leituras, julho 2015

meus livros lidos no último mês.

sempre com a ressalva que ler livros é um hobby como outro qualquer.

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debt: the first 5,000, de david graeber, 2011, inglês. jun-jul15.

um dos livros mais incríveis, sensacionais, abridores de mente que li na vida. minha cópia está toda sublinhada.

acho interessante traçar a genealogia das leituras. eu só li o graeber porque ele é citado elogiosamente no delicioso declaration, de michael hardt e antonio negri, 2012, que eu só li porque o jonas paskauskas werdine comentou que eu deveria ter baseado a prisão dinheiro nesse livro. não foi o caso: a prisão dinheiro é de 2008 e o livro é de 2012, mas a linha de pensamento é a mesma. :)

muito obrigado.

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the new annotated h. p. lovecraft, de h. p. lovecraft, c.1920-1930, inglês. (org: leslie klinger, 2014) releitura, jul15.

lovecraft é um dos meus autores favoritos, não só pelo conteúdo mas pelo estilo. sempre que me aparece alguma pessoa escritora iniciante cheia de regras na cabeça, entre elas a fatal proibição à advérbios e adjetivos, eu indico lovecraft.

lovecraft, sozinho, redime advérbios e adjetivos para toda a literatura.

leslie klinger organizou a deliciosa, maravilhosa nova edição anotada das obras de sherlock holmes, um livro que eu procurava desde criança e ainda não existia. quando soube que ele tinha acabado de lançar uma edição anotada de lovecraft, tive que comprar.

toda noite, quando o cérebro vai ficando cansado, eu páro de ler as coisas difíceis e vou ler um conto do machado ou do lovecraft.

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three sisters, de anton tchecov, 1901, russo. (trad: elisaveta fen.) releitura, jul15.

tchecov é o meu autor favorito de todos os tempos. não canso de ler e reler. reli as três irmãs, uma de suas melhores peças, antes de ir a uma apresentação incrível, a céu aberto, no pôr-do-sol, nos jardins do casarão austragélsio de athayde.

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the buddha on wall street. what’s wrong with capitalism and what we can do about it, de vaddhaka linn, 2015, inglês, jul15.

um livrinho desigual, com uma perspectiva budista sobre economia, consumismo, felicidade. li como parte da minha pesquisa para a prisão felicidade, mas a parte mais interessante foram suas recomendações de leitura sobre economistas que escrevem contra o desenvolvimentismo atual.

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poemas 1913-1956, de bertolt brecht, 1913-1956, alemão. (org/trad: paulo césar de souza, 1990.) jul15.

como não amar brecht? comprei o livro para ler para a Outra Significativa dormir. (ela dormia melhor com poemas!) agora, é o meu livro de banheiro.

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confessions of an english opium eater, de thomas de quincey, 1821, inglês. 14jul15.

tenho uma estantezinha com paperbacks vagabundos e já meio fodidos que são os livros que levo para ler na praia. li o quincey na praia de copa, depois de nadar com capitu, com ela tremendo no meu colo.

a questão dos viciados em ópio na europa oitocentista, a criação mitológica de um submundo do crime, as preocupações das autoridades, tudo isso levou diretamente à desastrosa guerra contra as drogas que faz vítimas até hoje.

e tudo começa com esse relato do quincey.

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evangelhos proibidos. as batalhas pela escritura e os cristianismos que não chegamos a conhecer, de bart d. ehrman, 2003, inglês. (trad: eliziane andrade paiva, 2008.) 15jul15.

a bíblia é uma antologia de diversos livros escritos ao longo de mais de mil anos. pouca gente sabe que havia outros evangelhos, outros apocalipses, outros livros de esdras, outros livros dos macabeus, outras cartas de paulo, que, por vários e vários motivos, acabaram não entrando na bíblia e não sendo, literalmente, canonizados.

muitos desses livros existem até hoje e são leituras fascinantes, indicando os diferentes caminhos e possibilidades que o cristianismo e, consequentemente, a civilização ocidental poderiam ter seguido, digamos, se os quatro evangelhos da bíblia fossem tomé, tiago, pedro e barnabé (todos evangelhos reais e muito interessantes) ao invés de mateus, marcos, lucas e joão.

o livro acima é uma história do jogo político que levou à canonização de alguns evangelhos e à proibição de outros.

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papeis avulsos, de machado de assis, 1882, português. releitura. 15jul15.

estou sempre lendo e relendo machado. leio antes de dormir, quando o cérebro está cansando.

