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Faltiel, filho de Laís, marido de Micol

A Bíblia é meu livro preferido. A história de Faltiel é um dos motivos.

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O contexto

Davi era casado com a princesa Micol, filha do rei Saul. Quando Davi entra em conflito com o rei e foge do país, Saul anula o casamento e dá sua filha a outro. Agora, com o rei Saul morto, Davi volta ao reino e reclama não apenas o trono como sua antiga esposa, a princesa. O rei Isbaal, filho de Saul, e o general Abner, ex-comandante em chefe das tropas de Saul, como gesto de boa-fé à Davi, aceitam essa condição.

Mas tinha um probleminha.

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A história

“Então Isbaal mandou tirar Micol de seu marido Faltiel, filho de Laís. Faltiel a seguiu até a cidade de Baurim, chorando atrás dela. Abner lhe disse:

— Vamos, volta!

Ele voltou.”

(2sm 3, 15-16, tradução da Bíblia do Peregrino.)

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Faltiel, nunca antes mencionado, nunca depois mencionado, só existe para nós nesse brevíssimo momento de intensa dor, tendo sua vida doméstica e pessoal destroçada por complexas negociações geopolíticas tão maiores que ele.

Enquanto sua esposa vai se afastando pelo caminho, certamente escoltada pelas tropas do velho rei Saul e do novo rei Davi, Faltiel, impotente, sem saber o que mais fazer, vai atrás dela pela estrada, chorando.

Para o rei Davi, para o rei Isbaal, para o general Abner, grandes homens, reis e generais, Micol não era uma pessoa: ela era apenas uma peça em um complexo tabuleiro geopolítico.

Para Faltiel (o que fazia? qual era sua profissão? não sabemos), sua esposa claramente não era apenas um objeto, uma posse, uma negociação.

Por fim, só quando ordenado pelo comandante-em-chefe do exército, com toda a ameaça mortal implícita em uma ordem como essa, Faltiel desiste, volta, some.

A Bíblia, sempre maravilhosamente elíptica (sua maior qualidade literária) nos dá apenas esse breve relance e mais nada: em um piscar de olhos, deixamos Faltiel ali na estrada, sozinho, chorando, e retornamos à grande narrativa cósmica da aliança de um Deus onipotente com seu povo escolhido.

E Faltiel que se foda, coitado.

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É um momento tão forte, tão aleatório, tão bonito, tão humano, tão patético, que rompe todas as definições de gênero literário. Afinal, o texto que estamos lendo é história ou ficção? Parábola ou crônica? Por que incluir essa anedota? O que ela acrescenta ao objetivo teológico ou mesmo literário do livro?

Será que é tão, mas tão aleatória que só pode ser verdade? Ou será, pelo contrário, que indica a mão de uma ficcionista magistral?

A Bíblia é o meu livro preferido, entre outras coisas, por ter centenas desses pequenos momentos ó-tão-humanos, ó-tão-reais, salpicados em suas tramas ó-tão-cósmicas de reis poderosos e deuses onipotentes.

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Os encontros “As Prisões: Exercícios de Atenção”

Os próximos encontros “As Prisões: Exercícios de Atenção” acontecem no Rio, no domingo, 20 de maio, e depois em São Paulo, no domingo seguinte, 27.

São instalações artísticas, indefiníveis e improvisadas, onde exploramos os limites e as possibilidades de nossa atenção, de nossa generosidade, de nosso cuidado.

Um espaço de prática, sempre imprevisível, onde pessoas se juntam e se chacoalham, compartilham vivências e trocam histórias e, no processo, criam novos tipos de interação.

Um evento que só pode ser presencial pois foi criado para só poder ser presencial, justamente para fazermos aquilo que é impossível de ser feito através de textos.

Foi nesses encontros, realizados desde 2013 nas cinco regiões do Brasil, no contato energizante e polifônico com milhares de pessoas, que os Exercícios de Atenção foram sendo lentamente criados e aprimorados e são, até hoje, praticados.

Tudo o que faço é sempre fundamentalmente gratuito, e os encontros não seriam a exceção. Existe um preço sugerido mas paga quem quer, o quanto quiser.

Hoje, eu literalmente vivo da generosidade alheia: graças às pessoas mecenas, que me sustentam com suas contribuições, não preciso ganhar a vida. Então, o mínimo que posso fazer com essa vida que me foi dada ganha é passar adiante a generosidade: promovo esses encontros como um serviço para as pessoas que precisam dele.

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Inscreva-se
alexcastro.com.br/encontros

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