Autor: alexcastro
borges escreveu:
omitir siempre una palabra, recurrir a metáforas ineptas y a perífrasis evidentes, es quizá el modo más enfático de indicarla.
fim de semana com amigos em angra. fabiana abraçava, beijava, pedia massagem, sentava no colo de todos. menos de gustavo.
meses depois, a revelação bombástica: fabiana e gustavo estavam apaixonados e eram amantes há meses.
qualquer resposta que você precise exigir nunca vai ser a resposta que você deseja.
(ou vai ser a resposta que você não quer ou vai ser que a que você quer, mas dita falsamente, por pena ou por intimidação. se a resposta fosse realmente aquela que você deseja, teria sido dada espontaneamente. existem exceções, mas poucas.)
leia as outras leis de alex castro
só por isso
lanchonete de bairro na minha esquina. como tantas em copa. quase todos clientes devem ser do próprio quarteirão.
a dona se chama joice. suas empregadas a chamam de joice. não dona joice. só joice.
tomo um cafezinho lá todo dia.
“toca aqui na minha campainha”
consulado na romênia, cosme velho, rio de janeiro.
“quer saber da minha vida? vai na macumba.”
frase dita pelo moço sem camisa, enquanto descarregava cocos.
arpoador, rio de janeiro.
cansada da festinha
praia de ipanema, rio de janeiro.
corda bamba
praia de ipanema, rio de janeiro.
skate no mam
museu de arte moderna, rio de janeiro.
o bom filho
belmiro de almeida. um de nossos maiores artistas. vinte e poucos anos. antes de ganhar o mundo. presenteou à mãe seu autorretrato.
mais sobre belmiro aqui: belmiro de almeida e o museu nacional de belas artes
hora marcada
copacabana. consultório de clínica ortopédica. lotado. quase todos velhinhos.
uma senhora estrangeira, forte sotaque, começa a dar escândalo com a recepcionista. grita que é um absurdo. que já está esperando há mais de uma hora. que se não for atendida em dez minutos vai embora!
com toda a educação e paciência do mundo, a recepcionista aponta que a senhora tinha chegado sem hora marcada e que precisava esperar pela possibilidade de um encaixe.
então, a senhora se volta para a sala de espera e diz:
e você quer me convencer que essa gente toda tinha hora marcada? hein? hein?
* * *
leia meu texto gentileza em copacabana.
O Brasil das Minorias
O Brasil das minorias from Cinese on Vimeo.
Eu, falando sobre racismo e privilégio, no evento “O Brasil das Minorias”, parte da Semana Cinética.
aforismo (VII)
tudo pode aquele que não está levando essa merda a sério.
candelária
a cruz relembra os meninos mortos durante o massacre, em 1993.
a estátua, “mulher com ânfora” (1944), é de humberto cozzo. (originalmente, ficava em frente ao teatro municipal, na cinelândia.)
esse bonequinho só se fode
casa frança-brasil, rio de janeiro.
celular na paulista
avenida paulista, são paulo
dario fo no rio
dario fo. dramaturgo italiano. maluco. comunista. improvisador. pícaro. legítimo herdeiro de brecht. por lapso do sistema, ganhou o nobel de literatura de 1997.
duas peças em cartaz no rio.
no serrador, ali na cinelândia, em excelente ocupação pela companhia alfândega 88, júlio adrião no monólogo a descoberta da américa. sobre um marinheiro da frota de colombo abandonado no novo mundo. simplesmente excelente. humano. enorme. engraçado.
(as próximas apresentações são entre os dias 28 de novembro e 2 de dezembro, às 19 horas.)
no cândido mendes, em ipanema, ali do lado da praça nossa senhora da paz, outro monólogo: il primo miracolo. ou seja, o primeiro milagre. (será que acharam que, se colocassem o título em português, pareceria uma peça evangélica?) é a história da infância do menino jesus, contada através dos evangelhos apócrifos, e do seu controverso primeiro milagre. poucas vezes vi uma performance tão linda, tão humana, tão forte, tão carismática quanto a de roberto birindelli. ali, sozinho no palco. sem nenhum adereço ou parafernália. só ele, nós e a luz. belíssimo.
(às terças e quartas, às 21 horas, até 19 de dezembro.)
ao final da peça, uma fala de birindelli me ficou na memória: esse espaço só é teatro nessa breve hora enquanto estamos todos aqui juntos; antes e depois disso, é apenas um chão de tábuas sujas.
joão vem, joão vai
um joão, o caetano, foi absolutamente festejado em sua época, dominou os palcos cariocas, era rei absoluto do nosso primeiro meio de comunicação de massa. hoje, perdeu-se a memória viva de seus gestos e de sua voz. com exceção de pesquisadores do teatro do século xix como eu, ninguém se lembra mais dele. sumiu. restam o nome de um teatro e uma estátua no museu nacional de belas artes.
outro joão, o cândido, era um reles marinheiro mas, durante poucos dias, controlou alguns dos navios bélicos mais poderosos do mundo e colocou a capital da república de joelhos. foi logo preso e morreu esquecido. cem anos depois de suas façanhas, foi reabilitado e tornou-se pop. em 2008, o próprio presidente inaugurou sua estátua na praça xv, diante da baía que dominou.
grafitando em santa teresa
santa teresa, rio de janeiro.
pontos turísticos
dou meu endereço, e o taxista:
“ah, o prédio das putas?”
é bom morar em um edifício icônico de copacabana.