poeta escravo em Cuba e foi um dos escritores convidados da Feira Internacional do Livro de Havana. As Prisões, instalações artístico-literárias de sua autoria, já foram realizadas em todas as regiões do país, congregando milhares de participantes. Praticante do zen-budismo há mais de dez anos, Alex Castro é membro da Ordem dos Pacificadores Zen e irmão ordenado em Eininji – Templo do Cuidado Amoroso Eterno, em Copacabana, sob o nome de “Darma de Iquiú”.

Site: alexcastro.com.br
FB: /alexcastroescritor
Twitter: @outrofobia
Insta: @outrofobia
Goodreads: /outrofobia

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Título: Atenção.

Autor: Alex Castro

Editora: Rocco

ISBN: 978-85-68696-69-9

Código: 9788568696699

Formato:  14 x 21cm

Páginas: 288

Preço: R$ 44,90

Lançamento: março de 2019

Rio de Janeiro: lançamento “Atenção.”, 19 de março

Lançamento RJ: 19 de março, Livraria da Travessa Ipanema, 19h

Lançamento RJ: 19 de março, Livraria da Travessa Ipanema, 19h

» leia o texto completo «

Atenção., novo livro de Alex Castro

Atenção é o grande commodity da contemporaneidade. Ela é constantemente disputada pelas grandes empresas, que espalham todo o tipo possível de publicidade à nossa vista e contabilizam – e comercializam – os números de likes, compartilhamentos e pageviews de sites ou perfis em redes sociais. Há uma grande quantidade de informação e estímulos destinada a dividir a nossa atenção de nós mesmos e, principalmente, do outro. Mas, contraditoriamente, vivemos na era da desatenção, sempre fazendo tudo de maneira superficial, com falta de cuidado e de zelo. Neste livro, o zen-budista Alex Castro analisa as diferentes maneiras pelas quais podemos exercitar a atenção, não em busca do próprio autodesenvolvimento, mas para convertê-la em um instrumento de ação política. Mais do que olhar para si em busca de aprimoramento, o autor defende a necessidade de enxergar e aceitar o outro, acolher e cuidar do próximo.

"Atenção.", de Alex Castro, publicado pela Editora Rocco em 2019

A reflexão do livro se inicia com um questionamento: onde está nossa atenção em uma sociedade tão disposta a saber do que gostamos ou desejamos? Essa valorização do “autocentramento” nos faz dispensar uma quantidade ilimitada a nós mesmos e ao que nos interessa. Por outro lado, onde está o outro? Aquele a quem não damos atenção, mas, por outro lado, vemos, julgamos e criticamos a partir de nossa visão de mundo, de nossos conceitos e preconceitos?

Alex Castro apresenta ao leitor uma análise sobre o mal que a falta de atenção faz à sociedade e à necessidade de olhar de forma verdadeira o outro como forma de transformar o coletivo e a nós mesmos. Essa reflexão é desenvolvida no que o autor chama de práticas de atenção, entre elas, ouvir com atenção plena, praticar o não conhecimento e exercer a não opinião.

"Atenção."

O essencial, numa sociedade autocentrada, é desapegar do Eu. Dar atenção é esvaziar o Eu e, por consequência, esvaziar-se de julgamentos e conceitos. “Dar atenção a alguém é estar plenamente com ela. Querer resolver o sofrimento a todo custo significa nunca estar realmente presente com a pessoa que sofre, nunca enxergar sua verdadeira dor. Cuidado sem atenção é superficial e pode ser até nocivo”, explica Castro.

Mas esse livro não é de “desenvolvimento pessoal”. Afinal, só faz sentido exercitar todas essas práticas como um caminho para um engajamento coletivo que nos transforme em uma sociedade mais igualitária: “praticamos a atenção para sermos melhores para as outras pessoas. Praticamos atenção não para vivermos vidas melhores, mas para que as pessoas que precisam conviver conosco vivam vidas melhores. Quanto mais atenção, mais vemos que não existem outras pessoas. Estamos todas juntas.” Leia Atenção. e descubra diferentes maneiras pelas quais podemos exercitar o cuidado engajado e a escuta ativa, atos transformadores para si mesmo e para a sociedade.

