o peso da história: a escravidão e as cotas

a história é uma bola de ferro que bisnetos e bisnetas das vítimas da escravidão ainda arrastam pelos tornozelos. seus efeitos nocivos continuam se fazendo sentir todos os dias.

eu (nascido em 1974) cursei o ensino fundamental no colégio santo agostinho (um dos melhores da cidade), o médio na escola americana do rio de janeiro (na época, a mais cara do brasil) e, depois, história no ifcs/ufrj (turma de 1999) porque meu pai cresceu em botafogo, fez o ensino médio no colégio andrews (tradicionalíssimo) e se formou bacharel em economia (turma de 1970) pela mesma ufrj.

meu pai (nascido em 1946) estudou na ufrj porque meu avô estudou engenharia no instituto eletrotécnico de itajubá, atual universidade federal de itajubá (turma de 1938) e trabalhou durante muitos anos para a chesf (companhia hidro-elétrica do são francisco), inclusive nas obras do complexo hidrelétrico de paulo afonso.

meu avô (1909-1989) foi engenheiro porque meu bisavô (1876-1965) saiu do mato grosso (onde seu pai, veterano do paraguai, estava servindo desde a guerra) pra estudar no colégio militar do rio de janeiro, onde foi comandante-aluno de 1897 (ou seja, tirou dez em tudo e foi imortalizado numa plaquinha), formou-se engenheiro militar, participou do episódio dos 18 do forte de copacabana e reformou-se coronel.

em 1888, com 12 anos de idade, meu bisavô estudava na capital do império, em um dos melhores colégios públicos do país, com bolsa integral, soldo e emprego garantido após a formatura.

se, ao invés disso, nesse mesmo ano, ele tivesse sido libertado (leia-se posto pra fora de casa) com a roupa do corpo, analfabeto e despreparado, sem conhecer pai e mãe, desprovido de qualquer poupança ou bens*, teriam seus filhos e netos e bisnetos estudado nas melhores escolas e universidades do país e feito parte da elite brasileira?

sem esse capital socioeconômico e cultural acumulado pelo meu bisavô em 1888 (para não irmos mais longe), onde teria ido parar a cadeia de acontecimentos que desembocou na minha vida? estaria eu, nesse momento, sadio e medindo 1,80m, cursando um doutorado no exterior e escrevendo essas linhas? dentre minhas realizações, quantas são exclusivamente por mérito meu e quantas são consequência direta da vida privilegiada que eu e meus antepassados levamos? que tipo de dívida eu tenho com as pessoas que não tiveram tanta sorte? será ético simplesmente dizer “sorte minha, azar deles, e foda-se, hoje já nivelou tudo e no vestibular todos têm chances iguais”?

dado que os efeitos nocivos da escravidão ainda se fazem sentir na pele dos bisnetos e bisnetas das vítimas diretas, não é tarde demais para serem indenizadas pelo estado.

e as cotas são um bom começo.

cotas raciais ou cotas sociais?

ser a favor de cotas raciais não quer dizer ser contra cotas sociais. aliás, não conheço nenhuma pessoa que defenda cotas raciais e que seja contra cotas sociais.

o problema é que quando se aplicam só cotas sociais (por renda, para pessoas oriundas de escolas públicas, etc), o que se vê são pessoas brancas se beneficiando delas desproporcionalmente mais do que negras ou indígenas.

o objetivo das cotas é corrigir distorções: se apenas fizermos cotas para corrigir as distorções sociais, corremos o risco de aprofundar ainda mais as distorções raciais.

precisamos corrigir todas.

* * *

um link: por que as cotas raciais deram certo no brasil

* * *

*riqueza [wealth] é um indicador mais importante de desigualdade racial do que renda pois, ao ser transmitida de uma geração a outra, acaba reproduzindo injustiças históricas ao longo do tempo. por exemplo, nos estados unidos hoje, enquanto a renda dos negros é 75% da dos brancos, sua riqueza líquida é de somente 18%. (telles, 116, mills, 37-38)

sou contra as cotas!

sou contra as cotas!

§ 66 respostas para o peso da história: a escravidão e as cotas

  • […] O peso da história: a escravidão e as cotas […]

  • […] senzalas & campos de concentração o peso da história: a escravidão e as cotas imigrantes sim, mas de que cor? racismo, miscigenação e casamentos interraciais no […]

  • […] Para ler um artigo bem melhor que o meu sobre  a questão das cotas raciais, clique aqui. […]

  • [...] o peso da história: a escravidão e as cotas [...]

  • [...] Mais sobre as cotas: O Peso da História: A Escravidão e as Cotas. [...]

  • [...] melhor: senzalas & campos de concentração * * * cotas o peso da história: a escravidão e as cotas carta aberta a uma estudante que perdeu a vaga por causa das cotas * * * racismo & imigração [...]

  • [...] o peso da história: a escravidão e as cotas [...]

  • Vitor santos disse:

    Nos meus discursos eu cito muito essa reportagem do link
    AONDE que uma menina que não quer trabalhar ganha R$2.000 dos pais, vai se dar mau na vida? ela vai com certeza vai passar em um dos melhores concursos do Brasil, e continuar a história de riqueza da família.
    Diferente de um negro pobre que maioria das vezes sustenta a familia, e/ou ajuda na arrumação da casa, onde não consegue tempo para estudar, nem animo no fim da noite.

