sou ateu porque preciso

18 January, 2012

Confesso: eu acredito viver no melhor universo possível.

Não suportaria existir em um universo regido por uma força divina misteriosa e caprichosa.

Não suportaria saber que minha alma viverá eternamente, em eterno prazer ou sofrimento, baseado no que fiz ou deixei de fazer nesses poucos anos terrenos, e com base em critérios inescrutáveis.

Não suportaria saber que vou seguir nascendo e renascendo, quase que infinitamente, mas sem lembrar de nada!

Se existe deus, então a vida não tem nenhum sentido. Quem tem sentido é deus e o nosso sentido provém dele. Não somos mais do que suas cobaias, manipulados daqui pra lá, correndo como hamsters naquelas rodinhas, ignorantes de seus verdadeiros propósitos. Ao seu bel-prazer, somos mortos, escravizados, santificados, até mesmo afogados em massa, quando falha o experimento.

Se existe deus, então todos os esforços da humanidade para se entender e se auto-gerir, toda a ciência e toda a filosofia, de nada valem. Se existe deus, então não existe ética ou moralidade: somente adequção ou não às regras impostas pela divindade.

Se existe deus e temos o livre-arbítrio, então o arbítrio de livre não tem nada, é uma dádiva da qual só desfrutamos porque nos foi concedida e pode ser tirada tão facilmente quanto.

Já disseram que, se deus não existe, então tudo é permitido. Mas se deus existe, por outro lado, então não vale a pena fazer nada, pois nada faz sentido.

Um leitor questiona:

“Para mim, a grande questão não é se deus existe ou não, mas se nós vamos de alguma maneira continuar existindo depois da morte. Eu acredito que vamos continuar, de alguma maneira. Tenho que acreditar. Porque se não vamos, o que é essa vida senão um sonho? Aí é que ela vida não tem mesmo sentido, propósito nenhum. Se não há sentido para quê continuar? Por que não dar um tiro na cabeça daqui a cinco minutos(quando terminar o café)?”

Eu não dou um tiro na cabeça agora porque (além de não ter uma arma) quero saber o fim da novela, porque ainda há uns dois mil livros que eu quero ler e umas cem mulheres que quero comer, porque eu quero assistir os próximos filmes do Almodóvar pra saber o que esse louco vai aprontar, porque ainda falta eu escrever no mínimo uma dúzia de livros que tenho dentro de mim, e etc etc. Será que tudo isso não é motivo suficiente pra não se enfiar uma bala na cabeça?

Talvez deus realmente exista. Sinto calafrios com essa possibilidade mas, sim, talvez sejamos todos somente marionetes em seu projeto cósmico.

Mas, se não podemos ter liberdade, melhor a ilusão da liberdade do que nada.

Sou ateu não por ter concluído, após cuidadosa análise das evidências empíricas, que não existe base factual para sustentar a existência de deus.

Sou ateu porque eu só poderia existir e funcionar como ser humano em um universo sem deus.

Sou ateu porque preciso.

* * *

O texto acima foi originalmente publicado em janeiro de 2005, como parte da Prisão Religião, e foi posteriormente tirado do ar. Hoje, descobri, para minha surpresa, que ele é muito popular e já foi republicado por dezenas de blogs. Então, coloco no ar de novo, para que exista uma versão, digamos, “original”.

§ 36 comentários para “sou ateu porque preciso”

  • Laura says:

    Porra cara, são 3:45 da manhã. Comecei a ler textos seus ontem, lá pelas 23h. Não consigo parar.

    Acabei de pular do texto sobre o Zen para cá. Admito que tinha todo um preconceito com a palavra “zen”. Mas a desmistificação do “zen” enquanto adjetivo logo no começo fez com que eu lesse até o final e me identificasse com essa “valorização do terreno”, pelo que eu entendi.

    Na verdade acho que não entendi nada.

    E para ser sincera, eu não pulei do Zen pra cá. Vim do “sentido da vida para ateus”, depois fui pro “cajuína” e aí sim que vim pra cá.

