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aconchego no vazio

O mundo lá fora já é tão atulhado: quero abrir minha porta de casa e ver uma sala ampla, deserta, silenciosa, com espaço para os meus pensamentos.

Em minha nova casa, não quero ter móveis, nem mesas, nem camas, nem objetos pessoais, nada. Minha vontade é deixar tudo para trás.

“Mas por quê?”, perguntou um amigo.

“Bem, acho que o acúmulo de bens e objetos nos impede de ver o essencial e de se focar no que é realmente importante.”

E ele me fez uma pergunta óbvia e provocadora:

“Ah, é? Mas então o que é realmente importante?”

E aquilo realmente me fez parar, sabe?, porque eu de fato não tinha uma resposta. Gosto desses momentos em que sou interpelado sem uma resposta pronta. É a hora de parar e pensar, reconsiderar e repriorizar. E respondi:

“Olha, também não sei o que é realmente importante, mas uma sala com sofá, carpete e TV tela plana com certeza não é.”

Dizem que minha casa é vazia, espartana, pouco aconchegante (“como é que você vai trazer mulherzinha pra uma casa que não tem nem cama nem água quente?!”), mas vejo aconchego no vazio.

O mundo lá fora já é tão atulhado, voluminoso, lotado: quero abrir minha porta de casa e ver uma sala ampla, deserta, silenciosa, com espaço para os meus pensamentos.

23 respostas em “aconchego no vazio”

Cada vez que refaço essa pergunta só uma resposta se repete: relações, conexões.
Sejam com nós mesmos, com os que amamos, com quem nem conhecemos ou com quem odiamos.

Estamos tão perdidos comprando, atulhando coisas que não nos conectamos nem com nós mesmo quem dirá com os outros. Relações mais reais, mais completas, mais sinceras e menos superficiais. É isso que eu quero.

Adorei o termo “aconchego no vazio”.

[…] “O mundo lá fora já é tão atulhado, voluminoso, lotado: quero abrir minha porta de casa e ver uma sala ampla, deserta, silenciosa, com espaço para os meus pensamentos.” Alex Castro […]

É relativo, mas interessante.
Afinal, o conceito de aconchego é subjetivo, e é diferente de pessoa para pessoa.
Mas que cada pessoa consiga encontrar seu ponto de equilíbrio. Sempre tem muita coisa pra desapegar.

Alex, vc estuda zen e pratica Yoga.

Voce ve alguma incompatibilidade (objetivos, tecnicas, etc) entre o zen e o Yoga?

Abração.

Tbm sigo esse pensamento. Tudo começou ao constatar que quanto mais coisas vc tem, mais tem que limpar, mais pó pra tirar. E a partir daí, fui preferindo cada vez mais as vantagens de se ter pouco. Desapego é um exercíio que, mesmo quando difícil, me é prazeroso. E o ambiente mais vazio flui melhor.

cada vez que eu leio, mais me dá vontade de fazer isso. Já tinha pensado nisso de vez em quando. Minha cama seria alguns travesseiros no chão.

Pois é… quero fazer uma limpeza grande aqui em casa… me livrar de tudo que não usamos. Daqui a duas semanas devo terminar a tese e assim que entragar começo a limpar tudo e a levar coisas pro Value Village…

Que é, é. Mas como prefiro água quente, água quente que faz bem para a pele e tenho dito!

O blog ficou ótEmo com as letras crescidinhas. Os pés-de-galinha não concordam, mas, né? ;)
Beijão!

sobre o site, aquele esqueminha do zenhabits e do mnmlist da sequência de sextos por data, um abaixo do outro, é perfeita… ia ser legal um desses por aqui tb.

como eu sempre fui meio imitão seu, também tenho tentado me desfazer de tudo aquilo que não me é estritamente necessário, levando uma vida quase monástica. o primeiro impacto é que eu venho gastanto quilos de dinheiro a menos. talvez o único sangramento de dinheiro do qual eu não sei se vou conseguir me desfazer é o carro.

mas pra falar a verdade, não foi nem lendo seus posts que pensei nisso primeiro, foi mais com o budismo. contigo foi assim tb? pelo menos essa decisão mais acentuada de ter uma casa espartana?

Ficou ótimo o visual do site. Inclusive a diagramação do texto.

Quando eu comecei minha graduação que fui morar só minha casa era espartana também. Me acostumei tanto com aquilo que não consigo mais viver numa casa “tumultuada” com móveis. Cabe mais amigos numa sala vazia do que numa com uma mesa de centro, uma mesa de canto e sei lá mais o quê!

Daí que você pediu para os leitores opinarem no layout do site, e já que nunca comentei no LLL, meto o bedelho aqui: aumenta só um pouquinho a letra?

As pessoas acham que coisas trazem consigo uma dose de felicidade (uma TV de Plasma, três doses, um carro, oitenta doses) e quanto mais coisas + felicidade. Daí gastam tempo para comprar felicidade e ficam sem tempo para serem felizes.
Mas água quente não ocupa espaço e faz bem para a pelE. hauhauahuah
Beijão!

engraçado, desde que comecei a morar sozinho sempre pensei assim… depois que comecei a morar com a Fernanda fiz duas concessões: a cama e a estante na sala. ah, também não tenho TV mas tenho um projetor porque nós adoramos cinema. ainda assim, acho a casa super aconchegante.

Poxa, muito bom o texto. Esse site com visual mais limpo me agrada muito mais. Mas sei que você precisa manter o LLL. De qualquer maneira, visitarei mais aqui.

Sim, é verdade, estou voltando a ler você depois de muito tempo. Bateu uma vontade repentina. E aqueles textos que me pareciam chatos não estão mais aparecendo.

Puxa, Alex, sabe que às vezes eu tenho vontade de ter uma casa assim também?

Só de não ter cama, só um colchão que eu pudesse levantar e encostar na parede quando não fosse usado já me deixaria mais leve.

Oi Ricardo. Qual livro de zen? Recomendei tantos! E esse site é lindo, lindo, lindo.

Fala Alex…
parabéns pela casa nova na web…e em breve casa nova no Brasil RJ…
felicidades..
e comprei o livro do ZEN que vc recomenda…
A vida anda muito pesada..
Quero fazer esta viagem com o mínimo de bagagem tb..
veja este site..
http://mnmlist.com/

menos é mais? NÃO…
menos é melhor..

abração

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