    E vcs que estão falando dos italianos, alemães, espanhois…. nenhum deles foram estuprados, nenhum deles apanharam só por olhar torto, e mais eles suaram por dinheiro, o negro suava para não apanhar. e quando foram soltos, NIMGUEM quis empregá-los, por puro preconceito

    http://g1.globo.com/ceara/noticia/2012/03/jovem-de-24-anos-ganha-mesada-dos-pais-para-estudar-para-concursos.html

  • Vitor santos disse:

    Olá acabo de ler dois artigos seus, eu como negro classe média, optei não utilizar cotas, mas sou extremamente a favor dela, hoje faço parte de militancia, e estou sempre articulando e defendendo sobre esse assunto, e ler artigo de alguém como você, e escrito do jeito que você escreve. Me deixa ainda mais inspirado e forte. Você teve uma grande influencia do passado, eu bem menos, mas sou neto de filho de escravo, e meus pais já estudaram muito, para me dar a base que tenho hoje, hoje sou um negro privilegiado, coisa rara. E por isso quero ver mais negros na minha posição

  • Eduardo disse:

    Tem gente que não sabe como diferenciar negros, pardos e brancos. E tudo muito fácil. E só criar filas separadas para cada um na hora de se inscrever no vestibular e colocar um PM para organizar a fila. Ele sabe direitinho quem é preto e quem e branco.

  • Ary disse:

    A família do meu pai é de caucasianos vinda do sertão do Ceará fugindo da miséria e da seca. A da minha mãe é do interior do Pará e me deu uma vaga ascendência indígena e só não teve a seca como dificuldade em relação à do meu pai. Tenho aparência caucasiana, sangue mestiço como a maioria dos brasileiros e estudei a vida inteira em escola pública. No ensino médio, sofri com a falta de professores, peguei uma greve no 3° ano. Passei no vestibular estudando em casa, com a mesma educação que muitos outros que não tinham como estudar em escolar particular tiveram, entre eles, negros, brancos, pardos, mulatos, mamelucos, cafusos…
    Hoje, eu e um primo paterno, que também fez ensino médio na mesma escola e mesmo tempo que eu, estudamos na maior universidade do norte do Brasil. Eu faço arquitetura e ele direito.
    Ninguém nas minhas escolas teve uma educação melhor ou pior que a minha porque tinha a cor da pele diferente.
    Sou orgulhoso por estar cursando o ensino superior sabendo de toda a luta dos meus avós brancos pra ter o mínimo de qualidade de vida aqui no Pará.

    P.S: passei no vestibular apenas como cotista de escola pública.

  • [...] O peso da história: a escravidão e as cotas, onde explico minha posição sobre as cotas. [...]

  • Milla disse:

    Oi Alex, sou a favor de cotas raciais, mas ao mesmo tempo tenho dificuldades de saber como uma pessoa poderia concorrer a essas cotas, isso pq no Brasil qualquer um pode se denominar, negro, pardo, branco, etc. E ainda uma pessoa de pele clara pode ter ascendentes negros (mesmo que distantes) e vice-versa. Não sei se você já falou sobre isso em algum texto teu. Se tiver podes mostrar o link do texto? Ou então comentar alguma coisa. Obrigada. Abraços.

  • [...] O Peso da História: A Escravidão e as Cotas [...]

  • Gustavo disse:

    Erro matemático: Em 1880 tínhamos 15 milhões de pessoas, e maioria esmagadora era negra. Hoje temos declarados 12 milhões de negros, sendo que a população em média cresceu quase 1.200%. Entretanto temos 34 milhões de brancos. Se o branco inicialmente era rico, então vc quer me afirmar que o crescimento vegetativo do branco foi maior? No mundo inteiro o crescimento vegetativo do mais pobre é maior, por essas contas não. Sabe qual é o erro? Desconhecimento de história. Desde as capitânias hereditárias, nem todos os brancos obtiveram êxito em enriquecer. Realmente tínhamos muitos escravos, mas tínhamos um grande número de brancos pobres. É claro que a situação do negro era pior, e em maior quantidade, sem dúvida, mas houve depois do fim da escravidão muita miscigenação consensual, e isso ajudou para a desconstrução da referenciação da raça.

  • alexcastro disse:

    oi. essa história da queima dos documentos é mito. :) http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/quem-conta-um-conto abração, alex

  • Cabron disse:

    Erica, voce deveria se informar um pouco mais sobre o porque de nao sabermos de qual nacao viemos. Um certo senhor Ruy Barbosa mandou destruir todos os arquivos referentes a este tema, para apagar a mancha que foi a escravidão no Brasil.

    Muitos vao falar: olha, mas meus bisavos eram italianos/ alemaes/ turcos etc. pobres e se deram bem. Mas eles vieram de um pais com uma cultura que os habilitou a trabalhar de maneira especializada e iniciar um patrimoni, ao contrario dos negros que simplesmente nao podiam mais trabalhar nas fazendas.

