Corrente

Se você se sente em dívida comigo por algo que te fiz, por algum texto que escrevi, por alguma ajuda que lhe prestei, gostaria que pagasse essa dívida ajudando outra pessoa.

Gostaria que buscasse alguém que precise da sua ajuda, alguém que não tem direito nem expectativa alguma de ser ajudada por você, e que ajudasse essa pessoa do melhor jeito que pudesse.

Aliás, proponho que faça isso mesmo se eu nunca tiver te ajudado em nada.

Se você, em algum ponto crítico da sua vida, foi ajudada por alguma pessoa estranha cujo nome você nunca soube, então, agora, ajude alguma outra pessoa estranha cujo nome você não sabe.

Se nunca foi ajudada por alguma pessoa estranha cujo nome você nunca soube… então, seja a primeira.

Comece a corrente.

E eu te agradeço.

* * *

Um dia, fui pego no meio de uma catástrofe climática, quase perdi meu cachorro, me transformei em refugiado por seis meses e fui muito mais ajudado do que jamais conseguirei ajudar de volta.

Só hoje, 13 anos depois, consigo perceber o tamanho do impacto dessa experiência na história da minha vida, de como ela mudou minha orientação política, minhas prioridades literárias, basicamente tudo.

Esse textículo é dedicado a todas as pessoas que me ajudaram, e que estão discriminadas ao final desse meu depoimento.

* * *

Pós-escrito

Estamos com um encontros “As Prisões: Exercícios de Atenção” aberto:

SP 27mai2018 — Perdizes, 9h às 23h
alexcastro.com.br/encontros/sp

* * *

Faço dois tipos de eventos: os encontros, de um dia, aos domingos, e as imersões, de um fim-de-semana.

Nas imersões, temos mais tempo para processar as experiências e, por isso, elas são mais poderosas.

Já os benefícios dos encontros de um dia são práticos: são mais baratos, mais curtos, mais acessíveis.

Nas imersões, mesmo quando dou gratuidades, é preciso pagar pela hospedagem e alimentação, o que pode inviabilizar para muita gente.

Nos encontros de um dia, as gratuidades não precisam mesmo pagar nada.

(Sem dar gratuidades, nada disso faria sentido.)

* * *

Como é o encontro As Prisões: Exercícios de Atenção

Uma instalação artísitca para encararmos nosso autocentramento e exercitamos nossa atenção. Uma prática de escutatória, de generosidade, de cuidado.

* * *

Arte, não curso; teatro, não terapia

Muitas pessoas vêm à imersão esperando um curso onde serão ensinadas conteúdo, ou uma terapia onde serão curadas de problemas, ou um coaching onde serão empoderadas para a vida.

Mas eu, Alex, não sou nem professor, nem terapeuta, nem coach: sou escritor e romancista.

A imersão é uma instalação artística, uma performance polifônica, um espaço interativo.

Tudo pode acontecer, nada nunca é igual. Venham por sua conta e risco.

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O que acontece no encontro

Espelho

Ser o espelho de outra pessoa. descrever tudo o que é visível sobre ela, sem julgamentos subjetivos: seu corpo, sua roupa, sua postura. (Baseado no terceiro Exercícios de Atenção, ver na sua totalidade.)

Olhar generoso

Falar sobre outra pessoa sem criticá-la e sem se incluir na história, enxergando-a como uma pessoa humana completa e independente de você. (Baseado no primeiro Exercícios de Atenção, praticar um olhar generoso.)

Escutatória

Cada pessoa tem dez minutos para falar sem interrupções sobre sua questão. As outras escutam com atenção plena. Depois, o grupo tem cinco minutos para oferecer algo em retribuição à história, sempre a partir de uma postura de não-opinião e não-conhecimento. (Baseado no quarto Exercícios de Atenção, ouvir com atenção plena, e na prisão conhecimento.)

Caminhada do privilégio

A cada pergunta, pessoas andam para frente ou para trás, de acordo com os privilégios que desfrutam ou não. Ao final, temos um retrato concreto e palpável da estrutura dos nossos privilégios. (Baseado no décimo Exercícios de Atenção, visualizar o privilégio.)

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O que o encontro não é

Não é auto-ajuda, terapia, coaching. Não é palestra, aula, exposição de conteúdo. Não tem apostila, powerpoint, frases de efeito pra anotar no moleskine. Não oferece respostas, soluções, remédios. Não promete uma vida mais calma, mais centrada, mais bem-sucedida.

Não ajuda em nada. Pelo contrário, só atrapalha. Às vezes, nos transforma em pessoas ainda mais confusas, desajustadas, perdidas.

Afinal, ser bem-sucedida e bem-ajustada em um mundo canalha pode bem ser indicativo de nossa própria canalhice.

* * *

Depoimentos de quem já foi

me sinto como uma cobra que comeu algo grande demais, e vai levar um bom tempo digerindo tudo.

o grande pano de fundo da conversa é “menos você”, mais generosidade, mais respeito ao outro. o mundo não gira em torno da gente.

um encontro de vidas. uma vivência para o espirito. um desenlace de pouco a pouco.

por mais que leia os depoimentos e os textos, nunca vai conseguir explicar com clareza como é passar o dia realmente ouvindo, se doando e inexplicavelmente se sentindo bem conhecendo os outros mais do que fazendo-os conhecer você.

participar do encontro é um processo que, como toda experiência transformadora, começa com um “sim”. sim, eu vou. sim, posso dispor de um dia para ouvir, aprender e ser transformado.

um encontro onde realmente somos tocados, seja pelas identificações com aspectos das questões das outras pessoas, seja pela beleza, coragem ou dor reveladas em suas histórias.

e aí eu olhei para as minhas questões, aquelas que estavam me agoniando e pensei: mas isso não é nada!

um exercício prático de empatia. … colocar a própria vida na fogueira, compartilhá-la com pessoas que nunca viu na vida, ouvir de verdade, provocar as certezas do outro.

* * *

Inscreva-se
alexcastro.com.br/encontros

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