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Democracia racial e homem cordial, dois meta-mitos

Dois espectros rondam as ciências sociais brasileiras: a “democracia racial” e o “homem cordial”. Mas é um mito que esses mitos existam: são meta-mitos.

Dois espectros rondam as ciências sociais brasileiras: a “democracia racial” e o “homem cordial”. Quem os critica se refere a eles, sempre desdenhosamente, como “mitos”: “o mito da democracia racial”, “o mito do homem cordial”. Mas, na verdade, são meta-mitos, ou seja, é um mito que sejam mitos, são mitos que jamais foram mitos. No texto abaixo, tentarei desmascarar não o “mito da democracia racial” mas sim o “mito do mito da democracia racial”; não o “mito do homem cordial”, mas sim o “mito do mito do homem cordial”.

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O mal-entendido

Primeiro, um comentário que recebi em meu antigo blog, em um post sobre Gilberto Freyre, escrito por um estudante de Ciências Sociais, e tristemente representativo de uma série de mal-entendidos teóricos que ainda acontecem com frequência:

“Casa Grande e Senzala prestou um enorme DEServiço ao povo brasileiro ao inventar a grande falácia da figura do “homem cordial” e outras minifalácias. Até hoje o movimento negro tenta desconstruir, com justiça, esse conceito. Mas ele é tão entranhado que fica difícil. Sobretudo enquanto aqueles que possam colaborar com a desconstrução continuem divulgando esse livro em listas de obras fundamentais.”

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O mito do mito do homem cordial

O “homem cordial” é um conceito criado por Sergio Buarque de Holanda e desenvolvido em seu livro Raízes do Brasil, de 1936, publicado três anos depois de Casa-Grande & Senzala.

Só pode considerar o “homem cordial” uma “grande falácia” quem nunca leu Raízes do Brasil. Só pode atribuir essa falácia à Casa-Grande & Senzala quem nunca leu Casa-Grande & Senzala.

Longe de ser uma “grande falácia”, o conceito do “homem cordial” diz exatamente o oposto do que as pessoas pensam: que a tal cordialidade do homem brasileiro é um disfarce, “justamente o contrário da polidez”, que permite a manutenção do patriarcalismo, clientelismo, violência da sociedade brasileira.

Um estranho sem nenhuma credibilidade escreveu um resumo bem tolerável do conceito, que eu cito abaixo:

“O “homem cordial” é … “a forma natural e viva que se converteu em fórmula”. Mas essas virtudes não são sinônimos de bons modos, muito menos de bondade ou amizade. No fundo, a nossa forma de convívio social é “justamente o contrário da polidez”. Ou seja, a atitude polida equivale a um disfarce que permite cada qual preservar sua sensibilidade e suas emoções e, com essa máscara, “o indivíduo consegue manter sua supremacia ante o social”. A “cordialidade” descrita por Holanda … faz com que as relações familiares continuem a ser o modelo obrigatório de qualquer composição social entre nós. Por isso, em geral, os indivíduos não conseguem compreender a distinção fundamental entre as instâncias públicas e privadas, principalmente entre o Estado e a família.”

Leia o verbete completo na Wikipédia, Homem cordial.

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Sérgio Buarque de Holanda

Em minha modesta opinião de historiador e escritor, crítico literário e professor, Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, é o melhor livro para explicar quem somos e porque somos, o melhor ensaio interpretativo sobre nosso país. Se fosse recomendar apenas um livro sobre Brasil, seria esse.

Tenho várias críticas pontuais, naturalmente. Ele é de 1936, então, algumas partes envelheceram mal (discordo da posição de que o português não era racista, embora possa ser verdade q era o menos racista dos europeus), mas, ainda assim, lendo e relendo todos os possíveis substitutos, nenhum chega aos pés. Só Casa-Grande & Senzala chega perto.

Raízes do Brasil é fundamental para entender o nosso país, e não apenas pelo “homem cordial”: é impossível viajar pelo nosso continente e não pensar no capítulo “Ladrilhadores e Semeadores”, sobre as diferenças arquitetônicas entre os modelos de cidade português e espanhol.

Em uma cultura brasileira que é, sempre foi, continua sendo, absolutamente impermeável a tudo que venha do mundo hispânico, um dos enormes méritos e uma grande originalidade da obra de Sérgio Buarque de Holanda é nos colocar sempre lado a lado aos nossos vizinhos e hermanos. (Como já expliquei em outro texto, nossa cultura é hispanofóbica.)

Uma curiosidade divertida é que, em Sérgio Buarque de Holanda, os luso-portugueses sempre perdem essa comparação, mas por razões radicalmente diferentes: em Raízes do Brasil, no capítulo citado acima, os portugueses são criticados por serem desorganizados e caóticos, enquanto os espanhóis são organizados e metódicos; já em Visão do Paraíso, é o exato oposto: os espanhóis são elogiados por terem uma imaginação fantasiosa e abundante, enquanto os portugueses seriam simplistas e pouco imaginativos.

