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aula 02 cordel grande conversa espanhola romanceiro

O conde Yanno e o Conde Alarcos, dois cordéis ibéricos

O romance/cordel do Conde Yanno (em Portugal) ou Conde Alarcos (na Espanha) é dos mais famosos da península ibérica. Abaixo, duas versões, em português e espanhol. Vale a pena ler as duas: não são traduções strito sensu, mas a mesma história contada de duas formas diferentes.

(Esse “romanceiro velho”, ancestral de nossa literatura de cordel, será nossa leitura na segunda aula, Cordel, do curso Grande Conversa Espanhola: do El Cid ao Dom Quixote, a invenção da literatura moderna. O curso está saindo com desconto só até 6mar. Compre aqui.)

* * *

Conde Yanno

Chorava a infanta, chorava,
Chorava e razão havia,
Vivendo tão descontente;
Seu pai por casar a tinha.
Acordou el-rei da cama
Com o pranto que fazia:
– «Que tens tu, querida infanta.
Que tens tu, ó filha minha?»
– «Senhor pai, o que hei-de eu ter
Senão que me pesa a vida?
De três irmãos que nós éramos,
Solteira eu só ficaria.»
– «Que queres tu que te eu faça?
Mas a culpa não é minha.
Cá vieram embaixadas
De Guitaina e Normandia;
Nem ouvi-las não quiseste,
Nem fazer-lhes cortesia…
Na minha corte não vejo
Marido que te daria…
Só se fosse o conde Yanno,
E esse já mulher havia».
«Ai! rico pai da minha alma,
Pois esse é que eu queria.
Se ele tem mulher e filhos,
A mim muito mais devia,
Que me não soube guardar
A fé que me prometia».

Manda el-rei chamar o conde,
Sem saber o que faria:
Que lhe viesse falar…
Sem saber que lhe diria.
– «Inda agora vim do paço,
Já el-rei lá me queria!
Ai! será para meu bem?
Ai! para meu mal seria?»
Conde Yanno que chegava,
El-rei a que buscar o vinha:
– «Beijo a mão a vossa alteza;
Que quer vossa senhoria?»
Responde-lhe agora o rei
Com grande merencoria:
– «Beijai, que mercê vos faço;
Casareis com minha filha.»
Cuidou de cair por morto
O conde que tal ouvia:
– «Senhor rei, que sou casado
Já passa mais de ano e dia!»
– «Matareis vossa mulher,
Casareis com minha filha.»
– «Senhor, como hei-de matá-la,
Se a morte me não mer’cia?»
– «Calai-vos conde, calai-vos,
Não vos quero demasia;
Filhas de reis não se enganam
Como uma mulher cativa.»
– «Senhor, que é muita razão,
Mais razão que ser devia,
Para me matar a mim
Que tanto vos ofendia;
Mas matar uma inocente
Com tamanha aleivosia!
Nesta vida nem na outra
Deus me não perdoaria.»
– «A condessa há-de morrer
Pelo mal que cá fazia;
Quero ver sua cabeça
Nessa doirada bacia».

Foi-se embora o conde Yanno,
Muito triste que ele ia,
Adiante um pajem del-rei
Levava a negra bacia,
O pajem ia de luto,
De luto o conde vestia:
Mais dó levava no peito
Cos apertos da agonia.
A condessa que o esperava,
De muito longe que o via,
Com o filhinho nos braços
Para abraçá-lo corria:
– «Bem-vindo sejais, meu conde,
Bem-vinda minha alegria!»
Ele sem dizer palavra
Pelas escadas subia.
Mandou fechar seu palácio,
Coisa que nunca fazia;
Mandou logo pôr a ceia
Como quem lhe apetecia.

