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A vegetariana, de Han Kang

A vegetariana (2007), da autora sul-coreana Han Kang, foi uma das minhas leituras de ficção mais impressionantes dos últimos meses.

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As quatro grandes peças de Shakespeare: Hamlet, Macbeth, King Lear e Othello

Shakespeare é um dramaturgo do começo ao fim. Ele precisa ser assistido, não lido.

O Othello de Oliver Parker (1995, com Kenneth Branagh) talvez seja um dos melhores exemplos de porque Shakespeare não pode ser só lido. É uma adaptação bem comportada, fiel, sem grandes invencionices. Mas, por Deus, como dá vida ao texto.

É impressionante, é realmente inacreditável, como pode frases tão truncadas e difíceis de entender na página escrita serem tão facilmente compreensíveis e digeríveis nos lábios de bons atores.

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Um pouco (quase nada) sobre literatura polonesa

Visitei a Polônia em 2016, para fazer um retiro zen budista em Auschwitz. Depois, peguei um trem até o porto de Gdańsk e, de lá, um barco pra Estocolmo.

Como sempre, quando chego num país novo, tento ler a literatura local. Já conhecia, e amava, Isaac Bashevis Singer, vencedor do Nobel de literatura e um dos grandes contistas de todos os tempos.

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Frankenstein, um romance sobre masculinidade tóxica

Frankenstein (1818), foi escrito por Mary Shelley, então uma menina de dezenove anos, orfã de uma mãe famosa que morreu em seu parto, Mary Wollstonecraft. Talvez por isso seja um romance sem nenhuma mãe.

A autora cresceu na casa de um homem famoso (seu pai, William Godwin) e cercada de outros homens famosos (seu futuro marido e já pai de seu primeiro filho, Shelley; Byron, etc), que morreram jovens e salpicaram filhos pela vida. Talvez por isso seja um romance sobre masculinidade tóxica e, mais especificamente, paternidade.

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Dez romances favoritos

Perguntaram a vários escritores. Aqui vão os meus.

Todo grande romance é cósmico: ele parte da especificidade das situações cotidianas e, a partir delas, abraça a totalidade da existência.

Primeiro, cinco romances simplesmente perfeitos:

E outros cinco quase tão perfeitos quanto:

 

 Quais são os seus?

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Como ensino Literatura

Uma aula de literatura é a aula mais democrática que existe.

Pela própria natureza da disciplina, não se trata de uma aula onde você tem uma mestra lá em cima magnanimamente distribuindo conhecimento e um grupo de pessoas alunas lá embaixo sorvendo tudo silenciosamente. Comparado com uma professora de História ou Química, tenho de fato muito pouco pra ensinar. Minha leitura de qualquer obra literária vale tanto quanto a de qualquer aluna.

A principal força-motriz que me arrasta pra sala de aula é a curiosidade sincera de saber o que as alunas vão falar sobre aquela obra que estamos lendo. Quase um terapeuta freudiano, eu estou em sala mais pra ouvir e guiar a discussão (e iluminar aqui e ali) do que de fato pra falar.

Em ordem decrescente de importância, eis aqui as minhas tarefas como professor de literatura:

1) Iluminar tudo o que já estaria iluminado para uma leitora contemporânea da obra. Pela distância temporal e espacial, muitas vezes a leitora não sabe coisas que o texto não diz porque presume que seriam óbvias. (Por isso, é impossível estudar literatura sem contextualizar a obra em sua cultura e época.)

2) Ensinar um certo tipo de raciocínio literário, como abordar a obra, como lhe fazer perguntas, como formular hipóteses, como ler as entrelinhas, etc, técnicas que são úteis por toda a vida.

3) Corrigir as hipóteses mais absurdas, que em geral estão erradas ou por anacronismo ou ignorância cultural (ver 1), ou por não estarem baseadas em evidências textuais (ver 2).

4) Conhecer a fortuna crítica para poder oferecer às pessoas alunas outras interpretações e leituras daquela obra ao longo dos anos e em outras culturas e, assim, enriquecer a discussão e estimular o debate.

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Como começar a ler uma pessoa autora

Variação de comentário que escuto com frequência:

“Não sei o que o povo vê na Clarice/Guimarães Rosa/Machado/etc. Eu li e achei super chato!”

E respondo:

“Poxa, que incrível. São alguns dos maiores autores de todos os tempos. O que você leu dele?”

Perto do Coração Selvagem/Tutaméia/Helena/etc.”

“Ah, tá explicado.”

Existem obras e obras.

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aula 01: bíblia hebraica grande conversa leituras

Eclesiástico, de Jesus ben Sirá

“O que sabe aquele que não foi tentado?”

* * *

O Eclesiástico é o livro mais recente do Antigo Testamento e o único cujo autor conhecemos. Ele foi escrito pelo sábio e escriba Jesus ben Sirá, por volta de 180 antes da Era Comum, em hebraico e provavelmente em Jerusalém.

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Manuscrito encontrado em Saragoça, de Jan Potocki

Talvez meu romance preferido de todos os tempos.manuscrito-encontrado-saragoca-vol2

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Leituras comentadas, agosto de 2017

Um mês de diferentes leituras por diferentes motivos: um livro lido a trabalho, para escrever a orelha; um lido no grupo de estudos sobre Cuidados Contemplativos; três lidos como follow-up de leituras para meu curso de Formação de Instrutor de Meditação; quatro como parte dos meus estudos para um romance em planejamento; uma coletânea de artigos do Gandhi que têm tudo a ver com As Prisões; e, por fim, dois estudos sobre a Ilíada, por puro prazer estético, porque ninguém é de ferro.