Em nosso curso A Grande Conversa Brasileira, não teremos nenhuma aula específica onde essas obras serão discutidas, mas provavelmente terei ocasião de citá-las aqui e ali com frequência. Para quem embarcou em nosso projeto de tentar entender o Brasil, recomendo ambas, especialmente Raízes do Brasil, como leitura paralela e fundamental.

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Racismo vs Escravidão

Casa Grande & Senzala, publicado por Gilberto Freyre em 1933, é um dos livros mais importantes da história do Brasil. Ele reverte, quase sozinho, 45 anos de cultura racialista no Brasil.

Quando tínhamos a escravidão, ela era, de acordo com o pensamento corrente, a causa do atraso brasileiro. Quando é abolida, cria-se um vácuo: qual é agora a causa do atraso no Brasil? Nessa época, começam a entrar em voga as teses racialistas: éramos atrasados por causa da influência da raça negra, por sermos miscigenados. Durante a escravidão, esse discurso não existia: seu surgimento é causado pelo fim da escravidão.

O Brasil é, sempre foi e continua racista, mas nunca esse racismo foi tão intelectualmente articulado e socialmente aceito como entre os anos de 1888 e 1933. Essa foi a Era da Eugenia e do Racialismo. Vamos ver esse discurso sendo articulado nas obras da quinta e da sexta aulas: Os sertões, O cemitério dos vivos, O Cortiço, A Carne, Bom Crioulo e Eu e outros poemas.

Casa Grande & Senzala cai como uma bomba nesse ambiente cultural e explode essa leitura do Brasil. É impossível exagerar a força do seu impacto. Resumindo grosseiramente: com esse livro, a escravidão volta ao centro do modelo explicativo de Brasil, de onde (espero) que não saia mais. Concordo com Freyre: a escravidão nos define; ela é nosso pecado de origem e dá para traçar a origem de todos os nossos problemas atuais à escravidão.

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O terror da escravidão

É demonstravelmente fácil de comprovar que Casa Grande & Senzala não “adocica” a escravidão de nenhuma maneira. Já nas primeiras páginas do prefácio, Freyre cita

“senhores mandando queimar vivas, em fornalhas de engenho, escravas prenhes, as crianças estourando ao calor das chamas.”

Essa é só a primeira cena de terror do livro, dando o tom dos horrores que vão se seguir. Os exemplos posteriores são muitos, muitos mesmo, e é só ler para encontrá-los todos.

Casa Grande & Senzala era fortemente antirracismo e antiescravidão por ser, entre outras coisas, fortemente pró-miscigenação.

Para nossos ouvidos contemporâneos, os trechos pró-miscigenação de Freyre podem soar como apologias à violência racial, mas precisamos ter em conta o contexto: o livro cai como uma bomba no meio intelectual brasileiro justamente porque era um meio completamente tomado por teorias racialistas e eugênicas, onde era senso comum que a miscigenação com o elemento inferior negro estava destruindo o Brasil e onde se faziam, a sério, cálculos sobre quantos imigrantes brancos o Brasil teria que receber para ter diluído todo seu sangue negro e se branquear até o ano 2000.

Desenvolvo esse tema no meu texto Imigrantes sim, mas de que cor?, também disponível no meu livro Outrofobia: textos militantes.

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O mito do mito da democracia racial

De qualquer modo, entre apavorantes cenas de terror engendradas pela escravidão e canhestras (e algo racistas) defesas da miscigenação, Casa Grande & Senzala jamais comete o outro pecado atribuído a ele: a promoção de uma pretensa “democracia racial” no Brasil.

Freyre nasceu em 1900. Suas obras-primas, publicadas em 1933 (Casa Grande & Senzala) e 1936 (Sobrados e Mucambos), são produtos da mente fresca de um jovem de vinte e tantos e trinta e poucos, atacando ferozmente o status quo da cultura dominante que encontrou. Mais tarde, ele envelheceu, como acontece com quase todas nós, e deu uma guinada à direita, como também acontece com tantas de nós: percorreu o mundo defendendo a ditadura portuguesa salazarista e promovendo os méritos da colonização lusotropicalista. A partir desse momento, Freyre começa a falar absurdos e horrores sem tamanho (inclusive defende a democracia racial sim), besteiras pelas quais ele merece ser criticado sim, mas é importante salientar que nenhuma dessas besteiras “lusotropicalistas” de sua meia-idade está em Casa Grande & Senzala e Sobrados e Mucambos, suas obras-primas da juventude.