    Mas falando desse texto aqui,

    Não acredito em nenhuma forma de força superior. Talvez eu acredite no super-homem. Mas preciso maturar isso ainda.
    Ao acabar de ler esse post tive a sensação de que vc comunicou o que eu sempre senti, mas que eu não havia ainda entendido e decodificado em mim mesma: Não acredito em definição de vida pelo viés coletivo, não preciso de uma força maior para me confortar, não acho que minha vida, tal como ela é, deixe de valer a pena ser vivida porque eu não creio em alguma entidade manipuladora de destinos ou qualquer outra coisa. Ela pode não fazer sentido. E tudo bem. Eu posso significá-la e ressignifica-la, escolher o caos ou não escolher nada. Foda-se.

    Não conseguiria viver sem meu livre-arbítrio de verdade. Do jeito que ele é. E quanto mais eu leio e vejo as coisas, sinto que mais livre ele se torna e isso é maravilhoso.

    Aleatoriedade
    Uma das formas de se praticar o Zen deve ser almejar chegar naquele estado de fluxo de concentração, sabe? Quando vc esta tão imerso em alguma coisa que parece que até seu cérebro faz as sinapses dele mais rápido e tudo fica menos turvo em relação ao que vc esta fazendo no momento.

  • Charlie says:

    Acho um argumento um tanto estranho quando pessoas falam que nao podem suportar a ideia de que tudo simplesmente desapareça e se desvaneça assim como um computador quando se tira o fio da tomada ou como uma formiga quando eh esmagada por uma criança. Precisam do conforto de acreditar em algo maior… bom, o conforto em si nao faz disso uma verdade, assim como o conforto de querer acreditar que sua mulher nao esta te traindo nao tira o ricardao de dentro do armario ou nao apaga o batom na cueca

  • Katherine says:

    Como de costume, amei.
    Aos poucos vou ‘te’ lendo, uma pequena dose diária, mas você tem muitos escritos, portanto, tenho tempo pela frente.

  • André Vescio says:

    Belíssimas palavras! Estão muito próximos daquilo que acredito.

    Sou de uma família totalmente cristã e cresci e vivi no mundo religioso por muitos anos.
    A verdade é que a ideia do teísmo no ser humano já é imposta desde seu nascimento pela sua família, o que acaba fazendo com que as crenças e ideais inevitavelmente acabem sendo os mesmos. Afinal, a essência da nossa personalidade e forma de pensar nada mais é do que aquilo que vemos e vivemos e, no caso das crenças, isso é muito mais explícito do que qualquer outra coisa.

    Com o passar do tempo o homem consegue desenvolver uma autonomia intelectual a ponto de criticar aquilo que vive. Algumas pessoas são mais e outras menos críticas com relação a sua própria vida.
    Eu sou dessas pessoas que não aceitam simplesmente seguir algo sem uma base fundamental mínima sólida. Então, juntando esses fatores e deixando de lado a “preguiça intelectual”, resolvi dar uma aprofundada nos dois mundos.
    O resultado que obtive são basicamente as palavras de Alex. Desde então me sinto uma pessoa muito mais livre, mantendo os bons princípios que aprendi com minha família, mas sabendo que essas escolhas são minhas, não são regras que tenho que seguir para alcançar a felicidade eterna. Enquanto estiver vivo somente eu serei responsável pela minha própria felicidade e sou eu quem deve trilhar o rumo para atingir meus objetivos.

  • Alan Wotz says:

    Religião não é o ópio da massa, é o placebo dela.
    Uma freira fala para House: ?A Irmã fulana acredita em coisas que não são reais? House responde: ?Pensei que esse fosse uma exigência para sua atividade?

    Se argumentos racionais funcionassem com pessoas religiosas, não haveria pessoas religiosas.

    Algumas coisas são verdadeiras acredite nelas ou não.DR House

  • alexcastro says:

    “você acredita em algo sobrenatural?”

    eu acho impossível por definição que exista qualquer coisa sobrenatural. se existem pessoas que tem o poder de ler pensamentos ou entortar garfos, isso é tão estritamente “natural” quanto pessoas que tenham o “poder” de nadar ou de desenhar.

    como algo poderia ser sobrenatural?

    então, não, com certeza, seria mais fácil eu acreditar em deus do que em algo “sobrenatural”.

    e sim, já frequentei terreiros de umbanda e centros espíritas, entre outros, e vi muitas coisas que eu não saberia explicar, mas a minha falta de conhecimento e de explicação não quer dizer que sejam “sobrenaturais” assim como arco-iris não era “sobrenatural” antes que newton explicasse o seu funcionamento.

    os arco-iris sempre foram 100% naturais, mesmo quando as pessoas não os entendiam…

    abração.

