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	<title>alex castro &#187; mulher de um homem só</title>
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	<description>escritor</description>
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		<title>Mulher de Um Homem Só, romance</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 21:52:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[mulher de um homem só]]></category>

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		<description><![CDATA[Compre. &#8220;Mulher de Um Homem Só devassa a cabeça de Carla, que tem a sensação de já ter chegado tarde à vida do marido, Murilo. Desde a infância, ele pertence à Júlia: é o melhor amigo, o confidente, o anjo da guarda e o referencial masculino. Em 25 mil palavras, o romance invade o feminino [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://alexcastro.com.br/compre">Compre</a>.</p>
<p>&#8220;<strong>Mulher de Um Homem Só</strong> devassa a cabeça de Carla, que tem a sensação de já ter chegado tarde à vida do marido, Murilo. Desde a infância, ele pertence à Júlia: é o melhor amigo, o confidente, o anjo da guarda e o referencial masculino. Em 25 mil palavras, o romance invade o feminino nas suas pequenezas e mazelas. Revela o ordinário; o dia a dia de um jovem casal que enfrenta os desafios do casamento, da falta de dinheiro, da busca de identidades e de lugares para ser e ocupar, tendo que lidar com a constante presença de Júlia entre os dois.&#8221; (<em>por Vivian Soares</em>)</p>
<p>A primeira edição foi azul (2009); a segunda, magenta (2009); agora, a terceira, laranja (2010).</p>
<p><a title="Mulher de Um Homem Só" href="http://alexcastro.com.br/compre"><img src="http://farm5.static.flickr.com/4039/4460199934_30274ec5c2_m.jpg" border="0" alt="Mulher de Um Homem Só, 3a edição" hspace="15" /></a></p>
<p><strong>Mulher de Um Homem Só </strong>(2009), romance.<br />
Preço recomendado: <strong>R$35 / US$25, frete incluso</strong></p>
<p><strong>Mulher de um Homem Só</strong> no <a href="http://books.google.com.br/books?id=Ao2bMstEHlQC&amp;printsec=frontcover">GoogleBooks</a>, no <a href="http://skoob.com.br/livro/sobre/48373/Alex+Castro/MULHER_DE_UM_HOMEM_SO">Skoob</a>, no <a href="http://www.amazon.com/Mulher-Um-Homem-Portuguese-ebook/dp/B002ZVPT9E/ref=cm_lmf_tit_9">Kindle</a>, no Gato Sabido (<em>em breve</em>). Uma <a href="http://alexcastro.com.br/alex-castro-escritor-e-mindfucker/">entrevista</a> sobre o livro e uma <a href="http://alexcastro.com.br/pe-ante-pe-mulher-de-um-homem-so-em-portugal/">matéria</a> portuguesa sobre o processo de edição. <a href="http://alexcastro.com.br/compre">Compre</a>.</p>
<p><strong>Repercussão</strong></p>
<blockquote><p>Escrever assim é imperdoável. &#8230; Tem um por geração. O da nossa &#8230; é ele. Vai por mim. Não perca o Alex.<br />
<strong>Fal Azevedo</strong>, &#8220;<a href="http://dropsdafal.blogbrasil.com/archives/2009_07.html">Drops da Fal</a>&#8220;</p></blockquote>
<blockquote><p>&#8230; melhor livro que eu li em 2009. &#8230; tem uma visão bastante peculiar da psiquê feminina &#8230; A narradora &#8230; somos todas nós. Ou todos nós. &#8230; Um livro sobre esse tal mal-estar contemporâneo. Sobre indivíduos que se comunicam apenas através de loucuras. Sobre a dificuldade de mantermos em pé as instituições do passado (casamento, família). E tudo contado assim, através de uma personagem sem freio, que faz com que a gente desembeste com ela.<br />
<strong>Mary W.</strong>, &#8220;<a href="http://www.amalgama.blog.br/12/2009/melhores-leituras-2009/">Segundo Sexo</a>&#8220;</p></blockquote>
<blockquote><p>É um homem que tá escrevendo isso aqui? &#8230; Não me perguntem como ele &#8230; sabe destas incertezas e inseguranças tão femininas. Nem sei onde ele aprendeu estes tantos detalhes. &#8230; É esta maneira de narrar os detalhes, as pausas, os gestos e os olhares, quando nem ao menos se estava presente na cena, que faz com que a gente entenda Carla. Quem não é Carla? Vocês, homens, não são. Nem entenderiam. Só Alex.<br />
<strong>Isabella Ianelli</strong>, &#8220;<a href="http://www.isabellices.com/mulher-de-um-homem-so/">Isabelices</a>&#8220;</p></blockquote>
<blockquote><p>Enredo intenso nos prende da primeira à ultima página. &#8230; Realmente intrigante &#8230; uma leitura incrível. Alex Castro realmente conseguiu traduzir nas páginas de seu livro a angústia de Carla com palavras e linhas de pensamento realmente femininas, superou os limites da natureza e encarnou uma esposa preocupada com o seu casamento com toda a originalidade que lhe cabe. Recomendo. &#8230;  A sensação que tive ao terminar de ler o livro: faltou-me o ar.<br />
<strong>Re Alves</strong>, &#8220;<a href="http://www.blogger.com/feeds/3786089441541852111/posts/default">Entreditas</a>&#8220;</p></blockquote>
<blockquote><p>Um livro cujo único defeito é não ter mais umas cem páginas contando mais e mais da história desse triângulo amoroso.<br />
<strong>Juliana Dacoregio</strong>, &#8220;<a href="http://www.interney.net/blogs/heresialoira/2009/07/17/novolivro_alexcastro/">Heresia Loira</a>&#8220;</p></blockquote>
<blockquote><p>Fiquei encantada com o estilo &#8230; com a velocidade dos acontecimentos, com a narrativa onisciente &#8230; e com todo o desenrolar dos acontecimentos. &#8230; O livro acabou e deixou um gosto de que não podia ter acabado. &#8230;  Não era nem mesmo leitora &#8230; mas agora &#8230; vou ser, sim. Você também deveria.<br />
<strong>Fernanda França</strong>, &#8220;<a href="http://fernandafranca.com.br/blog/?p=404">Fernanda França</a>&#8220;</p></blockquote>
<blockquote><p>&#8220;Me identifiquei com a compulsão metafórica do autor. E o fim é perfeito: instiga.&#8221;<br />
<strong>Alexandre Inagaki</strong>, &#8220;<a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/08/16/mulher_de_um_homem_so_no_twitter/">Pensar Enlouquece, Pense Nisso</a>&#8220;</p></blockquote>
<blockquote><p>Fiquei muito impressionado, literalmente, com tua habilidade na fraseologia ficcional, perfeitamente casada com a mentalidade da Carla; todo o vocabulário feminino, tanto de palavras como de linhas de pensamento, foi uma realização ímpar. &#8230; Com essa criação, vc matou a pau.<br />
<strong>Doutor Plausível</strong>, &#8220;<a href="http://www.interney.net/blogs/lll/2009/09/15/carta_aberta_do_doutor_plausivel_para_al/">Doutor Plausível</a>&#8220;</p></blockquote>
<blockquote><p>Eu tinha esquecido que era tão bom. &#8230; Um livro maduro, bem pensado. &#8230; É nessa narração que está um dos grandes trunfos do livro. Em Carla, Alex cria uma personagem crível, rica, e explora bem suas possibilidades. É aqui que o Alex demonstra ser um excelente escritor: ele tem perfeito domínio da voz feminina da Carla. É esse o grande segredo do livro.<br />
<strong>Rafael Galvão</strong>, <a href="http://www.rafael.galvao.org/2009/09/mulher-de-um-homem-so/">&#8220;Rafael Galvão&#8221;</a></p></blockquote>
<blockquote><p>Um livro impressionante, a narrativa sempre inteira, o domínio da língua sempre presente mas nunca intrusivo, uma prosa que flui tão fácil que o leitor nem percebe o labirinto em que está se enredando até ser tarde demais.&#8221;<br />
<strong>Paulo Cândido</strong>, &#8220;<a href="http://todososassuntosdomundo.blogspot.com/2009/08/mulher-de-um-homem-so.html">Todos os Assuntos do Mundo</a>&#8220;</p></blockquote>
<blockquote><p>Um bom livro. &#8230; parece ter um cuidado todo especial com a velocidade da narrativa. &#8230; O maior trunfo &#8230; é a narradora e as ambigüidades por ela evocadas. Ao usar a primeira pessoa onisciente, Alex Castro acaba por fazer com que duvidemos de tudo o que Carla nos conta. Este filtro pouco confiável é que dá profundidade a um romance.<br />