    O que eu acho ridiculo é: ah, mas cotas são injustas. Digam me se a sociedade é justa agora! Esse mimimi é normal de alguém que está perdendo privilégios.

  • Luiza disse:

    O texto foi muito bem escrito e é impossível não concordar que os negros foram sim prejudicados no Brasil. No entanto, usar isso como base para o argumento de que os negros devem ter cotas hoje, pq os descendentes deles eram foram escravos, e quando foram libertos eram muito pobres e não tinham condições me parece um tanto injusto, visto que milhares de imigrantes chegaram Brasil e também não tinham nada. Como você usou uma história pessoal também usarei a minha, meu avô é filho de imigrantes portugueses. Meus bisavós eram muito pobres e analfabetos, trabalharam em empregos subalternos, e segundo meu avô a única coisa que não faltava na casa deles era comida. Meu avô começou a trabalhar com 14 anos, como ajudante em uma lavanderia, mais tarde, começou a trabalhar na aeronáutica, e já casado e com filhos entrou para faculdade de direito da ufrj, nunca trabalhou como advogado, pois passou no concurso para delegado da policia federal. Graças ao esforço do meu avô minha mâe estudou numa escola pública relativamente boa, pedroII, se formou em engenharia quimica pela ufrj, e eu pude estudar e um das melhores escolas particulares do Rio e ingressar eu uma faculdade pública. Com essa narrativa, que acabou ficando grande demais não quero dizer que os negros não passaram dificuldades, quero apenas mostrar que milhares de outras também tiveram um início muito difícil. E portanto, colocar cota para negros é até uma forma de preconceito, por que não uma cota para quem está numa situação de competição inferior apenas, ou seja, cota apenas para estudantes de escolas públicas. Essas cotas específicas para uma raça, pra mim, só fazem sentido se o método de avaliação tiver etapas em que a avaliação pessoal faz parte, como entrevista, pois ai pode ser alegado o preconceito, o vestibular no brasil não tem isso, porque favorecer os negros com as cotas então? cotas para as escolas públicas sim, são necessárias, pois são jovens que competem com uma educação muitas vezes inferior.

  • Daniela disse:

    Parece uma situação em que compreender o que é “capital cultural” é de suma importância, principalmente porque não se confunde com “riqueza material”. É difícil explicar que as cotas pra negros sejam um remédio histórico, e não apenas socioeconômico (outro argumento igualmente válido), e que questões históricas façam a diferença hoje, não apenas pelo mais evidente, o financeiro. Adorei o texto.

  • Nice disse:

    Alex, às vezes, eu queria vc do meu ladinho pra me ajudar a articular sobre o porquê de eu ser a favor das cotas.
    Seu texto está genial.

  • felipe disse:

    Alex, você está embarcando nessa modinha pseudointelectual de pró-cotas raciais? O passado familiar de alguém influencia em sua vida? Claro que sim. É claro que quem teve pais, avôs e bisavôs pobres também terá altas chances de ser pobre. O análogo se verifica para ricos. Por que tampa os ouvidos (neste caso, os olhos), Alex? E o branco pobre, Alex? E o negro rico, Alex? E o negro de classe média que tem chances de estudar mas não estuda (conheço diversos casos assim (hm, nem tão “diversos” mas enfim…))? É o que o povão aí está falando. Cotas são justas desque não sejam raciais. Aliás, mesmo assim é um método paliativo, uma desculpa para não melhorar a educação por vias diretas (ok, dessa vez exagerei (ou não)).

  • João disse:

    Esse texto é tendencioso e dar a entender que todo branco é rico.
    E quanto ao branco pobre será ético simplesmente dizer, azar deles, e foda-se?

  • marcos nunes disse:

    Fica, então, a recomendação d eleitura de todos os votos do STF. Ainda o texto no link abaixo:

    http://revistaforum.com.br/idelberavelar/2012/04/30/o-julgamento-das-cotas-no-stf-balanco-de-uma-vitoria-historica/

  • Assunto polêmico esse, cheio de conflitos de opinião, como era de se esperar. Infelizmente muita gente ainda não entende a lei da causa-efeito.
    Escrevi um artigo que corroboráreis com sua conclusão: http://ulisses.tenorio.zip.net/arch2009-02-01_2009-02-07.html#2009_02-02_13_24_52-134465519-0
    Talvez sirva como complemento de leitura.
    Obrigado!

  • Pedro Cintra Machado disse:

    Marcos, também acho que não vale a pena discutir com você, pois seus argumentos são muito fraquinhos. E já que neste site não se contrapõem idéias e argumentos, mas achismos e opiniões pessoais, e algumas vezes agressões gratuitas, eu dou por encerrada minha participação. Obrigado pela paciência de todos. Deixo a citação de Marx para a apreciação dos senhores: “Tudo que é sólido, desmancha no ar…”. Que dirá uma decisão judicial…

  • renato disse:

    Quanto às cotas, sou favorável porque é melhor que sua não existência. Mas proponho uma saída mais democrática, mais igualitária e que não discrimina nem torna mais possível um rico que um pobre ou um negro que um branco.

