“Os Sertões” explica o Brasil

Poucos anos depois da Proclamação da República, o Exército Brasileiro mobilizou quase todas as suas forças para enfrentar, e destruir, uma pequena aldeia rebelada no sertão da Bahia, Canudos. Entre os correspondentes de guerra enviados para cobrir a batalha, estava Euclides da Cunha, de O Estado de São Paulo, que pouco depois publicou um livro sobre a experiência, chamado Os Sertões.

Um livro que explica o Brasil.

os sertoes

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Leituras comentadas, junho de 2017

Outro mês de leituras religiosas.

1. (50) Dhammapada, c.séc.III aec, páli.
2. (51) O grande silêncio, de Braz, português, 2016.
3. (52) La condición obrera, de Weil, 1934-1942, francês.
4. (53) Livro de Habacuc, c.630–540 aec, hebráico.
5. (54) Heart of Darkness, de Conrad, inglês, 1899.
6. (55) As edições da Bíblia no Brasil, de Malzoni, português, 2016.
7. (56) A arte de meditar, de Ricard, 2008, francês.
8. (57) A arte da meditação, de Goleman, 1989, inglês.

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a tragédia dos profetas

os profetas eram aquelas pessoas chamadas por deus para profetizar em israel, ou seja, para denunciar os abusos e pecados da população, para pregar que mudassem seus maus hábitos e para ameaçá-la com os castigos do senhor.

era um trabalho duro, duríssimo: precisavam profetizar horrores sem fim para as pessoas que amavam e, naturalmente, sofrer a terrível reação.

são talvez as figuras mais trágicas, mais atormentadas da bíblia.

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moqueca

perto da minha casa, tem uma colônia de pescadores.

a colônia é mais antiga que o bairro: há mais de cem anos, quando abriram o primeiro túnel dando acesso a essas dunas desertas e isoladas, a colônia já estava aqui.

todo dia, de madrugada, os pescadores ainda saem pra pescar. todo dia, de manhã, vendem na praia o peixe fresquíssimo que pescaram.

perto da colônia, tem o bar dos pescadores.

no bar dos pescadores, dá pra comer bife, porco, frango, qualquer coisa.

menos peixe.

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não existe originalidade

somos sete bilhões de pessoas vivas e muitos bilhões de pessoas mortas: qualquer coisa a meu respeito que me pareça mais original, mais única, mais minha… já foi feita por muitas dessas pessoas.

minha percepção da minha própria originalidade é diretamente proporcional a minha enorme ignorância em relação a essas outras pessoas.

ser criativo não é ser original: ser criativo é roubar o mínimo possível do máximo possível de pessoas.

salvando o planeta, um mochaccino de cada vez

tomamos café sem cafeína, incrementado com creme não-lácteo, e adoçado com adoçante que não é açúcar.

em breve, a bebida será servida com água em pó em um copo de papel não-existente 100% ecologicamente correto.

poderemos entrar no starbucks, dar dinheiro pra atendente e não receber nada em troca, comprando assim indulgências de consciência limpa por estarmos cuidando de nossa saúde e salvando nosso planeta.

Histórias da FLIP

Pessoa Escritora vê de longe uma Pessoa Editora Toda-Poderosa que sempre bajulou, sem nenhuma vergonha e também sem nenhum sucesso.

Não querendo insistir no erro e continuar incomodando a outra com sua pequenez (ela deve estar ocupadíssima, fechando mil contratos milionários!), a Pessoa Escritora apenas acena lá do outro lado da praça e não se aproxima.

Entretanto, a Pessoa Editora Toda-Poderosa acabara de ser demitida em um passaralho e era agora uma Ex-Pessoa Editora Toda-Poderosa.

Cheia de si como toda boa Pessoa Editora Toda-Poderosa (mesmo as Ex!) e achando que todo mundo sabia da sua demissão (como não saberiam de um evento tão cataclísmico?!), ela retruca para a amiga ao seu lado:

“Olha lá aquela Pessoa Escritora. Quando eu era Altas Bosta na Editora Grandes Merda, ela vinha falar comigo cheia de amor pra dar. Agora, mal perdi o emprego e só mereço um tchauzinho de longe. Oh, How The Mighty Have Fallen!”

* * *

Escrever e editar é fácil. A interação social é que nos mata.

