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Quem tem medo dos pêlos femininos?

Por que os pêlos corporais femininos incomodam tanto, são tão ofensivos, sujos, antihigiênicos, imorais, obscenos, pervertidos?

(Aliás, menos os pêlos do topo da cabeça, claro: esses são considerados importantíssimos, definidores de feminilidade, dignos de gastos enormes em produtos e serviços, ao ponto que, quando andava com uma amiga de cabeça raspada, ela causava mais surpresa e consternação do que se tivesse arrancado um braço e não apenas pêlos.)

O que nos assusta não são pêlos, é a sexualidade feminina.

Uma mulher com pêlos no corpo é uma primata adulta, madura, pronta para usar e dispor de sua própria sexualidade.

Naturalmente, nossa sociedade outrofóbica não pode tolerar uma liberdade dessas: metade das nossas leis e costumes ancestrais têm como objetivo explícito conter a sexualidade das mulheres.

Não queremos mulheres adultas e sim seres assexuais e impúberes, sem pelos justamente nas áreas onde a existência de pelos indica maturidade, para que possamos nos enganar que, na verdade, não têm sexualidade, não têm desejos, não cagam, não suam, não gozam.

(Naturalmente, quando esses seres impúberes, assexuais e angelicais se dignam a transar conosco, é porque somos a exceção, é porque somos especiais, como não?!)

O tabu dos pêlos corporais femininos só existe pois eles são um lembrete visual e concreto de que as mulheres adultas são primatas que fodem.

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Jesus sem-teto

Homeless Jesus (“Jesus sem-teto”) foi esculpida pelo artista canadense Timothy Schmalz em 2013. (Desde então, vários moldes já foram instalados pelo mundo.)

A estátua representa um mendigo, de cabeça coberta, dormindo em um banco de praça. Dá pra ver que é Jesus pelos estigmas da cruz em seus pés.

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O que merecem as pessoas mentirosas?

Se só as pessoas que não mentem merecessem ajuda… quem sobraria?

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História de um síndico e de um subsíndico

moro em copacabana, em um prédio de dez andares e quarenta quitinetes por andar, construído em 1957. » leia o texto completo «

Rio e São Paulo, duas arrogantes

Tanto São Paulo quanto o Rio são cidades muito arrogantes. Mas arrogâncias completamente diferentes.

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Espátula

hoje, faleceu o morador do 307. talvez tenha sido ontem. na verdade, foi há três dias.

michelle, que mora no 807, disse que o cheiro de podre estava chegando até lá em cima, subindo pela coluna do banheiro junto com as brigas de casal e o alho refogando.

a polícia chegou mas ninguém queria a responsabilidade de arrombar a porta.

finalmente, arrombaram.

joão, o segurança do prédio, ficou impressionado: disse que tiveram que tirar o corpo do chão com uma enorme espátula: “se tentassem levantar pelos braços, se esfarelava tudo.”

meu prédio tem dez andares, quarenta conjugados por andar, muitas pessoas idosas que moram sozinhas.

joão, o segurança do prédio, é novo aqui: mês que vem, já estará calejado.

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“O Senhor é minha fechadura e ninguém entrará”

Lojinha de produtos católicos.

Rua das Laranjeiras, hoje cedo.

Tento entrar mas porta está trancada.

Moça vem correndo abrir.

Pergunto:

“Estão fechados?”

Ela:

“Deixamos a porta sempre trancada.”

Não resisti:

“Tenha fé em Deus, moça!”

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Camuflagem

Centro do Rio de Janeiro, joalheria.

Uma amiga paulistana acaba de comprar um caríssimo relógio.

Em um delicado ritual, com gestos lentos e compenetrados, a vendedora coloca o relógio em uma caixa de couro, acolchoada por dentro, e, então, em uma belíssima bolsa de papel, com o elegante logotipo da joalheria impresso em alto relevo.

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Carnaval é coisa séria!

Rio de Janeiro, Santa Teresa, quarta-feira de cinzas.

Entre unicórnios e sereias, Anittas e Temers, sentamos para tomar um brunch no pós-bloco.

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Bilhete em casa de suicida

Bilhete em casa de suicida:

“Vou andar até a ponte.

Se alguém sorrir, não pulo.”

Pulou.

Penso muito nessa pessoa.

