Leituras, comentadas, de janeiro de 2017

Um mês de leituras cristãs, mais especificamente proféticas, mais especificamente católicas, mais especificamente jesuítas.

1. Introdução ao profetismo bíblico, de José Luis Sicre Díaz.
2. The Prophets, de Abraham Heschel.
3. The end of eternity, de Isaac Asimov.
4. Shit my dad says, de Justin Halpern.
5. Francisco, um papa do fim do mundo, de Gianni Valente.
6. Silence, de Shusako Endo.
7a. Exercícios espirituais, de Inácio de Loiola.
7b. The spiritual exercises.
8. Quando tudo se cala: o silêncio na Bíblia, de Silvio José Báez.

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1. Introdução ao profetismo bíblico, de José Luis Sicre Díaz, 2012, espanhol.

2. The Prophets, de Abraham Heschel, 1962, inglês.

Estou atualmente numa fase profética, fascinado pela força, pela paixão, pela atualidade dos profetas bíblicos, alguns dos primeiros homens a lutar por justiça social e contra a desigualdade.

Mês passado, em dezembro, reli o Livro de Jeremias, do qual já falei.

Esse mês, passei basicamente o mês inteiro lendo esses dois livros, enormes, enciclopédicos, fascinantes, sobre o fenômeno profético de modo geral.

Mês que vem, em fevereiro, pretendo continuar lendo os profetas em si. Não sei qual será o próximo: Isaías, Ezequial, Amós, Habacuc são os que estou com mais vontade de reencontrar.

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Sicre é um padre jesuíta. Sua Introdução é excelente, vasta, humana. Claramente um homem de esquerda, o livro enfatiza as contribuições dos profetas para uma “teologia dos oprimidos”.

Já Heschel talvez seja um dos autores mais passionais que já li. Esse mítico rabino norte-americano, que marchou pelos direitos civis com Martin Luther King e fez piquetes contra a Guerra do Vietnã, escreve com a mesma paixão ensandecida dos poetas que estuda. Que homem fenomenal! Vou querer ler mais coisas dele.

Abaixo, um trecho de Introdução ao Profetismo Bíblico, p.385:

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3. The end of eternity, de Isaac Asimov, 1955, inglês.

Falei dos seriados Ministerio del Tiempo e Timeless, e alguém me recomendou esse livro do Asimov, que não sei como me escapou durante minha fase Asimov, e que basicamente cria a premissa do departamento intertemporal cuja função é corrigir a linha do tempo.

Como sempre, o romance é muito bem enredado e o final me surpreendeu.

Asimov foi a única pessoa que eu não conhecia e cuja morte me entristeceu. Amo esse homem.

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4. Shit my dad says, de Justin Halpern, 2010, inglês.

Besteira divertida. Um twitter famosinho que virou seriado.

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5. Francisco, um papa do fim do mundo, de Gianni Valente, 2013, italiano. (Trad: Fulvio Lubisco, 2013.)

Livro caçaníqueis, lançado um mês depois da eleição do Papa, reunindo algumas reportagens sobre ele. Eu queria saber mais sobre Francisco… e continuo querendo.

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6. Silence, de Shusako Endo, 1969, japonês. (Trad: William Johnston, 1969)

Obra-prima do autor cristão japonês Shusako Endo, sobre dois padres jesuítas portugueses que visitam o Japão durante uma onda de perseguição religiosa, durante o século XVII, e são torturados para negar o Cristianismo.

Acabou de virar um filme também maravilhoso (já vi) de Martin Scorsese, que estréia no Brasil dia 2 de fevereiro. Recomendo ler o livro e ver o filme. Um dos grandes filmes religiosos de todos os tempos.

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Curiosamente, Liam Neeson está nos meus dois filmes religiosos favoritos, mas em pontos opostos da carreira: em A Missão, ele está novinho, começo de carreira, e interpreta um padre jesuíta que mal fala e logo morre; em Silêncio, já astro de Hollywood, também interpretando um padre jesuíta, ele participa de poucas cenas, mas são as cenas-chave do filme.

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7a. Exercícios espirituais, de Inácio de Loiola, 1522, espanhol. (Trad: Joaquim Sanches, 1961.)
7b. The spiritual exercises. (Louis J. Phul, 1951.)

Inácio de Loiola foi o fundador da Ordem dos Jesuítas, a qual pertencem o Papa Francisco, o autor da Introdução ao Profetismo Bíblico, e os padres protagonistas de Silêncio.

(Como deu pra ver, estou em um mês jesuíta!)

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Então, decidi ler um livro que já estava pra ler há anos: os Exercícios Espirituais de Inácio Loiola, uma espécie de guia que ele criou, para si mesmo e para futuros jesuítas, que ainda é usado, até hoje, quinhentos anos depois, no treinamento da ordem.

Tenho muita, muita admiração por Loiola e por seus jesuítas.

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8. Quando tudo se cala: o silêncio na Bíblia, de Silvio José Báez, 2007, italiano. (Trad: Jaime Clasen, 2011.)

O tipo do livro aleatório que eu leio, por nada, sem estar relacionado a nenhum projeto, por puro prazer. Um livro estudando como a Bíblia trabalha o silêncio de Deus: sobre as vezes em que Deus silencia por amor, por castigo, por raiva, por pedagogia.

Foi muito interessante ler esse livro lado a lado com o romance Silêncio, que é fundamentalmente sobre o silêncio de Deus diante da perseguição aos cristãos.

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