a vida sem rastros

as cortinas azuis

As cortinas azuis do meu quarto foram instaladas pelo meu colega de casa Roberto em meados de 2007. Uma moça chamada Athena, de São Francisco, estava sublocando meu quarto durante aquele verão. Os verões em Nova Orleans são quentes e bate muito sol no meu quarto de manhã. Athena estava vulnerável, recém-saída de um mau relacionamento, e se apaixonou forte por Roberto. Ele não se apaixonou de volta, mas gostava dela e tentou não feri-la – óbvio que não deu certo. Foram amantes de verão. Transaram na minha cama e na dele. Em algum ponto, talvez em um gesto másculo de carinho protetor, talvez em um gesto egoísta para salvaguardar seu sono, Roberto instalou as cortinas azuis. (Nunca tive cortinas, pois gosto de dormir quando escurece e acordar quando fica claro. Não há despertador melhor do que o sol no rosto.)

Quando voltei para casa em agosto, depois de meses maravilhosos nos braços de Liloló, com anel no dedo e mais apaixonado do que nunca, Roberto já tinha se mudado e Athena (que nunca conheci) voltara para São Francisco. Roberto continuou meu amigo, foi pro Texas, morreu em julho de 2009 e faz muita falta na minha vida. Enquanto isso, nas minhas manhãs mais preguiçosas, as cortinas azuis continuaram sempre me protegendo do sol de Nova Orleans. Nunca conversei sobre Roberto sobre elas: agora me ocorreu que podem também ter sido um presente pra mim.

um grill

O George Foreman Grill na minha cozinha foi presente da Liloló. Pra eu comer mais proteínas e grelhados, e menos carboidratos. Um gesto de amor e cuidado para com seu homem. Não deu muito certo. Prefiro fazer os grelhados na frigideira. O grill é muito difícil de limpar: uso apenas para tostar bagels – ou seja, o inverso do objetivo. Também são presentes da Liloló um acendedor de fogão decorado com maçãs que parou de funcionar faz tempo, mas não joguei fora, e um avental verde e amarelo da Copa de 2006, cuja corda se rompeu, mas não joguei fora.

Liloló e eu nos separamos em janeiro de 2010, sem brigas, mas ela não fala mais comigo: é daquelas pessoas que acham que é melhor assim. Dói um pouco sempre. Dói muito de vez em quando. Os objetos que ela me deu ainda estão aqui, ainda úteis: a cada nova bagel tostada, é como se o amor dela ainda existisse e ainda me desse esse pequeno presente.

a vida sem rastros

Morei na minha casa atual por seis anos, entre 2006 e 2011. Foi sempre uma coisa provisória, só enquanto eu fazia meus estudos, roommates encontrados na Craigslist, sublocando o quarto para passar férias no Brasil. Na minha percepção emocional, sinto como se tivesse sido pouquíssimo tempo. (Em compensação, entre 2002 e 2004, os 22 meses que passei no apartamento onde vivi casado, onde fui delirantemente feliz, onde achei que seria para sempre, ainda me parecem tão vivos que quase posso fechar os olhos e voltar para lá.)

No dia primeiro de julho de 2011, me mudo de Nova Orleans para o Rio de Janeiro: saio dessa casa para não mais voltar, e deixo esses e muitos outros objetos para trás. A caneca da Tabasco que eu não queria que o Nate usasse. O pendurador de bananas enviado, decorado e desenhado pela minha mãe – pois nessa terra não se tem como amadurecer bananas direito. O wok e o liquidificador da Camila.

(Camila chegou em 2008, foi minha melhor amiga por dois anos e foi embora em 2010. Todo sábado, cozinhávamos juntos e víamos Seinfeld. Em 2009, meu presente de aniversário foi um wok. Essa cozinha ainda vibra com o eco das nossas vozes – mas é só porque falamos muito alto. Antes de sair do país, ela me legou seu liquidificador, que mais tarde meu roommate chef, o Nate, rachou tentando bater uma sopa quente. Continuamos usando o liquidificador rachado: em casa de pobre, se usa tudo até o limite. Camila hoje mora em São Paulo e, mês que vem, julho de 2011, eu vou ter a felicidade de estar no seu casamento.)

Nate também vai embora, depois de dois anos em Nova Orleans, tentar a sorte nas cozinhas de Nova Iorque.

A terceira colega de casa, Rebecca, que veio em janeiro de 2010, foi a última que escolhi pessoalmente: quando for embora, talvez daqui a alguns meses, talvez daqui a alguns anos, “Alexandre” vai passar a ser apenas um nome exótico em correspondências que não deveriam mais estar chegando.