    O fato de terminar o segundo grau já é mérito suficiente para ingressar em um curso superior. O diploma já atesta essa capacidade. Como o número de vagas nas federais é menor que o número de egressos do ensino médio, faça-se um SORTEIO.

    A Escola de Música de Brasília (a única escola de música pública do hemisfério sul) trabalha com sorteios há mais de 20 anos. O ambiente, em se tratando de raças, é o mais diverso que já vi. Além disso, a interação entre pessoas de backgrounds diferentes humaniza, nos torna mais conscientes dos nossos privilégios e carências, e mostra que no fundo, todo mundo é igual. Entre brancos e negros, quem é o melhor músico? Nenhum! Não há diferenças!

    Enfim, para quem já tem conhecimento sobre música, é facultada a realização de uma prova para o ingresso, então o mérito também é atendido, só que de forma secundária, que talvez não atenda aos interesses de branquinho…

  • marcos nunes disse:

    Pedro, eu possuo quilos de argumentos para me contrapor a você, mas seria inútil. Você é um homem de fé. Eu só quero rir, principalmente de pessoas como você. Que dormirão os próximos anos tão desconfortavelmente quanto possível em suas suaves camas simplesmente porque o mundo muda em direção contrária às suas pretensões. Adeus.

  • [...] esse texto fui conferir, e claro que o Alex Castro escreveu mais um texto ótimo sobre o assunto: O peso da história – A escravidão e as cotas. Compartilhe: Tweet Category: Atualidades, Idéias políticasTags: educação > Ensino [...]

  • ROBERTA disse:

    Alex, no Brasil com nossa mistureba não existe uma medida para essa definição de quem é preto ou branco, tudo depende da referencia e mesmo que fosse fácil a olho nú a ciência (DNA) já comprovou que não tem como segregar os serem humanos em raças (aliás o DNA de duas pessoas brancas pode ser mais distintos do que de um branco e um negro por exemplo). Acho que existem outras formas da sociedade assumir esse fato do passado (como por exemplo editar livros escolares contando essa história, EDUCANDO desde sempre TODOS os brasileiros). Ademais essa cota não tem como cumprir sua função de reparação (hipoteticamente se tenho um pai negro e uma mãe branca, eu tenho direito à 50% de uma cota como reparação?). Enfim se queremos um futuro mais igualitário não podemos compactuar com essa definição de raças mesmo que as intenções sejam as melhores possíveis.

  • Lucia disse:

    Alex,

    Como colega Historiadora, gostaria de discordar da sua opinião. A sua história pessoal me parece muito bonita mas não é representativa da sociedade brasileira como um todo. Sim, ao que tudo indica, a sua familia sempre soube valorizar o estudo. Mas assim como a sua, milhares de outras também sabem e hoje em dia, ir a universidade já não é um privilégio assim tão grande. Aliás, a universidade não é para todos, como a própia sociedade norte americana (na qual você está inserido) lhe mostra, pois estudar ai custa muito caro. Em muitos países da Europa embora o acesso a universidade seja muito mais democrático do que no Brasil, não é todo mundo que chega lá e a falta de mão de obra altamente qualificada na União Européia ilustra isso muito bem.
    Pergunto-lhe por que, na sua opnião, cabe ao Estado atual compensar pessoas que se alegam descendentes de escravos? Não foi a escravidão africana, como todos os acontecimentos históricos, um fato de uma época específica? Ou será que devemos ir mais longe… um dos meus antepassados veio para o Brasil fugindo da Inquisição Espanhola. Perdeu todos os seus bens e veio tentar a sorte no Novo… será que eu, juntamente com os descendentes de milhares de perseguidos deveríamos pedir indenização por isso????

  • alexcastro disse:

    marcio, ninguem está usando o negro como “bode expiatorio”, nem dizendo que a culpa está na cor da pele. a culpa é do racismo estrutural assassino do brasil.

  • [...] Ditadura do racismo ___Já que o assunto “cotas” foi muito discutido nos últimos tempos, o Alex reeditou um dos seus ótimos textos sobre raça. [...]

  • márcio elton disse:

    Sou negro de pele e acho ridículo, essa proposta de cotas em projetos como esses são camufladas verdadeiras intensões.
    Estão usando negros como bode expiatório, estão dizendo que a culpa esta na cor da pele quando deveriam dizer que a culpa é da educação pública que é de má qualidade, vivem dizendo que é necessário uma reparação não acho, nós negros de hoje não sofremos nada por que ser reparado? quem sofreu foi o negro que foi escravo esse sim, políticos ligados a ongs, simplesmente estão usando negros como cliente político, se realmente querem fazer algo, melhorem a educação pública no país que ai sim iriam reparar toda uma sociedade a longo prazo, não só negros.
    O coletivismo desestrutura a sociedade e a segrega.
    Se eu depender de cotas racial para entra em uma federal prefiro ficar de fora e procura outros métodos de estudo, nãos aceito tenho capacidade de chegar lá e disputar a vaga com meu esforço disciplina e dedicação, não aceito e não me vendo a visionários, e nos negros temos que mostrar que somos capazes parar de ficar se passando por coitado por causa do nosso passado vamos a luta, estudar e ser alguém melhor, não espere nada do governo nem de ninguém faça sua parte quando alguém lhe da algo pode ter certeza algum interesse há.

