Nostalgia da pólio

Nunca vi nostalgia alguma que não fosse fundamentada numa sólida ignorância do passado.

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uma moça chamada lisa

lisa era pobre mas tinha um nome importante. o seu marido era rico, bem mais velho, mas não tinha nome. casaram. para marcar sua ascensão social, encomendaram um retrato da esposa, então com vinte e poucos. ela posou para o pintor diversas vezes ao longo de anos. ele fazia de tudo para distraí-la e manter sempre um sorriso em seus lábios. (como seria a convivência entre os dois? do que conversavam?) o pintor não ficou satisfeito com o quadro. nunca recebeu o dinheiro da comissão, nunca entregou o quadro inacabado. quando se mudou de cidade, levou o quadro junto. não sabemos a relação do casal com o quadro que encomendaram, não pagaram, não levaram. será que viram? devem ter vivido suas vidas sem pensar muito nisso. lisa teve 5 filhos e morreu aos setenta e poucos. hoje, 500 anos depois, ela talvez seja o rosto humano mais famoso de todos os tempos.

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Apoie a arte que você consome

Se meus textos adicionaram valor à sua vida…

se nao for fazer falta no leite das crianças…

te peço para considerar a possibilidade de uma contribuição proporcional ao valor que os textos têm para você.

Assim, você estará me dando a possibilidade de criar novos textos, produzir novos argumentos, inventar novas ideias.

alexcastro.com.br/mecenato

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Próximos eventos

As próximas imersões “As Prisões” vão acontecer em Areias, bem no meio do caminho entre Rio e São Paulo, em junho e em outubro de 2017. Você vem?

imersão as prisões de alex castro

imersão as prisões de alex castro

textos que incomodam e perturbam

há muitos anos, eu dava aulas de português e literatura brasileira em uma universidade norte-americana.

um dia, depois de uma aula onde tínhamos discutido a questão das empregadas domésticas no brasil, uma aluna me procurou pra dizer que o tema foi perturbador (“disturbing”) e que ela se sentiu muito desconfortável (“uncomfortable”) durante a discussão.

eu perguntei se ela se sentiu desrespeitada em algum momento. ela respondeu que não.

fiquei aliviado e continuei:

pois bem, respondi, uma sala de aula (ainda mais em um liberal arts research university) não é mesmo para ser um ambiente confortável. nossa discussão tinha sido sobre uma grande parcela de mulheres brasileiras que ainda trabalha em condições parecidas à escravidão.

quando dou “quarto de despejo”, de carolina maria de jesus, para uma turma de pessoas norte-americanas brancas, privilegiadas e bem-alimentadas é claro que meu objetivo é pertubá-las, incomodá-las.

só uma pessoa sem coração e sem empatia conseguiria ler o diário da carolina sem se sentir perturbada e incomodada.

bom saber que você tem consciência, eu disse.

não quero nunca que se sinta desrespeitada na minha sala de aula. mas, ao longo desse semestre, ainda vamos ler os sertões e casa-grande e senzala.

se você NÃO se sentir desconfortável e incomodada, por favor, me avise!

carolina maria de jesus autografando quarto de despejo

as pessoas adoram reproduzir fotos da carolina na favela, mas eu prefiro essa foto dela escritora, autografando seu livro que foi a obra brasileira mais vendida e traduzida em todo o mundo até surgir o paulo coelho.

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hoje, nos meus textos, sigo a mesma regra.

escrevo sempre com muito cuidado, mas meu objetivo continua sendo confortar as pessoas aflitas e, em larga medida, afligir as confortáveis.

quero chacoalhar e incomodar.

se você não se sente chacoalhada e incomodada lendo meus textos, então, não está funcionando.

se você não quer se sentir chacoalhada e incomodada, melhor não ler.

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Se meus textos adicionaram valor à sua vida…

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alexcastro.com.br/mecenato

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imersão as prisões de alex castro

imersão as prisões de alex castro

Pelo direito de estarmos confusas

Estar confusa só faz bem.