Em poucos dias, vão haver duas novas pessoas nessa casa. Que vão comer e cozinhar, dormir e decorar, brincar e brigar. As cortinas azuis – penduradas com amizade, tesão ou egoísmo – vão protegê-las igualmente do sol. O grill da Liloló e o wok da Camila – dados ao amigo com quem se iria cozinhar ou ao homem que se queria cuidar – continuarão sendo usados, pra preparar pratos que eu talvez nunca tenha ouvido falar, por pessoas que nem conheço, conversando e rindo em línguas que eu talvez nem entenda.

Essas pessoas não vão saber a história desses objetos. Não vão saber qual foi dado com amor, com amizade, com tesão. Não vão saber que o Roberto um dia viveu, que a Liloló um dia me amou.

Meu lado historiador não gosta disso. Fico com raivinha dessas pessoas futuras e hipotéticas por ignorarem fatos tão importantes. Penso indignado que é assim que se perde a memória da humanidade. Tenho ganas de colar um post-it dizendo “Cortina pendurada por Roberto Rivera (1976-2009) no verão de 2007”.

Como se a vida só pudesse valer a pena se deixasse rastros, se produzisse memória.

Para essas novas pessoas, os objetos serão apenas objetos. Objetos velhos e já usados de uma casa que estão alugando por pouco tempo, dividindo com estranhos, enquanto terminam um curso, fazem um estágio, escrevem uma tese. Objetos pelos quais não se apegarão. Objetos que não terão problema algum em jogar fora quando pararem de cumprir seus objetivos.

Como tem que ser.

Pois que façam o que não tive coragem. Que usem sem apego. Que joguem fora. Que vivam o momento. E que sejam felizes. Menos quando não forem. E aí, então, depois de um tempo, que sejam felizes de novo.

Como tem que ser.

§ 37 respostas para a vida sem rastros

  • […] ela também indica dois textos do Alex Castro sobre o assunto. São esses: Aconchego no vazio e A vida sem rastros. Também muito […]

  • Luiz Jr. disse:

    Faço questão de voltar aqui e ler esse texto todos os anos. Simplesmente sensacional e de alguma forma inexplicável representa muito nas minhas decisões e escolhas. Parabéns!

  • Manuela disse:

    Esse texto é sensacional.

  • […] Antes, eu fetichizava a vida, atrelando momentos felizes a objetos inanimados. Um dia, me irritei por um amigo ter bebido na minha caneca. Decidi que não queria ser essa pessoa. Descobri que jogar fora os objetos não jogava fora os momentos. Deixei a caneca com ele e mudei de país, levando quase nada, vivendo uma vida sem rastros. […]

  • […] A vida sem rastros –  O escritor Alex Castro rememora histórias e pessoas que passaram pela sua vida a partir de objetos deixados por elas. Um relato comovente, porém lindo, que faz a gente olhar com carinho aquele objeto velho e desbotado e lembrar que por trás dele existiu toda uma história, que um dia existiu, que um dia brilhou. Este trecho é especialmente doce: […]

  • Flavia disse:

    O texto é bem construido e emocionante demais da conta. Revivi momentos e me lembrei de uma música do Capital Inicial: hoje é o dia eu quase posso tocar o silêncio, a casa vazia, só as coisa que vc não quis me fazem companhia… (tudo que vai)

  • Indy disse:

    “Dói um pouco sempre. Dói muito de vez em quando.”

    Essa frase me faz chorar,toda vez que leio.Tem muita emoção nessas letras.

  • Helê disse:

    Que coisa linda, Alex!
    beijo.

  • Camis disse:

    Lindo demais. Mas como eu vivo uma vida de apego (é, eu sei…) agora estou imaginando como seria lindo encontrar pistas pela casa das pessoas que já passaram por ali (como a sua idéia do post it)!
    Todos estes seus textos, estas pequenas despedidas, estão encharcando meu teclado… ;)

  • Mari Hauer disse:

    Eu estou mais uma vez em lágrimas lendo um texto seu. Não sei direito porque eu choro quando pego sua vivência da mudança de Nova Orleans e sinto tudo que, de tão real, parece que é meu.
    Deve ser porque já mudei muito de casa na minha vida. E porque sempre é muito bom, mas tão sentido, tão intenso, cada vez que fiz isso.
    E pela primeira vez estou morando numa casa que não é a minha, com objetos que não são meus. Lendo esse texto fiquei pensando no que senti quando eu entrei nessa casa pela primeira vez. Ficava imaginando quantas pessoas não passaram pela cama, a história que o meu sofá carrega, como foi quebrada a alça da xícara que ainda estava no armário e que eu uso com água morna para amolecer minha cutícula antes de pintar minhas unhas no domingo ao cair da tarde.
    mas acho que chorei mesmo lembrando de tudo que ficou pra trás. Dos objetos que deixei pra trás e das histórias que vivi em cada época, em cada lugar que já vivi. Se é apego eu não sei. Mas o fato é que lembro tanto dos detalhes de cada coisa que vivi com cada pessoa que ainda guardo uma calça jeans que nem me entra mais porque ela me faz lembrar de quem a tirou numa das melhores noites da minha vida. E é assim com um monte de coisa que, não estão aqui, mas que eu ainda guardo de certa forma.
    Eu vou parar de escrever, apesar de que eu tenho certeza de que vou chorar mais um pouco, lembrar mais um pouco. Não com tristeza de quem gostaria de poder voltar e viver de novo. Mas com o sentimento de que isso vai acontecer de novo, quando eu resolver, mais uma vez, deixar tudo pra trás e mudar de novo. Mover de novo.
    Adorei o texto e a forma com que ele fez eu pensar sobre a minha vida.
    Um beijo e que mudar te traga o novo. Mesmo que o velho já tenha sido bom!