  • Alex, você acredita em algo sobrenatural? Nada? Pq porque religiões e Deus são coisas bem diferentes, certo? Então acredito que você já tenha ido a vários lugares (centro espirita, umbanda…) e nunca tenha visto nada com os próprios olhos que comprovasse algo além de filmes, livros e mulheres para comer, certo? Ou você simplesmente leu alguns livros, viveu seus anos de vida (que não são nada em vista do tempo que existe, universo, sistema solar e humanidade) refletiu sobre essas coisas e chegou nesta conclusão? E após isso não teve vontade ou humildade (quem sou eu pra dizer) de ir em algum lugar que pudesse desafiar sua opnião?

    PS: pode parecer que sou contra sua escrita, mas sou um leitor de seus textos no PDH e gosto muito do que você escreve e acho legal que mesmo sem acreditar em algo maior você parece buscar uma melhoria como pessoa, coisa que muitos que dizem ter religião e acreditar em Deus não fazem.

  • Franca says:

    Prezado Alex,
    Gostei muito do seu texto. Achei muito legal e inspirador.
    Uma análise isenta e honesta dos fatos realmente nos leva a essas suas conclusões em relação aos modelos e receitas de Deuses que nos oferecem todos os dias por aí. Todos tirando proveito da nossa eterna insatisfação com a condição de mortais. Fato é que, independente de religião, todos procuramos uma alternativa para o que nos parece óbvio. O fim da existência representado pela morte. Acho essa busca válida e totalmente justificada. Todo ser vivo deve perseguir essa resposta sim e não desistir dela nunca até obter uma resposta. Mais inteligente que isso contudo é trabalhar com a pior hipótese e tentar revertê-la. Por que não admitir que a morte é o fim e perseguir a imortalidade ? Esse ideia não é nova. E é o que a ciência tem feito. E a julgar pelo tempo que vem fazendo, se considerarmos que a prática da ciência em escala e de forma sistemática não tem nem 200 anos, o sucesso tem sido estrondoso. A expectativa de vida no mundo civilizado quase dobrou nos últimos 100 anos e a perspectiva, com os avanços dos conhecimento na área das ciências biológicas no século XXI, são muito animadoras. Arrisco a dizer que a humanidade alcançará a imortalidade nos próximos 200 anos. Isso, claro, se o mundo não acabar ou não retroceder à idade média em função de alguma “guerra santa”.

  • [...] SOU ATEU PORQUE PRECISO (Alex Castro) [...]

  • [...] meu texto Sou ateu porque preciso, um leitor perguntou: Como alguém, um ser humano, consegue suportar a ideia de que, a qualquer [...]

  • Ana Luiza says:

    Replico o primeiro comentário: “seu texto explica perfeitamente com palavras o que eu so tinha até entao na minha mente, e nunca conseguia explicar o porque de ser ateu. obrigado Alex.”

  • Eduardo says:

    seu texto explica perfeitamente com palavras o que eu so tinha até entao na minha mente, e nunca conseguia explicar o porque de ser ateu. obrigado Alex.

  • Hygor says:

    “O cristianismo, se é falso, não tem nenhuma importância, e, se é verdade, tem infinita importância. O que ele não pode ser é de moderada importância.” C. S. Lewis
    Achei seu texto muito pertinente, você está corretíssimo se existe Deus então estamos sujeitos às suas vontades e não existe liberdade. O problema é que não tem muito pra onde correr somos as marionetes no projeto cósmico. O que alivia minha alma é saber que estou sendo controlado por quem me criou e conhece todas as minhas nescessidades, por um Deus que me promete amor, paz, vida e mais um monte de outras coisas que eu gosto. Mas ele te dá esse livre-arbitrio (que eu realmente não entendo muito bem), então vocẽ nescessariamente não precisa segui-lo, e se não segui-lo você não vai ficar sendo torturado pela eternidade, vai só morrer (por que só Nele se tem Vida). Eu escrevi esse texto pra te dizer que infelizmente você vai estar inexcusável no fim, sinceridade não salva ninguem, só a Verdade.

