Dez romances favoritos | alex castro

Dez romances favoritos

Perguntaram a vários escritores. Aqui vão os meus, em ordem alfabética:

  • Cecília Valdés (Cuba, 1882), de Cirilo Villaverde
  • Cem anos de solidão (Colômbia, 1967), de Gabriel Garcia Márquez
  • Fortunata e Jacinta (Espanha, 1887), de Benito Perez Galdós
  • Grande sertão: veredas (Brasil, 1956), de Guimarães Rosa
  • Guerra e paz (Rússia, 1867), de Liev Tolstoi
  • Hora da estrela (Brasil, 1977), de Clarice Lispector
  • Ilíada (Grécia, c.IXaec), de Homero
  • Miseráveis (França, 1862), de Victor Hugo
  • Moby Dick (EUA, 1851), de Herman Melville
  • Manuscrito encontrado em Saragoça (Polônia, 1815), de Jan Potocki

Quais são os seus?

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Notas e comentários

A lista tem dois hispânicos que ninguém conhece no Brasil, e acho que nunca traduzidos ao português:

O cubano Cecília Valdés, melhor romance sobre escravidão nas Américas que já li

(Menções honrosas: Benito Cereno, Amada, Kindred);

E o espanhol Fortunata e Jacinta, melhor romanção realista que já li

(Menção honrosa: Os maias)

Já escrevi mais sobre Cecília Valdés aqui.

* * *

A lista não é dos “melhores romances de todos os tempos”, o que exigiria uma objetividade que não tenho, mas sim dos meus “romances preferidos”, um recorte necessariamente subjetivo e que diz muito sobre minha vida, minhas premissas, minhas prioridades.

Então, por exemplo, como estudei escravidão por toda a minha vida e é um dos temas que mais me desperta o interesse, a lista inclui o melhor romance sobre escravidão que já encontrei, o que reflete mais a minha história de vida e minhas prioridades do que a qualidade do romance em si — apesar dele ser, naturalmente, maravilhoso.

* * *

Considero que a Ilíada, para todos os fins e efeitos práticos, hoje é lida, percebida, recebida como um romance.

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Menções honrosas

(em ordem alfabética de idioma original)

Alemão
Processo, Castelo, Kafka;

Espanhol
Enteado, Saer;
Guerra do fim do mundo, Tia Julia e o escrevinhador, Llosa;
Sobre heróis e tumbas, Sábato;
Colmeia, Cela;
Martin Fierro, Hernandez;

Francês
Partículas elementares, Houellebecq;
Princesa de Cleves, La Fayette;

Inglês
Lord Jim, Nostromo, Coração das trevas, Conrad;
Morro dos ventos uivantes, Bronte;
Mrs Dalloway, Woolf;
Grande Gatsby, Suave é a noite, Fitzgerald;
Benito Cereno, Billy Budd, Bartleby, Melville;

Italiano
Cidades invisíveis, Calvino;
Leopardo, Lampedusa;

Português
Água viva, Paixão segundo G.H., Lispector;
Manual dos inquisidores, Naus, Antunes;
Dom Casmurro, Mão e a luva, Machado;
Cemitério dos vivos, Lima Barreto;
Romance da Pedra, Suassuna,
Peregrinações, Mendes Pinto;

Russo
Memórias de um caçador, Turgeniev;
Autobiografia, Gorki;

Tcheco
Insustentável leveza do ser, Brincadeira, Kundera.

* * *

Memórias de um caçador e Cidades invisíveis são tecnicamente livros de contos, mas funcionam de forma tão perfeita e integrada que, na verdade, pra mim, são romances.

Peregrinações, Cemitério dos vivos e Autobiografia são tecnicamente não-ficção, mas de tal maneira ficionalizada e romanceada que, na verdade, pra mim, são romances.

Martín Fierro é tecnicamente um poema, mas, assim como a Ilíada, na prática, é lido e funciona como um romance.

§ uma resposta para Dez romances favoritos

  • Rafael disse:

    Um tanto arbitrária e sem pensar muito:

    As Aventuras de Tom Sawyer, Twain.
    Cem Anos de Solidão, García Márquez.
    Crime e Castigo, Dostoiévski.
    David Copperfield, Dickens.
    O Grande Gatsby, Fitzgerald.
    Ilusões Perdidas, Balzac.
    Lolita, Nabokov.
    O Pai Goriot, Balzac.
    O Som e a Fúria, Faulkner.
    Os Três Mosqueteiros, Dumas.
    Ulysses, Joyce.

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