Sentaram-se ambos à mesa,
Nem um nem outro comia;
As lágrimas era um rio
Que pela mesa corria.
Foi a beijar o filhinho
Que a mãe aos peitos trazia,
Largou o seio o inocente,
Como um anjo lhe sorria.
Quando tal viu a condessa,
O coração lhe partia;
Desata em tamanho chora
Que em toda a casa se ouvia;
– «Que tens tu, ó querido conde,
Que tens tu, ó vida minha?
Tira-me já destas ânsias
El-rei o que te queria?»
Ele afogava em soluços,
Responder-lhe não podia;
Ela, apertando-o nos braços,
Com muito amor lhe dizia:
– «Abre-me o teu coração,
Desafoga essa agonia,
Dá-me da tua tristeza
Dar-te-ei da minha alegria».
Levantou-se o conde Yanno,
A condessa que o seguia.
Deitaram-se ambos no leito;
Nem um nem outro dormia.
Ouvireis a desgraçada;
Ouvide ora o que dizia:
– «Peço-te por Deus do céu
E pela Virgem Maria,
Antes me mates, meu conde,
Que eu ver-te nessa agonia.»
– «Morto seja quem tal manda,
Mais a sua tirania!
– «Ai! não te entendo; meu conde,
Dize-me, por tua vida,
Que negra ventura é esta.
Que entre nós está metida?»
– «Ventura da sem ventura.
Grande foi tua mofina!
Manda-me el-rei que te mate,
Que case com sua filha.»

Palavras não eram ditas,
Inda mal lhas ouviria,
A desgraçada condessa
Por morta no chão caía.
Não quis Deus que ali morresse…
Triste que ali não morria!
Maior dor que a da morte
A torna a chamar à vida.
– «Cala, cala, conde Yanno,
Que inda remédio haveria;
Ai! não me mates, meu conde,
E um alvitre te daria:
A meu pai me mandarás,
Pai que tanto me queria!
Ter-me-ão por filha donzela
E eu a fé te guardaria.
Criarei este inocente
Que a outra não criaria;
Manter-te-ei castidade
Como sempre ta mantia.»
– «Ai como pode isso ser,
Condessa minha querida,
Se el-rei quer tua cabeça
Nesta doirada bacia?»
– «Cala, cala, conde Yanno,
Que inda remédio teria.
Meter-me-ás num convento
Da ordem da freiraria;
Dar-me-ão o pão por onça
E a água por medida:
Eu lá morrerei de pena,
E a infanta o não saberia.»
– «Ai! como pode isso ser,
Condessa minha querida,
Se quer ver tua cabeça
Nesta maldita bacia?»
– «Fecháras-me numa torre,
Nem sol, nem lua veria,
As horas da minha vida
Por meus ais as contaria.»
– «Ai como pode isso ser,
Condessa minha querida,
Se el-rei quer tua cabeça
Nesta doirada bacia?»

Palavras não eram ditas,
El-rei que à porta batia:
Se a condessa não é morta,
Que então ele a mataria.
– «A condessa não é morta
Mas está na agonia.»
– «Deixa-me dizer, meu conde,
Uma oração que eu saiba.»
– «Dizei depressa, condessa,
Antes que amanheça o dia.»
– «Ai! quem podera rezar,
Ó virgem Santa Maria!
Que eu não me pesa da morte,
Pesa-me da aleivosia:
Mais me pesa de ti, Conde,
E da tua covardia.
Matas-me por tuas mãos,
Só porque el-rei o queria!
Ai! Deus te perdoe, Conde,
Lá na hora da contia.
Deixar-me dizer adeus
A tudo o que eu mais queria;
Às flores deste jardim,
Às águas da fonte fria.
Adeus cravos, adeus rosas,
Adeus flor da Alexandria!
Guardai-me vós meus amores
Que outrém me não guardaria.
Dêem-me cá esse menino,
Entranhas da minha vida;
Deste sangue de meu peito
Mamará por despedida.
Mama, meu filhinho, mama
Desse leite da agonia;
Que até agora tinhas mãe,
Mãe que tanto te queria,
Amanhã terás madrasta
De mais alta senhoria…»

Tocam nos sinos na sé…
Ai Jesus! Quem morreria?
Responde o filhinho ao peito,
Respondeu – que maravilha!
– «Morreu, foi a nossa Infanta.
Pelos males que fazia;
Descasar os bem casados:
Coisa que Deus não queria.»