  • Cyrano says:

    “É curioso como não há um ateu sequer que não seja cristão.”

    Eu fiz esse comentário e me esqueci, Alex. Desculpe. Você me pediu uma explicação e só agora vi isso nos comentários.

    Bem, a ideia de deus que você apresenta no seu post é uma ideia bem específica. Não combina, por exemplo, com a ideia da filosofia hindu, mãe do zen. Brahma não é um deus que impõe regras ao mundo, nem é uma “força divina caprichosa”. É uma ideia tão diferente que nem parece, para nós, formados em uma cultura cristã, referir-se a uma divindidade.

    Enfim, eu estava só pensando que as ideias de deus ou deuses ou algo que o valha são tão variadas que podemos até dizer que existe uma ideia de deus no budismo: uma ideia ateia de deus, um mundo sem sentido e sem destino. E quando leio um texto sobre ateísmo, geralmente vejo o autor lidando com a ideia cristã de deus. Por isso comentei que os ateus (isto é, os que se autodenominam ateus) são cristãos. Monges zen e hindus podem ser ateus, num certo sentido, mas nunca vi um deles se denominando assim.

  • [...] leitor fez uma pergunta aqui e respondi com um texto acolá. leiam e me digam o que acham. é um texto [...]

  • Elviro says:

    É só uma desculpa,o religioso não procura sentido para a vida, o que tem mesmo é medo de morrer, instinto de sobrevivencia, e alguns se agarram em coisas ilógicas…Como vida eterna se nem o universo é eterno?

  • Luan says:

    Diante do texto, tenho apenas uma humilde pergunta a todos ateus que se sentirem a vontade para responder: Com alguém, um ser humano, consegue suportar a ideia de que, a qualquer sopro malfadado do destino, pode morrer e simplesmente sumir? Nunca mais sentir, amar, sorrir, brigar, pensar, EXISTIR? Sinceramente, não consigo suportar tamanho desespero. Sou teísta por esse motivo, por puro e simples desespero tacanho. E me pergunto se essa fé às avessas não me faz automaticamente ateu, já que admito a existência de um Criador e Coordenador meu e nosso, apenas para suprir uma necessidade existencial. Para a minha pobre consciência simplesmente e inadmissível deixar de existir. E existir pra que se tudo vai, se todos os filmes acabam (até sua criadores que têm seus devidos créditos passam desapercebidos pela maioria), se todos os livros se consomem e se todas as mulheres comidas ficam velhas e se vão das nossas vidas? Para mim, viver e pensar, e ter senso crítico: e ai, diante de tal aro me vejo perante o abismo da inexistência. A alienação me parece bem mais agradável. Francamente, sou teísta porque preciso. E não sou tão mais covarde por isso.

  • Gilvan says:

    Eu quero declarar aqui que eu mesmo sou um milagre de Deus.aos 20 anos de Idade me envolvir com a homossexualidade.fiz coisas inimaginaveis transei com vários homens.Aos 26 anos abrir um ponto de prostituição com mulheres e homossexuais.era um antro de perdição,ganhei muito dinheiro,cm esse dinheiro que ganhei com esse ponto de prostituição fui para os estados unidos,onde fiz uma cirurgia para fazer uma vagina tirando o meu penis é claro.depois da cirurgia que foi um sucesso Absoluto,voltei para o Rio de Janeiro onde me casei com um Empresario do ramo de imobiliaria.estavamos juntos a 4 anos quando tive um encontro com Deus que acabou com toda essa fantasia demoniaca do diabo.hoje eu não sinto desejos mais por homens.terminei com o relacionamento que estava tendo com o empresario e levo a minha vida muito bem só tenho hoje desejo por mulheres eu estou namorando com uma colega de trabalho e ela sabe o que eu vivi e em breve estarei fazendo uma cirurgia para um implante peniano onde eu voltarei a ter meu penis de novo.Então hoje eu sou o milagre de Deus.Quem é Ateu eu digo Deus Existe e ele está no meio de nós!!!!! pode Acreditar!!!!!

