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2ª aula: Gregos grande conversa ilíada

Depois da Ilíada

Quer saber o q acontece com Tróia depois da Ilíada? Leia o 2º canto da Eneida. (Guia de leitura p/2ª aula do curso Introdução à Grande Conversa)

Para quem quer saber o que acontece com Tróia depois da Ilíada, recomendo o segundo canto da Eneida.

A Eneida é uma sequência, ou spin off, da Ilíada, na qual um dos heróis troianos, Enéias, consegue fugir de Troia com os ídolos da cidade, vive diversas aventuras pelo Mediterrâneo, até chegar finalmente na Itália, onde funda uma cidade que será a precursora de Roma. Esse poema épico, escrito por Virgílio no século I eC, tem como um de seus objetivos justamente estabelecer os troianos como parte integrante da linhagem romana.

No segundo canto, recém-chegado a Cartago (futuramente a arquiinimiga de Roma), Enéias conta à Rainha Dido quem é e de onde veio e, para tanto, rememora a última noite de Tróia, o ardil do cavalo e o massacre que se seguiu.

Para quem conhece a Eneida, é impossível acompanhar o comovente encontro de Aquiles e Príamo, no final da Ilíada, sem pensar que, em breve, o filho de Aquiles, Neoptolemo, estará arrastando Príamo pelos cabelos até o altar de Zeus, onde o matará sem piedade.

Apesar de não chegar aos pés da Ilíada, a Eneida já vale a pena só pelo duríssimo, violentíssimo segundo canto — que, apesar de terrível, aponta para um final esperançoso, no qual a chama de Tróia é mantida viva por Roma.

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Traduções da Eneida

Em português:

Odorico Mendes, primeiro tradutor da Ilíada no Brasil, também traduziu a Eneida, em versão igualmente rocambolesca e ilegível, mas em domínio público.

A versão mais fácil de encontrar, em catálogo, é da Editora 34, traduzida por Carlos Alberto Nunes, que também traduziu a Ilíada. Não gosto muito, mas é o que temos.

Existe uma tradução da Eneida para o português pela qual sou absolutamente apaixoado e que tem tudo a ver com a nossa aula e com a Grande Conversa: é Eneida Portuguesa (1664), de João Franco Barreto, traduzida ao estilo de Camões, e, assim, dialogando com nossas leituras da 2ª aula, a Ilíada, e da 6ª, Os Lusíadas.

A Biblioteca Digital da Câmara dos Deputados disponibiliza uma versão fácsimile da edição de 1763 da Eneida Portugesa, mas em português antigo, difícil de ler (aliás, o site é excelente, vale a pena ser explorado).

Em 1981, a Imprensa Nacional Casa da Moeda, de Portugal, lançou uma edição em português modernizado, que é a que tenho aqui em casa e é um tesouro. Para quem se interessar, tem 12 exemplares à venda na Estante Virtual, alguns bem baratos.

Em 1711, o Rio de Janeiro foi invadido pelos franceses e a cidade teve que ser abandonada. Estou escrevendo uma noveleta sobre essa invasão, usando o estilo da Eneida, a Eneida Carioca.

Em inglês:

Stanley Lombardo, tradutor da versão mais fluente e ágil da Ilíada para o inglês, também traduziu uma Eneida que recomendo. Outro que traduziu ambas, e recomendo, é Robert Fagles.

Pessoalmente, minha preferida é a Allen Mandelbaum, responsável pelas minhas traduções preferidas não só da Eneida, mas também da Divina Comédia e das Metamorfoses, de Ovídio. Adoro o que ele faz com as palavras.

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Esse texto faz parte dos guias de leitura para a segunda aula, Gregos, do meu curso Introdução à Grande Conversa: um passeio pela história do ocidente através da literatura. Esses guias são escritos especialmente para as pessoas alunas, para responder suas dúvidas e ajudar em suas leituras. Entretanto, como acredito que o conhecimento deve ser sempre aberto e que esses textos podem ajudar outras pessoas, também faço questão de também publicá-los aqui no site. Todos os guias de leitura da primeira aula estão aqui. O curso começou no dia 2 de julho de 2020 — quem se inscrever depois dessa data terá acesso aos vídeos das aulas anteriores.

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Depois da Ilíada é um texto no site do Alex Castro, publicado no dia 17 de julho de 2020, disponível na URL: alexcastro.com.br/depois-da-iliada // Se gostou, repasse para as pessoas amigas ou me siga nas redes sociais: Newsletter, Instagram, Facebook, Twitter, Goodreads. Esse, e todos os meus textos, só foram escritos graças à generosidade das pessoas mecenas. Se gostou muito, considere contribuir: alexcastro.com.br/mecenato

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