<strong>Paulo Polzonoff</strong>, &#8220;<a href="http://www.polzonoff.com.br/uma-leitura-ruidosa/">Polzonoff</a>&#8220;</p></blockquote>
<blockquote><p>&#8220;&#8230; o autor não permite que o texto o domine. &#8230; Esse jogo entre o dito, o explicitado e o entendido é rico, é a grande força do livro e o que me faz aguardar ansiosamente o próximo livro do autor.&#8221;<br />
<strong>Carolina Vigna-Marú</strong>, &#8220;<a href="http://aguarras.com.br/2010/04/06/mulher-de-um-homem-so/">Aguarrás</a>&#8220;</p></blockquote>
<p><a href="../compre"></a></p>
<p><strong>Trechos</strong></p>
<blockquote><p>Lá do nosso jeito, a gente se entendia, e conversávamos muito, falávamos de Murilo, novela, política e fofocas em geral. Outras vezes, nem trocávamos palavra, e era assim que eu mais apreciava Júlia. Ela adorava mexer no meu cabelo, me pentear longamente, languidamente, lentamente, e eu gostava, me entregava, me prostrava, ficávamos no sofá da sala, ou até na rede mesmo, eu deitada sobre o colo de Júlia, sentindo a escova repuxar os cabelos, sentindo as pontas dos dedos massageando o couro cabeludo, sentindo aquela coceirinha marota nas raízes do cabelo, sempre naquela faina infindável, deliciosa, pachorrenta, úmida de tão boa, eu tenho cabelos longos, nunca cortei, vão até a cintura, e Júlia mastigava inveja, degustava mexer em meu cabelo, ajeitar, pentear e cheirar, e cuidadosamente enrolar em seus dedos e mãos e depois deixar desenrolar macio, e assim ficávamos as duas, horas, eu grávida e Júlia ali, puxando e repuxando, penteando e despenteando, depois, Raquel nascida, colocávamos o berço na sala e tudo continuava igual, eu dormia sentindo os dedos de Júlia em meus cabelos, acordava e ela ainda estava lá, e então, eu dormia de novo, e era tão bom, porque não havia palavras, não havia Murilo, não havia inconseqüência, não havia arte, não havia nada, só aquele momento, só nós duas, só aquele contato, e eu quase achava, eu me pegava imaginando que Júlia era minha amiga, uma daquelas amigonas de infância, companheira pro que descesse e subisse, sempre comigo, e assim eu me despejava naquele toque, me sumia naquele carinho, me desenganava naquele afago.</p></blockquote>
<blockquote><p>&#8220;Desisti. Não tenho essa bondade toda no coração, o órgão que reservei pra Júlia é o intestino grosso. Sou mãe agora: quando quero ouvir histórias de criança, pergunto pra Raquel como foi seu dia no jardim de infância. Júlia me esvazia. Mas eu tentei. Confesso que tentei: nesse fronte, dei meu sangue durante vários anos, construí trincheiras e só atirei quando vi o branco dos olhos do inimigo. Fiz tudo o que pude para ajudá-la e isso era um esforço enorme para mim, porque não sou leviana e levo esses assuntos muito a sério. Eu a ouvia com toda a minha atenção, e ouvir com atenção dá trabalho, cansa, exige amor, concentração, disposição. E eu pensava e refletia, matutava e considerava. Oferecia a Júlia sempre minha melhor seleção de conselhos, conselhos sinceros, brutos, que eu minerava lá de dentro de mim, e eu mesma polia e lapidava, com carinho e dedicação. Era desgastante tamanha sinceridade, tamanha atenção: eu ficava exaurida de ter que descer a espaços tão fundos, onde a luz é tão pouca e o ar, rarefeito, onde cada movimento cansa.&#8221;</p></blockquote>
<blockquote><p>&#8220;Nem todos esses almoços serviam pra suavizar o vício de Murilo que possuía Júlia. Eu, que me achava sua clínica de reabilitação, era na verdade sua fornecedora clandestina: ela vinha me ver e fungava cada carreirinha de Murilo que pudesse encontrar. E eu fazia o mesmo, porque um gambá cheira o outro e eu também não sou lá muito diversa. Ela me sugava o presente, e eu, o passado. Júlia sabia tudo sobre o Murilo, cresceram juntos, nunca não se conheceram. Um era a constante da vida do outro. Júlia era tão constante que me fazia sentir a variável e isso me deixava tonta, imaginava Júlia, amanhã, fazendo a mesma coisa com a segunda esposa dele, indo visitar, contando histórias do passado e sugando o futuro. E eu pensava: o juramento foi comigo, a mulher dele sou eu.&#8221;</p></blockquote>
<p><a title="Mulher de Um Homem Só" href="http://alexcastro.com.br/compre"><img src="http://farm5.static.flickr.com/4039/4460199934_30274ec5c2_m.jpg" border="0" alt="Mulher de Um Homem Só, 3a edição" hspace="15" /></a></p>
<p>Mulher de Um Homem Só (2009), romance.<br />
Preço recomendado: <strong>R$35 / US$25, frete incluso</strong></p>
<p><a href="http://alexcastro.com.br/compre">Compre</a>.</p>
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		<title>A Erudição dos Personagens</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 15:51:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexcastro</dc:creator>
				<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[mulher de um homem só]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou um homem erudito. Posso, em uma só respiração, citar trocentos clássicos (que realmente li!), relacioná-los com os movimentos estéticos em voga na época e ainda jogar umas palavras em latim e francês pra impressionar. Vão aparecer alguns idiotas achando que estou me gabando, mas é bem o contrário. Erudição é o tipo de coisa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sou um homem erudito. Posso, em uma só respiração, citar trocentos clássicos (que realmente li!), relacioná-los com os movimentos estéticos em voga na época e ainda jogar umas palavras em latim e francês pra impressionar.</p>
<p>Vão aparecer alguns idiotas achando que estou me gabando, mas é bem o contrário. Erudição é o tipo de coisa inútil que só quem não tem acha que vale alguma coisa.</p>
<p>E, em arte, pior, só atrapalha. Nada mais chato do que aqueles autores que esfregam sua erudição na cara dos leitores, quase sempre de modo totalmente desnecessário.</p>
<p><a title="Mulher de Um Homem Só" href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/"><img class="alignleft" style="border: 0pt none; margin: 15px;" src="http://farm4.static.flickr.com/3433/3859986647_a927db7762_m.jpg" border="0" alt="Mulher de Um Homem Só" hspace="15" vspace="15" width="178" height="240" align="left" /></a>Essas arroubos de erudição até me saem muito naturalmente. Meus primeiros rascunhos são cheios deles. Quase sempre, apago todos &#8211; para minha dor, pois alguns ficam até bons, mas minha teoria da literatura não permite essas babaquices. (Outro dia, o Doutor Plausível fez um artigo sobre <a href="http://copadeliteratura.com/textos/artigo-neimedropin-de-doutor-plausivel/">o chatíssimo name-dropping da nova literatura brasileira</a>.)</p>
<p>Enfim, meu romance <a href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/">Mulher de Um Homem Só</a> não é sobre mim, é sobre a Carla, o Murilo e a Júlia. Eu sou erudito, é o meu hobby, a Carla não. Na versão original, ela citava até Nietszche e Sartre. Era ridículo. Carla jamais teria lido Nietszche e Sartre. (Até aí tudo bem, porque a maioria das pessoas que conheço que cita Nietszche e Sartre também não leu, mas outra característica de Carla é não ser <em>poseur </em>e cagar pra isso tudo.)</p>
<p>O trecho abaixo, em itálico, foi das que mais me doeu cortar. Quase tirei a referência ao niilismo também, mas decidi deixar.</p>
