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aula 02: escravistas & escravizados grande conversa brasileira úrsula

Úrsula, de Maria Firmina dos Reis

Suportar o romance romântico na superfície de Úrsula é um rito de passagem para merecermos o romance revolucionário em seu subterrâneo.

Qualquer obra de arte só pode ser criada e lida dentro de um contexto cultural específico. Quando os contextos mudam, as obras precisam mudar também. Escreveu Jorge Luis Borges:

“Uma literatura distingue-se de outra, ulterior ou anterior, menos pelo texto do que pela maneira de ser lida: se me fosse permitido ler qualquer página atual — esta, por exemplo — como será lida no ano 2000, eu conheceria a literatura do ano 2000.”

Úrsula, para fazermos sentido de sua importância, precisa ser lida contra o pano de fundo de dois momentos culturais: o romantismo gótico literário e a literatura fundacional brasileira. Contra o primeiro pano de fundo, esse romance é o mais convencional possível, tão convencional ao ponto de ser digno de nota em sua representatividade mimética. Contra o segundo, é revolucionário e subversivo.

Existem muitas edições de Úrsula: recomendo essa, da Editora Taverna.

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Úrsula, romance romântico convencional

Quando lido lado a lado com a literatura romântica contemporânea, Úrsula é um livro desperadoramente convencional. Todos os clichês do gênero estão ali, especialmente daquele primeiro romantismo, muito caudatário do gótico: a mocinha enlouquece, como em Eurico, o Presbítero, de 1844, obra máxima do romantismo português; todo mundo morre no final, como em Corcunda de Notre-Dame, de 1831, uma das obras inaugurais do romantismo literário, etc etc.

Em comparação ao paradigma de literato de meados do século XIX no Brasil (homem, branco, morando na Corte), Maria Firmina dos Reis era uma pessoa em situação triplamente subalterna no Brasil de 1850: da cor errada, do gênero errado, na região errada.

Pessoas nessa situação, se pretendem invadir e ocupar espaços hegemônicos, precisam, antes de mais nada, se provar. E, quase sempre, fazem isso mostrando não sua originalidade (que seria rechaçada e atribuída à sua condição subalterna: barbarismo, regionalismo, sentimentalismo feminino, etc) mas sim sua capacidade de dominar fluentemente os códigos vigentes.

Como resultado, muitas vezes essas obras de pessoas subalternas “invadindo” espaços culturais onde não eram bem-vindas chamam atenção por sua extrema convencionalidade, por serem absolutamente representativas das convenções literárias que tentam emular. (A poesia de Juan Francisco Manzano, cuja autobiografia eu traduzi, é assim.)

Nesse sentido, Úrsula é um romance fraco, pois ele simboliza, representa, apresenta todas as convenções possíveis da literatura romântica: não existe quase nenhuma surpresa ou originalidade. Ele poderia ser usado para ensinar o que era um romance romântico paradigmático: uma cartela de bingo totalmente preenchida, com todas as características do gênero: Úrsula desmaia no cemitério, busca refúgio purificador na mata, etc etc.

Para quem leu grandes romances românticos, como Os Miseráveis, no curso anterior, e O Guarani, nesse curso, todas essas características de Úrsula parecerão tediosamente familiares.

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Úrsula, romance brasileiro revolucionário

Mas Úrsula não é só isso, senão não estaríamos falando dele em 2021.

A literatura fundacional brasileira de meados do século XIX imitava todas as convenções do romantismo literário francês, com duas características importantes:

1, adicionava o elemento indígena nativo (falei sobre na primeira aula do curso A Grande Conversa Brasileira);

2, cuidadosamente omitia o elemento africano, além de qualquer menção a pobreza, trabalho (esse é o assunto da segunda aula).

Hoje, lemos Úrsula não por ser um romance representativo do romantismo gótico afrancesado que dominou nossa literatura em meados do século XIX (existem vários melhores); não apenas por ser um romance pioneiro escrito por uma mulher parda maranhense (há controvérsias se teria sido nosso primeiro romance escrito por uma mulher); mas sim, mais importante, por ser um romance que, debaixo de uma camada pesada de convencionalismo romântico, representa pessoas negras e escravizadas com subjetividade, empatia, humanidade que simplesmente, escandalosamente não existiam em nossa literatura.

Se, para verificar o convencionalismo romântico de Úrsula, basta lê-lo ao lado de romances românticos como Eurico, o Presbítero e Corcunda de Notre-Dame, para verificar sua subversividade revolucionário na representação de pessoas negras e escravizadas, basta lê-lo ao lado na nossa produção literária romântica canonizada.

