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Corrente

Se você se sente em dívida comigo por algo que te fiz, por algum texto que escrevi, por alguma ajuda que lhe prestei, gostaria que pagasse essa dívida ajudando outra pessoa.

Gostaria que buscasse alguém que precise da sua ajuda, alguém que não tem direito nem expectativa alguma de ser ajudada por você, e que ajudasse essa pessoa do melhor jeito que pudesse.

Aliás, proponho que faça isso mesmo se eu nunca tiver te ajudado em nada.

Se você, em algum ponto crítico da sua vida, foi ajudada por alguma pessoa estranha cujo nome você nunca soube, então, agora, ajude alguma outra pessoa estranha cujo nome você não sabe.

Se nunca foi ajudada por alguma pessoa estranha cujo nome você nunca soube… então, seja a primeira.

Comece a corrente.

E eu te agradeço.

* * *

Um dia, fui pego no meio de uma catástrofe climática, quase perdi meu cachorro, me transformei em refugiado por seis meses e fui muito mais ajudado do que jamais conseguirei ajudar de volta.

Só hoje, 13 anos depois, consigo perceber o tamanho do impacto dessa experiência na história da minha vida, de como ela mudou minha orientação política, minhas prioridades literárias, basicamente tudo.

Esse textículo é dedicado a todas as pessoas que me ajudaram, e que estão discriminadas ao final desse meu depoimento.

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Um resumo da atual situação política brasileira

Passo por um boteco de Copacabana e vejo uma multidão olhando fixo para a tela, todo mundo tenso, nervoso.

Corro pra ver, coração acelerado, preparado pra tudo….

… e é só uma cobrança de pênaltis.

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A política e o prazer

Talvez o maior de todos os dilemas:

Como criar um espaço de ação política efetiva onde seja possível encarar o horror do mundo e agir para transformá-lo…

… ao mesmo tempo em que preservamos um espaço pessoal seguro onde seja possível desfrutar dos prazeres da vida, gozar e dançar, comer Brie e escrever poesia?

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Abaixo a normalidade

Só existe um “Outro” que pode ser excluído porque existe uma normalidade intolerante que o define fora dela.

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Somos o que fazemos

O que importa não é o que a gente sente, pensa, acha, mas o que a gente faz.

Por trás de tudo o que escrevo, de tudo o que penso, de tudo o que faço, está essa mesma afirmação, comprovada por tudo que já observei entre seres humanos.

Naturalmente, essa simples afirmação gera reações extremadas.

Mas, depois de anos e anos de pessoas contraargumentando, ninguém ainda conseguiu me mostrar nenhum pensamento, emoção, sentimento que tivesse tido qualquer impacto no mundo, na realidade, na existência a não ser através de ações, gestos, palavras.

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Zap

Abriu o celular e se deparou com 33 áudios da pessoa-com-quem-estava-namorando.

Respondeu: “Amor, ainda não ouvi. Quer que ouça ou prefere que apague sem ouvir? Espero sua resposta.”

E veio: “Apaga tudo e não se fala mais nisso.”

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Faltiel, filho de Laís, marido de Micol

A Bíblia é meu livro preferido. A história de Faltiel é um dos motivos.

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crítica construtiva

escuto muito:

“ah, eu gosto de ser criticada, mas só se for crítica construtiva, né?”

e eu acredito, ô, de verdade, acredito.

o problema é: como definir “crítica construtiva”?

na minha experiência de quase meio século de ouvir e observar humanos, a maioria das pessoas define “crítica construtiva” assim:

“aquelas criticas que eu faço, com todo o amor e carinho, e as ingratas defensivas rejeitam.”

já crítica negativa, obviamente, são

“aquelas que as invejosas fazem de mim, cheias de maldade, sem nunca tentar entender minhas verdadeiras razões.”

difícil é encontrar crítica construtiva vindo e crítica negativa indo.

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a beleza e o caos: uma carta de amor

ontem, fui à praia sozinho.

pensei: mesmo nos piores momentos, mesmo quando estou mais triste, mesmo quando parece que não tenho nada, eu sempre tenho a praia, meu patrimônio, minha herança, para usar quando quiser.