* * *

Romance del conde Alarcos y de la infanta Solisa

Retraída está la infanta, bien así como solía,
viviendo muy descontenta de la vida que tenía,
viendo que ya se pasaba toda la flor de su vida
y que el rey no la casaba, ni tal cuidado tenía.
Entre sí estaba pensando a quién se descubriría,
acordó llamar al rey como otras veces solía
por decirle su secreto y la intención que tenía.
Vino el rey siendo llamado, que no tardó su venida;
vidola estar apartada, sola está sin compañía;
su lindo gesto mostraba ser más triste que solía.
Conociera luego el rey el enojo que tenía.
–¿:Qu’es aquesto, la infanta? ¿:qu’es aquesto, hija mía?
Contadme vuestros enojos, no toméis malenconía,
que sabiendo la verdad todo se remediaría.–
–Menester será, buen rey, remediar la vida mía,
que a vos quedé encomendada de la madre que tenía.
Dédesme, buen rey, marido, que mi edad ya lo pedía;
con vergüenza os lo demando, no con gana que tenía,
que aquestos cuidados tales a vos, rey, pertenecían. —
Escuchada su demanda, el buen rey le respondía:
–Esa culpa, la infanta, vuestra era, que no mía,
que ya fuérades casada con el príncipe de Hungría;
no quesistes escuchar la embajada que os venía,
pues acá en las nuestras cortes, hija, mal recaudo había,
porque en todos los mis reinos vuestro par igual no había,
sino era el conde Alarcos, hijos y mujer tenía.
–Convidaldo vos, el rey, al conde Alarcos un día,
y después que hayáis comido decilde de parte mía,
decilde que se acuerde de la fe que d’él tenía,
la cual él me prometió, que yo no se la pedía
de ser siempre mi marido yo que su mujer sería.
Yo fui de ello muy contenta y que no me arrepentía;
si casó con la condesa, que mirase lo que hacía,
que por él no me casé con el príncipe de Hungría;
si casó con la condesa, d’él es culpa, que no mía.
Perdiera el rey en oírlo el sentido que tenía,
mas después en sí tornado con enojo respondía:
–¡No son estos los consejos, que vuestra madre os decía!
¡Muy mal mirastes infanta do estaba la honra mía!
Si verdad es todo eso vuestra honra ya es perdida:
no podéis vos ser casada, siendo la condesa viva.
Si se hace el casamiento por razón o por justicia,
en el decir de las gentes por mala seréis tenida.
Dadme vos, hija, consejo, que el mío no bastaría,
que ya es muerta vuestra madre a quien consejo pedía.
–Yo os lo daré, buen rey, de este poco que tenía:
mate el conde a la condesa, que nadie no lo sabría,
y eche fama que ella es muerta de un cierto mal que tenía,
y tratarse ha el casamiento como cosa no sabida.
D’esta manera buen rey, mi honra se guardaría.
De allí se salía el rey, no con placer que tenía;
lleno va de pensamientos con la nueva que sabía.
Vido estar al conde Alarcos entre muchos que decía:
–¿:Qué aprovecha, caballeros, amar y servir amiga,
que son servicios perdidos donde firmeza no había?
No pueden por mí decir aquesto que yo decía,
qu’en el tiempo que yo serví una que tanto quería,
si muy bien la quise entonces, agora más la quería;
mas por mí pueden decir « quien bien ama tarde olvida ».–
Estas palabras diciendo vido al buen rey que venía,
y hablando con el rey de entre todos se salía.
Dijo el buen rey al conde hablando con cortesía:
–Convidaros quiero, conde, por mañana en aquel día,
que queráis comer comigo por tenerme compañía.
–Que se haga de buen grado lo que su Alteza decía;
beso sus reales manos por la buena cortesía
de tenerme he aquí mañana aunque estaba de partida,
que la condesa me espera según la carta me envía.–
Otro día de mañana el rey de misa salía;
asentóse luego a comer no por gana que tenía,
sino por hablar al conde lo que hablarle quería.
Allí fueron bien servidos como a rey pertenecía.
Después que hubieron comido, toda la gente salida,
quedóse el rey con el conde en la tabla do comía.