  • Pedro Cintra Machado disse:

    Marcos, você só sabe desqualificar a pessoa daqueles que se opõem ao seu ponto de vista ou você sabe contra-argumentar? Essa sua postura você aprendeu em algum manual de alguma legenda partidária específica? Me parece que há um padrão. A discussão está longe de ser inócua, e qualquer decisão judicial pode ser revista, mesmo do pleno do STF. Os ministros mesmos estão aí a reformular constantemente suas próprias súmulas. Você me chamou de preconceituoso, de excessão, de rico…seu problema é comigo ou com meus pontos de vista? Contra-argumente o que eu disse se for capaz…

  • marcos nunes disse:

    …e nada mais lhes resta senão externar a derrota aos esperneios contra uma decisão judicial irrevogável.

    Com o conluio da minha esposa, comemoramos em:

    http://rachelsnunes.blogspot.com.br/2012/04/e-nada-mais-lhes-resta-senao-externar.html

    Os ricos-coitados podem espernear à vontade e defender suas teses inócuas. Oh, que perdição!

  • pedro cintra machado disse:

    aproveitando sua concordancia, sugiro cotas para descendentes de perseguidos politicos (meu caso), para imigrantes haitianos, para vitimas de erro medico no sus, para vitimas de acidentes em nossas estradas mal conservadas, para detentos em unidades prisionais, para quem nao foi concedido visto para viajar aos EUA, ah descobri que somos o pais das dividas sociais. Sera que podemos parcelar esse pagamento?

  • Waleska Andrade disse:

    Uma questão prática: como estabelecer a métrica necessária para definir se um determinado cidadão é ou não negro? Autodeclaração? Fala sério. Exame de DNA? Quem arca com os custos? Pesquisa genealógica? Novamente: e os custos? A questão é: e a implementação da cota? é justa?

  • alex castro disse:

    pedro, agora que o brasil está bem de vida, eu apoiaria mt isso. nós invadimos e espoliamos praticamente todos os nossos vizinhos, além de termos drenado as populações de muitas regiões da áfrica. eu acharia lindo se os descendentes dessas pessoas, angolanos, beninenses, paraguaios, uruguaios, etc, tivessem tanto facilidades para emigrar como para estudar aqui. excelente sugestão.

  • pedro cintra machado disse:

    ah Alex, ja que voce encontrou uma relacao de causa e efeito entre a opcao feita pelo seu ancestral em matar paraguaios e o seu sucesso academico, por que nao propomos um aumento da cota para paraguaios em nossas universidades?

  • pedro cintra machado disse:

    meu filho veio me pedir dinheiro pra pagar um cursinho pois ele quer tentar uma vaga em uma universidade publica, eu respondi que ele deveria gastar essa grana em sessoes de bronzeamento artificial e em um penteado rastafari. E nao venham me acusar de falsidade ideologica. Mas se for de falsidade dermatologica nao tem problema. Em tempo, estou encaminhando a camara dos deputados duas propostas: uma para reserva de assentos para negros e indios no transporte publico. Outra para a implementacao da obrigatoriedade do pagamento de laudemio aos indios em toda transacao imobiliaria efetuada no Brasil. Ah, essa quer for afrodescendente tambem vai precisar pagar ok?

  • Pedro Cintra Machado disse:

    etnico…erro de digitacao

  • pedro cintra machado disse:

    Alex, pergunte a um branco ou menos pardo pobre, esforcado, trabalhador e que esbarra nesta politica ao tentar adentrar uma universidade publica, o que ele pensa sobre as cotas raciais. Ouça o que dizem aqueles que nao passam pelo tribunal etico. Escute o outro lado, e voce entendera o que digo. Primeiro lugar, fica evidenciada a importancia do conceito de raca. ato continuo, e necessaria a classificacao: eu sou dessa raca e o outro nao é. Ele tem vantagens so por causa da cor da pele. Marcos, a opiniao da sua mulher é apenas isso, uma opiniao, a meu ver preconceituosas, a sua e a dela.

  • pedro cintra machado disse:

    veja o que falam os antropologos:

    Em junho de 2004, a Comissão de Relações Étnicas e Raciais da Associação Brasileira de Antropologia (Crer-ABA) emitiu um posicionamento acerca dos procedimentos adotados pela UnB. Lê-se:

    A pretensa objetividade dos mecanismos adotados pela UnB constitui, de fato, um constrangimento ao direito individual, notadamente ao da livre auto-identificação. Além disso, desconsidera o arcabouço conceitual das ciências sociais, e, em particular, da antropologia social e antropologia biológica. A Crer-ABA entende que a adoção do sistema de cotas raciais nas Universidades públicas é uma medida de caráter político que não deve se submeter, tampouco submeter aqueles aos quais visa beneficiar, a critérios autoritários, sob pena de se abrir caminho para novas modalidades de exceção atentatórias à livre manifestação das pessoas [] a [Crer-ABA] externa a sua preocupação não somente com os fundamentos que norteiam o sistema classificatório dos candidatos, como também com as repercussões fnegativas que o sistema implantado pela UnB poderá produzir. (Crer-ABA, 2004).

