spoilers

eu não aviso sobre spoilers. avisos sobre spoilers são sempre redundantes.

quem não quer saber o final de moby dick não deve ler textos sobre moby dick.

spoiler alert!
qualquer texto de valor sobre uma obra narrativa, qualquer texto com insight, reflexão e scholarship, vai necessariamente conter vários exemplares daquilo que as pessoas hoje chamam de spoiler.

um texto sobre uma obra narrativa que não contenha spoilers é o seu press-release. é um texto vazio, promocional, de divulgação. é um texto que não se propõe a dizer nada novo sobre a obra.

sempre que me proponho escrever sobre uma obra narrativa é porque acredito que tenho algo novo a acrescentar à discussão dessa obra. e é impossível fazer isso sem spoilers.

o fetiche da surpresa é uma maneira muito simplista de consumir arte. existem mil maneiras de desfrutar uma obra de arte e nem todas passam pelo enredo, e muito menos pela surpresa em relação ao enredo.

se você não quer saber o final de um filme antes de assisti-lo, eu respeito. mas então, por favor, não leia nada sobre o filme.

alguns textos sobre cinema, todos cheios de spoilers: “Até a chuva”, um filme para quem gosta de ajudar // “Na Estrada”: você está lendo isso errado // A menina sonhadora feliz cabeça-de-vento // Por que precisamos destruir nossos ídolos?

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