Empezó de hablar el rey la embajada que traía:
–Unas nuevas traigo, conde, que d’ellas no me placía,
por las cuales yo me quejo de vuestra descortesía.
Prometistes a la infanta lo que ella no vos pedía:
de siempre ser su marido, y a ella que lo placía.
Si otras cosas pasastes no entro en esa porfía.
Otra cosa os digo, conde, de que más os pesaría:
que matéis a la condesa que cumple a la honra mía;
echéis fama que ella es muerta de cierto mal que tenía,
y tratarse ha el casamiento como cosa no sabida
porque no sea deshonrada hija que tanto quería.–
Oidas estas razones el buen conde respondía:
–No puedo negar, el rey, lo que la infanta decía
sino que otorgo ser verdad todo cuanto me pedía.
Por miedo de vos, el rey, no casé con quien debía:
no pensé que vuestra Alteza en ello consentiría.
De casar con la infanta yo, señor, bien casaría;
mas matar a la condesa, señor rey, no lo haría
porque no debe morir la que mal no merecía.–
–De morir tiene, el buen conde, por salvar la honra mía
pues no mirastes primero lo que mirar se debía.
Si no muere la condesa a vos costará la vida.
Por la honra de los reyes muchos sin culpa morían,
porque muera la condesa no es mucha maravilla.
–Yo la mataré, buen rey, mas no será la culpa mía;
vos os avendréis con Dios en fin de vuestra vida.
Y prometo a vuestra Alteza, a fe de caballería,
que me tengan por traidor si lo dicho no cumplía
de matar a la condesa, aunque mal no merecía.
Buen rey, si me dais licencia, yo luego me partiría.
–Vayáis con Dios, el buen conde, ordenad vuestra. partida.–
Llorando se parte el conde, llorando sin alegría;
llorando por la condesa, que más que a sí la quería.
Lloraba también el conde por tres hijos que tenía,
el uno era de teta, que la condesa lo cría,
que no quería mamar de tres amas que tenía
sino era de su madre porque bien la conocía;
los otros eran pequeños, poco sentido tenían
Antes que llegase el conde estas razones decía:
–¡Quién podrá mirar, condesa, vuestra cara de alegría,
que saldréis a recebirme a la fin de vuestra vida!
Yo soy el triste culpado, esta culpa toda es mía.–
En diciendo estas palabras la condesa ya salía,
que un paje le había dicho como el conde ya venía.
Vido la condesa al conde la tristeza que tenía,
vióle los ojos llorosos, que hinchados los tenía
de llorar por el camino mirando el bien que perdía.
Dijo la condesa al conde: –¡Bien vengáis, bien de mi vida!
¿:Qué habéis, el conde Alarcos? ¿:Por qué llorais, vida mía?,
que venís tan demudado que cierto no os conocía.
No parece vuestra cara ni el gesto que ser solía;
dadme parte del enojo como dais de la alegría.
¡Decídmelo luego, conde, no matéis la vida mía!
–Yo vos lo diré, condesa, cuando la hora sería.
–Si no me lo decís, conde, cierto yo reventaría.–
–No me fatiguéis señora, que no es la hora venida.
Cenemos luego, condesa, de aqueso que en casa había.
–Aparejado está, conde, como otras veces solía.–
Sentóse el conde a la mesa, no cenaba ni podía,
con sus hijos al costado, que muy mucho los quería.
Echóse sobre los hombros, hizo como que dormía;
de lágrimas de sus ojos toda la mesa cubría.
Mirándolo la condesa, que la causa no sabía,
no le preguntaba nada, que no osaba ni podía.
Levantóse luego el conde, dijo que dormir quería;
dijo también la condesa que ella también dormiría;
mas entr’ellos no había sueño, si la verdad se decía.
Vanse el conde y la condesa a dormir donde solían,
dejan los niños de fuera que el conde no los quería;
lleváronse el más chiquito, el que la condesa cría.
Cierra el conde la puerta, lo que hacer no solía.
Empezó de hablar el conde con dolor y con mancilla:
–Oh desdichada condesa, grande fue la tu desdicha!
–No so desdichada, el conde, por dichosa me tenía
sólo en ser vuestra mujer: esta fue gran dicha mía.
–¡Si bien lo sabéis condesa, esa fue vuestra desdicha.