Queria salvá-la, acolhê-la,

ensinar um segredo, um truque:

as ruas são cheias de sorrisos,

a começar pelos meus próprios.

Sorrio para todas as pessoas,

quase todas sorriem de volta.

De sorrisos, escolho ser vetor,

não hospedeiro.

Não mereço sorrisos,

forneço sorrisos.

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O que um perde, outro acha

Moro em Copacabana, em um prédio de dez andares, quarenta quitinetes por andar. Essa é uma de suas histórias.

copacabana

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O valor de uma artista

Amiga pintora, em crise de insegurança, me pergunta se já senti que eu, como artista, não tenho valor.

Respondi que essa me parece uma questão completamente irrelevante, que só faz sentido a partir de um ponto de vista egoico, vaidoso, narcissista.

Prefiro me perguntar: “Estou dando o meu melhor?”

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Quanto custa nosso perdão?

Por que vendemos nosso perdão tão caro?

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O lado em que a corda arrebenta

Rio de Janeiro, 1878. O preto Ciríaco, acusado de assassinato e julgado como escravo, é condenado a cinquenta açoites e a “conduzir ao pescoço um ferro por espaço de um mês”.

Entretanto, até o final do julgamento, seu “dono” ainda não conseguira produzir a papelada necessária para comprovar seu status de cativo, e a magnânima lei brasileira tinha por princípio sempre errar em prol da liberdade. Ou seja, na ausência de prova da escravidão, Ciríaco foi considerado livre.

Como homem livre, a pena para assassinato era de vinte anos de trabalhos forçados nas galés.

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Carma

“Alex, como pode uma pessoa como você, agnóstica e cética, “acreditar” em carma?”

Não acho que carma seja algo em que eu “acredito” (realmente não acredito em nada) mas meu entendimento de carma é o seguinte, a partir de uma perspectiva budista secular.

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Título chamativo para atrair o leitor

Frase impactante para resumir a premissa e abrir o texto.

* * *

Celebridade segurando nosso produto:

“Fiquei famoso fazendo algo que nada tem a ver com esse produto. Hoje, sou rico demais para consumir um produto desses. Mas você não. Compre esse produto!”

* * *

Pessoas lindas, consumindo nosso produto e se divertindo. Deve haver alguma relação. Compre nosso produto.

* * *

Uma pessoa milionária, que se enquadra no padrão arbitrário de beleza que inventamos, segurando nosso produto. Você pode se enquadrar no nosso padrão arbitrário de beleza também. Compre nosso produto.

* * *

Você fede. Compre nosso sabonete.

* * *

Pessoas magras e de dentes perfeitos, alegres e saciadas, comendo nosso produto alimentício. Close-up de um modelo em isopor do produto. Você está com fome. Tem uma franquia perto de você. Fome. Compre nosso produto.

* * *

Um texto descaralhante e matador em um site descolado. Logotipo piscante da nossa marca antes, depois e em volta do texto. Existe uma relação tênue entre o texto e o produto. Compre nosso produto.

* * *

Um monge budista de pernas cruzadas. Uma paisagem calma. Uma música suave. Você não é como esses consumistas desenfreados por aí. Você é diferente. Você é melhor que eles. Nosso produto é pra você. Compre nosso produto.

* * *

Seja você mesmo. Torne-se mais um entre milhões de consumidores de nossa marca. Afirme sua individualidade. Compre nosso produto.

* * *

Uma frase final só para amarrar o texto.

* * *

Um pedido para as pessoas curtirem página, compartilharem post, seguirem perfil.

A escolha de ser artista

Fez diferença? Valeu a pena? Alguém percebeu?

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Eclesiástico, de Jesus ben Sirá

“O que sabe aquele que não foi tentado?”

* * *

O Eclesiástico é o livro mais recente do Antigo Testamento e o único cujo autor conhecemos. Ele foi escrito pelo sábio e escriba Jesus ben Sirá, por volta de 180 antes da Era Comum, em hebraico e provavelmente em Jerusalém. » leia o texto completo «

A marca do bom relacionamento

Relacionamento bem-sucedido é aquele onde gosto da pessoa que eu sou quando estou com a outra pessoa.

O pior relacionamento é aquele que me transforma em alguém que não quero ser.

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História da minha rua

me deu vontade de escrever sobre a minha rua.

todo mundo tem a sua rua. essa é a minha.

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