Para comprar: alexcastro.com.br/atencao

Página no site da editora.

Atenção, capa aberta.

Clique para ver em tamanho maior.

O Autor

Alex Castro publicou Mulher de um homem só (romance, 2009), Onde perdemos tudo (contos, 2011), Outrofobia (ensaios, 2015) e Autobiografia do poeta escravo (história, 2015). Foi colaborador da revista Mad in Brazil, do site PapodeHomem e do jornal Tribuna da Imprensa. Em 2016, lançou Autobiografia do poeta escravo em Cuba e foi um dos escritores convidados da Feira Internacional do Livro de Havana. As Prisões, instalações artístico-literárias de sua autoria, já foram realizadas em todas as regiões do país, congregando milhares de participantes. Praticante do zen-budismo há mais de dez anos, Alex Castro é membro da Ordem dos Pacificadores Zen e irmão ordenado em Eininji – Templo do Cuidado Amoroso Eterno, em Copacabana, sob o nome de “Darma de Iquiú”.

Site: alexcastro.com.br
FB: /alexcastroescritor
Twitter: @outrofobia
Insta: @outrofobia
Goodreads: /outrofobia

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Título: Atenção.

Autor: Alex Castro

Editora: Rocco

ISBN: 978-85-68696-69-9

Código: 9788568696699

Formato:  14 x 21cm

Páginas: 288

Preço: R$ 44,90

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Katrina

As histórias de um brasileiro e seu cachorro em meio ao pior furacão da história.

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Ensinando Brasil no exterior

Há muitos anos, em uma outra encarnação, eu dava aulas de língua portuguesa e cultura brasileira em uma universidade norte-americana. » leia o texto completo «

nossa cultura é realmente nossa?

amiga me perguntou o que eu achava das comemorações de halloween no brasil, essa festa que, escreveu ela, “não faz parte da nossa cultura”.

mas… o que é nossa cultura? o que faz parte da nossa cultura? » leia o texto completo «

Existem as pessoas chatas?

Escrevi, há pouco tempo, que nunca conheci “pessoa chata”. A chatice que enxergamos na outra pessoa seria sempre a nossa própria. Afinal, nenhuma pessoa pode ser mais desinteressante do que aquela que não está interessada nas outras à sua volta.

(O texto completo está aqui: Quem são as pessoas chatas?)

Em resposta, recebi o seguinte email: » leia o texto completo «

Mozart no campo de futebol

Se você é um ouriço, a última coisa que pode fazer é se comprometer a não usar seus espinhos.

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Falar baixo

Uma das minhas resoluções de ano-novo, sempre repetida e reiterada, é simplesmente “falar mais baixo”.

Essa semana, duas pessoas me escreveram comentando sobre isso.

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A liberdade de não revidar

Liberdade é receber o tapa e poder escolher, friamente, se quero responder na mesma moeda ou não. » leia o texto completo «

Carapuças

A carapuça é uma das forças mais poderosas do universo, alimentada pelo nosso inesgotável narcisismo.

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Pessoas de vida fácil

Algumas pessoas olham para minha vida e comentam, sempre em tom estranhamente negativo:

“Arrá! Sem filhos é muito fácil viver assim, né?! NÉ?!”

E eu respondo, simplesmente:

“Sim. É por isso que fiz a escolha de não ter filhos.” » leia o texto completo «

Toda relação homem-mulher é assimétrica

Como ser um homem não-canalha em um mundo criado e pensado para ser abusivo para as mulheres?

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Compre livros

Sim, compre livros nesse natal. Muitos livros.

Mas não na Saraiva ou na Cultura, que não estão repassando pagamentos para as editoras e, talvez, nunca repassem.

Compre direto das pessoas autoras.