<blockquote><p>Libeca cultivava suas enormes olheiras com um cuidado que nós, as meninas mulherzinhas, só dedicávamos aos nossos cabelos: cabelos, aliás, que Libeca tinha recado no estilo cadete do exército. Fumava maconha mas nunca sentiu onda (fingia, pra não passar vergonha), e era literata, tão literata quanto se pode ser nessa idade: adorava Dostoievski, tinha lido as <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21474177/notas+do+subsolo/?franq=136855">Notas do Subterrâneo</a> &#8211; carregava uma edição sempre em sua bolsa, que todo mundo da turma tinha lido e sublinhado &#8211; e, empolgada, começara <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21435053/irmaos+karamazov,+os/?franq=136855">Os Irmãos Karamazovi</a> e nunca conseguiu acabar. <em>Tinha uma idéia totalmente distorcida de Dostoievski, claro, baseada em uma amostra não-representativa, e, por isso mesmo, não terminou os <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21435053/irmaos+karamazov,+os/?franq=136855">Karamazovi</a>, parecia que o autor estava traindo a si mesmo. Se tivessem lhe dito que o Dostoievski verdadeiro era o dos <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21435053/irmaos+karamazov,+os/?franq=136855">Karamazovi</a>, teria ficado furiosa, gritaria heresia! Deveria ter acabado o romance.</em> E era &#8211; ou se dizia, ou se pensava &#8211; uma rebelde, uma niilista (palavra que adorava salpicar nas conversas, pra mostrar como era sofisticada e culta), e vejam só, aos quinze anos: que aliás, pensando bem, é a única idade na qual é desculpável se imaginar niilista. Morava em um apartamento de quase mil metros quadrados em frente à praia e tinha um motorista sempre à disposição, mas, por questões ideológicas, só ia à escola de ônibus e tinha um orgulho planetário disso &#8211; por outro lado, nunca havia lhe ocorrido que, pelo mundo afora, as mulheres lavassem suas próprias calcinhas.</p></blockquote>
<p>Por favor, não venham me dizer que esses trechos estão fracos. Ou acham que saíram do livro por estarem geniais?</p>
<p>* * *</p>
<p><strong>O Erro de Nietszche</strong></p>
<p>Nietszche descobriu <a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/21474177/notas+do+subsolo/?franq=136855">Notas do Subsolo</a> em 1887, um ano antes de ficar definitivamente louco e começar a conversar com cavalos, e exclamou:</p>
<blockquote><p>I did not even know the name of Dostoievski just a few weeks ago. (&#8230;) An accidental reach of the arm in a bookstore brought to my attention L&#8217;Esprit Souterrain, a work just translated into French. (&#8230;) The instinct of kinship (or how should I mention it) spoke up immediately: my joy was extraordinary.</p></blockquote>
<p>Naturalmente, não havia, nem poderia haver, kinship, ou irmandade, possível entre Nieszche e Dostoievski. Os dois provavelmente teriam caído na porrada. Mas o erro de Nietsche era compreensível. Quem lê um único livro de um autor, fora de contexto, teria todas as justificativas do mundo para presumir estar lendo as próprias idéias do autor. Afinal, a maioria dos autores faz isso.</p>
<p>Na verdade, Nietszche presta um grande elogio a Dostoievski. O espírito da ficção é esse: criar pessoas reais, capazes de idéias reais, que não necessariamente são as nossas. O autor, idealmente, deve desaparecer, e levar consigo suas idéias e sua biografia, e deixar que seus personagens vivam e brilham, alimentados por sua energia vital.</p>
<p>(Leia mais sobre isso no <a href="http://www.sobresites.com/alexcastro/artigos/dostoievski.htm">meu artigo sobre Dostoeivski</a>.)</p>
<p>* * *</p>
<p>Meu romance &#8220;<a href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/">Mulher de Um Homem Só</a>&#8220;, narrado por uma mulher, é minha humilde tentativa de entrar na cabeça de uma mulher, de falar como mulher, de ser mulher um pouquinho. Se esse assunto lhe interessa, se ficou curioso ou instigado, <a href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/">dê uma olhada</a> e descubra se fui uma mulher convincente.</p>
<p>Algumas mulheres que gostaram: <a href="http://www.interney.nets/lll/2009/08/23/alessandra_bonrruquer_e_mulher_de_um_hom/">Alessandra Bonrruquer</a>, <a href="http://www.interney.nets/lll/2009/08/15/paula_lee_e_mulher_de_um_homem_so/">Paula Lee</a>, <a href="http://www.interney.nets/lll/2009/08/11/mary_w_e_mulher_de_um_homem_so/">Mary W</a>, <a href="http://marinaw.com.br/cgi-bin/mt/mt-comments.cgi?entry_id=10889">Marina W</a>, <a href="http://www.interney.nets/heresialoira/2009/07/17/novolivro_alexcastro/">Ju Dacoregio</a>, <a href="http://www.interney.nets/lll/2009/08/05/coisas_que_homem_nem_sonha/">Isabella Ianelli</a>, <a href="http://fernandafranca.com/in/index.php?blog=5&amp;p=253&amp;more=1&amp;c=1&amp;tb=1&amp;pb=1">Fernanda França</a>, <a href="http://entreditas.blogspot.com/2009/07/sobre-mulher-de-um-homem-so-de-alex.html">Re Alves</a>.</p>
<p>Para ler essas e outras resenhas, comentários e reações ao livro, visite a <a href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/">Seção Mulher de Um Homem Só</a>.</p>
<p>* * *</p>
<p>Três entrevistas minhas, sobre esse livro e sobre literatura de modo geral:</p>
<blockquote><p>- <a href="http://www.revistabula.com/posts/entrevistas/quanto-vale-ou-e-por-quilo-">Quanto Vale ou É por Quilo</a> &#8211; Revista Bula</p>
<p>- <a href="http://pt.globalvoicesonline.org/2009/08/07/alex-castro-um-blogueiro-liberal-libertario-e-libertino/">Alex Castro: Um blogueiro liberal, libertário e libertino</a> &#8211; Global Voices Online</p>
<p>- <a href="http://portalliteral.terra.com.brs/alex-castro-escritor-e-mindfucker-1">Alex Castro: Escritor e Mindfucker</a> &#8211; Portal Literal</p></blockquote>
<p>* * *</p>
<p>Para quem gosta de folhear e cheirar, o romance pode ser comprado nas seguintes livrarias do Rio e de São Paulo:</p>
<p><strong>São Paulo</strong></p>
<p>- <strong>HQMix </strong>(livreiro Gualberto)<br />
Pç Roosevelt, 142 (11-3258-7740)</p>
<p><strong>Rio de Janeiro</strong></p>
<p><strong>Berinjela </strong>(livreiro Daniel)<br />
Rio Branco, 185, lj 10, Centro (21-2215-3528)</p>
<p><strong>Baratos da Ribeiro </strong>(livreiro Maurício)<br />
Barata Ribeiro, 354, lj D, Copacabana (21 2549 3850)</p>
<p>* * *</p>
<p>Se você ainda está em dúvida se vale a pena, &#8220;Mulher de um Homem Só&#8221; também pode ser <a href="http://books.google.com.br/books?id=Ao2bMstEHlQC&amp;printsec=frontcover">lido e folheado</a> pelo Google Books. Mas só 50%, viu? Pra ler o resto, só <a href="http://osviralata.com.br/wp/?p=353">comprando</a>.</p>
<p>* * *</p>
<p><a title="My Novel, Now Available on Kindle by Alex Castro, on Flickr" href="http://www.amazon.com/dp/B002ZVPT9E"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2603/4182944808_73933a7415_o.jpg" alt="My Novel, Now Available on Kindle" width="280" height="280" /></a></p>
<p>Para os tecnófilos, Mulher de Um Homem Só também está a venda na Amazon.com em formato kindle. <a href="http://www.amazon.com/dp/B002ZVPT9E">Clique e confira</a> .</p>
<p>Na verdade, se quer ler Mulher de Um Homem Só no seu kindle, <a href="http://alexcastro.com.br/contato/">fale comigo</a>. Posso te mandar um PDF que fica muito mais bonito e legível no kindle do que o próprio formato kindle.</p>
<p>* * *</p>
<p>Finalmente, deixe de fazer doce e <a href="http://alexcastro.com.br/compre/">compre</a>.</p>
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		</item>
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		<title>Um Amor Lésbico Frustrado?</title>
		<link>http://alexcastro.com.br/um-amor-lesbico-frustrado/</link>
		<comments>http://alexcastro.com.br/um-amor-lesbico-frustrado/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 15:48:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexcastro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[mulher de um homem só]]></category>

