mulher de um homem só, romance

Mulher de Um Homem Só devassa a cabeça de Carla, que tem a sensação de já ter chegado tarde à vida do marido, Murilo. Desde a infância, ele pertence à Júlia: é o melhor amigo, o confidente, o anjo da guarda e o referencial masculino. O romance invade o feminino nas suas pequenezas e mazelas. Revela o ordinário; o dia a dia de um jovem casal que enfrenta os desafios do casamento, da falta de dinheiro, da busca de identidades e de lugares para ser e ocupar, tendo que lidar com a constante presença de Júlia entre os dois.

A primeira edição foi azul (2009); a segunda, magenta (2009); agora, a terceira, laranja (2010).

Mulher de um Homem Só no GoogleBooks e no Skoob. Uma entrevista sobre o livro e uma matéria portuguesa sobre o processo de edição.

mulher de um homem só

Mulher de Um Homem Só (2009), romance. (4ª ed: 2013) ESGOTADO.

Repercussão

Escrever assim é imperdoável. … Tem um por geração. O da nossa … é ele. Vai por mim. Não perca o Alex.
Fal Azevedo, “Drops da Fal

… melhor livro que eu li em 2009. … tem uma visão bastante peculiar da psiquê feminina … A narradora … somos todas nós. Ou todos nós. … Um livro sobre esse tal mal-estar contemporâneo. Sobre indivíduos que se comunicam apenas através de loucuras. Sobre a dificuldade de mantermos em pé as instituições do passado (casamento, família). E tudo contado assim, através de uma personagem sem freio, que faz com que a gente desembeste com ela.
Mary W., “Segundo Sexo

É um homem que tá escrevendo isso aqui? … Não me perguntem como ele … sabe destas incertezas e inseguranças tão femininas. Nem sei onde ele aprendeu estes tantos detalhes. … É esta maneira de narrar os detalhes, as pausas, os gestos e os olhares, quando nem ao menos se estava presente na cena, que faz com que a gente entenda Carla. Quem não é Carla? Vocês, homens, não são. Nem entenderiam. Só Alex.
Isabella Ianelli, “Isabelices

Enredo intenso nos prende da primeira à ultima página. … Realmente intrigante … uma leitura incrível. Alex Castro realmente conseguiu traduzir nas páginas de seu livro a angústia de Carla com palavras e linhas de pensamento realmente femininas, superou os limites da natureza e encarnou uma esposa preocupada com o seu casamento com toda a originalidade que lhe cabe. Recomendo. … A sensação que tive ao terminar de ler o livro: faltou-me o ar.
Re Alves, “Entreditas

Um livro cujo único defeito é não ter mais umas cem páginas contando mais e mais da história desse triângulo amoroso.
Juliana Dacoregio, “Heresia Loira

Fiquei encantada com o estilo … com a velocidade dos acontecimentos, com a narrativa onisciente … e com todo o desenrolar dos acontecimentos. … O livro acabou e deixou um gosto de que não podia ter acabado. … Não era nem mesmo leitora … mas agora … vou ser, sim. Você também deveria.
Fernanda França, “Fernanda França

“Me identifiquei com a compulsão metafórica do autor. E o fim é perfeito: instiga.”
Alexandre Inagaki, “Pensar Enlouquece, Pense Nisso

Fiquei muito impressionado, literalmente, com tua habilidade na fraseologia ficcional, perfeitamente casada com a mentalidade da Carla; todo o vocabulário feminino, tanto de palavras como de linhas de pensamento, foi uma realização ímpar. … Com essa criação, vc matou a pau.
Doutor Plausível, “Doutor Plausível

Eu tinha esquecido que era tão bom. … Um livro maduro, bem pensado. … É nessa narração que está um dos grandes trunfos do livro. Em Carla, Alex cria uma personagem crível, rica, e explora bem suas possibilidades. É aqui que o Alex demonstra ser um excelente escritor: ele tem perfeito domínio da voz feminina da Carla. É esse o grande segredo do livro.
Rafael Galvão, “Rafael Galvão”

Um livro impressionante, a narrativa sempre inteira, o domínio da língua sempre presente mas nunca intrusivo, uma prosa que flui tão fácil que o leitor nem percebe o labirinto em que está se enredando até ser tarde demais.”
Paulo Cândido, “Todos os Assuntos do Mundo