  • Josué Orrico disse:

    Alex, minha única reclamação é a do seu texto ter sido curto demais. Precisei ler devagar pra demorar de acabar. Absurdo uma coisa dessas.

  • Henrique disse:

    Não concordo com seu ponto de vista.
    Veja, todos os meus ancestrais vieram da Europa após a promulgação da lei áurea, salvo justamente meus ancestrais negros.
    Sou loiro, filho de moreno, neto de mulato e bisneto de negro. Sou também descendente de italianos, espanhóis, ingleses e poloneses.
    Todos esses “estrangeiros” citados não vieram pra este país por conta de um movimento nacional pelo “clareamento” da população. É glamourizada a visão de que essa gente veio com pompa e circunstância! Esses ancestrais que prá cá vieram, vieram em busca de melhores condições de vida, por que passavam necessidade em seus países e origem. Não vieram pra cá pra gozar de privilégios. Vieram por que passavam fome. Vieram sem qualquer quaisquer garantias. Aventuraram-se por que não tinham outra opção!
    O Brasil de hoje nada tem a ver com o Brasil de 1989. Éramos 14 milhões então. Hoje somos 190 milhões. Que Brasil é esse que deve indenizar alguém? Não foi nossa jovem república quem inventou a escravidão. Assim como não foram somente negros os escravizados no curso da história. Esse Estado fadado a corrigir o erro histórico nem sequer existe mais. Dizer que o Estado tem que indenizar esta ou aquela etnia é uma mazela. O Estados hoje, somos nós e agora. Aquele Estado eram outras pessoas e outro tempo. Não se pode corrigir hoje uma distorção do passado, criando uma distorção. Criando condições diferenciadas aos cidadãos. Isso já foi feito no passado, e a realidade hoje é um reflexo do passado. É ilusão achar que diferenciação possa gerar igualdade.
    É errônea esta ideia de que o Estado tem que intervir, indenizar, corrigir. É papel do Estado zelar para que iguais condições de oportunidade sejam garantidas. E muito pouco tem sido feito neste sentido. A garantia de cotas “raciais” não corrige as distorções, ao passo que privilegia dento da população negra, aqueles que tiverem melhores condições econômicas.
    O esforço tem que ser em garantir que todos tenham mesmas condições, para que possam competir em igualdade por vagas. E se todos tiverem condições iguais, o resultado dos concursos será um espelho da composição étnica da sociedade.

  • marcos nunes disse:

    caro pedro: minha esposa é professora na UERJ, onde o resultado do sistema de cotas (para negors, índios e filhos de funcionários públicos) só fomentou o entendimento entre as classes, e o reconhecimento entre os alunos que, vistas as diferenças, as semelhanças cobtam mais. Os recalcitrantes são as exceções de praxe, presos ás suas convicções ideológicas, fundadas nos mais obscuros (e menos também!) preconceitos. Ok?

  • alexcastro disse:

    pedro, eu concordo com vc q o q importa sao os resultados, mas os resultados das cotas até agora foram só positivos. onde vc viu segregacionismo e preconceito como resultado da aplicação das cotas?

  • pedro cintra machado disse:

    querem saber se determinada politica e boa? observem o resultado. Pra mim, ela fomenta o segregacionismo e o preconceito.

  • [...] 4) O Peso da História: A Escravidão e as Cotas Sem esse capital socio-econômico e cultural acumulado pelo meu bisavô em 1888 (para não irmos mais longe), onde teria ido parar a cadeia de acontecimentos que desembocou na minha vida? Dentre minhas realizações, quantas são exclusivamente por mérito meu e quantas são consequência direta da vida privilegiada que eu e meus antepassados levamos? Que tipo de dívida EU tenho com as pessoas que não tiveram tanta sorte? [...]

  • marcos nunes disse:

    Algo contumaz nessa discussão: a exceção se tomar por regra e interditar as oportunidades abertas para a maioria. Alguém que, tendo um antepassado escravo, se vangloria por ter conseguido furar o enorme bloqueio organizado, quem sabe à custa de quantas concessões e humilhações (mas isso não importa), e agora se contrapõe a uma medida de Justiça por insistir que EXCEÇÕES valem por REGRAS. Alguém que, por sucessivas miscigenações, hoje se vê coma pele clara e não entende porque faria jus à vaga por regime de cotas, e finge que NÃO EXISTE DIFERENÇA VISÍVEL ENTRE BRANCOS E NEGROS no Brasil.

  • Pedro Cintra Machado disse:

    Não se obterá justiça com a política de cotas. É preciso lembrar que a população brasileira é miscigenada. Eu tenho entre meus ascendentes afrodescendentes que foram escravos. Entratanto não tenho cor de pele que me de privilegios. Fui prejudicado duas vezes, segundo a tese do autor do artigo, a primeira por meio da escravidão de meus ascendentes, que diminuiu as minhas possibilidades de sucesso acadêmico, e agora, por ter desbotado geneticamente, o que me exclui no sistema de cotas. Chupa essa manga.