O problema de algumas militantes bem-intencionadas do movimento negro contemporâneo é, sem ter lido Casa Grande & Senzala equalizar Gilberto Freyre com sua obra-prima: associam tanto autor com obra que, quando veem alguma barbaridade dita por Gilberto Freyre, presumem, automaticamente, inconscientemente, que essa besteira está em Casa Grande e Senzala.

Mas Casa Grande & Senzala é uma obra-prima, entre outras coisas, por ter sido escrita anos antes de Gilberto Freyre começar a falar suas piores besteiras.

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Democracia racial: ponto e contraponto

Perguntaram à Ricardo Benzaquen de Araújo (em minha opinião, o melhor leitor de Gilberto Freyre) sobre a questão da democracia racial em Casa Grande & Senzala:

“Na verdade, no período dos anos 30, a noção de democracia racial não me parece muito presente. O próprio Gilberto não utiliza essa expressão em Casa-grande & senzala. É evidente que ele poderia perfeitamente não empregar o termo, mas estar operando com o conceito. No entanto, não vejo dessa maneira. Quando se trata da escravidão, por exemplo, ele vai sempre insistir no fato de que ela não só é muito presente como também implica uma característica que lhe é inerente, o despotismo, o controle absoluto do escravo pelo senhor. E esse controle pode ser concretizado de maneira mais ou menos branda ou cruel. Não importa. O que importa é a assimetria essencial entre um e outro. O ponto dele é que a distância, característica de uma relação mais despótica, era até reduzida pela importância concedida às paixões, mas estas não tinham a menor condição de diminuir efetivamente o despotismo típico do cativeiro. O despotismo se mantém, mas é exercido entre dominadores e dominados que também cultivavam vínculos de alguma intimidade.” (Revista de História da Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, n.58, julho de 2010, citada aqui.)

Para os interessados, recomendo dois artigos, ponto e contraponto:

Em Democracia racial, uma hipótese (2002), de Levy Cruz, esse sociólogo faz uma análise bem interessante desse conceito, como surgiu, quem criou, quem defendeu, quem ataca, como chegou a ser atribuído a Freyre, o que Freyre efetivamente falou a respeito, como ele tentou se desvencilhar (sem sucesso) de sua associação a ele. Em Gilberto Freyre: a reavaliação prossegue (que também recomendo), David Lehmann faz o seguinte resumo do artigo de Cruz:

[O artigo constitui] um testemunho … da capacidade que os acadêmicos manifestam algumas vezes de acreditar numa ficção malévola e de propagá-la, como se fosse um linchamento em câmera lenta. Primeiramente … foi atribuída a Freyre a crença de que o Brasil é uma democracia racial, mas também que ele foi censurado por perpetuar a discriminação racial no Brasil, devido à falsa conscientização gerada pelo mito! … [N]ão existe sequer uma instância em que Freyre tenha declarado que o Brasil é uma democracia racial. Ele propôs sim, e várias vezes – embora na maior parte em palestras e declarações para um público de fala inglesa – que o Brasil poderia estar a caminho de uma “democracia étnica ou racial”. Na tradução inglesa de Sobrados e Mucambos, ele inseriu, numa sentença final adicional, a declaração de que “o Brasil está se tornando cada vez mais uma democracia racial, caracterizada por uma combinação quase única de diversidade e unidade” O mais próximo disso a que ele se acerca, em português, se encontra numa entrevista dada em 1980 … quando afirma que o Brasil está longe de ser uma democracia em qualquer sentido (“racial, social ou política”), porém “é o que está mais próximo de uma democracia racial, no mundo inteiro”. Vale a pena notar que, aí, ele usa também a expressão “democracia relativa”, que constou do vocabulário do governo militar durante sua prolongada e tortuosa “abertura” ocorrida entre meados e final da década de 1970. Freyre poderia ter ajudado a firmar sua própria reputação junto à esquerda – caso isso lhe importasse – e entre os cientistas sociais, de modo geral, se tivesse tomado mais cuidado no emprego dos termos.

Por fim, dou a palavra final à visão oposta. Em Casa-Grande & Senzala e o mito da democracia racial (2015), o sociólogo Mateus Lobo de Aquino Moura e Silva

“[se] propõe investigar como o conceito de democracia racial é operado por Freyre em Casa-grande & Senzala, mesmo não tendo sido expresso pelo autor na obra; em uma tradição marcada por discursos conflitantes, que ora veem o mito da democracia racial como um mecanismo de perpetuação das hierarquias sociais, ora como uma constante lembrança de que a nossa sociedade foi formada em bases híbridas.”

O artigo faz um histórico excelente da questão. Não concordo com tudo, mas o autor tem o imenso mérito (que deveria ser o mínimo, mas não é) de não atribuir a Freyre o que ele não falou e, também, de avaliar como as palavras de Freyre foram percebidas e instrumentalizadas por outras intelectuais.

