mais uma história de horror, crime e violência no rio de janeiro

uma mesa de estudantes de direito. acabaram de sair de uma prova na estácio de sá da raul pompéia e vieram desanuviar na casa de sucos da minha esquina.

papo vai, papo vem, começam a falar da onda de violência no rio de janeiro. diz uma senhora muito bem arrumada:

“não dá mais pra andar na rua, não! outro dia de manhã, vocês nem sabem, eu fico arrepiada só de pensar, eu estava andando ali pelo leblon, em frente ao shopping leblon, sabe?, maior solzão, quando vi um grupo de uns quinze pivetes vindo na minha direção, tudo pequenininho, e eu já fiquei tensa, eu estava com um iphone num bolso e o ipad no outro, e fiquei pensando, quando me assaltarem, qual eu dou?, ipad ou iphone?, iphone ou ipad?, mas aí lembrei que um amigo meu, coronel da pm, me recomendou sempre encarar esses moleques, sabe?, mostrar que eu vi, que estou ligada, que estou atenta, porque eles são todos medrosos, só atacam em bando, então, eu fiz isso, fechei a cara e fiquei encarando, encarando, e eles lá, nada, passaram por mim e não tiveram coragem de me roubar, graças a deus, mas foi por muito pouco, deus me livre, essa cidade está impossível!”

e eu tive vontade de ir lá, cutucar seu ombro e perguntar:

“hmm. quer dizer que sua terrível história para ilustrar a onda de violência do rio de janeiro… é que você cruzou com um grupo de crianças em uma manhã de sol e olhou feio pra elas?”

* * *

um link: como morrem as jovens negras norte-americanas

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