  • [...] Isso foi o que aconteceu com negras e negros escravizados no Brasil de 1500 até 1888. Mais de trezentos anos de escravidão. E agora vem você me dizer que não é favor de cotas pra negros porque parece inconstitucional? Inconstitucional é a pobreza, a miséria, o desemprego, o subemprego, os baixos salários, a violência policial, a falta de educação e atendimento médico de qualidade, a carência de perspectivas, a humilhação, a invisibilidade social, a exclusão, ser vista e tratada como bandida até que se prove o contrário. Faça-me o favor!!! Sugiro que conheça um pouco mais da história da construção da sociedade em que está inserida e perceba o que acontece à sua volta, ao invés de ficar soltando ideias como essa que não contribui em nada para ajudar a consolidar políticas públicas de reparação e igualdade de um povo que resiste para manter sua dignidade e o futuro de seus descendentes. [...]

  • Venceslau disse:

    “Não é por nada não, mas minha avó veio com 12 anos pra cá, passou 2 anos trabalhando de graça na fazenda para pagar a viagem de navio, casou com outro imigrante sem terra no Brasil e juntos fizeram a vida com seus 8 filhos.”

    Érica, seus avós vieram em um navio negreiro? Ou vieram apenas para ‘contribuir para o povoamento nacional’ (uma outra maneira de afirmar o ideal de branqueamento da ‘raça’, a la Silvio Romero, Nina Rodrigues e congêneres?

    E, por favor, circunscreva o termo ‘fizeram a vida’. Nada contra,é que soa muito ‘meritocrático’ em um debate em contextos antropológicos e sociológicos mais abrangentes.

  • Julia disse:

    Talita,

    Não é tanto uma questão biológica (já que não existe base biológica nenhuma que sirva para definir uma “raça”), mas sim uma questão social, de história, de identidade. A literatura a respeito do movimento negro ajuda a entender isso. E, particularmente, acho que qualquer pardo/moreno/”sarará”/”cafécomleite”, além do negro, sente frequentemente na pele o que é ser o que é. Eles sabem responder o que é a identidade afrodescendente, vai por mim. E é isso o que deve contar.

  • Talita disse:

    Sim. Temos uma dívida enorme e recente para com os negros. Sim, bem provável que suas oportunidades seriam diferentes se seu antepassado fosse marcado da escravidão para a segregação social. É um assunto pertinente ao extremo. Mas não me diga que o fato de o Brasil ser um país miscigenado é balela. Oras, se o intuito da cota racial é ser justo com os negros, pardos, afro descentes, eu pergunto: como sabê-los? Quem está à frente dessa responsabilidade enorme para definir de que cor eu sou?
    Não vou tão ao fundo pra dizer que muitos brancos tem 90% de características negras no seu DNA, pq sei que a questão aqui é o fato de a classe social ser definida pela cor (oq tb concordo). Portanto, volto a perguntar: como sabê-los???

  • fui ler um texto contra as cotas de um blogueiro que respeito, bastante racional, pausado e educado. ele opina que o melhor são as cotas sociais. não usou os velhos clichês de meritocracia, de que racismo não existe no brasil ou o emotivo “sou branco e pobre e me ferrei nessa”. (se se interessar, mando o link). mas, ainda assim, no fim das contas o “melhor” argumento contra as cotas é que os racistas se tornarão racistas.(!)

  • marcos nunes disse:

    Sou a favor das cotas, mas acho que isso se resolveria – exclusivamente em termos de acesso às universidades públicas – com uma medida só: permitir o acesso ao ensino universitário público e gratuito somente àqueles que cursaram o ensino público fundamental e médio. Penso que isso resolveria de cara a questão das cotas “raciais”, pois a grande maioria dos alunos de escolas públicas, hoje, são negros ou quase negros ou branco quase negros; depois, seria resolvida a questão da qualidade do ensino público, pois a classe média iria brigar pela melhoria de qualidade dessse ensino. Restaria a resolver o próprio acesso ao ensino público fundamental e médio dos mais pobres considerando, então, a excelência do ensino público e a prsença nele dos filhotes de nossa classe média, tirando as vagas dos pobres, negros ou não tão negros assim, etc.

    Só para lembrar, o senador Demóstenes Torres e seu partido, o DEM, é responsável por ações contra a aplicação das cotas, e não só: também contra o pro Uni. Para nossos “democratas”, democracia é para quem tem dinheiro – e é branquinho.

  • Julia disse:

    Tem momentos em que eu acho que as cotas deveriam servir para a classe econômica e não para cor da pele. Mas, todas as vezes que penso nisso, lembro de um professor me dizendo que, no Brasil, classe social tem cor. E tem mesmo. Não que não existam famílias brancas desfavorecidas, mas não tem como negar que a maioria é afrodescendente. Não tem como negar que os índios também não têm acesso, menos ainda do que os negros, não é? Talvez a cota deva servir para duas situações, tanto a econômica quanto a étnica/racial…

    Eu acho que a história que o Alex colocou aqui é válida sim, pois é a história da maior parte da classe média branca.

