bio de alex castro

alex castro é o espírito que tudo nega, a carne que sempre afirma.

alex castro, aberto à visitação

todo dia, sempre das 17h às 19h, estou aberto à visitação por qualquer pessoa que queira me encontrar.

gosto muito de receber visitas. não é necessário ser minha amiga, ter intimidade, achar que é uma pessoa interessante. pode vir sem vergonhas.

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quando estou em casa, minha rotina é simples: trabalhar do nascer ao pôr do sol, com intervalos para meditar, cozinhar, ler.

lá pelas cinco da tarde, cansado, meu ritmo de produção começa a diminuir e percebo que estou carente, depois de um dia inteiro de trabalho sem contato humano.

essa é a hora perfeita para me visitar.

moro ali naquela zona indistinta onde se encontram flamengo e largo do machado, entre as duas estações do metrô. se você estiver por perto, basta ligar pro meu fixo. se eu atender, é porque estou em casa.

aí, quem sabe, podemos beber um chá aqui no meu apartamento, tomar um açaí na casa de suco da esquina, passear pelo aterro.

minhas informações de contato atualizadas estão sempre na minha página de contato.

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quase todo dia tem aparecido pessoas diferentes, trazendo novas histórias de vida.

sou um privilegiado de passar o dia inteiro fazendo aquilo que amo e ainda conhecer pessoas incríveis todos os dias.

obrigado.

aviso de ficcionalidade

Todos os meus textos são textos de ficção, escritos por um autor de ficção, que assina um nome de ficção.

Talvez crônicas ensaísticas, talvez romance pós-moderno. Talvez histórias filosóficas, talvez ensaios narrativos.

Toda e qualquer anedota aparentemente autobiográfica nos meus textos foi inventada por mim, para fortalecer ou ilustrar um argumento, e não possui relação alguma com a realidade.

A verdade raramente é verossímil. Quanto mais verdadeiras parecerem as histórias, mais mentirosas serão.

Na verdade, quase todas são reais, mas nenhuma é verdadeira. Algumas que digo que aconteceram comigo na verdade aconteceram com outras pessoas. Algumas que digo que aconteceram com outras pessoas na verdade aconteceram comigo. E vice-versa.

Para evitar que meus textos se tornassem relatos egocêntricos da minha vida, todas as anedotas autobiográficas são consistentemente contraditórias, apenas acessórios a serviço de algum argumento sendo desenvolvido.

Eu sou irrelevante.

O que importa é a mensagem, nunca o mensageiro.

O que importa são as ideias sendo expostas, não a pessoa que as está expondo.

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Como escritor de ficção, parte importante do meu trabalho é mostrar às pessoas leitoras que tudo é ficção. A verdade não existe. Tem coisa mais ficcional do que o Jornal Nacional, do que um livro de História do Brasil, do que uma biografia de celebridade?

É tudo mentira. Tudo. O tempo todo. Especialmente as coisas que batem no peito pra se afirmar verdades verdadeiras.

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Talvez minhas intenções sejam as piores possíveis. Talvez eu tenha escrito o oposto do que realmente penso. Talvez eu tenha sido do contra só para criar polêmica. Talvez eu tenha dito tudo o que as pessoas queriam ouvir.

E daí? Minha mentira pode ser a sua verdade. Minha ironia, seu dogma.

Você, a pessoa destinatária, é muito mais importante do que eu, a remetente. É você que decifra, interpreta e contextualiza a mensagem. O meu texto vai dizer o que você disser que ele disse.

Se gosta do que escrevo, se meus textos lhe ensinam alguma coisa, se julga que minhas ideias têm algum valor, então, essa é uma verdade mais importante do que qualquer verdade sobre minha biografia ou minhas intenções.

Se não gosta, se não ensinam, se não têm valor, então a verdade sobre os detalhes da minha vida importa menos ainda.

Só o texto importa.

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Alex Castro, na verdade, não existe.

Alex Castro é um mentiroso patológico: mente sobre sua vida, seus sentimentos, mente até sobre mentir. Não dá pra confiar em nada do que escreve. Principalmente sobre ele mesmo.

Alex Castro é um grande fingidor: ele mente para convencer os outros ou acredita em suas próprias fantasias?

Alex Castro é um narcisista que finge não ser? Ou finge que é o narcisista que não é?

Alex Castro não existe, mas você existe. Pode se apalpar. Se você pensa que está lendo esse texto, logo, você existe.

Alex Castro não importa, mas você importa

Alex Castro não existe, mas os minutos que você passa lendo os textos dele existem: para o bem ou para o mal, são concretos e foram perdidos para sempre.

Alex Castro não existe, mas tudo o que Alex Castro faz surgir em você, seja raiva ou desprezo, reflexão ou respeito, existe.

Não adianta tentar entortar a colher: a verdade é que a colher não existe.

É só você, o tempo todo.

“Não tente dobrar a colher. Tente apenas perceber a verdade. A colher não existe. Não é a colher que se dobra, é apenas você.”

“Não tente dobrar a colher. Tente apenas perceber a verdade. A colher não existe. Não é a colher que se dobra, é apenas você.”

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Para saber a verdade sobre como fiquei assim, leia a minha bio.

