Por que fazemos o que fazemos?

O templo zen é cheio de regras de como falar, como andar, como comer.

Não são regras explicadas ou justificadas: elas simplesmente são.

Um dia, uma amiga me disse:

“Poxa, Alex, me admira você, tão libertário e tão rebelde, fazendo tudo isso sem nem saber porquê.”

Mas eu sei  o porquê.

Passo boa parte da minha semana no templo, seguindo regras aparentemente arbitrárias, porque sou uma pessoa vaidosa e egocêntrica, acostumada a sempre interpelar o mundo para exigir o porquê de tudo e que só admitia fazer qualquer coisa se o mundo satisfizesse essa minha incessante demanda por porquês.

Assim, trabalhar em um templo, aceitar as regras e não fazer perguntas é uma parte importante do meu projeto de desapegar desse meu Eu tão tirânico e de me tornar uma pessoa melhor para as outras pessoas à minha volta.

* * *

Outra amiga também perguntou:

“Alex, no templo zen você não se sente reprimido sob o peso de tantas regras? E sua liberdade?”

Em outras épocas, bem mais reativo, eu responderia:

“E você, não se sente presa aí fora, reprimido sob o peso de tantas regras? E sua liberdade?”

Mas hoje só respondo:

“Não me sinto preso, não. Pelo contrário. Aqui me sinto verdadeiramente livre: livre da tirania do meu Eu e livre dos meus desejos insaciáveis, livre da minha necessidade de aparecer e livre da minha compulsão por ser reconhecido. Livre.”

* * *

Pós-escrito

Eu te ajudo a colocar em palavras aquilo que você pensa ou sente, mas não conseguia articular?

Esse é o meu trabalho. Demanda esforço, concentração, experiência. Eu me dedico integralmente a ele. E coloco todos os frutos desse trabalho de graça na internet.

Então, se esse meu trabalho tem valor para você, se não fazer falta no leitinho das crianças, eu te peço para considerar a possibilidade de fazer uma contribuição voluntária proporcional a esse valor.

Assim, você estará me possibilitando as condições materiais para criar os meus próximos textos.

E eu te agradeço.

* * *

Para contribuir:
alexcastro.com.br/mecenato

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