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As gratuidades e as visitas não são detalhes

Duas práticas que não são detalhes fortuitos ou idiossincráticos, e sim parte integrante do projeto artístico que venho desenvolvendo durante toda a minha vida:

1. Tudo o que produzo é sempre fundamentalmente gratuito.

2. Todos os dias, estou disponível para receber visitas de quaisquer pessoas.

Com o objetivo de:

a. Quebrar o paradigma consumista que transforma qualquer obra em produto pronto para ser empacotado e vendido;

b. Promover uma maior conexão humana verdadeira, significativa, presencial.

Sem isso, seria mais digno largar essa merda de “ser artista” e ir fazer qualquer outra coisa.

* * *

Visitação:
alexcastro.com.br/visitacao

Gratuidades:
alexcastro.com.br/gratuidades

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O que a vida dos outros nos ensina

Só temos uma única vida para apostar na roleta dos nossos sonhos. As nossas dores e alegrias só quem vai sentir somos nós.

* * *

Karine odiava seu emprego.

Não podia largá-lo, dizia ela, porque era o único jeito de pagar o caríssimo aluguel de seu apartamento.

E eu perguntei:

“Por que você mora nesse apartamento específico e não em outro?”

“Porque é perto do trabalho.”

* * *

Conheço duas pessoas que decidiram “largar tudo”, se arrependeram amargamente… e “pegaram tudo” de novo.

Um moço percebeu que dava pra curtir Ubatuba muito mais veraneando lá enquanto diretor de criação de agência na Vila Madalena do que como ajudante em escuna para turista, aturando belgas bêbados todos os dias.

Uma moça percebeu que dava para curtir literatura muito mais sendo engenheira em multinacional e lendo Clarice Lispector a noite toda do que estudando Letras e sobrevivendo às custas de traduções e revisões.

Por outro lado, conheço várias e várias outras pessoas que largaram tudo e não se arrependeram.

Ou vai ver se convenceram que não tinham se arrependido, porque não tinha mais volta.

* * *

As lições das vidas de outras pessoas podem ser interessantes, podem ampliar nossos horizontes e indicar caminhos, mas têm utilidade limitada.

A decisão que se provou a mais acertada para Pedro foi a mesma que fudeu a vida de Paulo.

E aí?

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Como ensino Literatura

Uma aula de literatura é a aula mais democrática que existe.

Pela própria natureza da disciplina, não se trata de uma aula onde você tem uma mestra lá em cima magnanimamente distribuindo conhecimento e um grupo de pessoas alunas lá embaixo sorvendo tudo silenciosamente. Comparado com uma professora de História ou Química, tenho de fato muito pouco pra ensinar. Minha leitura de qualquer obra literária vale tanto quanto a de qualquer aluna.

A principal força-motriz que me arrasta pra sala de aula é a curiosidade sincera de saber o que as alunas vão falar sobre aquela obra que estamos lendo. Quase um terapeuta freudiano, eu estou em sala mais pra ouvir e guiar a discussão (e iluminar aqui e ali) do que de fato pra falar.

Em ordem decrescente de importância, eis aqui as minhas tarefas como professor de literatura:

1) Iluminar tudo o que já estaria iluminado para uma leitora contemporânea da obra. Pela distância temporal e espacial, muitas vezes a leitora não sabe coisas que o texto não diz porque presume que seriam óbvias. (Por isso, é impossível estudar literatura sem contextualizar a obra em sua cultura e época.)

2) Ensinar um certo tipo de raciocínio literário, como abordar a obra, como lhe fazer perguntas, como formular hipóteses, como ler as entrelinhas, etc, técnicas que são úteis por toda a vida.

3) Corrigir as hipóteses mais absurdas, que em geral estão erradas ou por anacronismo ou ignorância cultural (ver 1), ou por não estarem baseadas em evidências textuais (ver 2).

4) Conhecer a fortuna crítica para poder oferecer às pessoas alunas outras interpretações e leituras daquela obra ao longo dos anos e em outras culturas e, assim, enriquecer a discussão e estimular o debate.

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Prioridades, prioridades

Nossas ações revelam nossas prioridades.