Zen FLIP

A experiência da FLIP para uma pessoa que vive de escrever e está apegada ao Ego (perdão pela redundância) é uma verdadeira montanha russa emocional.

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pavões da flip

ontem, começou a flip, a festa literária internacional de paraty.

eu não gosto da flip.

não por culpa da flip.

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Essa droga chamada vida

Ontem, aconteceu mais um encontro “As Prisões” na cidade de São Paulo.

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a ojeriza tribal

uma verdadeira ojeriza nunca é pessoal: ela é o rito de entrada em uma tribo.

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Biblía, Ilíada, Odisséia, indispensáveis

Leio e leio, releio e releio, e acabo sempre voltando aos mesmos livros: a Bíblia e a Ilíada/Odisséia.

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Dom Casmurro

Dom Casmurro, romance publicado por Machado de Assis em 1899, conta a história de um adultério. Ou não.

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Se beber, vá de táxi

Mas só se o taxista estiver sóbrio.

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Somos a prova viva do amor que recebemos

Outro dia, uma pessoa me confidenciou que nunca foi amada. Nem pela mãe, nem por ninguém. Nunca. Ponto.

E eu tive a temeridade de responder:

“Olha, nem te conheço, mas posso afirmar com certeza que não.

Porque o ser humano passa anos e anos completamente dependente: durante meses, não consegue nem virar o próprio corpo na cama. Todas nós já fomos seres insuportáveis que só sabiam gritar e comer, cagar e mijar.

Para qualquer pessoa adulta, teria sido fácil e tentador simplesmente dar um passo atrás e andar na direção oposta dos gritos estridentes e do cheiro de merda.

Cada uma de nós só está aqui hoje porque, ao longo de vários anos, fomos recipientes de muita atenção, muito cuidado, muito amor.

Talvez não tenha sido sua mãe. Talvez não tenha sido ninguém da sua família. Talvez você nunca saiba quem foi.

Mas, com certeza, você já foi muito amada.

Somos todas a prova viva do amor que recebemos.”

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O absurdo da religião

Por mais que as pessoas pareçam iguais a nós, por mais que nós todas superficialmente sejamos parecidas umas com as outras, somos muito, muito diferentes, às vezes de maneiras insólitas, às vezes de maneiras incoerentes, o que não impede essas outras pessoas de serem incríveis e brilhantes, o que não nos impede de admirá-las e de aprender com elas.

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A independência das pessoas negras

Hoje, quatro de julho, os Estados Unidos celebram seu “dia da independência”. Mas não é exatamente verdade.

Hoje é o “dia da independência… das pessoas brancas”. As pessoas negras ainda demoraram quase cem anos para se tornarem independentes, apenas em 1863.

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Leituras comentadas, maio de 2017

Um mês de leituras religiosas, cristãs e budistas. A maior parte das leituras foi relacionada a alguma atividade que desenvolvo em nosso templo.

1. (38) Noite escura, de João da Cruz, c.1580, espanhol.
2. (39) Manual de limpeza de um monge budista, de Matsumoto, 2011, japonês.
3. (40) Mimesis, de Auerbach, 1946, alemão.
4. (41) Embodied Attention, de Davelaar, 2014, inglês.
5. (42) Carta a um religioso, de Weil, 1942, francês.
6. (43) A pessoa e o sagrado, de Weil, 1942, francês.
7. (44) Espera de Deus, de Weil, 1942, francês.
8. (45) An Anthology, de Weil, 1940-1943, francês.
9. (46) Having once paused, de Iquiú, séc.XV, japonês.
10. (47) Leaves of grass, de Whitman, 1855, inglês.
11. (48) A cabana, de Young, 2007, inglês.
12. (49) Guia do estilo de vida do Bodhisattva, de Shantideva, c. séc. VIII, sânscrito.

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Shantideva

O Guia do caminho do bodisatva (Bodhicaryavatara) é um poema escrito na Índia do século VIII pelo monge Santideva.

De todos os muitos textos budistas, tornou-se o meu preferido, um dos livros mais importantes da minha vida e, seguramente, o que mais se aproxima de ser o meu guia de conduta moral.

O livro descreve tudo que tento ser, tudo que falho em ser, tudo que continuo tentando ser.

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Walt Whitman

Uma vez, me perguntaram quais eram meus três poetas favoritos. A resposta: Whitman, Whitman, Whitman.

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