Nossa literatura do século XIX (seja A Moreninha ou O Moço Loiro, Senhora ou O Guarani), apesar de produto de um país onde a escravidão era o fato político e econômico mais importante da vida cotidiana, simplesmente nunca refletia os dramas humanos inerentes a esse sistema escravista. As pessoas negras e escravizadas não aparecem como personagens plenamente realizadas nem mesmo em obras sobre as camadas pobres urbanas, como Memórias de um Sargento de Milícias, onde seria de presumir que apareceriam.

Ou seja, se lermos somente Úrsula, a representação de personagens escravizados (Túlio, Susana, Antenor) ao lado de livres (Tancredo, Luisa, Comendador) nos parecerá até natural, esperada. A sociedade da época era assim, não?

Entretanto, basta olhar para os malabarismos que os autores da época faziam para esconder a escravidão de suas obras para percebermos que cada momento que a voz narrativa de Úrsula passa com Túlio, Susana e Antenor ela está quebrando regras claras, importantes, nã0-escritas da literatura do período.

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Susana, romance subterrâneo

Nesse sentido, Úrsula, na verdade, são dois romances: um na superfície, um subterrâneo.

O romance na superfície, naturalmente, é um romance romântico dos mais convencionais possíveis e imaginários, a história de amor entre um galã e uma mocinha absolutamente convencionais, sem nada que os diferencie de outros incontáveis, contra um vilão tão vilão, mas tão vilão, que não tem nem um único traço redentor: o homem, mais uma vez, como tantos vilões produzidos na linha de montagem do romantismo, é pura malvadeza. É um romance que poderia ser usado para ensinar o que era um romance romântico representativo e sem grandes pontos de distinção. É o romance que era possível escrever, ler, publicar, no Maranhão de 1859.

O romance subterrâneo, porém, é muito mais interessante. Talvez pudesse se chamar Susana, ao invés de Úrsula. É a história de uma mulher livre, casada, com filhos, que foi arrancada de sua terra e teve sua vida roubada por bárbaros. (No senso comum da época, as pessoas africanas, mesmo para seus mais ardorosos defensores, é que eram “bárbaras”: na melhor das hipóteses, pessoas bárbaras que deveriam ter sido deixadas em paz e jamais escravizadas, etc. Chamar de “bárbaros” os escravistas que os capturam é das inversões mais subversivas do livro.) Que nunca é mostrada como digna de piedade ou de pena, com quem a voz narrativa nunca é condescendente. Que, na prática, é o alter-ego da autora e a consciência de si do romance como um todo. Que não acredita nas boas palavras de senhores de escravizados — para ela, Túlio, livre, servir Tancredo era trocar seis por meia-dúzia. (Não é coincidência que o flashback de Susana vem imediatamente na sequência da alforria de Túlio, como se para marcar bem a diferença, como se para mostrar à leitora o que é liberdade de verdade.) Que aceita uma morte injusta não tanto para defender o mocinho e a mocinha, mas por se recusar peremptoriamente a dar qualquer tipo de auxílio ao vilão. Para quem essa morte era a única maneira de recuperar a liberdade há muito perdida.

Também é a história de Túlio, um homem nascido no Brasil e na escravidão, que nunca conheceu a África nem a liberdade, mas que já começa o livro sendo mostrado como o modelo de bondade, gratidão, generosidade, cavalheirismo, etc, contra o qual o próprio mocinho branco será medido. (Outra subversão chocante: não é Túlio, escravizado, que é um “negro de alma branca”, como se diz até hoje, mas sim Tancredo que é tão nobre quanto Túlio: “Duas almas generosas”.) Que, por sentimento de justiça e de lealdade, abdica da vida que tinha acabado de receber e nem gozado ainda para salvar a vida de seu benfeitor.

E é até mesmo a história de Antero, um homem escravizado completamente derrotado por suas circunstâncias, velho e alcoólatra, mas que serve, no mínimo, para livrar a autora de uma acusação de maniqueísmo racial, por ter retratado todas as pessoas negras como éticas e perfeitas. Apesar de toda a decadência moral do personagem, a autora resiste a reproduzir na fala de Antero os erros de português que um escravizado em sua situação talvez até cometesse, garantindo ao personagem uma dignidade mínima – que a realidade brasileira certamente lhe teria negado.

(Por exemplo, nos gibis da Turma da Mônica, por que só o Chico Bento fala “errado”? Por que ele fala “sabê” e, digamos, a Magali fala “saber”? Devemos presumir que os estúdios Maurício de Souza querem nos comunicar que, com exceção do núcleo do Chico Bento, todos os outros personagens pronunciam cuidadosamente os R finais de todas as palavras? Naturalmente que não: assim como nós, tanto a Magali quanto o Chico Bento pronunciam a palavra “saber” como “sabê”. A dúvida é porque só a pronúncia do Chico Bento é soletrada. A resposta é clara: por que esse procedimento serve para marcar o Chico Bento e seu núcleo como um “Outro”. Eles não são como nós – onde o nós é o leitor ideal dos gibis, presumivelmente uma criança urbana, de São Paulo, do Rio de Janeiro, ou das grandes capitais. Não é de hoje que esse tipo de artifício é usado para alterizar personagens subalternos, como pessoas caipiras, mas também escravizadas. E é justamente a isso que Maria Firmina dos Reis jamais apela, nem mesmo no caso de Antero. Nenhuma de suas pessoas escravizadas fala “errado”.)