1. (71) Santos fortes, Karnal e Fernandes, 2017, português.
2. (72) Being with dying, Halifax, 2009, inglês.
3. (73) João da Cruz, Leloup, 2007, francês.
4. (74) Esperando Foucault, ainda, Sahlins, 1993, inglês.
5. (75) The Western illusion of human nature, Sahlins, 2008, inglês.
6. (76) The knowledge illusion, Sloman e Fernbach, 2017, inglês.
7. (77) The enigma of reason, Mercier e Sperber, 2017, inglês.
8. (78) The desert fathers, c.III-IV, copta. [Trad, org: Waddell, 1936.]
9. (79) The desert fathers, c.III-IV, copta. [Trad,org: Ward, 2003.]
10. (80) Trusteeship, Gandhi, c.1930-1940, inglês.
11. (81) The Iliad, or the poem of force, Weil, 1940, francês.
12. (82) On the Iliad, Bespaloff, 1945, francês.

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Leituras comentadas, julho de 2017

Em julho, mais uma vez, quase todas as minhas leituras foram religiosas: Padres do Deserto, Bíblia, meditação budista e cristã.

1. (58) Noite escura, Cruz, c.1580, espanhol.
2. (59) A Noite Escura segundo João da Cruz, Stinissen, 1990, alemão.
3. (60) Cântico dos Cânticos, circa séc.III/II AEC, hebráico.
4. (61) Cântico dos Cânticos, León, c.1560, espanhol.
5. (62) Religiões em Reforma, 2017, português.
6. (63) Meditation, now or never, Hagen, 2007, inglês.
7. (64) Meditação cristã, Main, 1982, inglês.
8. (65) A orientação espiritual dos Padres do Deserto, Grün, 2002, alemão.
9. (66) O caminho do coração, Nouwen, 1981, inglês.
10. (67) A sabedoria do deserto, Merton, 1960, inglês.
11. (68) The Prophets, Heschel, 1962, inglês.
12. (69) Odisséia, Homero, c.séc.IX AEC, grego.
13. (70) O livro aberto, Lourenço, 2015, português.

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Odisseia, de Homero

A Odisseia, de Homero, é a primeira grande história de aventuras da tradição ocidental. Indispensável para qualquer pessoa interessada em literatura.

Mas prefiro a Ilíada.

odisseia cia das letras lourenço

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Qual Bíblia ler?

Resposta rápida: Bíblia de Jerusalém (BJ).

É uma das mais populares, fácil de encontrar, em diversos tamanhos. Ela é maravilhosa: a tradução é linda, poética, literária; as notas são perfeitas, embasadas, acadêmicas, incorporando as últimas pesquisas; ela é ecumênica, tendo sido produzida por uma equipe de pessoas católicas, protestantes, judias.

Biblia de Jerusalem

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aula 01: bíblia hebraica grande conversa leituras

Cântico dos Cânticos

Dentre tantos livros compilados na Bíblia (“Bíblia” literalmente significa “livros”), talvez o mais surpreendente e inesperado seja uma antologia de poesia erótica, que jamais menciona Deus, assinada pelo dono de um gigantesco harém e provavelmente escrita por uma mulher: o Cântico dos Cânticos.

cantico dos canticos w

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aula 04: cristãos grande conversa leituras zen

Noite escura, de João da Cruz

Meditamos não para fugir da realidade ou para nos isolar do mundo, mas por perceber que a vida não-contemplativa, a vida do ego, a vida do consumo, a vida do apego, é fundamentalmente irreal. Meditar é a nossa maneira de mergulharmos plenamente na realidade ilimitada.

Mas nem sempre a espiritualidade, a contemplação, a meditação trazem a paz: essa não-paz é o que João da Cruz chama de “noite escura”.

noite escura da alma joao da cruz

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Os Sertões explica o Brasil

Poucos anos depois da Proclamação da República, o Exército Brasileiro mobilizou quase todas as suas forças para enfrentar, e destruir, uma pequena aldeia rebelada no sertão da Bahia, Canudos. Entre os correspondentes de guerra enviados para cobrir a batalha, estava Euclides da Cunha, de O Estado de São Paulo, que pouco depois publicou um livro sobre a experiência, chamado Os Sertões.

Um livro que explica o Brasil.

os sertoes

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Leituras comentadas, junho de 2017

Outro mês de leituras religiosas.

1. (50) Dhammapada, c.séc.III aec, páli.
2. (51) O grande silêncio, de Braz, português, 2016.
3. (52) La condición obrera, de Weil, 1934-1942, francês.
4. (53) Livro de Habacuc, c.630–540 aec, hebráico.
5. (54) Heart of Darkness, de Conrad, inglês, 1899.
6. (55) As edições da Bíblia no Brasil, de Malzoni, português, 2016.
7. (56) A arte de meditar, de Ricard, 2008, francês.
8. (57) A arte da meditação, de Goleman, 1989, inglês.

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a ojeriza tribal

uma verdadeira ojeriza nunca é pessoal: ela é o rito de entrada em uma tribo.

paulo coelho e romero britto

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Biblía, Ilíada, Odisséia, indispensáveis

Leio e leio, releio e releio, e acabo sempre voltando aos mesmos livros: a Bíblia e a Ilíada/Odisséia.

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Dom Casmurro

Dom Casmurro, romance publicado por Machado de Assis em 1899, conta a história de um adultério. Ou não.