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		<description><![CDATA[Os Viralata acabou mas meu romance Mulher de Um Homem Só continua a venda. Em 2009, ele foi homenageado por duas pessoas que respeito muito: primeiro, a Mary W. o colocou como sua melhor leitura de 2009 e, depois, Mestre Inagaki, classificou-o entre os cinco melhores livros do ano &#8211; ao lado da buceta do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://osviralata.com.br">Os Viralata</a> acabou mas meu romance <a href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/">Mulher de Um Homem Só</a> continua a venda.</p>
<p>Em 2009, ele foi homenageado por duas pessoas que respeito muito: primeiro, a Mary W. o colocou como <a href="http://www.amalgama.blog.br/12/2009/melhores-leituras-2009/">sua melhor leitura de 2009</a> e, depois, Mestre Inagaki, classificou-o entre os <a href="http://screamyell.com.br/site/2010/01/26/melhores-de-2009-alexandre-inagaki/">cinco melhores livros do ano</a> &#8211; ao lado da buceta do Bia.</p>
<p>Ontem, a Cris Cerdera, mulher linda, querida e inteligentíssima, também publicou uma não-resenha sobre <a href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/">Mulher de Um Homem Só</a>, ressaltando uma abordagem possível da história que poucos outros leitores mencionaram:</p>
<blockquote><p>Não sou eu que tenho que resistir ao livro. É ele que precisa resistir a mim. Precisa dar um chute bem dado nas minhas desconfianças. Provar que merece minha atenção e meus afetos. Tenho que admitir que o livro do Alex fez isso &#8220;“ e fez bonito demais. Porque <strong>eu me apaixonei</strong>. &#8230;</p>
<p>Ele [O Alex] brinca com a língua, existe uma relação dele com a língua que é erótica, de desejo, de fruição, bem como fala o Barthes. O Alex tem intimidade com essa senhora. Nas mãos dele, ela &#8220;“ a língua &#8220;“ se entrega. &#8230;</p>
<p>A narradora [Carla, casada com Murilo], me confundiu, me exasperou, me deixou com vontade de dar um chute na bunda dela. Me levou pra dentro da história, dialogou comigo, olhou no fundo do meu olho e me perguntou: &#8220;Você me entende?&#8221; &#8230;</p>
<p>E existe também o fato &#8220;“ para mim muito claro &#8220;“ de que o autor lança uma bela e espessa cortina de fumaça nos nossos olhos. Porque, ao contrário do que possa parecer, MduHS não é uma história de ciúme. Isso não ficou claro logo no começo para mim. Foi preciso prestar atenção demorada às palavras de Carla pra perceber isso. <strong>MduHS é a história do amor de Carla por Júlia. E de como ela resistiu a esse amor até o fim.</strong> Esse dado, esse &#8220;˜truque&#8221;™ do autor me fisgou. Porque não há nada que seja dito claramente. A gente nunca vai poder dizer com toda certeza e eu acredito que a boa literatura faça exatamente isso. &#8230;</p>
<p>Me lembro de uma professora da graduação que dizia, ao comentar o texto do Eco, Obra aberta: <strong>&#8220;˜Gente, a obra é aberta, mas não é escancarada&#8221;™</strong>. E o que isso vem a ser? Isso quer dizer, apenas, que as possibilidades de leitura estão inscritas no próprio horizonte do texto. Essas possibilidades podem ser múltiplas &#8220;“ sim, óbvio &#8220;“ mas não infinitas. Não disparatadas. É no próprio tecido da narrativa que vamos encontrar as pistas de que necessitamos.</p>
<p>Então, só como exemplo, eu vou transcrever aqui uma das passagens do livro que para mim é das mais belas:</p></blockquote>
<blockquote><p><em>Lá do nosso jeito, a gente se entendia, e conversávamos muito, falávamos de Murilo, novela e política e fofocas em geral. Outra vezes, nem trocávamos palavra, e era assim que eu apreciava Júlia. Ela adorava mexer no meu cabelo, me pentear longamente, languidamente, lentamente, e eu gostava, me entregava, me prostrava, ficávamos no sofá da sala, ou até na rede mesmo, eu deitada sobre o colo de Júlia, sentindo a escova repuxar os cabelos, sentindo as pontas dos dedos massageando o couro cabeludo, sentindo aquela coceirinha marota nas raízes do cabelo, sempre naquela faina infindável, deliciosa, pachorrenta, úmida de tão boa, tenho cabelos longos, nunca cortei, vão até a cintura, e Júlia mastigava inveja, degustava mexer em meu cabelo, ajeitar, pentear e cheirar, e cuidadosamente enrolar em seus dedos e mãos e depois deixar desenrolar macio, e assim ficávamos as duas, horas, eu grávida e Júlia ali, puxando e repuxando, penteando e despenteando, depois, Raquel nascida, colocávamos o berço na sala e tudo continuava igual, eu dormia sentindo os dedos de Júlia em meus cabelos, acordava e ela ainda estava lá, e então eu dormia de novo, e era tão bom, porque não havia palavras, não havia Murilo, não havia inconsequência, não havia arte, não havia nada, só aquele momento, só nós duas, só aquele contato [...]</em></p></blockquote>
<p>Clique aqui para ler a <a href="http://quitanda2008.wordpress.com/2010/02/02/isso-nao-e-uma-resenha/">não-resenha completa</a> da Cris. Ou deixe de doce e <a href="http://alexcastro.com.br/compre">compre o livro</a>.</p>
<p><a title="Mulher de Um Homem Só" href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3433/3859986647_a927db7762_m.jpg" border="0" alt="Mulher de Um Homem Só" hspace="15" /></a></p>
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		<title>Melhor Leitura de 2009: Mulher de Um Homem Só</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 15:47:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexcastro</dc:creator>
				<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[mulher de um homem só]]></category>

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		<description><![CDATA[No depoimento insuspeito da brilhante Mary W. para o Amálgama: Mulher de um homem só (Os Viralata, 2009) é o melhor livro que eu li em 2009. O autor, Alex Castro, tem uma visão bastante peculiar da psiquê feminina e então o livro é absurdamente relacional. O masculino e o feminino tentam dialogar e a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No depoimento insuspeito da brilhante <a href="http://beauvoriana2.zip.net/">Mary W.</a> para o <a href="http://www.amalgama.blog.br/12/2009/melhores-leituras-2009/">Amálgama</a>:</p>
<blockquote><p><a href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/">Mulher de um homem só</a> (Os Viralata, 2009) é o <strong>melhor livro que eu li em 2009</strong>. O autor, Alex Castro, tem uma <strong>visão bastante peculiar da psiquê feminina</strong> e então o livro é absurdamente relacional. O masculino e o feminino tentam dialogar e a verdade é que o masculino acaba calado. A narradora conta toda a história sem tentar encobrir neuroses e birutices de qualquer espécie. Daí que <strong>ela somos todas nós</strong>. Ou todos nós. A leitura flui e a gente não vê o tempo passar enquanto lê. O que é significativo já que <a title="Mulher de Um Homem Só" href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/"><img class="alignleft" style="border: 0pt none; margin: 15px;" src="http://farm4.static.flickr.com/3433/3859986647_a927db7762_m.jpg" border="0" alt="Mulher de Um Homem Só" hspace="15" vspace="15" width="178" height="240" align="left" /></a>se trata de uma história que deveria ser pesada (ela está falando sobre um casamento marcado por desconfianças e a gente percebe que toda a vida dela é marcada por essa infelicidade conjugal). Mas a gente não se cansa. Não sente o peso. Há apenas identificação e gargalhadas. <strong>Um livro sobre esse tal mal-estar contemporâneo. Sobre indivíduos que se comunicam apenas através de loucuras. Sobre a dificuldade de mantermos em pé as instituições do passado (casamento, família). E tudo contado assim, através de uma personagem sem freio, que faz com que a gente desembeste com ela.</strong></p></blockquote>
<p>É muito significativo quando alguém que a gente respeita profundamente escreve um depoimento desses sobre nosso livro. Foi meu presente de natal.</p>