Compre nos sites das editoras.

Compre nas livrarias independentes.

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Porque não dou presentes

Quem pode ser contra presentes?

Não dou presentes porque

1) estimula o consumismo de objetos;

2) cria uma pesada e constrangedora obrigação de reciprocidade; e

3) é uma ferramenta de controle e dominação.

Em vez de dar presentes, prefiro

1) fazer atividades e ter experiências com as pessoas que eu amo, como ir à praia ou passear;

2) fazer coisas pelas pessoas que eu amo, como cozinhar ou lavar a louça

3) dar a elas minha atenção plena, quando estamos juntas.

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Quem são as pessoas chatas?

“Alex, como você aguenta receber visitas de pessoas desconhecidas? E se elas forem chatas, tediosas, pentelhas?”

A chatice que enxergamos na outra pessoa é a nossa própria.

Nenhuma pessoa pode ser mais desinteressante do que aquela que não está interessada nas outras à sua volta.

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Dez romances favoritos

Perguntaram a vários escritores. Aqui vão os meus, em ordem alfabética:

  • Cecília Valdés (Cuba, 1882), de Cirilo Villaverde
  • Cem anos de solidão (Colômbia, 1967), de Gabriel Garcia Márquez
  • Fortunata e Jacinta (Espanha, 1887), de Benito Perez Galdós
  • Grande sertão: veredas (Brasil, 1956), de Guimarães Rosa
  • Guerra e paz (Rússia, 1867), de Liev Tolstoi
  • Hora da estrela (Brasil, 1977), de Clarice Lispector
  • Ilíada (Grécia, c.IXaec), de Homero
  • Miseráveis (França, 1862), de Victor Hugo
  • Moby Dick (EUA, 1851), de Herman Melville
  • Manuscrito encontrado em Saragoça (Polônia, 1815), de Jan Potocki

Quais são os seus? » leia o texto completo «

o texto é de quem lê

quando me perguntam qual era a intenção de algum texto meu, eu nunca respondo.

às vezes, me acusam de não querer dialogar, mas é o oposto.

cada texto será sempre lido por um pessoa leitora que trará à leitura suas vivências, suas experiências, seu preconceitos, seus traumas.

a mágica da leitura acontece nesse efêmero espaço virtual, fora do texto, onde se encontram as intenções da pessoa autora e as percepções da leitora.

naturalmente, as intenções da autora são baseadas no que imagina que serão as percepções da leitora, e as percepções da leitora são baseadas no que imagina que foram as intenções da autora.

mais naturalmente ainda, a beleza do processo é a precariedade da comunicação: nem a pessoa autora consegue prever quais vão ser as percepções da leitora, nem a leitora consegue saber quais são as intenções da autora.

por isso, o espaço virtual da leitura é tão efêmero, pois ele nunca é o mesmo: “Dom Casmurro” era o mesmo livro em 1992 e em 2009, mas as percepções, projeções, presunções que eu trouxe ao texto nessas duas datas eram tão radicalmente diferentes que ocasionaram duas experiências de leitura também radicalmente diferentes.

a partir do momento em que a pessoa leitora recebe o texto, ele pertence a ela, para lê-lo através de SUAS definições, para projetar nele os SEUS significados, para interpretar ele de acordo com as SUAS vivências.

então, quando uma pessoa autora se recusa a revelar suas intenções, não é que ela não quer dialogar: pelo contrário, ela quer possibilitar o diálogo.

porque, se a autora revelar suas “verdadeiras intenções”, além de elas não serem importantes, ela estará matando o diálogo, pois sua resposta será vista como a “resposta certa”.

por outro lado, enquanto a pessoa autora se mantiver calada e respeitar que o texto agora pertence às leitoras, mais elas vão poder dialogar, interpretar, interpelar o texto livremente.

o texto é de quem lê. » leia o texto completo «

Como conheci minha namorada

Tinha essa moça que eu mal conhecia mas estava tentando encontrar há mais de um mês. (Para bater papo, porque ela parecia interessante, mas também para devolver uma canga que tinha esquecido em um evento.)

