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Leituras comentadas, fevereiro de 2017

Fevereiro foi um mês de leituras variadas. O principal tema foi empatia e seus limites.

1 (9). Nineteen eighty four, de George Orwell, 1949, inglês.
2 (10). Strangers drowning: impossible idealism, drastic choices, and the urge to help, de Larissa MacFarquhar, 2015, inglês.
3 (11). Opening Skinner’s box: great psychology experiments of the Twentieth Century, de Lauren Slater, 2004, inglês.
4 (12). Against empathy: the case for rational compassion, de Paul Bloom, 2016, inglês.
5 (13). The marshmallow test: understanding self-control and how to master it, de Walter Mischel, 2014, inglês.
6 (14). Gravity and grace, de Simone Weil, 1942, França. [Trad: Emma Craufurd, 1952.]
7 (15). Inside of a dog: what dogs see, smell, and know, de Alexandra Horowitz, 2010, inglês.

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a importância dos rituais

nem todo ritual é bobagem.

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Prisão Autossuficiência

É desejável sermos tão autossuficientes?

prisao autossuficiencia capa

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facundo

Facundo (1845), de Domingo Sarmiento, é um dos grandes textos latinoamericanos de todos os tempos.

Facundo não fala sobre o Brasil, mas Facundo nos explica, explica Os Sertões, explica Tropa de Elite, explica tudo. A grande tragédia latinoamericana está toda lá.

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perdendo a guerra cultural

alguns conceitos que a esquerda deu de mão beijada para a direita:

  • deus/religião
  • propriedade
  • família
  • segurança pública/forças armadas/defesa
  • luta anticorrupção
  • moral/moralidade
  • patriotismo

esqueci algum?

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o catolicismo e eu

apesar de continuar tão agnóstico como sempre, tenho ido a missas católicas: gosto da atmosfera comunal das igrejas e do contato com o transcendente. » leia o texto completo «

O paradoxo do luto

Por um lado, o luto nos tortura com a dor insuperável e invencível da perda, uma dor que parece sem fim e sem limites.

Por outro lado, como sabemos que tudo passa, o luto também nos tortura por sua dor ser tão superável e tão vencível, um dor com fim e com limites:

No meio de tanta dor, nos parece insensível e desrespeitoso imaginar que um dia não estaremos sentindo aquela dor, que um dia aquela dor não será mais paralisante, que um dia a nossa vida vai voltar a ser como sempre foi.

Mas vai.

Como consolar alguém de luto

De repente, sem aviso, Jó perde tudo: seus rebanhos, seus empregados, seus filhos, suas casas.

Estupefato, com feridas terríveis da sola dos pés até o alto da cabeça, sem saber o que fazer, sentado nas cinzas da sua casa, ele se coça com um caco de telha, em uma das imagens mais patéticas e tristes da Bíblia.

Então, é visitado por três amigos.

Para compartilhar sua dor e consolá-lo, os amigos sentam-se nas cinzas ao seu lado e passam ali sete dias e sete noites, sem dizer uma palavra sequer.

Uma palavra sequer.

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O mundo é abusivo para as mulheres

Como ser um homem não-canalha em um mundo criado e pensado para ser abusivo para as mulheres?

toda relação homem mulher é assimétrica capa

* * *

Novíssimo texto, com ilustrações originais de Flávia Tótoli:

Toda relação homem-mulher é assimétrica

toda relação homem mulher é assimétrica

A desesperança do luto

A esperança é nos fode. A esperança nos estressa. A esperança nos faz lutar infindavelmente em prol de causas perdidas — pois, afinal, há uma esperança.

Quantas pacientes de câncer não teriam aproveitado melhor e com mais substância seus últimos meses de vida, em paz, em contemplação, cercadas de seus entes queridos…

…se não estivessem “lutando até o fim”, pulando de médica em médica, sendo as “batalhadoras” contra o câncer que nossa sociedade espera que todas sejamos?

A beleza do luto é que não há mais esperanças.

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o que é ler um livro?

uma pergunta: o quanto de um livro eu preciso ler para poder dizer que li esse livro?

outra pergunta: quem se importa?

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estupro ex machina

o mundo é tão, mas tão misógino que inventa novas maneiras de ser misógino até com mulheres que nem mesmo existem.

* * *

deus ex machina:

expressão grega. literalmente, “deus surgido da máquina”. quando, no fim de uma tragédia, deus desce dos céus e literalmente resgata o protagonista, criando assim um inesperado, improvável e mirabolante final feliz.

estupro ex machina:

neologismo, séc.XXI. quando, em uma obra de ficção, uma ou mais mulheres são estupradas, objetificadas, humilhadas somente para chocar a platéia e/ou avançar o arco narrativo de um personagem masculino, que precisa de um motivo para 1) sofrer, 2) se vingar, 3) tornar-se um homem forte, duro e silencioso, 4) etc etc.

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as pessoas são fracas

as pessoas são fracas.

elas não sabem o que querem e não tem a menor ideia de quem são. agem contra seus próprios interesses, machucam quem gostam, fazem tudo errado.

inclusive eu e você.

ou reconhecemos que somos todas assim (que essa é nossa condição existencial) e desenvolvemos uma maior tolerância para as fraquezas humanas (que também são as nossas)

ou passaremos a vida em um triste e solitário pedestal, julgando e criticando as pessoas abaixo de nós pelas mesmas fraquezas que cometemos sem perceber.

as pessoas sao fracas

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“e se todo mundo fizesse como eu?”

às vezes, em resposta a algum dos meus textos, ouço a seguinte objeção:

“e se todo mundo fizesse como você, hein? nisso você não pensa, né?”

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porque não gosto de ted talks

ted talks são onde o conhecimento vai para morrer.

de morte horrível, convulsionada, agonizante.

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marchinha pro carnaval 2017

“se gritar pega ladrão, só fica a dilma, irmão.”

A era do ceticismo crédulo

Quanto mais cética e cínica a pessoa, mais crédula e ingênua ela será.

As notícias falsas se tornaram um problema justamente porque as pessoas estão tão céticas que, em seu ceticismo crédulo, acreditam ingenuamente em qualquer narrativa alternativa.

Esse é o grande paradoxo dos tempos atuais.

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dilema do historiador de meia-idade

tenho 45 anos e sou historiador.

meu lado quarentão acha, sinceramente, que o mundo está indo pro saco, que as pessoas perderam a noção, que estamos começando uma nova era de barbárie.

meu lado historiador sabe, comprovadamente, que em todas as épocas a geração que ia chegando na meia-idade sempre achava que o mundo estava indo pro saco, que as pessoas tinham perdido a noção, que estava começando uma nova era de barbárie.

quando você não confia em sua própria opinião, está na hora de enfiar a viola no saco e ir ler a ilíada offline.

e não é que é errado isso?

dirigir no rio com uma haole* é recuperar um pouco de uma noção do absurdo que já perdemos há décadas.

rio de janeiro

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hoje à noite, no cassino da urca

bondes circulam no centro do rio de janeiro.

a febre amarela está de volta.

ministro considerado para o supremo defende “submissão da mulher”.

o lado bom é que a qualquer momento machado de assis deve lançar um novo romance.

Largo-da-Lapa