<p>O Amálgama me fez a mesma pergunta, mas não consegui dar uma resposta.</p>
<p>* * *</p>
<p>Leia gratuitamente via <a href="http://books.google.com.br/books?id=Ao2bMstEHlQC&amp;printsec=frontcover">Google Books</a>, compre via <a href="http://www.amazon.com/dp/B002ZVPT9E">Kindle</a> (tem uma boa seleção de blurbs nessa página), veja as <a href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/">resenhas e comentários</a> de outros leitores, confira as <a href="http://www.interney.nets/lll/2009/08/14/mulher_de_um_homem_so_pontos_de_venda/">livrarias no RJ e SP</a> onde você pode comprar o livro à moda antiga, pague via <a href="http://alexcastro.com.br/compre/">PayPal</a> (caso você não tenha cartão de crédito brasileiro) ou, simplesmente, pare de fazer doce e <a href="http://alexcastro.com.br/compre/">compre</a>.</p>
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		<title>A História de Libeca</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 15:45:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexcastro</dc:creator>
				<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[livros]]></category>
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		<description><![CDATA[Para muitas leitoras, a história de Libeca &#8211; que pode ser lida como um conto independente &#8211; é a melhor parte de Mulher de Um Homem Só. Para convencer quem ainda estava em dúvida, o trecho completo: * * * Mas às vezes ele me choca, me choca de verdade. Algumas histórias não sei se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Para muitas leitoras, a história de Libeca &#8211; que pode ser lida como um conto independente &#8211; é <strong>a melhor parte de <a href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/">Mulher de Um Homem Só</a></strong>. Para convencer quem ainda estava em dúvida, o trecho completo:</em></p>
<p><em>* * *</em></p>
<p>Mas às vezes ele me choca, me choca de verdade. Algumas histórias não sei se teria casado se soubesse. A primeira vez que esses ideais inconstantes do Murilo foram postos à prova foi com o caso da Libeca e, nessa prova, o Murilo não passou não, não passou mesmo, teria ido direto pra recuperação e ia ficar dezembro todo na sala de aula. Mas acho que sou eu. Religiosa ou não, não interessa, sou muito passional, muito apegada à vida: uma vida, um minuto a mais de vida que seja, não vale todas as teorias e argumentações e racionalizações do Murilo, e não entendo como ele pode ser tão frio, como pode colocar idéias antes de gente, e isso me assusta, porque decidi passar a vida com esse homem, e ele é o pai da minha filha, e não sei se posso confiar nas decisões dele, se o seu bom senso errático não poderia preferir lealdade a algum ideal abstrato do que à vida de Raquel. E essa história me bota medo, mas vou contar mesmo assim, vou contar o que Murilo fez com a Libeca porque isso tem tudo a ver com o que houve depois.</p>
<p>Júlia, como sempre, estava lá. Os dois estudaram juntos em um colégio católico (até o Murilo se revoltar e pedir pra sair, vocês lembram), os dois cresceram juntos, porra. Faziam tudo juntos. Se não fosse por mim, ainda estariam fazendo, mas esquece. Apesar do companheirismo todo, apesar de tanto amor entre eles, não andavam no mesmo grupo: eram a única interseção de dois círculos diferentes. Os amigos de Júlia não entendiam o que via em Murilo, como agüentava andar com um chato daqueles, caretão e pentelho, de óculos fundo de garrafa e vocabulário difícil, e também tinham ciúmes dele, porque apesar do grupo e da galera, daquela turma toda de gente tão interessante e avançadinha (ou assim eles se consideravam), Murilo era a prioridade de Júlia e ela largava tudo para estar com ele. O vice-versa, naturalmente, era verdadeiro, como não?</p>
<p>E chegamos a Libeca, que andava com Júlia e seus amigos, fumava maconha e ouvia rock progressivo, pichava  banheiros e matava aula de ginástica. Estavam todos no começo do segundo grau, ou ensino médio, é isso que estão chamando agora?, e finalmente podiam se vestir como quisessem: a obrigatoriedade do uniforme só ia até a oitava série. E Libeca era daquelas alunas citadas pelos freis mais conservadores para justificar a insensatez de tal medida: só se vestia de preto, jeans rasgados, coturnos fedorentos, essas coisas. Os jeans rasgados foram proibidos, sob o argumento de que as roupas dos alunos precisavam, pelo menos, estar inteiras, mas o resto era ou deixar ou voltar aos uniformes. Libeca cultivava suas enormes olheiras com um cuidado que nós, as meninas mulherzinhas, só dedicávamos aos nossos cabelos: cabelos, aliás, que Libeca tinha recado no estilo cadete do exército. Fumava maconha mas nunca sentiu onda (fingia, pra não passar vergonha), e era literata, tão literata quanto se pode ser nessa idade: adorava Dostoievski, tinha lido as Notas do Subterrâneo, carregava uma edição sempre em sua bolsa, que todo mundo da turma tinha lido e sublinhado, e, empolgada, começara Os Irmãos Karamazovi e nunca conseguiu acabar. E era, ou se dizia, ou se pensava, uma rebelde, uma niilista (palavra que adorava salpicar nas conversas, pra mostrar como era sofisticada e culta), e vejam só, aos quinze anos: que aliás, pensando bem, é a única idade na qual é desculpável se imaginar niilista. Morava em um apartamento de quase mil metros quadrados no melhor bairro da cidade e tinha um motorista sempre à disposição, mas, por questões ideológicas, só ia à escola de ônibus e tinha um orgulho planetário disso. Por outro lado, nunca havia lhe ocorrido que, pelo mundo afora, as meninas de sua idade lavassem as próprias calcinhas. Falando em calcinhas, Libeca e suas amigas também gostavam de defender o amor livre, que sexo não significava nada, que essas coisas não tinham importância alguma, e faziam pouco de meninas como eu, que éramos direitas e vaidosas, não fumávamos e tínhamos o mínimo de decoro. Mas muitas dessas minhas amigas tão decorosas já namoravam firme, aqueles calouros universitários que na época nos pareciam uns homenzarrões, e, com eles, perdíamos a inibição, ficávamos mais seguras de nossos corpos e brincávamos de colocar coisas deliciosas na boca, essas travessuras que só se faz com quem se confia, com quem se é íntimo, com quem se ama, mesmo sendo aqueles amores fugazes mas faiscantes da adolescência. Enquanto isso, Libeca sentava no colo dos garotos, se dava a intimidades físicas com todos, porque essas coisas não importavam, eles botavam a mão aqui e ali e, quem visse, diria que era mulher liberada e experiente, mas quando estava a sós com eles, toda a força dos valores culturais decadentes da nossa sociedade se fazia sentir e Libeca defendia com fúria aquele ultrapassado e cabeludo conceito de honra que residia ali no meio das suas pernas, e nunca fez nada com nenhum dos garotos em cujo colo sentou. E, às terças-feiras, Libeca se desvencilhava dos amigos em segredo e ia visitar sua bisavó, que era uma velha muito sozinha que morava em um asilo no subúrbio, seus pais e seus avós nunca iam, mas Libeca se sentia mal com isso, e ficava mais de duas horas em três ônibus pra chegar no asilo e nunca faltava, e levava escondido um saquinho de pão de mel pra bisavó, que não podia comer doce por causa do seu diabetes, mas que dizia pra Libeca que vida sem pão de mel não valia a pena, e Libeca levava, e ficava lá vendo a bisavó quebrar o pão de mel com os lábios porque não tinha mais dentes e deixava a massa derreter na boca, e as duas conversavam, a bisavó ouvia a Voz do Brasil todo dia e sempre perguntava pra Libeca suas opiniões, o que pensava desse novo Plano Cruzado, se era fiscal do Sarney, se a seleção tinha chances de levar o tetra no México ou até se a Viúva Porcina devia mesmo era ficar com o Roque, e era bom porque isso forçava Libeca a se informar e, além de ler Dostoievski e não entender, também enfrentava a Veja todo domingo. Enfim, quinze anos.</p>