  • Seu ateu desprezível, vc é um verme que vive na merda nojento, asqueroso,e eu não leria uma das bostas dos livros que vc escreve nem que me pagassem. VAI TOMAR NO CU.

  • Santo Agostinho em sua ‘Cidade de Deus” divide as pessoas, a minoria, em filhas de Deus e a imensa maioria em filhas do diabo e estão construindo a cidade do diabo. Você é um filho do diabo, não resta dúvida.

  • sergio maciel alves says:

    Santo Agostinho em sua “Cidade de Deus” afirma que há duas espécies de pessoas: as que são filhas de Deus e as que são filhas do diabo. As que são filhas de Deus estão construindo A Cidade de Deus e as que são filhas do diabo estão construindo a cidade do diabo. Não resta a mínima dúvida de que você é filha do diabo. Ele é seu PAI.

  • Bom, eu li todo o texto e boa parte dos comentarios… Sobre o texto eu concordei plenamente, porque tudo que eu ouço, quando as pessoas perguntam porque eu sou ateu quando veem que eu uso um colocar com um crusificço de cabeça para baixo, são sempre as msma perguntas e as msmas respostas. Mas sobre isso eu tenho minha opnião e isso me conforta oque e o suficiente mas, diante dela me surgiu um questonamente muito bom eu vou deixa aqui pra quem quiser opnar.

    Vou usar dois personagens Jesus e Judas o’que não importa quem eles foram e so uma forma de fazer a pergunta.

    – Judas: Jesus, qual o proposito da vida?
    – Jesus: O proposito da vida e Deus por que?
    – Judas: Se e Deus, então eu vou virar um Deus também certo? Jas que sou filho dele também!
    (Vou dar 2 respostas.)
    – Jesus:¹ Sim.
    – Judas:¹ Quando? Ja que fomos consagrados a viver enternamente diante da ressureição!
    – Jesus:¹ …
    —————————–
    – Jesus:² Não.
    – Judas:² Por que? Deus não quer niguem ao lado dele?
    – Jesus:² …

    _____________________________________________

    Deixem sua opnião, isso não e nada a ser levado a serio e so um questinamento sadio.

  • Samuel Santos says:

    Acho engraçado quando as pessoas dizem que “se não há nada depois da morte, então a vida não tem sentido”.

    Por que o sentido não pode estar na própria vida?? Por que tem que ser em algo que acontece depois que vc morre??

    Quer dizer que viver esperando por algo que supostamente acontece depois da morte é que faz sentido? Sério mesmo?

  • Gustavo C. says:

    Me parece que, de acordo com os argumentos do texto, o que vc precisa não é ‘ser ateu’, vc precisa ‘não pertencer a religiões com conceitos limitados e congelados’. Pq os conceitos de existência de um além após a morte são muito mais amplos do que os apresentados aqui, tão amplos quanto a quantidade de pessoas existentes na Terra, e se fosse para escolher entre ser ateu ou as alternativas do seu texto, eu tbm escolheria ser ateu. Nasci e cresci católico, e entendo as frases que começam com “não suportaria” pq um dia eu percebi que viver num mundo à lá catolicismo estava ficando cada vez mais insuportável. Mas penso que para essas crenças, sejam quais forem, vale o ditado: a diferença entre antídoto e veneno é a dose.

    Engraçado como esse negócio de fazer sentido gera diferentes pontos de vista, até mesmo opostos. Tenho em mente que se a morte é desaparecer, apagar, um literal sono eterno, aí sim é que a vida que a gente viveu deixa de ter sentido, a princípio para a própria pessoa, mas depois que todos morrerem, sua vida tbm deixou te ter sentido para todos eles. O fim da novela, os filmes que vc viu, os livros que vc leu e escreveu, as pessoas com quem se relacionou, tudo isso desaparece como se nada tivesse acontecido, perdendo todo o sentido. Enfim, tbm encontrei em que e como preciso acreditar.