    Agora, Erica, se muitos afrodescendentes desconhecem sua história a responsabilidade é unicamente deles? Ou do sistema de ensino público? Por exemplo, de que modo as escolas abordam a temática do índio e do negro? De que modo nos ensinam história?

    Esse papo meritocrata me aborrece tanto… Solidariedade e justiça são coisas que me deixam muito mais admirada do que o empreendedorismo, a meritocracia… “Eu cheguei até aqui, eu fiz a minha vida”. Ok, bom pra você. E o que fez pelos outros no caminho? Não consigo ver nenhuma utilidade no discurso meritocrata além de justificar o individualismo, as desigualdades, a falta de democracia e de forma cínica, inclusive.

  • Jux disse:

    eh sempre esse papo: o Brasil nao tem raca, eh tudo uma questao de meritocracia, nao existe racismo, ninguem sabe quem eh negro de verdade, eh tudo miscigenado blah blah blah whyskas sachet.
    engracado eh que a midia, recrutadores a policia em suas “batidas”, os porteiros e segurancas de lojas e shoppings nao tem duvidas em apontar qual eh o padrao de beleza ideal, quem nao preenche o perfil do emprego, quem tem cara de bandido, quem deve ir pra porta/elevador de servico e quem pode ser um potencial ladraozinho de quinta.

  • alexcastro disse:

    oi johnny. eu não sabia q eu era negro. é bom saber. vc pode me dar mais detalhes sobre a minha ascendência? beijos, alex

  • Filipe disse:

    Concordo e discordo de alguns pontos, eu acho que seria justo cotas sociais, ao invés de cotas para negros.

    Por exemplo eu sou branco de descendencia negra. Meus tataravós possivelmente foram escravos, tenho primos negros. Agora pensa na questão eu sou branco e não tenho direito a cotas, aluno de escola pública, já que meus pais não tiveram condições de estudar até uma faculdade e logo a renda familiar não foi o suficiente para que eu estudasse em escola particular. Assim a educação que eu recebi em uma escola pública não se compara a de alguém que estudo em escola particular. Hoje eu tenho a opção de correr atrás, mas a carga social sempre vai separar de quem já teve as oportunidades desde à infancia.

  • Johnny Jonathan disse:

    Você é um negro de classe média alta e privilegiado.
    Existem brancos pobres, como os nordestinos descendentes de europeus (meu papai).
    Eu já fiz dois vestibulares e não passei. Pessoas que tinham notas menores que a minhas, pessoas que eu conhecia e que eram pouco dedicadas no colégio, passaram porque descendentes de negros.

    Por eu ter estudado uma vez em um escola particular no ensino fundamental (meu pai melhorou de renda, mas depois piorou) não posso ter cotas pra escola pública.

    Eu só quero entender é como inverter a desigualdade é lutar pela igualdade de direitos. Só isso.

    Sou a favor da cota pra escola pública, tem muitos brancos pobres que precisam de um incentivo pra continuar estudando e não ir trabalhar como um peão explorado qualquer por aí.

    Mas pra negros? Não vejo o menor sentido.

  • alexcastro disse:

    talita e erica, leiam os acréscimos ao post original, aqui: http://www.interney.net/blogs/lll/2009/01/21/o_peso_da_historia/

  • Erica disse:

    Não é por nada não, mas minha avó veio com 12 anos pra cá, passou 2 anos trabalhando de graça na fazenda para pagar a viagem de navio, casou com outro imigrante sem terra no Brasil e juntos fizeram a vida com seus 8 filhos.
    Hoje, infelizmente falecidos, eles tem netos que estudam/estudaram nas melhores faculdades do Estado de SP e os respectivos bisnetos todos em escolas particulares.
    Nossa família é meritocrata, não cotista. Todos fizeram faculdade porque seus pais trabalharam duro para isso e porque os filhos estudaram muito, mas muito mesmo para entrar nas faculdades públicas e/ou particulares.
    Sua história não é nem um pouco válida para justificar as cotas para as pessoas desfavorecidas. Prefiro muito ler a história de um “desfavorecido” do que um esclarecido privilegiado como você.
    Questiono muitos afrodescendentes sobre a história pregressa deles, mas muitos desconhecem, fora o fato de terem ascendentes que foram escravos, não sabem nem de qual nação eles foram arrastados para cá. E eu admiro aqueles que fizeram as suas conquistas sem as cotas raciais. Eles constroem a própria história.
    E mesmo com toda essa minha ponderação, eu sou a favor das cotas, pois elas possibilitarão que muitas histórias se construam daqui para a frente.

  • Talita disse:

    Alex, concordo com as cotas, mas não as raciais. E não por causa desse discurso chinfrim que o negro tem preconceito contra ele mesmo e está reforçando sua inferioridade (blá blá blá). Pelo simples fato de que vivemos no Brasil, onde a miscigenação é tamanha, que fica difícil dizer quem realmente herdou as mazelas sofridas pelos negros.
    Penso que o certo seria a cota para o pobre, para o marginalizado da sociedade e bem sabemos que, infelizmente, a maioria é ascendente de negros. Não seria mais justo?

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