<p>Desculpem o desvio mas é que, assim como a Libeca se sentia mal com o abandono da bisavó, também me sinto mal que Murilo e Júlia, apesar de tudo e depois de tudo, nunca tenham sabido quem era essa moça que queria se matar. Gosto de me enganar achando que saber do pão de mel teria feito alguma diferença para o Murilo mas não: ele agiria como agiu de qualquer jeito &#8211; Júlia talvez levasse o pão de mel em consideração.</p>
<p>E, nesse dia, estavam os dois, Murilo e Júlia, em um dos seus cantos preferidos do colégio, aproveitando sua meia hora de recreio debaixo da sombra de uma amendoeira: ela fumando e desenhando em um caderninho e ele lendo algum livro da coleção Vagalume, acho que o Escaravelho do Diabo. Então, apareceu a Libeca e, ao contrário de quase todos os outros colegas da Júlia, a Libeca tolerava o Murilo, até gostava dele um pouquinho. Tinha um assunto pessoal pra falar com a amiga, mas Murilo estava lá e a Libeca não se importou, contou pra ele também. Não era segredo.</p>
<p>Libeca queria morrer. A vida não fazia sentido, nossos valores morais eram falsos ícones impostos por uma mídia corrupta e globalizada, as relações humanas eram regidas por um deus artificial criado para facilitar a dominação dos mais fracos pelos grandes cartéis internacionais&#8230; Ah, chega! Quem é que já não ouviu esse tipo de conversa? Não tenho estômago de repetir essas besteiras todas, acho muito triste uma menininha assim já com tanto amargor na boca, e sem razão alguma, e não gosto de falar muito porque nessas horas penso na minha filha, se também não poderia estar falando pra outros jovens da idade dela que a vida não presta.</p>
<p>Mas tenho que continuar porque Libeca continuou, não parou; não parou mas falava com muita calma, aquela calma que assustava, e dizia que não queria mais, já tinha inclusive tentado o suicídio antes, ao treze anos, mas agora era pra valer. De que adiantava ficar no mundo quando não se gosta de nada? Não tinha vaidade, não gostava do seu corpo, não gostava da sua família, não gostava da sua vida, a vida não lhe dava prazer. E acrescentou, pra surpresa boba do Murilo, pois Júlia já sabia, não porque Libeca tinha contado, mas porque não comprava aquele mise-en-scene todo, que era virgem &#8211; virgem!, e Murilo corou, como se essa idéia atentasse contra algum senso de pudor seu, logo ele que só iria perder a virgindade dali a dois anos, em um puteiro de segunda &#8211; que não conhecia o prazer sexual e que nem queria conhecer, tudo era tão falso nesse mundo!, nem se masturbava, sentia nojo do menor prazer físico, e lá se foi Murilo corar de novo enquanto Júlia nem piscou.</p>
<p>E, no fundo, coitados deles dois, que se achavam tão adultos e inteligentes e sofisticados, mas só tinham quinze anos mesmo, e nem desconfiaram que Libeca nunca tinha tentado o suicídio coisa nenhuma e que se masturbava toda noite sim, muitas vezes passava a noite inteira se masturbando, como se aquele ato individual, aquele único ato não influenciado pelas forças imperialistas que dominavam todos os aspectos de nossas vidas, fosse, por isso mesmo, a única coisa que valesse a pena ser feita, e que tinha muito prazer sim cada vez que chegava no asilo e sua bisavó ainda estava viva, tinha medo profundo do dia em que chegaria lá e não houvesse a quem dar o pão de mel.</p>
<p>Mas Murilo e Júlia levaram aquilo a sério. Murilo e Júlia, aliás, levavam tudo muito a sério naquela época, eram jovens seríssimos, convencidos de uma suposta situação de maturidade precoce e que, portanto, deveriam se comportar de acordo. E tinham razão de levar Libeca a sério porque dessa vez era sério mesmo. Libeca queria morrer: o prazer de encontrar a bisavó era um prazer amargo, misturado com medo, e ela, quando se masturbava, não sentia realmente prazer físico algum, não pensava em ninguém, não visualizava nada, se masturbava a seco, se masturbava de ódio, ficava vermelha, inchada, depois ardia pra urinar, até o chuveirinho do bidê doía. Menos uma ou outra pequena mentira, Libeca queria mesmo morrer e, por isso, estava ali pedindo ajuda daquela maneira tão óbvia, tão ridícula, coitada. E também não tinha sido à toa que Libeca discutira o assunto na frente do Murilo, embora ela mesma nunca tenha se dado conta disso, porque, em sua cabeça, Murilo era mais centrado, mais adulto que Júlia. E Libeca esperava que fosse justamente ele quem a cortasse e dissesse o que é isso?, você é tão jovem!, que absurdo!, você tem a vida toda pela frente!, e esses clichês que, salpicados na hora certa, podem salvar uma vida, porque ninguém realmente deseja morrer &#8211; muito menos uma adolescente sadia, de dentes perfeitos e no peso certo.</p>
<p>Murilo, entretanto, que corava com masturbações e virgindades, permanecia impassível ao suicídio. E foi Júlia a primeira a falar, mas ainda demorou um tempo, porque estava chacoalhada por dentro, e precisou esfriar seu temperamento quente antes de abrir a boca, e se lembrou de o quanto realmente gostava de Libeca, e pensou em alguns bons momentos das duas, e enquanto isso o tempo ia passando, um silêncio desagradável debaixo da árvore, mas o engraçado é que não era, quero deixar bem claro, silêncio de hesitação. A resposta que Júlia deu ela teria dado imediatamente: o tempo de espera foi porque queria se controlar por dentro, queria ter certeza de que, quando falasse, seria de voz firme, queria fechar os olhos às lágrimas para que não escapulisse nenhuma. E se esfriou e olhou para Libeca e, com a seriedade que só uma adolescente extremamente convencida de sua própria importância pode ter, afirmou:</p>
<p>- Vou sentir muito a sua falta.</p>
<p>E Libeca emudeceu. Emudeceu mesmo. Não só naquela conversa não: ficou calada pelo resto do dia. Mas ah!, nem precisava falar: estava na presença de dois loquazes filósofos, bastava que ouvisse, que se regalasse com aqueles grãos-de-bico de sabedoria, maduras (quase podres) lições de vida. Estava muda mas ainda participava da conversa: virou-se para Murilo, a pessoa de quem mais esperava ajuda, o &#8220;homem&#8221; mais responsável do grupo, e ele apenas sacudiu a cabeça, concordando com Júlia. Sei o que Libeca pensou e não foi não, Libeca, isso é que é o pior. Os dois cretinos nunca tinham conversado sobre isso, nunca haviam debatido suicídio, nunca haviam decidido o que fazer se uma situação como aquela se apresentasse. Nada disso. Ambos chegaram àquela mesma posição ridícula espontaneamente. E nem mesmo foi um quem influenciou o outro. Murilo só não disse as mesmas palavras que Júlia porque mal conhecia Libeca, seria hipócrita dizer que sentiria a falta dela. Pensou um pouco no que falar e acrescentou, sem o menor constrangimento de usar a palavra sagrado:</p>
<p>- É seu direito. Nosso direito sagrado.</p>
<p>Libeca continuou muda e ele desenvolveu:</p>
<p>- Na nossa existência, só temos dois momentos realmente íntimos. Dois únicos momentos nos quais uma pessoa fica sozinha consigo mesma e ninguém tem nada a ver com isso.</p>
<p>E Murilo fez uma pausa, não uma pausa dramática, mas uma pausa cumplicitória, esperando que sua amiguelhazinha adivinhasse seu pensamento e completasse seu raciocínio. Júlia entendeu. A primeira era fácil:</p>
<p>- O suicídio e&#8230; Ela hesitou um pouco, formulou uma resposta, questionou, confirmou, verbalizou: &#8230;a masturbação.</p>
<p>Pronto. Feliz com sua comparsa, Murilo continuou o discurso, fruto de seus dezesseis anos incompletos de sabença, a cara cheia de cravos e erupções, o cabelo penteado em uma franja pra esconder as espinhas da testa:</p>