Pois essa é uma grande verdade: de nada adianta Freyre, em Casa Grande & Senzala, ter enfatizado os horrores da escravidão e nunca ter falado em “democracia racial”… se uma boa quantidade de pessoas inteligentes terminou de ler o livro considerando que ele adocicou a escravidão e defendeu a democracia racial.

Nesse caso, cabe a pergunta: em que Freyre tão errou em seu texto para ser tão mal compreendido por tantas pessoas tão inteligentes?

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A importância de Casa Grande & Senzala

Depois de anos pesquisando, estudando, ensinando e escrevendo sobre escravidão e História do Brasil, aqui e no exterior, eu afirmo que Casa Grande & Senzala é, somente pelo aspecto literário e cultural, um dos melhores e mais importantes textos jamais escritos em nossa língua, em nosso país, sobre nosso país.

Via de regra, livros de história e ciências humanas escritos em 1933 já não valem mais nada, são só curiosidade antiquária: Casa Grande & Senzala, pelo contrário, continua válido, relevante, polêmico, combativo, atual.

Casa Grande & Senzala foi traduzido para dezenas de línguas e, até hoje, é lido no mundo inteiro, mesmo por pessoas que não tem nenhum interesse no Brasil, somente para estudar o método historiográfico de Freyre para tentar aplicá-lo aos seus próprios temas. (Freyre é pioneiro na microhistória, ou seja, em uma historiografia mais ampla, que não depende só de documentos, mas que se utiliza de tudo que conseguir arrumar, de receitas de bolo a brincadeiras de criança.)

No curso universitário que eu ensinava nos Estados Unidos, Introdução à cultura brasileira, eu dizia que, se uma pessoa só lesse um livro sobre o Brasil, que lesse Casa Grande & Senzala, pois estava tudo lá: nossa miscigenação violenta, os horrores da escravidão, nosso machismo patriarcal, nossa falta de cordialidade, nossa falta de democracia, tudo narrado, exposto, estudado.

A pessoa estrangeira cujo único livro que leu sobre o Brasil foi Casa Grande & Senzala consegue abrir a The Economist ou o The New York Times e entende desde o golpe de Temer contra Dilma até a implosão das UPPs cariocas depois dos Jogos Olímpicos.

Casa Grande & Senzala nos dá subsídios, e abre nossos olhos, para uma maneira diferente de ler e entender os males de origem do Brasil. E nem precisamos concordar com o livro: Casa Grande & Senzala ensina, inclusivo, como um branco da classe senhorial pensava e entendia a escravidão negra.

Ninguém precisa gostar, ou concordar, com Casa Grande & Senzala. Mas o livro é sim, ainda é e vai continuar sendo por muitas décadas, um livro indispensável para pensar, estudar, debater o Brasil.

Ler e odiar é bastante compreensível — especialmente se você é uma pessoa brasileira negra.

Não ler e odiar por causa de afirmações que você pensa que estão no livro é uma falha intelectual grave.

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Um aviso: as duas obras-primas de Freyre, Casa Grande & Senzala (1933) e Sobrados e Mucambos (1936), são, para todos os fins e efeitos, o mesmo livro dividido em dois volumes. Não existem entre eles diferenças de tema, tratamento, linguagem, projetos, etc, o suficiente para chamá-los de “dois livros diferentes”. Em outras palavras, se leu um, leia o outro.

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Esse texto faz parte dos guias de leitura para a segunda aula, Escravistas & escravizados, do meu curso A Grande Conversa, a ideia de Brasil na literatura. Esses guias são escritos especialmente para as pessoas alunas, para responder suas dúvidas e ajudar em suas leituras. Entretanto, como acredito que o conhecimento deve ser sempre aberto e que esses textos podem ajudar outras pessoas, também faço questão de também publicá-los aqui no site. Todos os guias de leitura das aulas estão aqui. O curso começa no dia 1º de abril de 2021 — quem se inscrever depois dessa data terá acesso aos vídeos das aulas anteriores.

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Democracia racial e homem cordial: dois meta-mitos é um texto no site do Alex Castro, publicado no dia 15 de abril de 2021, disponível na URL: alexcastro.com.br/democracia-racial-e-homem-cordial // Sempre quero saber a opinião de vocês: para falar comigo, deixe um comentário, me escreva ou responda esse email. Se gostou, repasse para as pessoas amigas ou me siga nas redes sociais: NewsletterInstagramFacebookTwitterGoodreads. // Todos os links de livros levam para Amazon Brasil. Clicando aqui e comprando lá, você apoia meu trabalho e me ajuda a escrever futuros textos. // Tudo o que produzo é sempre graças à generosidade das pessoas mecenas. Se gostou, considere contribuir: alexcastro.com.br/mecenato

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