Esse romance, no Brasil de 1859, era absolutamente revolucionário e subversivo, e teria sido impossível de publicar, se não estivesse literalmente escondido sob dezenas e mais dezenas de páginas da narrativa romântica mais convencional que se poderia conceber. É como se todo esse romance romântico fosse somente um subterfúgio para comunicar um conto, transmitir uma noveleta sobre a escravidão. Como se os lugares-comuns de Úrsula e Tancredo fossem o preço que tivéssemos que pagar, quase que um ritual de passagem, para termos acesso às verdades profundas sobre o Brasil, sobre a escravidão, sobre nós mesmas, que Susana e Túlio nos ensinam, nos demonstram. Um romance-camuflagem, um romance-desafio.

(Apesar disso, uma das poucas resenhas que o livro recebeu, no Jornal do Commercio, de 4 de agosto de 1860, lamenta justamente que as “cenas tocantes, como as da escravidão” tenham pecado por “pelo modo abreviado com que são escritas”. Será que havia disposição do público para isso? Se houvesse, por que outras pessoas autoras, ou a própria Maria Firmina, não encamparam esse desafio em outras obras?)

Se Úrsula é um romance romântico que chama a atenção por sua excepcional convencionalidade, por sua incrível capacidade de articular e representar todos os clichês do gênero, o que seria esse romance Susana? É exótico demais para ser realista, não é sórdido o suficiente para ser naturalista. E, ao mesmo tempo, subverte totalmente as mesmas convenções românticas que Úrsula representa tão bem.

Não é à toa que o romance só começa a ser efetivamente canonizado em finais do século XX, saudado retroativamente como a obra que inaugura a nossa literatura afrobrasileira. Antes disso, não havia nem mesmo como lê-lo, como classificá-lo, onde inseri-lo. Foi preciso que nós, como sociedade, mudássemos completamente de foco e de prioridades, para que esse romance se tornasse, enfim, legível e compreensível.

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Maria Firmina dos Reis, uma autora subversiva

Poderíamos nos perguntar: o quão proposital foi tudo isso?

Teria Maria Firmina dos Reis realmente tido a intenção, propositalmente, de usar um romance romântico água-com-açúcar para esconder debaixo dele um dos romances mais subversivos escritos no Brasil durante o século XIX?

Ou será que ela simplesmente, inocentemente, tentou escrever o melhor romance romântico que podia e ele, por acaso, resvalou na subversidade por suas escolhas literárias em relação a alguns coadjuvantes?

Maria Firmina dos Reis provavelmente foi a primeira mulher brasileira a publicar um romance, ou, talvez, a segunda. Além disso, pessoalmente se encarregou da educação de onze crianças, algumas delas filhas de escravizadas. Escreveu o primeiro diário escrito por uma mulher a ser publicado no Brasil. Foi figura de destaque na literatura maranhense, publicando contos e poesias em jornais e antologias literárias. Foi professora concursada por toda a vida e, durante mais de década, dona de escola. Era uma cidadã atuante, tanto pela Abolição, quanto por causas educacionais. (Aliás, como seu conterrâneo Gonçalves Dias, que passou seus últimos anos pesquisando Educação no Império.) Não era uma burguesa rica e branca do Rio de Janeiro, que lia somente romances românticos e revistas francesas, frequentava os salões da boa sociedade e flanava na Rua do Ouvidor.

Não há razão para supor que Úrsula era um romance romântico convencional que, por acaso, por virtude da apresentação de alguns coadjuvantes, era subversivo. Lido no contexto da vida da autora, parece mais provável ser um romance revolucionário camuflado de romance romântico convencional – aliás, a extrema convencionalidade da obra, portanto, não seria um acidente ou um erro ou uma incapacidade da autora, mas um testemunho proposital de seu talento e capacidade mimética.

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Um romance negro, um romance escrito por uma mulher

O livro se revela obra de uma mulher, e de uma pessoa negra, ao colocar claramente como grandes vilões o patriarcado e a escravidão. Fundamentalmente, é a estrutura escravista e patriarcal que permite ao vilão fazer tudo o que faz. Às mulheres e às pessoas escravizadas, sujeitas a essa autoridade incontestável, só lhes resta estratégias de subserviência, como obedecer, apaziguar, fugir. No fim das contas, nenhuma delas funciona. O poder patriarcal escravista consome e destrói todas as suas vítimas e termina por consumir e destruir inclusive a si mesmo. Nenhum personagem de Úrsula consegue o que queria: os bons, por ação dos maus; os maus, por suas próprias falhas de caráter. É um romance da desilusão, de esperanças sempre consistentemente destruídas, até o final que não é feliz para ninguém.

