Pequeno apanhado de leis | alex castro

Pequeno apanhado de leis

Algumas coisinhas que fui aprendendo pela vida, ao custo de muita porrada, e que tento nunca esquecer. São leis de mim para mim mesmo. Então, amiga leitora, não pense que estou cagando regra na sua cabeça, mas sinta-se à vontade para usar minhas regras em sua vida.

Com vocês, minha sabedoria acumulada.

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Lei da racionalização
(Ou “bem, se não fosse eu, alguém mais teria feito”)

Qualquer racionalização em seu benefício é quase sempre errada, e sempre de mau-gosto.

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Lei dos conselhos
(Ou “acho que você deve mandar seu chefe tomar no cu”)

A contundência de um conselho é inversamente proporcional às consequências práticas que recairão sobre o aconselhador.

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Lei da consequência
(Ou “todos meus amigos me largaram, esses canalhas!”)

Pessoas que “brigaram com todo mundo” e foram “abandonadas” por amigos e parentes ingratos via de regra merecem sua atual solidão e, se você ficar por perto tempo o suficiente, vai descobrir na pele o motivo.

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Lei do segredo
(Ou “não tem nada de errado, mas ninguém precisa saber…”)

Se você quer muito fazer, mas tem que ser escondido “senão as pessoas não entenderiam”, é porque não deveria estar fazendo. Se não pode contar pra sua mãe, não faça. Exceções: práticas sexuais individuais, tipo enfiar cenoura no próprio cu, e mães sociopatas.

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Lei da memória
(Ou “pô, não acredito que você não está lembrando de mim!”)

Nunca presuma que ninguém sabe quem você é. Na pior das hipóteses, cria um enorme constrangimento. Na melhor, fica parecendo um ególatra.

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Lei da mulher de malandro
(Ou “vocês não entendem, ele me ama de verdade, esse é só o jeito dele!”)

Se você precisa convencer seus amigos e parentes que alguém te ama, então é porque essa pessoa não te ama.

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Lei da ajuda
(Ou “esse escroto não quer mais me dar carona!”)

Quem te ajudou muito e depois parou de ajudar não é um canalha por ter parado, mas sim um cara legal por ter ajudado. Ninguém tem obrigação de te ajudar, e muito menos pra sempre.

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Pós-escrito

É muito importante deixar claro:

Eu não ensino atenção.

Só pode ensinar quem sabe, quem domina.

O Federer pode ensinar tênis: eu, no máximo, posso bater uma bolinha com você.

Eu não ensino atenção porque sou uma pessoa canalha, egoísta, vaidosa, ciumenta, mesquinha, acumuladora, gananciosa, consumista.

Na verdade, criei as práticas de atenção justamente porque quero deixar de ser assim.

Nos meus encontros, o que faço não é “ensinar atenção”, como se fosse uma técnica que eu domino, mas sim compartilhar com as participantes essas práticas que criei antes de tudo para mim mesmo.

Para quem não quiser vir, as práticas estão todas detalhadas em meu livro Atenção.

Para quem quiser vir, a próxima imersão — que acontece entre 26 e 28 de julho em um hotel-fazenda na divisa RJ-SP — já está quase lotando.

Saiba mais e se inscreva:
alexcastro.com.br/encontros/imersao-prisoes

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