O voto das pessoas pobres

Faz algum tempo, escrevi que brincadeira só é brincadeira se a outra pessoa tem total liberdade de me mandar a merda, ir embora ou responder na mesma moeda.

Brincadeira de cima pra baixo tem outro nome: humilhação.

Penso muito nisso quando me pego tentando mudar o voto da empregada ou do faxineiro, da garçonete ou do taxista.

Ser de esquerda é ter consciência de classe. Ser de esquerda é ser sensível aos horrores da sociedade de castas onde nos calhou viver.

A moça quer apenas servir o meu café e garantir sua gorjeta, esperar o fim do seu turno e descansar em sua cama.

Eu aqui, do alto do meu privilégio, querer lhe ensinar qual é o voto correto me parece desrespeitoso e arrogante, invasivo e imperialista.

Então, em minha vida, também adotei essa regra: só tento mudar o voto de quem pode, livremente, me mandar à merda.

* * *

Pós-escrito tristemente necessário

Como sempre, nos meus textos, estou falando de atitudes que EU tinha, da MINHA autocrítica em relação às MINHAS próprias ações, e das regras que EU criei para MIM mesmo para que eu chegue mais perto de ser a pessoa que EU quero ser.

Sinceramente não tenho opinião alguma sobre o que VOCÊS devem fazer de SUAS vidas. Quem quiser vestir a carapuça que costurei para mim mesmo, que fique à vontade.

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Imersão “As Prisões: Práticas de Atenção”

Fins de semana, de sexta, às 18h, a domingo, às 17h.

Sudeste 18-20jan2019 — Areias, SP (de $400 por $250 até 15nov)

Nordeste 1-3fev2019 — Taíba, CE  (de $400 por $150 até 15out)

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alexcastro.com.br/encontros

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