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história da sexualidade vol.1, a vontade de saber, de michel foucault, 1976, francês. (trad: maria thereza da costa albuquerque e j. a. guilhon albuquerque) 20-25jul15.

microfísica do poder, de michel foucault, c.1970-80, francês. (org: roberto machado, trad: vários.) 20-25jul15.

the foucault reader, de michel foucault, c.1970-80, francês. (org: paul rabinow, trad: vários, 1984) 20-25jul15.

power: essential works of foucault, de michel foucault, c.1970-80, francês. (org: james d. faubion, trad: vários, 2000) 20-25jul15.

no livro das prisões, que estou tentando organizar, falo muito de poder, mas… qual poder? foucault, além de ser simplesmente delicioso de acompanhar, é o pensador que melhor articulou uma noção contemporânea, não esquemática, não maniqueísta de poder.

teria sido fácil conseguir o que eu queria em menos livros mas confesso que foi meio viciante ler e continuar lendo foucault. agora, quero muito ler os anormais, que está na fila.

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denial of death, de ernest becker, 1973, inglês, 23-24jul15.

escape from evil, de ernest becker, 1975, inglês, 24-25jul15.

dois livros também brilhantes e sensacionais. minhas cópias têm mais palavras sublinhadas do que não sublinhadas.

lido por sugestão de david r. loy, autor de the great awakening: a buddhist social theory, outro daqueles poucos livros com os quais concordo com cada palavra.

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psicologia das massas e análise do eu, de sigmund freud, 1921, alemão. (trad: paulo césar de souza) releitura. 26jul15.

um dos primeiros textos de freud que li, vinte anos atrás, para uma aula de história contemporânea, e não entendi quase nada. hoje, já entendo, mas não é dos meus favoritos.

reli por sugestão de becker, que o cita repetidas vezes.

o futuro de uma ilusão, de sigmund freud, 1927, alemão. (trad: paulo césar de souza) releitura. 26jul15.

sobre a psicogênese de um caso de homossexualidade feminina, de sigmund freud, 1920, alemão. (trad: paulo césar de souza) 26jul15.

uma neurose do século xvii envolvendo o demônio, de sigmund freud, 1923, alemão. (trad: paulo césar de souza) 26jul15.

o mal-estar da civilização, de sigmund freud, 1930, alemão. (trad: paulo césar de souza) 26jul15.

freud é um dos meus autores preferidos pois é delicioso de ler mesmo quando está completamente errado. não é necessário concordar com suas conclusões para apreciar a beleza do seu método psicanalítico de tratar as pessoas como se elas fossem um romance e ele, um crítico literário. não é à toa que ele é muito estudado em letras.

além disso, ninguém constroi um argumento tão bem quanto darwin e freud, não por acaso, duas pessoas que sabiam estar escrevendo textos revolucionários que iam contra todos os preconceitos de seus contemporâneos. tudo o que sei de retórica e argumentação eu aprendi lendo freud e darwin.

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vaca e outras moças de família, de renata côrrea, 2015, português, 27jul15.

na cama com nietszche, de vanessa guedes garcia, 2015, português, 27jul15.

dois novos livros de duas amigas queridas.

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mirtes vive, de daniela abade, 2015, português, 28jul15.

novo romance da daniela abade, lançado diretamente para kindle.

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the great god pan, de arthur machen, 1894, inglês. 28jul15.

lido porque era uma das novelas de terror favoritas do lovecraft e do stephen king.

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como viram, eu tenho quatro categorias de livros: pra ler na praia, no banheiro, antes de dormir, e os livros de trabalho.

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convenções da lista: título, autor, data da escritura, idioma original. (organizador, tradutor, data da organização e/ou tradução) data da leitura.

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uma ressalva importante

fazer listas de livros reforça uma ideia que considero muito problemática:

que “ler é bom”, que todas deveríamos “ler mais”, que ler é uma atividade intrinsecamente melhor do que a maioria das outras, etc.

mas ler um livro não é mérito, não é vantagem alguma, não é algo para se gabar.

mais importante, simplesmente ter lido um livro não significa que a pessoa leitora o entendeu, que tirou dele qualquer coisa de relevante, bela, prazeirosa ou útil.

listar os livros que eu li faz tanto sentido quando listar os vagões de metrô que eu viajei. (aliás, quase sempre, o 1022 e o 1026, que operam na linha um e são os últimos vagões de suas composições.)

e daí, não?

apesar disso, incrivelmente, as pessoas pedem e perguntam.

enfim, a verdade é que trabalho com livros. para mim, pessoalmente, esse tipo de lista é relevante e me ajuda a sistematizar as leituras.

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