Sabed que en tiempo pasado yo amé a quien servía,
la cual era la infanta, por desdicha vuestra y mía.
Prometí casar con ella y a ella que le placía,
demándame por marido por la fe que me tenía.
Puédelo muy bien hacer de razón y de justicia;
díjomelo el rey su padre porque de ella lo sabía.
Otra cosa manda el rey que toca en el alma mía:
manda que muráis, condesa, a la fin de vuestra vida,
que no puede tener honra siendo vos, condesa, viva.–
Desque esto oyó la condesa cayó en tierra amortecida;
mas después en sí tornada estas palabras decía:
–Pagos son de mis servicios, conde, con que yo os servía!
si no me matais, el conde, yo bien os aconsejaría
enviédesme a mis tierras que mi padre me ternía;
yo criaré vuestros hijos mejor que la que vernía;
yo os mantendré castidad como siempre os mantenía.
–De morir habéis, condesa, en antes que venga el día.
–¡Bien parece, el conde Alarcos, yo ser sola en esta vida
porque tengo el padre viejo, mi madre ya es fallecida
y mataron a mi hermano el buen conde don García,
qu’el rey lo mandó matar por miedo que d’él tenía!
No me pesa de mi muerte, porque yo morir tenía,
mas pésame de mis hijos, que pierden mi compañía;
hacémelos venir, conde, y verán mi despedida.
–No los veréis más, condesa, en días de vuestra vida.
Abrazad este chiquito, que aqueste es él que os perdía.
Pésame de vos, condesa, cuanto pesar me podía;
no os puedo valer, señora, que más me va que la vida.
Encomendaos a Dios que esto hacerse tenía.
–Dejéisme decir, buen conde, una oración que sabía.
–Decilda presto, condesa, enantes que venga el día.
–Presto la habré dicho, conde, no estaré un Ave María.–
Hincó las rodillas en tierra esta oración decía:
–En las tus manos, Señor, encomiendo el alma mía;
no me juzgues mis pecados según que yo merecía,
mas según tu gran piedad y la tu gracia infinita.
Acabada es ya, buen conde, la oración que sabía;
encomiénd’os esos hijos que entre vos y mí había
y rogad a Dios por mí mientra tuvierdes vida,
que a ello sois obligado pues que sin culpa moría.
Dédesme acá ese hijo, mamará por despedida.
–No lo despertéis condesa, dejaldo estar, que dormía,
sino que os demando perdón porque ya viene el día.
–A vos yo perdono, conde, por el amor que os tenía;
mas yo no perdono al rey, ni a la infanta su hija,
sino que queden citados delante la alta justicia,
que allá vayan a juicio dentro de los treinta días.–
Estas palabras diciendo el conde se apercebía;
echóle por la garganta una toca que tenía,
apretó con las dos manos con la fuerza que podía,
no le aflojó la garganta mientra que vida tenía.
Cuando ya la vido el conde traspasada y fallecida,
desnudóle los vestidos y las ropas que tenía;
echóla encima la cama, cubrióla como solía;
desnudóse a su costado, obra de un Ave María.
Levantóse dando voces a la gente que tenía:
–¡Socorré, mis escuderos, que la condesa se fina!–
Hallan la condesa muerta los que a socorrer venían.
Así murió la condesa sin razón y sin justicia;
mas también todos murieron dentro de los treinta días:
los doce días pasados la infanta ya moría;
el rey a los veinte y cinco, el conde al treinteno día;
allá fueron a dar cuenta a la justicia divina.
Acá nos dé Dios su gracia, y allá la gloria cumplida.

* * *

Esse texto faz parte dos guias de leitura para a segunda aula, Cordel, do meu curso Grande Conversa Espanhola: do El Cid ao Dom Quixote, a invenção da literatura moderna. Esses guias são escritos especialmente para as pessoas alunas, para responder suas dúvidas e ajudar em suas leituras. Entretanto, como acredito que o conhecimento deve ser sempre aberto e que esses textos podem ajudar outras pessoas, também faço questão de também publicá-los aqui no site. Para comprar o curso, clique aqui.

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