<p>- Nada é realmente nosso. Tudo pode ser tirado, recolhido, leiloado. Mas nossa vida é só nossa, só diz respeito a nós. Seria uma grande arrogância e uma enorme falta de respeito da nossa parte ter a ousadia de lhe dizer o que fazer com sua vida.</p>
<p>E Júlia, não encontrando mais nada eticamente aceitável para falar, repetiu:</p>
<p>- Vou sentir sua falta.</p>
<p>Libeca entendeu. Demorou um pouco, mas entendeu. Era sério mesmo. Os dois não estavam brincando. Não seria ali que Libeca ouviria os clichês de consolo de que precisava. Por fim, Júlia decidiu elaborar:</p>
<p>- Acho até filosoficamente errado (filosoficamente é o caralho!, pensou Libeca, mas continuou calada para ouvir até o fim) eu falar isso, não tenho nada a ver com sua vida, mas vou dizer de qualquer jeito: gosto muito de você, Libeca, muito mesmo!, e pegou a mão de Libeca, e Libeca estava tão anestesiada por aquela palhaçada que nem puxou a mão de volta como queria, e caso essa seja a sua decisão, quero que saiba que vou sentir muito sua falta e vou ficar muito triste.</p>
<p>E acabou. Murilo havia feito seu discurso. Júlia, já tendo falado mais do seria filosoficamente correto, também se absteve da conversa. E Libeca, Libeca concluiu que realmente não havia mais nada a ser dito, não tinha mais o que fazer ali, nunca teve. Foi embora.</p>
<p>E eu, o que posso dizer mais? Os dois sábios nem mesmo discutiram entre si o assunto depois. Não havia o que discutir. Concordavam de tal maneira que a única coisa que poderiam acrescentar eram parabéns mútuos por sua atitude lógica e coerente. Mas não havia por que parabenizar o outro por não ter feito mais do que sua obrigação de ser humano pensante. E é esse, minha amigas, o pai da minha filha. E, ainda mais assustador, Júlia é a madrinha.</p>
<p>(Quanto a Libeca, ela morreu, naturalmente. Teve um câncer maligno repentino nos ossos e se desmilingüiu em poucos meses. Deixou um viúvo, um ex-marido, três filhos e uma netinha que mal conheceu. Como quase todas nós, conseguiu sobreviver aos seus quinze anos. O mais irônico é que, talvez, com a ajuda de Murilo e Júlia. Dado seu rancor contra o mundo naquela época, não sei se clichês de CVV teriam salvo sua vida. Mas aquele choque com certeza a balançou. Libeca passou os dias seguintes odiando aqueles dois putos, nem se lembrou de o quanto odiava a si mesma. Quando passou o ódio, também havia passado o impulso. E não voltou mais. Entrou em outra fase, parou de ler e nunca nem abriu a coletânea de Nietzsche que comprara algumas semanas antes. Foi passar o verão no nordeste, se apaixonou por um surfista e deixou o cabelo crescer, trocou piercings por tatuagens e continuou sendo adolescente, e dali a pouco mudou tudo de novo, e assim foi indo. Só soube mesmo o que era orgasmo, entretanto, com o segundo marido, mas nem isso foi lá grande perda, porque passou todo o primeiro casamento achando que estava tendo orgasmos e gostando muito, e isso é o que conta. Enfim, Libeca sobreviveu e nunca mais dirigiu palavra a Murilo e, portanto, saiu da minha história.)</p>
<p>Ai, quem me dera ter contado esse caso apenas para exemplificar as esquisitices de Murilo e Júlia. Dizer: eles são assim, ó. Por exemplo, olha só o que eles fizeram quando tinham quinze anos. Mas não. A historinha é importante, pois não é a criança o pai do homem? Não estão esse Murilo e essa Júlia, que tão eticamente aconselharam a Libeca, dentro do pai e da madrinha da minha filha?</p>
<p>* * *</p>
<p>Convencida, finalmente? Então, <a href="http://alexcastro.com.br/compre">compre o livro</a>.</p>
<p><a title="Mulher de Um Homem Só" href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3433/3859986647_a927db7762_m.jpg" border="0" alt="Mulher de Um Homem Só" hspace="15" /></a></p>
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		<title>Usucapião</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 15:43:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>alexcastro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[mulher de um homem só]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabei de revisar &#8220;Usucapión&#8221;, a tradução para o espanhol do meu romance &#8220;Mulher de um Homem Só&#8220;. Foi uma das maiores emoções da minha vida. Jamais poderia imaginar que seria tão forte. Imagino que ser pai deva ser um pouco assim: porque aquela criança era minha, era minha como poucas coisas jamais poderão ser minhas, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabei de revisar &#8220;Usucapión&#8221;, a tradução para o espanhol do meu romance &#8220;<a href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/">Mulher de um Homem Só</a>&#8220;.</p>
<p>Foi uma das maiores emoções da minha vida. Jamais poderia imaginar que seria tão forte. Imagino que ser pai deva ser um pouco assim: porque aquela criança era minha, era minha como poucas coisas jamais poderão ser minhas, mas por outro lado também é da <a href="http://www.traducoes.emcampos.net/">Ianina</a>, tradutora de mão-cheia, que colocou ali muito do seu trabalho, do seu artesanato, das suas emoções, da sua sensibilidade.</p>
<p>Reler minhas palavras em espanhol me fez ficar ainda mais consciente da importância da escolha de cada palavra, de cada ambiguidade, de cada lugar-comum, de cada neologismo.</p>
<p>Estou mexendo no texto ainda, mas se houver tradutores ou falantes nativos de espanhol que queiram dar uma olhada, por favor, levantem o braço. Tenho muitas dúvidas esparsas e sempre preciso de feedback!</p>
<p>* * *</p>
<p>Um trechinho, para compararem <a href="http://www.interney.nets/lll/2010/02/09/a_historia_de_libeca/">com esse aqui</a>:</p>
<blockquote><p>Libeca cultivaba sus enormes ojeras con un cuidado parecido al que nosotras, las chicas más femeninas, sólo le dedicábamos a nuestras cabelleras: cabellera que Libeca había rapado al estilo cadete del ejército. Fumaba marihuana pero nunca sintió nada (fingía, para no pasar vergüenza) y era literata, tan literata como se puede ser a esa edad: adoraba a Dostoievski, había leído Memorias del subsuelo, cargaba siempre una edición en su cartera, que todo el grupo había leído y subrayado, y, atraída por el autor, comenzó a leer Los Hermanos Karamazovi pero nunca lo consiguió acabar. Y era, o se decía, o se pensaba, una rebelde, una nihilista (palabra que le encantaba salpicar en las conversaciones, para mostrar cuán sofisticada y culta era), y todo esto a los quince años, que, de hecho, pensándolo mejor, es en la única edad que es perdonable imaginarse nihilista. Vivía en un apartamento de casi mil metros cuadrados en el mejor barrio de la ciudad y tenía siempre un chofer a su disposición, pero, por cuestiones ideológicas, sólo iba a la escuela en ómnibus y tenía un orgullo planetario de eso. Por otro lado, nunca se le había ocurrido, que en el mundo exterior, las chicas de su edad se lavaban su propia ropa interior. Hablando de ropa interior, a Libeca y a sus amigas también les gustaba defender el amor libre, ya que el sexo no significaba nada y esas cosas no tenían ninguna importancia, no pensaban muy bien de chicas como yo, que éramos estrictas y vanidosas, no fumábamos y teníamos al menos un poco de pudor. Pero muchas de mis amigas más pudorosas ya estaban bien de novias con esos novatos de facultad que en aquella época nos parecían grandes hombres y con ellos, perdíamos todas las inhibiciones, estábamos más seguras de nuestros cuerpos y jugábamos colocándonos cosas deliciosas, esas travesuras que sólo se hacen con personas en las que se confía, con quien se es íntimo, con quien se ama, inclusive siendo esos amores fugaces de la adolescencia.  