Um bom livro. … parece ter um cuidado todo especial com a velocidade da narrativa. … O maior trunfo … é a narradora e as ambigüidades por ela evocadas. Ao usar a primeira pessoa onisciente, Alex Castro acaba por fazer com que duvidemos de tudo o que Carla nos conta. Este filtro pouco confiável é que dá profundidade a um romance.
Paulo Polzonoff, “Polzonoff

“… o autor não permite que o texto o domine. … Esse jogo entre o dito, o explicitado e o entendido é rico, é a grande força do livro e o que me faz aguardar ansiosamente o próximo livro do autor.”
Carolina Vigna-Marú, “Aguarrás

 

Trechos

Lá do nosso jeito, a gente se entendia, e conversávamos muito, falávamos de Murilo, novela, política e fofocas em geral. Outras vezes, nem trocávamos palavra, e era assim que eu mais apreciava Júlia. Ela adorava mexer no meu cabelo, me pentear longamente, languidamente, lentamente, e eu gostava, me entregava, me prostrava, ficávamos no sofá da sala, ou até na rede mesmo, eu deitada sobre o colo de Júlia, sentindo a escova repuxar os cabelos, sentindo as pontas dos dedos massageando o couro cabeludo, sentindo aquela coceirinha marota nas raízes do cabelo, sempre naquela faina infindável, deliciosa, pachorrenta, úmida de tão boa, eu tenho cabelos longos, nunca cortei, vão até a cintura, e Júlia mastigava inveja, degustava mexer em meu cabelo, ajeitar, pentear e cheirar, e cuidadosamente enrolar em seus dedos e mãos e depois deixar desenrolar macio, e assim ficávamos as duas, horas, eu grávida e Júlia ali, puxando e repuxando, penteando e despenteando, depois, Raquel nascida, colocávamos o berço na sala e tudo continuava igual, eu dormia sentindo os dedos de Júlia em meus cabelos, acordava e ela ainda estava lá, e então, eu dormia de novo, e era tão bom, porque não havia palavras, não havia Murilo, não havia inconseqüência, não havia arte, não havia nada, só aquele momento, só nós duas, só aquele contato, e eu quase achava, eu me pegava imaginando que Júlia era minha amiga, uma daquelas amigonas de infância, companheira pro que descesse e subisse, sempre comigo, e assim eu me despejava naquele toque, me sumia naquele carinho, me desenganava naquele afago.

“Desisti. Não tenho essa bondade toda no coração, o órgão que reservei pra Júlia é o intestino grosso. Sou mãe agora: quando quero ouvir histórias de criança, pergunto pra Raquel como foi seu dia no jardim de infância. Júlia me esvazia. Mas eu tentei. Confesso que tentei: nesse fronte, dei meu sangue durante vários anos, construí trincheiras e só atirei quando vi o branco dos olhos do inimigo. Fiz tudo o que pude para ajudá-la e isso era um esforço enorme para mim, porque não sou leviana e levo esses assuntos muito a sério. Eu a ouvia com toda a minha atenção, e ouvir com atenção dá trabalho, cansa, exige amor, concentração, disposição. E eu pensava e refletia, matutava e considerava. Oferecia a Júlia sempre minha melhor seleção de conselhos, conselhos sinceros, brutos, que eu minerava lá de dentro de mim, e eu mesma polia e lapidava, com carinho e dedicação. Era desgastante tamanha sinceridade, tamanha atenção: eu ficava exaurida de ter que descer a espaços tão fundos, onde a luz é tão pouca e o ar, rarefeito, onde cada movimento cansa.”

“Nem todos esses almoços serviam pra suavizar o vício de Murilo que possuía Júlia. Eu, que me achava sua clínica de reabilitação, era na verdade sua fornecedora clandestina: ela vinha me ver e fungava cada carreirinha de Murilo que pudesse encontrar. E eu fazia o mesmo, porque um gambá cheira o outro e eu também não sou lá muito diversa. Ela me sugava o presente, e eu, o passado. Júlia sabia tudo sobre o Murilo, cresceram juntos, nunca não se conheceram. Um era a constante da vida do outro. Júlia era tão constante que me fazia sentir a variável e isso me deixava tonta, imaginava Júlia, amanhã, fazendo a mesma coisa com a segunda esposa dele, indo visitar, contando histórias do passado e sugando o futuro. E eu pensava: o juramento foi comigo, a mulher dele sou eu.”

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Mulher de Um Homem Só (2009), romance. (4ª ed: 2013) ESGOTADO.

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