Aí, um mestre zen norte-americano iria palestrar no meu templo, em Copacabana (eu faria a tradução simultânea), e convidei a moça para vir. Ela topou. Marcamos de nos encontrar na plataforma do metrô Flamengo e irmos juntos.

Enquanto esperava, reparei em um velhinho meio perdido. Cheguei perto, puxei conversa, percebi que ele não sabia onde estava. Pedi permissão para olhar em sua bolsa e descobri seu nome e endereço. Era em uma rua perto mas eu não sabia exatamente onde.

Tenho celular mas não smartphone, então, liguei para a moça (com quem eu não tinha nenhuma intimidade) e disse apenas:

“Por favor, descobre onde é a rua Almirante Tamandaré.”

Ela não hesitou, não reclamou, não perguntou. Quando saiu do vagão, já estava com o mapa na tela do smartphone. Eu disse:

“Seu Oswaldo mora nessa rua e está um pouco perdido. Vamos levar ele em casa?”

Ela pegou um braço, eu peguei outro, e fomos escoltando seu Oswaldo. No caminho, ela ainda descobriu que isso nunca tinha acontecido com ele (confirmado pelo porteiro do seu prédio) e que a culpa provavelmente era de um remédio para parar de fumar que ele estava tomando.

Corremos de volta para o metrô e chegamos no meu templo ainda com alguns minutos de folga. A tradução simultânea da palestra do mestre foi bem mais cansativo do que imaginei que seria e meu cérebro estava uma geléia.

(Dá pra ouvir a palestra aqui.)

Ainda assim, quis sair para conversar com ela. Jantamos na Trattoria, ali do lado do Copacabana Palace (era 29 de março, dia de nhoque da fortuna) e, depois, caminhamos pela orla, conversando até às quatro da manhã.

No dia seguinte, eu entraria em um retiro de dois dias com esse mesmo mestre zen, um retiro importante para minha progressão espiritual no templo e na ordem.

Mas, às seis da manhã (ou seja, duas horas depois de deixá-la em casa), lhe mandei um email de uma linha dizendo simplesmente:

“Não vou pro retiro.”

Ela respondeu:

“Ótimo. Vem pra cá.”

Eu fui.

E ainda estou.

* * *

Minha teoria é que o seu Oswaldo mudou tudo.

Que um relacionamento humano que começa ajudando outra pessoa sem hesitação já se beneficia de um manancial de carma positivo.

Que podemos conviver com alguém socialmente por anos, mas que somente conhecemos uma pessoa de verdade quando fazemos algo com ela, quando compartilhamos um objetivo e trabalhamos juntos para realizá-lo.

Ao convidá-la para um evento religioso, eu não tinha intenções nem remotamente românticas para com aquela moça. Mal nos conhecíamos.

Mas, quando ela saiu daquele vagão de metrô com o endereço do seu Oswaldo na tela de seu smartphone, eu já sabia coisas importantíssimas sobre ela, sobre sua capacidade de reação, sobre sua inteligência emocional, sobre sua disposição de ajudar o próximo.

Quando deixamos o seu Oswaldo em casa, eu já havia realizado, construído, empreendido mais coisas práticas, úteis e bonitas com ela do que com a maioria das pessoas que conheço.

E, quando a deixei em casa às quatro de manhã, depois de horas e horas de conversa, eu já sabia que era com ela que gostaria de passar minhas horas, meus dias, minha vida.

Nada disso teria acontecido sem o Seu Oswaldo.

Sou grato a ele por ter nos dado a dádiva de nos permitir ajudá-lo e, ao ajudá-lo, nos ajudar, nos encontrar, nos amar.

Presentear às outras pessoas com a chance de praticar a generosidade também é um presente generoso que lhes damos. Indo ou vindo, generosidade sempre faz bem.

Obrigado, seu Oswaldo. » leia o texto completo «