Mientras tanto, Libeca se sentaba en el regazo de los chicos, tenía intimidad física con todos, porque esas cosas no importaban, ellos le metían la mano aquí y allá, y quien viera eso, diría que era una mujer liberal y con experiencia, pero cuando estaba sola con ellos, toda la fuerza de los valores culturales decadentes de nuestra sociedad se hacían sentir y Libeca defendía con furia aquel ultrapasado y peludo concepto de honra que residía allí en medio de sus piernas , y nunca hizo nada con los chicos en cuyos regazos se sentó. Y, los martes, Libeca se deshacía de los amigos y en secreto se iba a visitar a su bisabuela, que era una vieja muy solitaria que vivía en un asilo en los suburbios, sus padres y sus abuelos nunca iban, pero Libeca se sentía mal con eso, y pasaba más de dos horas en tres ómnibus diferentes para llegar al asilo y nunca faltaba, y llevaba una bolsita escondida con pan de miel para la bisabuela, que no podía comer dulces por causa de la diabetes, pero que le decía a Libeca que la vida sin pan de miel no valía la pena, y Libeca le llevaba el pan de miel y se quedaba viendo a la bisabuela partirlo con los labios porque no tenía dientes y dejaba la masa derretirse en la boca y ahí las dos conversaban, la bisabuela oía los noticieros de radio todos los días y siempre le preguntaba a Libeca cuáles eran sus opiniones sobre distintos asuntos, qué pensaba del nuevo presidente, si la selección tenía alguna posibilidad de ganar el Mundial de Fútbol, inclusive si la huérfana de la telenovela debía quedarse con el médico, y todo esto era bueno porque obligaba a Libeca a informarse, y además de leer a Dostoievski y no entenderlo, también tenía que enfrentarse con los periódicos todos los días. En fin, quince años.</p></blockquote>
<p>* * *</p>
<p>Convencida, finalmente? Então, <a href="http://alexcastro.com.br/compre/">compre o livro</a>.</p>
<p><a title="Mulher de Um Homem Só" href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/"><img src="http://farm4.static.flickr.com/3433/3859986647_a927db7762_m.jpg" border="0" alt="Mulher de Um Homem Só" hspace="15" /></a></p>
<p>* * *</p>
<p>Em tempo: para todas suas necessidades de tradução, revisão e transcrição, recomendo enfaticamente a empresa da Ianina e do Emanuel, <a href="http://www.traducoes.emcampos.net/">Traduções Emcampos</a>.</p>
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		<title>Pé ante Pé: Mulher de Um Homem Só em Portugal</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 05:13:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Desde 1996, a jornalista Isabel Coutinho assina semanalmente a coluna Ciberescritas, no jornal PÚBLICO, de Portugal, sobre o futuro dos livros, a presença de escritores na Internet e a relação entre as novas tecnologias e a literatura. Além disso, também mantém o excelente blog de mesmo nome, Ciberescritas. Vale a pena explorar. Pois bem, sua [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde 1996, a jornalista Isabel Coutinho assina semanalmente a coluna Ciberescritas, no jornal PÚBLICO, de Portugal, sobre o futuro dos livros, a presença de escritores na Internet e a relação entre as novas tecnologias e a literatura. Além disso, também mantém o excelente blog de mesmo nome, <a href="http://www.ciberescritas.com/">Ciberescritas</a>. Vale a pena explorar.</p>
<p>Pois bem, <a href="http://www.ciberescritas.com/?p=7137">sua coluna dessa semana</a> foi sobre meu romance, <a href="http://alexcastro.com.br/category/livros/mulher/">Mulher de Um Homem Só</a>, e vai transcrita abaixo:</p>
<blockquote><p><strong>Pé ante Pé</strong></p>
<p>Quando Alex Castro &#8220;colocou um ponto final&#8221; no romance &#8220;Mulher de um Homem Só&#8221; decidiu abrir um blogue onde disponibilizou o livro para &#8220;download&#8221;. Era o mês de Julho de 2002 e quatro anos depois, em 2006, o ficheiro tinha sido descarregado trinta mil vezes.</p>
<p>Nessa altura, conta o carioca Alex (que actualmente vive nos Estados Unidos, em Nova Orleães, onde dá aulas de português) muita &#8220;gente boa e experiente&#8221; o avisou de que estaria &#8220;queimando&#8221; o futuro daquela obra: &#8220;nenhuma editora se iria interessar por um romance que já tinha sido tão baixado&#8221;.</p>
<p>&#8220;Mulher de um Homem Só&#8221; conta a história de dois amigos de infância, Júlia e de Murilo. Este, quando ainda está na faculdade, casa com Carla. É ela a narradora do livro e é através dela que entramos na vida dos três. Murilo é médico, Carla é dentista e Júlia, artista plástica, passa o tempo todo a pairar pela vida do casal. Por lá passam também fetiches por pés.</p>
<p>Esta história apaixonou Ana Maria Santeiro que achou que poderia como agente literária vender este livro &#8211; sobre qual o papel que a melhor amiga de um marido pode ter num casamento ou sobre uma mulher apaixonada/obcecada por outra &#8211; a uma editora brasileira. Perante a possibilidade de publicação através de meios tradicionais Alex Castro acabou com o &#8220;download&#8221; do seu livro.</p>
<p>Ana Maria Santeiro foi então falar com várias editoras. &#8220;O resultado foi zero. Rocco, Língua Geral e Objetiva enviaram cartinhas simpáticas e bem-educadas; a maioria me deixou de molho por meses, algumas por anos, e não tiveram a gentileza de dizer não. A culpa não foi dos 30 mil &#8220;downloads&#8221;, pois eles não chegaram jamais a ser mencionados&#8221;, conta Alex Castro no seu blogue [Liberal, Libertário Libertino] e no posfácio da edição impressa do seu livro. &#8220;Em minha fantasia, quatro anos na Internet, blogue conhecido, coluna semanal em jornal diário [Tribuna da Imprensa], milhares de leitores cativos e dezenas de milhares de &#8220;downloads&#8221; seriam suficientes para chamar a atenção do mundo editorial, cultural e jornalístico.&#8221; Não foram.</p>
<p>O ano passado, Alex Castro achou que tinha chegado a hora de &#8220;Mulher de um Homem Só&#8221; e lembrou-se de recorrer a velho método de publicação. Resolveu pedir a amigos e a desconhecidos que se tornassem mecenas e comprassem exemplares da obra antes da sua impressão.</p>
<p>Colocou então o livro à venda no &#8220;site&#8221;. Ainda não tinham passado dois dias e já tinha dinheiro para imprimir 50 exemplares. &#8220;O valor do livro foi deixado em aberto e cada mecenas deu o que considerou justo. A primeira edição de 200 exemplares de &#8220;Mulher de um Homem Só&#8221; é numerada e os mecenas que contribuíram com os maiores valores receberam os menores números&#8221;, explica.</p>
<p>Durante três semanas, entre o início das vendas e a impressão do livro pela editora Os Viralata, 107 pessoas &#8220;abriram as suas carteiras para financiar um romance brasileiro completamente independente. Esses ilustres anónimos, que não eram nem meus parentes nem amigos, confiaram em um autor que não conheciam, vendendo um livro que nem existia, que nem capa possuía ainda.&#8221; A capa foi discutida com os leitores que ajudaram o autor na escolha.</p>
<p>Por estes dias o &#8220;Mulher de Um Homem Só&#8221; está a ser traduzido para espanhol, está disponível gratuitamente através do Google Books, pode ser comprado para ser lido no Kindle da Amazon (em versão Kindle, mas para já só para quem vive nos Estados Unidos), pode ser lido no Sony Reader e em outros e-books readers (em versão PDF, peçam ao autor que ele envia), está à venda em algumas livrarias do Rio de Janeiro e se São Paulo (&#8220;onde você pode comprar o livro à moda antiga&#8221;). E a história chegou ao fim, pé ante pé.</p></blockquote>
<p>Valeu mesmo, Isabel, e um beijo nos seus pés!</p>
<p>* * *</p>
<p>Convencida, finalmente? Então, <a href="http://alexcastro.com.br">compre o livro</a>.</p>
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