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O Uber, a exploração, o livre-arbítrio

Devemos usar o Uber? As motoristas do Uber estão sendo exploradas? Temos efetivamente livre-arbítrio?

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Como começar a ler uma pessoa autora

Variação de comentário que escuto com frequência:

“Não sei o que o povo vê na Clarice/Guimarães Rosa/Machado/etc. Eu li e achei super chato!”

E respondo:

“Poxa, que incrível. São alguns dos maiores autores de todos os tempos. O que você leu dele?”

Perto do Coração Selvagem/Tutaméia/Helena/etc.”

“Ah, tá explicado.”

Existem obras e obras.

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Como lidar com pessoas-na-fúria

Na medida do possível, tento nunca interagir com pessoas-que-estão-na-fúria.

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O que significa ser um país livre?

Há muito tempo atrás, quando eu ensinava Cultura Brasileira em uma universidade norte-americana, parte da aula incluía explicar como funcionava nosso sistema político.

E comentei que, apesar do mito local de que “os Estados Unidos eram a nação mais livre do mundo”, a partir de um certo nível de liberdade, todas as nações livres eram igualmente livres.

A Austrália é mais livre que a França? A Argentina que o Japão?

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O que é raça?

“Alex, você se acha branco? Negro? Qual é a sua raça?”

Respondo que não me acho nada.

Na maior parte do Brasil, acham que sou branco. No sul, acham que sou negro, mulato. Nos Estados Unidos, acham que sou latino ou hispânico. Na Europa, acham que sou árabe.

Então, o que eu sou depende de onde estou e de quem vê.

O que importa é que, no Sudeste do Brasil, sou tratado como pessoa branca e, por isso, desfruto dos privilégios outorgados às pessoas brancas. Nos Estados Unidos, sou tratado como pessoa latina/hispânica e, por isso, compartilho do tratamento preconceituoso que essa cultura dispensa às pessoas latinas/hispânicas, etc.

E eu, o que eu sou?

Dado que raça, biologicamente falando, de fato, no gene, no DNA, não existe…

Dado que raça é um fenômeno totalmente político, cultural, social, econômico…

Então, eu sou rigorosamente tão branco quanto sou negro, tão hispânico quanto sou árabe.

Não existe isso de “ser uma pessoa branca”, mas existe, e é bem real, ser tratada, vista, percebida e, principalmente, valorizada como pessoa branca.

“Ser uma pessoa branca” é uma ilusão biológica. “Ser tratada como uma pessoa branca” é uma realidade social, politica, econômica.

Então, a resposta é que eu não me acho nada.

Na cidade onde nasci, cresci e moro, no Rio de Janeiro, sou percebido como branco e desfruto dos privilégios de branco.

Então, na prática, para todos os fins e efeitos, sou branco.

Mas se você me pergunta se eu me acho branco, a minha única resposta precisa e sincera é que não me acho nada.

O discurso essencialista (“sou X”) muitas vezes é somente uma tática conservadora para desviar a discussão da realidade como ela é: o que importa é como somos tratadas, tanto na entrevista de emprego quanto na blitz policial, nessa nossa sociedade tão incrivelmente racista.

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Toda caneca já está quebrada

Foi bom enquanto durou. Tudo é bom enquanto dura. Nada dura.

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O privilégio de ouvir histórias de horror

Ouvir histórias de horror — ao invés de vivê-las — é um baita privilégio.

Não passa um dia sem que eu escute não uma, não duas, mas várias mulheres pedindo ajuda, chorando dores, compartilhando agressões: violências sempre cometidas por homens.

E tem muito, muito pouco que eu possa fazer além de ouvir, abraçar, acolher.

Com o tempo, as histórias de horror vão pesando na minha alma.

Sempre que tenho vontade de puxar a tomada, desligar tudo, sair do Facebook, parar de ler os emails desesperados, penso que o simples fato de eu poder fazer tudo isso é um baita privilégio masculino.

As mulheres que sofrem essas violências que me pesam na alma não têm como desligar o mundo que as oprime.

Então, engulo o meu desespero e vou ver o que posso fazer pra ajudar.

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