Para ler mais sobre como a verdade pode ser uma prisão, leia a prisão verdade.

agradecimento público às mecenas

queridas mecenas,

esse texto é só para agradecer. mais uma vez. sempre.

vocês não imaginam o quanto eu valorizo, prezo, respeito o mecenato de vocês.

não acho trivial, não acho comum, não acho ordinário, que pessoas que eu nem conheço me contribuam dinheiro em troca…

bem, de nada, de textos que eu já dei e que já leram de graça.

não quero nunca me acostumar. não quero nunca ser a pessoa que acha normal receber esse tipo de contribuição.

penso no mecenato de vocês como um privilégio e como uma obrigação.

saber que vocês estão aí me faz ser uma pessoa melhor, um artista mais produtivo, um homem menos gastador.

eu penso:

não, não posso chutar o balde, não posso passar o mês só lendo game of thrones, não posso fazer aquela extravagância financeira.

não é para isso que essas 280 mecenas me sustentam.

eu tenho obrigação de ser essa pessoa que elas acham que eu sou.

e, talvez, quem sabe, na prática diária, um dia eu venha a ser.

vocês me ajudam muito, muito mais do que imaginam. (a ajuda financeira é a menor delas.)

e sou grato, muito grato.

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você daria uma esmola para ele?

para também contribuir: alexcastro.com.br/mecenato

o sonho dos meus 12 anos

aos 12 anos, todas temos sonhos do que queremos ser quando crescer. depois, quase todas nós caímos na real e percebemos que arriscar a vida pra apagar fogo pode não ser um bom negócio.

os sonhos dos 12 anos tendem a ser inviáveis e irreais. quase sempre insensatos.

muito melhor dedicar a vida a fazer contabilidade do restaurante ou assessoria de imprensa da fábrica.

já eu, inviável e irreal, incapaz de sensatez, estou há 30 anos vivendo o sonho dos meus 12.

* * *

quando tinha 12 anos, pouco menos de um quarto da idade que tenho hoje, decidi o que queria ser para o resto da minha vida.

comprei uma verde e enorme máquina de escrever ibm elétrica, coloquei no meu quarto, montei um escritoriozinho, comecei a escrever.

meus primeiros exercícios eram assim: eu reescrevia as histórias em quadrinhos do mickey com um detetive que eu tinha inventado. já tendo o enredo pronto, podia me concentrar mais no estilo, no português, no personagem.

nesse mesmo ano, de copa do mundo, plano cruzado e roque santeiro, enquanto cursava a 6ª série, eu escrevia e desenhava gibis, xerocava na empresa do meu pai, coloria as capas uma por uma e vendia assinaturas pras colegas de classe. fechei o ano com dezesseis assinantes, além das vendas avulsas.

ganhei meu primeiro dinheiro no concurso literário da hebráica-rio, em 1988. participei de muitos concursos literários e de antologias-enganação. escrevia grande parte dos jornaizinhos de todas as escolas por onde passei. resisti bravamente a todos os amigos e parentes que insistiam para eu publicar ainda criança: meu projeto era de longo prazo e não queria ser garoto-prodígio.

aos 17, enquanto caía a união soviética, escrevi meu primeiro romance, altamente metalinguístico, cujo protagonista era eu mesmo, no ano 2000, aos 27 anos, vivendo de escrever, pobre de fazer dó mas com uma namorada que amava o que eu escrevia.

minha irmã falou tanto de mim e do meu romance para uma amiga que ela ficou curiosa. pediu pra ver. leu. se apaixonou por mim antes de me conhecer. logo depois, me descabaçou. descobri que um dos segredos para conquistar uma pessoa é atiçar sua curiosidade. o outro é ser admirado por ela. (o terceiro, se querem saber, é ouvi-la com atenção.)

todos os relacionamentos que tive na vida foram, de alguma maneira ou de outra, mediados pelos meus textos. se não escrevesse, nenhum dos meus relacionamentos teria acontecido. não imagino que estaria virgem até hoje mas, com certeza, tudo teria acontecido de forma bem diferente.

escrevi, escrevi, escrevi. todo dia. às vezes, o dia todo.

resisti bravamente às tentações pelo caminho. não peguei empregos rentáveis, não aceitei mais um frila, não fiz aquela viagem – porque não me sobraria tempo pra escrever. preferi sempre ajustar meu nível de consumo pra baixo, gastar menos, para poder trabalhar menos, viver com menos – e escrever mais.

hoje, aos 41, vivi quase quatro vezes mais que aquele moleque de 12. vejo que eu mesmo não consegui quase nada e ainda sou, pra todos os fins e efeitos, desconhecido e não-descoberto como escritor. mas sabe? estou satisfeito com a minha produção.

escrevi muito. escolhi com cuidado. joguei quase tudo fora. do que guardei, cortei grande parte. o que sobrou, me agrada. literatura é artesanato e fico feliz.

se eu tiver mais trinta anos para viver (será?), não tenho dúvidas de que vou passá-los escrevendo.

sabe por quê? porque essa vida é minha. só tenho ela pra arriscar. só tenho a mim mesmo para sacrificar. se não jogar minha vida na roleta dos meus sonhos, quem vai fazer isso por mim?

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se meus textos tiveram impacto em você, se usa meus argumentos para ganhar discussões, se minhas ideias adicionaram valor à sua vida, por favor, considere fazer uma contribuição do tamanho desse valor.

assim, você estará me dando a possibilidade de criar novos textos, produzir novos argumentos, inventar novas ideias.

minha página de mecenato.