Levamos uma surra achapante

Eric Hobsbawm afirmava ter dedicado toda sua vida a um projeto que considerava fracassado, mas que nada aguçava tanto a mente do historiador quanto a derrota: afinal, quem consegue ser reflexivo enquanto está ganhando? Quem consegue aprender com suas vitórias?

A palavra “autocrítica” tem o sufixo “auto” porque é uma crítica que uma pessoa ou grupo faz a si mesma. Pedir ou exigir “auto”crítica a outrem é uma forma disfarçada e hipócrita de criticar.

Não posso fazer autocrítica do PT pois não sou nem nunca fui petista, nem pensaria jamais em exigir isso do partido e de suas pessoas apoiadoras: elas que decidam o que querem fazer de si mesmas e de seu projeto político.

Mas sou de esquerda e, já faz anos, escrevo publicamente como homem de esquerda: publiquei até um livro chamado “Outrofobia: textos militantes” e mantive um blog de mesmo nome na Revista Fórum.

Primeiro, é preciso encarar a realidade, sem dourar pílulas: nós, as pessoas que nos consideramos de esquerda, sofremos uma derrota achapante e literalmente traumática (tenho várias amigas sinceramente traumatizadas, chorando, deprimidas), a maior na minha geração.

Política não é a arte de ser o mais certo e puro e lacrador do partido derrotado, mas de chegar ao poder, por meios democráticos, para assim implementar nosso projeto de governo legitimado pelo voto popular.

Nisso, falhamos miseravelmente. Isso é fato. As urnas comprovam.

Como falhamos? Por que falhamos? Como devemos fazer de agora em diante?

Não sei. Realmente, não sei.

Mas sei que essa é a grande questão que vou estar me colocando, de mim para mim mesmo, nos próximos meses e anos.

Não sei como agirei daqui pra frente, mas com certeza mudarei o meu jeito de fazer/pensar/articular política.

Porque, claramente, não deu certo.

* * *

Pós-escrito

Os meus encontros “As Prisões” são onde tento fazer presencialmente tudo aquilo que meus textos não conseguem fazer à distância.

São instalações artísticas, indefiníveis e improvisadas, onde exploramos os limites e as possibilidades de nossa atenção, de nossa generosidade, de nosso cuidado.

São espaços de prática, sempre imprevisíveis, onde pessoas se juntam e se chacoalham, compartilham vivências e trocam histórias e, no processo, criam novos tipos de interação.

São eventos que só podem ser presenciais pois foram criados para só poderem ser presencial, justamente para fazermos aquilo que é impossível de ser feito através de textos.

Foi nesses encontros, realizados desde 2013 nas cinco regiões do Brasil, no contato energizante e polifônico com milhares de pessoas, que as minhas práticas de atenção foram sendo lentamente criadas e aprimoradas e são, até hoje, exercitadas.

* * *

Os encontros, de um dia, são ótimos, mas sempre me parecem curtos e frios comparados às imersões, que duram um fim de semana inteiro e nos possibilitam mais acolhimento e intimidade.

Em 2019, pretendo fazer mais imersões, em todas as regiões do Brasil onde encontrar locais. (Dependo das pessoas leitoras.)

Acabei de abrir inscrições para as primeiras duas imersões do ano:

A Imersão do Sudeste, no fim de semana de 19 a 21 de janeiro, em Areias, interior de SP, quase na Dutra, bem no meio do caminho entre as cidades do Rio e de São Paulo, em um dos sítios mais lindos onde já estive.

E a Imersão do Nordeste, no fim de semana de 1 a 3 de fevereiro, em Tauba, no litoral do Ceará, a 70km de Fortaleza, uma praia simplesmente paradisíaca.

Organizo todos esses eventos 100% sozinho.

Então, quanto mais cedo as pessoas se inscrevem, mais tranquilo eu fico, pois posso planejar melhor, antecipar necessidades, até calcular a comida.

O preço normal da imersão é R$400, sem incluir a hospedagem.

Mas, para recompensar quem se antecipa, agora nas primeiras semanas de venda, só até 15nov, ambas estão saindo com desconto: a do Sudeste, por R$250, e a do Nordeste, por R$150.

Ou seja, comprando antes, você economiza E me ajudem no planejamento do evento.

* * *

Sempre vale a pena lembrar que todos os meus preços são sugeridos.

Tudo o que faço é sempre fundamentalmente gratuito, e os encontros não seriam a exceção: existe um preço sugerido mas paga quem quer, o quanto quiser.

Hoje, eu literalmente vivo da generosidade alheia: graças às pessoas mecenas, que me sustentam com suas contribuições, não preciso ganhar a vida.

Então, o mínimo que posso fazer com essa vida que me foi dada ganha é passar adiante a generosidade: promovo esses encontros como um serviço para as pessoas que precisam dele.

* * *

Para saber mais e se inscrever:
alexcastro.com.br/encontros

§ uma resposta para Levamos uma surra achapante

  • Leo D disse:

    “Como falhamos? Por que falhamos? Como devemos fazer de agora em diante?”

    Principalmente a corrupção centrada no PT e PMDB e a economia capenga por culpa da Dilma. Se o PT reconhecesse e assumisse erros, e tentasse corrigir e acertar, talvez ainda estaria no poder. Por exemplo, a PF pegou um sujeito do PT praticando corrupção. O partido tem que chegar e dizer “esse cara está errado e vai ser expulso do partido, não é assim que gostamos de trabalhar”. Mas eles não fizeram isso nenhuma vez. Passaram a mão na cabeça dos corruptos e aumentaram o tom do “nós contra eles” quando foram pegos fazendo coisa errada. A sociedade ficou indignada com essa postura e foi em peso votar naquele que representava o contrário do PT.

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