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Serão os negros criminosos?

Em discussões sobre racismo, de vez em quando me desafiam:

“Alex, não é um fato inquestionável que a maioria dos criminosos são negros?”

Não, não é. Nem perto disso.

quadro negro (2015), de estevão haeser

“quadro negro” (2015), de estevão haeser.

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nosso maior medo é a falta de controle

acidentes aéreos escancaram nossa impotência diante do acaso. teorias da conspiração recuperam alguma medida de controle sobre nosso destino.

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alex fora do facebook

estou saindo do facebook, mais uma vez.

se vc nao paga vc é o produto facebook

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Uma história de quatro pessoas

O que importa não é a vida que levei, mas o que faço com ela hoje.

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esse seu problema aí

somos todas primatas sem alma, vivendo vidas sem sentido, presas na superfície de uma bola de pedra girando em torno de si mesma e se deslocando em círculos pelo vazio do espaço, destinadas a morrer em breve, junto com todas nossas pessoas queridas, assim como nossos países, nossas culturas e nossos idiomas, que vão desaparecer também, aquecidas por um sol que logo se auto-destruirá, levando com ele tudo o que já conhecemos.

então, sinceramente, no grande esquema das coisas, que importância pode ter esse seu probleminha aí?

meus livros preferidos

depois de toda uma vida intensa em leituras, esses são meus livros preferidos.

bíblia, isolada na liderança há 20 anos.

declínio e queda do império romano, firme em segundo lugar, há 15 anos.

dois livros que são tudo que um livro têm que ser: imensos, inexauríveis, inesgotáveis.

dois livros que dá pra passar a vida lendo, que, se fossem os únicos livros que uma pessoa lesse, daria para extrair deles o universo.

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4 coisas

só fofocas.

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é arte

quando realizei um encontro “as prisões” em belém, fui entrevistado pela versão local do “sem censura”, programa ao vivo.

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Sexo: o que é, como definir

Quando me perguntam “com quantas mulheres fiz sexo”, me dou conta de que nem mesmo sei definir o que é sexo.

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resoluções de ano-novo

falar mais baixo.

não ser grosso com a minha mãe.

todo ano, há quinze anos, faço as mesmas resoluções de ano novo.

um ano desses, se tudo der certo, vou conseguir mantê-las a meu contento e, então, trocar de resolução.

até lá, continuo me esforçando nessas.

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problemas de primeiro mundo em cuba

só pode ter “problema de primeiro mundo” quem resolveu os básicos “problemas de terceiro mundo”: educação, saúde, moradia.

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pequena teoria sobre a cozinha italiana

na itália, as pessoas comem as massas mais maravilhosas do mundo e nunca engordam.

por quê?

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vidas vividas, escolhas escolhidas

antigamente, eu me perguntava como teria sido minha vida se tivesse feito outras escolhas.

hoje, me pergunto quais teriam sido minhas escolhas se tivesse vivido outra vida.

ler muito é o melhor substituto para a inteligência

se você ler livros o suficiente…

…sempre encontrará alguém minimamente famoso para validar suas opiniões e te fornecer uma argumentação para validá-las muito melhor do que qualquer coisa que você poderia desenvolver por conta própria. » leia o texto completo «

menos fotos

o que perdemos ao tirar mais uma foto?

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Leituras, comentadas, de janeiro de 2017

Um mês de leituras cristãs, mais especificamente proféticas, mais especificamente católicas, mais especificamente jesuítas.

1. Introdução ao profetismo bíblico, de José Luis Sicre Díaz.
2. The Prophets, de Abraham Heschel.
3. The end of eternity, de Isaac Asimov.
4. Shit my dad says, de Justin Halpern.
5. Francisco, um papa do fim do mundo, de Gianni Valente.
6. Silence, de Shusako Endo.
7a. Exercícios espirituais, de Inácio de Loiola.
7b. The spiritual exercises.
8. Quando tudo se cala: o silêncio na Bíblia, de Silvio José Báez.

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