  • Monica Renno says:

    as xs nem quero saber o final dessa novela, não!
    deus me livre de ser eterna! :)

  • JCCyC says:

    Fica tranquilo. As evidências estão em sintonia com tua paz de espírito.

  • Eu estou com o Eduardo. Acreditar ou deixar de acreditar em algo por conveniência não faz sentido. Vontade não muda a realidade. A verdade é sempre melhor do que a ilusão.

  • Iracema says:

    Católica demais essa sua ideia de deus. Ou Deus, que seja.

  • alexcastro says:

    “É curioso como não há um ateu sequer que não seja cristão.”

    Hã?

  • Cyrano Klaxon says:

    É curioso como não há um ateu sequer que não seja cristão.

  • Oi Alex,

    Todo mundo já teve ou tem tal dúvida. Todavia, acho que independente de qualquer situação positiva ou não, seguir em frente e torcer para estejamos mesmo errados pra poder consertar, pode ser uma saída. Hoje sou fria para algumas questões, mas momentos difícies exigem alternativas, ainda que sob a ordem do intangível.

    Abraços,

    Lu

  • Marcelo says:

    O fato é que você NÃO ENTENDE Deus.

  • Eduardo says:

    “…baseado no que fiz ou deixei de fazer nesses poucos anos terrenos…”

    Ta aí um exemplo de que você não tá entendendo muito bem o que é religião, Alex. Isso é aceito por algumas, e não por outras. Cara, você deveria procurar conhecer um pouco mais antes de fazer esse tipo de crítica tão simplória.

    Eu sou ateu, mas não acho nós fazemos esse tipo de escolha. Não escolhi ser ateu “por que é melhor”, quem tem fé não “escolheu ter fé por que é mais vantajoso”. Não se escolhe esse tipo de coisa da mesma forma que se escolhe qual lubrificante você vai por no seu carro, pondo um do lado do outro e comparando qual é mais apropriado. O buraco é mais embaixo.

    Seguem algumas palestras bem legais, se puder por favor assista.

    http://bigideas.tvo.org/episode/142676/david-sloan-wilson-on-religion-and-other-meaning-systems

    http://ww3.tvo.org/video/163562/jordan-peterson-necessity-virtue

    Abraço.

  • Brilhante, Alex. Eu tenho tentado explicar as coisas nesses termos. Acreditar em deus é uma questão moral e não epistemológica. Precisamos decidir se é melhor acreditar em deus, quer ele exista ou não, ou se é melhor não acreditar em deus, quer ele exista ou não.

    Eu concordo com você. Acreditar em deus é uma má ideia, em todos os cenários possíveis.

    Forte abraço

  • Rafael Pinheiro says:

    Na verdade, eu penso que essa questão de não acreditar em reencarnação pode ser visto como um estimulante, não como algo ruim. É só você pensar: “Putz, eu não vou ter outra vida, essa é a minha única chance. Eu tenho sorte de estar aqui, então vou aproveitá-la. É agora ou nunca.”
    Vê, não acredito em deus e não acredito em reencarnação, e a partir do momento que me dei conta dessas duas questões, virei a minha forma de ver o mundo e a minha própria vida de cabeça pra baixo, de uma forma muito boa e produtiva.
    Tudo depende, no fim, da sua perspectiva em relação ao assunto. Eu prefiro ver o lado bom.

  • Acho que a existência de um deus não tornaria minha vida insuportável não, contanto que ele ficasse no seu canto e evitasse, nos momentos de piti, afogar ou queimar todo mundo.

    Já a reencarnação, ao menos através da minha perspectiva, soa maravilhosa. A eternidade enclausurada em uma única vida parece assustadora, mas a mesma num ciclo eterno de nascimento e morte seria perfeita.
    E isso resolveria dois problemas básicos:
    1° Morro de medo de morrer, mas nesse sistema eu nunca morreria 100%
    2° Não faz sentido ser eterno pra chegar num ponto de saturamento no qual nada mais seja novo e interessante. Mas se eu puder renascer, pronto, problema resolvido.

    É uma pena que quando morrermos, simplesmente morreremos e nada mais. Mas tomara que eu esteja errado.

o que é isso?

você está lendo sou ateu porque preciso no site do alex castro.

Rio de Janeiro & Nova Orleans