  • Liame disse:

    Tenho lido sua saga da volta ao Brasil e tenho reparado q vc encucou mt com os objetos, ponderou sobre eles. Para mim, que não sou historiadora, as lembranças das pessoas é o q importa. Boa sorte na mudança.

  • e quem viveu e amou aí antes de vc?

  • Fábio Leite disse:

    Bravíssimo!!!!!
    Olha Alex, eu acompanho o LLL a algum tempo, e apesar de nunca ter comentado nenhum de seus posts (peço até desculpas por esse fato), nunca deixei de admirar seus textos e suas idéias. Este comentário é só mesmo para dizer que é realmente um texto belíssimo e que me emocionou. Enfim, nada que já não tenham dito antes. Pelo menos ficam também por mim registradas essas palavras.
    Parabéns!

  • alexcastro disse:

    juliana,

    sabe que só pensei isso, que só me ocorreu essa possibilidade, assim ao reler esse texto pela vigésima vez, quando tava quase publicando?

  • Dario disse:

    Sensacional!
    Realmente uma falta de consideração essas pessoas que usam os nossos antigos objetos sem nem tomarem conhecimento de suas respectivas histórias; boa sacada.

  • tathiana gitsio disse:

    Lindo, lindo. Desembalei esses dias minha mudanca, e no meio de tanta coisa – ainda nao consegui exercer todo esse desapego – fiquei secretamente torcendo para que as coisas tivessem se quebrado. Seria mais facil me desfazer. Mas ainda vou conseguir me desapegar…

  • Juliana Seffrin disse:

    Morro de medo dessas pessoas que acham que é “melhor assim”. Me sinto culpada, como que devendo alguma coisa. Eu tento respeitar, mas é muito difícil.

    Muito bonito teu texto, quase chorei quando lhe ocorreu que as cortinas poderiam ser um presente pra você.

    Parabéns Alex

  • Douglas disse:

    Olá Alex, que belo texto…!
    Recentemente saí de um lugar em que estava morando (no exterior) e estou voltando ao Brasil. Como estive fora por quase 4 anos, assim como você muita coisa ficou. Algumas coisas acabei doando, e nisso houve um outro fator interessante: tendo sido algo dado, que tipo de relação aquela pessoa terá com o objeto? Teria sido criada uma história nele? Sendo assim, ao ir embora, não somente ‘apagamos’ rastros, porém também criamos outros para outras pessoas…
    Gostei muito da reflexão que você propôs, como aliás gosto muito dos seus textos em geral. Li um pouco sobre zen budismo também, enfim, we’re on the same page(s) I guess. hehe
    Achei este vídeo do Paulo Freire e acabei associando (meio que tangencialmente) com seu texto: afinal, por que somente os artefatos dos ricos, ou poderosos, são criadores-perpetuadores de cultura, de história, de beleza? Nos museus, não são somente estes que as recontam: há cortinas, há vasos, há talheres, de gente anônima, que nos auxiliam na compreensão. É parcialmente triste que se percam muitas histórias; porém digo parcialmente porque, afinal, são essas perdas que trazem o mistério do mundo.
    http://www.youtube.com/watch?v=hRmQjVSsRyQ&feature=related
    Forte abraço e bom retorno ao Rio,
    Douglas

  • haetuy disse:

    As pessoas, principalmente as mulheres, fazem um julgamento deficiente sobre o que é um texto bem elaborado… Aquele plural encafuado no “haver” fez os ossos de Machado tremelicarem.

  • Samuel Santos disse:

    Caramba… lindíssimo texto!!!

    Parabéns!!!

    Alex, por melhores que sejam suas memórias, livre-se delas… enquanto não fizer isso não abrirá espaço para que coisas novas aconteçam e novas memórias marcantes surjam.

    Já perdi bastante tempo na vida vivendo no passado.

    grande abraço

  • Gustavo S. disse:

    alex, de todas as subfases temáticas da história dos seus textos, essa atual é a que mais gosto. mesmo.

