Um pouco (quase nada) sobre literatura polonesa | alex castro

Um pouco (quase nada) sobre literatura polonesa

Visitei a Polônia em 2016, para fazer um retiro zen budista em Auschwitz. Depois, peguei um trem até o porto de Gdańsk e, de lá, um barco pra Estocolmo.

Como sempre, quando chego num país novo, tento ler a literatura local. Já conhecia, e amava, Isaac Bashevis Singer, vencedor do Nobel de literatura e um dos grandes contistas de todos os tempos.

Peguei, quase a esmo, dois livros:

Manuscrito encontrado em Saragoça de Jan Potocki, imponente, entrou pro meu top 5 de romances, ao lado de Moby Dick, Grande Sertão: Veredas, Cem anos de solidão, Os miseráveis.

E This Way for the Gas, Ladies and Gentlemen, de Tadeusz Borowski, também maravilhoso, me pareceu a melhor e mais dura representação literária do Holocausto.

Fiquei impressionado com a literatura desse país em quem eu mal e mal havia pensado.

Pouco depois, nem me lembro em qual post do Facebook, uma pessoa leitora copiou e colou um poema de Wislawa Szymborska, também ganhadora do Nobel de literatura, chamado “O terrorista, ele observa“. Foi o que me bastou para correr atrás da autora, ler tudo que achei, e me apaixonar perdidamente.

Agora, uma nova polonesa ganhou o Nobel de literatura, Olga Tokarczuk, que já estava na minha mira desde que a New Yorker publicou um perfil muito interessante dela faz uns dois meses. Estão aqui, na minha mesinha, seus livros Flights (publicado no Brasil como Os vagrantes, já esgotado, e prestes a ser reeditado com novo título) e Drive Your Plow Over the Bones of the Dead.

Além disso, a Polônia está no centro das lutas políticas desse nosso tempo de recrudescimento político. Há poucos meses, o prefeito progressista de Gdansk, cidade marítima deliciosa onde passei dias lindos, foi assassinado ao vivo, em pleno palco, no meio de um evento. Enquanto isso, nas eleições desse fim de semana, o partido de extrema direita manteve seu controle da Câmara, mas perdeu o Senado. Ou seja, ainda tem luta. Nada está decidido.

Já visitei mais de 35 países mas detesto viajar. De modo geral, eu só viajo por pessoas, para visitar alguma pessoa querida, para fazer eventos com pessoas queridas. A Polônia, assim, é um país estranho na minha vida, um país com o qual não tenho conexão afetiva alguma, um país onde não conheço ninguém, mas, ainda assim, talvez por causa disso, fascinante.

Para começar a entender melhor a Polônia, estou lendo dois livros de história básica: A Concise History of Poland, de Jerzy Lukowski e Hubert Zawadzki, e Poland: A History, de Adam Zamoyski.

(Tenho uma regra pessoal que, para entender minimamente qualquer assunto, é preciso ler pelo menos dois livros, não para saber mais, mas para termos noção de o quão pouco sabemos: Ler mais para saber menos)

Estou aproveitando a empolgação para ler outros livros poloneses que estavam aqui na minha fila:

— Solaris, de Stanislaw Lem (Clássico da ficção científica, que vou ler na tradução brasileira.)

— New and Collected Poems: 1931-2001, de Czeslaw Milosz (Outro poeta polonês que ganhou o Nobel de literatura.)

—The Doll, de Boleslaw Prus (Clássico do romance realista polonês do século XIX. Eu amo um bom romanção realista do XIX.)

— Cosmos e Pornografia, de Witold Gombrowicz (Aparentemente dois romances loucos e sensacionais, escrito por um polonês que passou a vida esquecido na Argentina.)

— A Memoir of the Warsaw Uprising, de Miron Bialoszewski (Recomendadíssimo como memória do Holocausto.)

— Lost Time: Lectures on Proust in a Soviet Prison Camp, de Jozef Czapski (Em busca do tempo perdido, de Proust, lido por um polonês brilhante em um gulag soviético.)

Ficção completa, de Bruno Schulz (Em belíssima edição da Cosac, um contista da mesma geração de Gombrowicz, mas que não sobreviveu ao Holocausto.)

Aceito recomendações.

* * *

Aproveito e compartilho um poema da poeta polonesa Wislawa Szymborska nas três línguas que consigo ler.

Em minha humilde opinião, sem acesso ao original, a versão espanhola (Beltrán & Múrcia) me parece mais bela e sonora que a brasileira (Przybycien) e inglesa (Baranczak & Cavanagh).

E vocês, o que acham?

* * *

Tenho quatro livros à venda. Comprando direto na minha mão, você me dá a possibilidade de escrever novos livros e de ler outros tantos. E eu te agradeço.

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