A possibilidade de uma reação violenta por parte dos subalternos seria tão escandalosa que não é articulada nem mesmo para ser descartada enquanto alternativa. O Haiti ainda era um medo próximo demais. Praticamente não há, na literatura brasileira, violência por parte dos escravizados contra os brancos. Em As Vítimas-Algozes, romance de Manuel Joaquim de Macedo, nunca canonizado, as pessoas escravizadas, vitimizadas pelos brancos, se tornam suas algozes, mas não buscando acabar com o regime escravo, mas querendo apenas simples, cruel, bárbara vingança. O romance humaniza os escravizados, mas ao custo de mostrá-los como seres humanos que usam sua autonomia e subjetividade para serem monstruosos e violentos. Somente alguns poucos poemas, de Fagundes Varela (“Mauro, o Escravo”) e Castro Alves (como “Saudação de Palmares” e “Bandido Negro”, esse último descrito por Rui Barbosa como “canção de Espártaco”), ousaram não apenas clamar por violência negra contra o agressor branco, mas também justificá-la.

Apesar disso, a voz narrativa do romance, quando quer denunciar a escravidão, usa abertamente a primeira pessoa do plural, se colocando assim dentro da denúncia:

O homem que assim falava era um pobre rapaz, que ao muito parecia contar vinte e cinco anos, e que na franca expressão de sua fisionomia deixava adivinhar toda a nobreza de um coração bem formado. O sangue africano fervia-lhe nas veias; o mísero ligava-se à odiosa cadeia da escravidão; e embalde o sangue ardente que herdara de seus pais, e que o nosso clima e a servidão não puderam resfriar, embalde – dissemos – se revoltava, porque se lhe erguia como barreira – o poder do forte contra o fraco!… (I)

Enquanto romance escrito por mulher, que homem teria a alteridade de escrever um trecho como esse, logo no começo do primeiro capítulo, descrevendo a ação do sol sobre as flores de uma perspectiva completamente inovadora e, por que não, subversiva?

Era apenas o alvorecer do dia, ainda as aves entoavam seus meigos cantos de arrebatadora melodia, ainda a viração era tênue e mansa, ainda a flor desabrochada apenas não sentira a tépida e vivificadora ação do astro do dia, que sempre amante, mas sempre ingrato, desdenhoso, e cruel afaga-a, bebe-lhe o perfume, e depois deixa-a murchar, a desfolhar-se, sem ao menos dar-lhe uma lágrima de saudade!. . . Oh! o sol é como o homem maligno e perverso, que bafeja com hálito impuro a donzela desvalida, e foge, e deixa-a entregue à vergonha, à desesperação, à morte! — e depois, ri-se e busca outra, e mais outra vítima! A donzela e a flor choram em silêncio, e o seu choro ninguém compreende… (I)

Aliás, eu só percebi a força e a originalidade desse trecho… porque a minha esposa apontou. Eu já tinha lido esse romance diversas vezes e, bom homem que sou, também tinha passado, sem entender, pelo choro da donzela e da flor.

Existem muitas edições de Úrsula: recomendo essa, da Editora Taverna.

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Esse texto faz parte dos guias de leitura para a segunda aula, Escravistas & escravizados, do meu curso A Grande Conversa, a ideia de Brasil na literatura. Esses guias são escritos especialmente para as pessoas alunas, para responder suas dúvidas e ajudar em suas leituras. Entretanto, como acredito que o conhecimento deve ser sempre aberto e que esses textos podem ajudar outras pessoas, também faço questão de também publicá-los aqui no site. Todos os guias de leitura das aulas estão aqui. O curso começou no dia 1º de abril de 2021 — quem se inscrever depois dessa data terá acesso aos vídeos das aulas anteriores.

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Úrsula, de Maria Firmina dos Reis é um texto no site do Alex Castro, publicado no dia 4 de maio de 2021, disponível na URL: alexcastro.com.br/ursula-de-maria-firmina-dos-reis // Sempre quero saber a opinião de vocês: para falar comigo, deixe um comentário, me escreva ou responda esse email. Se gostou, repasse para as pessoas amigas ou me siga nas redes sociais: NewsletterInstagramFacebookTwitterGoodreads. // Todos os links de livros levam para Amazon Brasil. Clicando aqui e comprando lá, você apoia meu trabalho e me ajuda a escrever futuros textos. // Tudo o que produzo é sempre graças à generosidade das pessoas mecenas. Se gostou, considere contribuir: alexcastro.com.br/mecenato

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