  • Harry disse:

    Estou num momento parecido, indo embora de Campinas. Também 2006 – 2011, morando em repúblicas, deixando coisas minhas por aí, até um George Foreman Grill também.

    Eu vou vendo aqui pertenço cada vez menos, vou me sentindo mais e mais “impróprio” deste lugar, deste bairro universitário. O moço do boteco levou um tempo pra passar a me reconhecer, vai levar um tempo pra me esquecer, vai conhecer outros. Todo semestre aqui tem gente chegando e gente indo embora, arrumando um quarto, pendurando um quadro, se apaixonando, caminhando na rua de madrugada, cantando alto…

  • Mírian disse:

    também fiquei toda sensível, como meia dúzia aí pra cima. adorei o texto, lindo demais. bom retorno!

  • Ah, alex, que coisa linda!

  • Guilherme disse:

    Casa deixada sempre me dá uma dorzinha melancólica, aquele canto na parede com a marca da estante, aquele cheiro peculiar que cada lugar tem. Mas é isso aí, novas vidas a reocuparão. Adorei o texto.
    Abs

  • lhrr disse:

    Parabéns pelo texto, alex.

  • Filipe Teixeira da Silva disse:

    “Dói um pouco sempre. Dói muito de vez em quando.”
    Simples e brilhante! =)

  • Mariana disse:

    Lindo Lindo Lindo Lindo.

    O Rio te espera com novos futuros rastros.

  • marcos nunes disse:

    Quase objecto

    Deixo minha mão pendurada em seu ombro
    para quando o outro chegar, dizer: “Ei,
    joga fora esse pedaço de corpo defeituoso!”

    Minha língua guardada em sua boa, não mostre
    para ninguém, com seu rosado de filet mignon
    bem passado tantas vezes pelos teus lábios

    Os meus olhos guardados no espelho, mande-os
    de volta, passa álcool e depois uma página de jornal
    que eles automaticamente se apagam junto com as notícias

    Minhas genitais encontraram abrigo dentro de teu armário
    enroladas por tuas écharpes tão década de sessenta
    quanto minhas rugas agora difíceis de esconder

    Meus pés me levam, minhas pernas correm, minha fome
    avança em um prato de comida para encher a barriga, mas
    longe assim, me vejo só, Ovo Fabergé que guarda gema pálida

  • Karina disse:

    Realmente, um dos textos mais bonitos que já li dos seus! O wok e o grill estão doendo até em mim. E, meu deus, você vai deixar o cabide de banana que sua mãe fez!
    Admiro muito esse desprendimento e me considero uma pessoa bem desprendida. Tento exercitar esse meu lado. Se bem que, ao retomar uma amizade após 18 anos (viva o Facebook) fiquei com raiva ao lembrar que há pouquíssimo tempo eu joguei fora todos os bilhetinhos que trocávamos no colégio. Seria muito divertido relembrarmos como éramos.

  • Cris disse:

    Já tinha dito a você antes o quanto o texto havia me emocionado, mas repito aqui: belo e sensível; mexeu comigo. Beijos

  • Mariana disse:

    Uau, me emocionei também.
    Eu tenho esse apego aos objetos, principalmente a roupas (usei em tal ocasião, em tal momento), mas temos que deixar ir, desapegar, para termos outras histórias para contar…

  • Fernando disse:

    Quase chorei. É difícl saber exatamente quando ter desapego, acho que nem sempre é necessário pois uma dose de apego é coisa humana eu acho. Mas é inevitável não sentir um aperto no peito ao ver como coisas e também as pessoas passam e vão se tornando pontos cada vez mais longínquos e invisíveis no horizonte até serem nada com eram antes de existir em nossas vidas.
    A vida sempre terá rastros e rastros sempre acabam sumindo, talvez é assim que deva ser.
    Ótimo texto. Está sendo ótimo ler seus textos direto aqui no site. No começo o costume com o blog me fez estranhar mas o site dá um ar mais de literatura e menos de internet seja lá o que isso queira dizer.

  • Leonardo Climaco disse:

    Considero esse o melhor texto que já li seu!

  • Alexandra disse:

    Muito bonito o texto. Gostei mesmo. Eu sou a historiadora aqui de casa mas muitas vezes é o Alan que tem isso de pegar um objeto e ficar querendo imaginar quantas pessoas tocaram aquele mesmo objeto, qual a historia delas, etc. Ele sempre diz que ao tocar o mesmo objeto ele faz parte da historia delas…

    Eu gosto muito de mudanças por causa desse lado que te força a abrir mão de muitos objetos que te prendem e a ser mais livre…

  • Caio disse:

    Acho que todos se apegam aos rastros. Os rastros, estes sim, são diferentes.

    A memória é astuta.

    Seus textos da volta são muito bonitos, Alex.

  • marco aurelio disse:

    lindo texto. falando assim, faz-me até sentir mal por não ter histórias de objetos pra contar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.