pino arriado

agora à noite. saindo do lançamento da paula abreu, na argumento do leblon. o céu subitamente despenca sobre o rio de janeiro.

entre a água que cai, mal e mal vislumbro um milagroso táxi lívre e faço sinal desesperado. o carro encosta quase em frente à livraria e corremos até ele, ficando completamente ensopados por menos de dez segundos de exposição às baldadas d’água.

lentamente, quase sem visibilidade nenhuma, passando com cuidado por cada cruzamento, vamos vadeando em direção à copacabana.

toca o telefone, ele atende:

“oi, meu amor. é, tá caindo um toró aqui também. eu sei, eu sei. eu tinha acabado de encostar pra ver a novela e esperar a chuva passar, mas um casal invadiu aqui o táxi. vou deixar eles em copacabana e depois eu páro. eu juro. de pino arriado.”

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