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Enciclopédias

Terminar um relacionamento significa jogar fora uma enorme, laboriosamente compilada enciclopédia.

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Para o que estamos nos preparando?

Qual será nosso destino?

* * *

O capitão Sully, que pousou com seu avião no Rio Hudson:

“Por 42 anos, desde que comecei a voar, venho fazendo pequenos e regulares depósitos no banco da experiência, da educação e do treinamento. E, nesse dia, o saldo era suficiente para eu fazer um saque enorme.”

* * *

José Hernandez, autor do poema gauchesco Martin Fierro, obra máxima da literatura argentina, viveu por anos em uma pequena aldeia onde todos se conheciam e, segundo conta Jorge Luis Borges, não deixou nenhuma anedota, era só um pacato senhorzinho:

“Não fez nada de memorável, com exceção de algo que ignorava. Sem nem saber, havia dedicado toda sua vida a se preparar para escrever o ‘Martin Fierro’.”

* * *

A novela A fera na selva, de Henry James, conta a história de um rapaz que acredita que está destinado a grandes coisas nessa vida.

Ele conhece uma moça que gosta dele, de quem ele gosta, mas evita formar um relacionamento… por acreditar que precisa estar livre para a grande coisa que fatalmente lhe acontecerá. A moça continua por perto, dedicada a ele mas lhe dando seu espaço, até que, décadas depois, morre.

E o rapaz percebe que talvez a grande coisa a que estava destinado era uma vida compartilhada com essa mulher, um destino que ele simplesmente, vaidosamente jogou fora.

Um dia tranquilo

Em poucos minutos, embarco pro Recife.

Hoje, está um dia especialmente agitado, cheio de bombas estourando no último minuto, vários problemas para resolver.

Então, em pleno tumulto, de repente, eu páro e penso: toda pessoa que morreu em acidente aéreo estava assim, ansiosa, correndo, resolvendo mil coisas.

E aí eu páro e sento e respiro. Como uma ameixa com calma, apreciando cada mordida. Dou um cheiro bem gostoso na Capitu e deixo ela lamber minha orelha. Escrevo esse textículo e jogo ao mundo, como quem lança um bilhete em uma garrafa.

Não porque eu acho que eu vá morrer nesse voo. (As chances disso acontecer são diminutas.) Mas porque, de fato, posso morrer a qualquer momento, inclusive nesse voo. E, se não for nesse voo, será atropelado por um caminhão que talvez ainda nem foi fabricado, ou traído por meu coração, esse que está aqui batendo agora, e que um dia pode decidir que não quer mais brincar.

E, no dia em que isso acontecer, quero que tenha sido um dia que passei tranquilo, onde comi uma fruta com gosto, apertei a Capitu como se não houvesse amanhã, escrevi um texto que, quem sabe, ajudou outras pessoas.

* * *

Depois de amanhã, começa a Imersão do Nordeste. Vejo vocês lá. Se sobrevivermos.

“Seja você mesma!”

Nossa essência, nossa personalidade, nossa sexualidade, são construídas por nossas ações: interagimos com o mundo através dos nossos atos.

Ninguém está lá muita interessada no que pensamos, no que sentimos, em nossa essência, em toda essa linda complexitude reluzindo dentro de nós.

O que importa é o que fazemos.

Não temos escolha de ser quem somos, mas temos escolha de agir como agimos.

Por isso, poucos conselhos são mais canalhas do que “seja você mesma”.

A maioria dos problemas do mundo veio de pessoas que estavam simplesmente “sendo elas mesmas”.

Mais importante do que sermos nós mesmas é sermos quem queremos ser.

Todas as forças do universo nos impelem a nos conformar, a aceitar as regras do mundo, a ceder, nos moldar.

Ser a pessoa que queremos ser é uma luta diária, surda, interna, contra nossos próprios preconceitos, nossas mesquinharias, nossos egoísmos.

Ser quem queremos ser é o mínimo que devemos a nós mesmas.

Se não somos nem isso, então não somos nada.

Decidir ser uma pessoa mais empática, mais atenciosa, mais cuidadosa, entretanto, é fácil.

Ser de fato essa pessoa, todos os dias, sistematicamente, é muito mais difícil.

O que as Imersões fazem por mim

Quinta feira passada, um dia antes de começar a Imersão do Nordeste, eu estava péssimo: sozinho, frágil, vulnerável.

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Empregadas na piscina

A cena mais política e mais subversiva, mais bonita e mais inspiradora, mais inédita e mais surpreendente, da última imersão aconteceu depois do encerramento.

Ontem, fim de tarde. Acabou o evento, as participantes se beijaram e se abraçaram, e, assim, meio chacoalhadas e um pouco abobadas, foram todas embora.

E, então, a equipe da ecovila começou a cair na piscina.

A Geise e a Alda, que limparam. A Cris, que cozinhou. O David, que serviu. A Adriana, que coordenou.

Depois de todo um fim-de-semana servindo e atendendo aquele grupo de trinta pessoas vindas de dez estados brasileiros diferentes…

…agora estavam relaxando, ouvindo música, comendo e bebendo, nadando, rindo, aproveitando a vista do pôr-do-sol do deck da piscina.

E comecei a chorar, e chorei muito, de pura alegria.

Talvez elas não tenham entendido meu choro. Talvez tenham achado que estava chorando de felicidade por meu evento ter sido lindo. Não quis explicar. Tive medo de soar elitista, condescendente.

Sim, meu evento foi lindo.

Mas eu estava chorando mesmo pelo simples fato de elas estarem na piscina.

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Os Leões do Caribe na Copa do Mundo de 1938

A história da única Copa do Mundo que Cuba participou, uma Copa entre muitas guerras.

 

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O amor é político

Depois de muitas andanças, escolhi transitar entre pessoas, inteligentes e politizadas, para quem o amor é uma prioridade política, um gesto transformador, uma atitude revolucionária.

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Como pedir

As pessoas me elogiam muito por “saber pedir”, como se o ato de “pedir” se resumisse ao “pedido”.

Parecem não se dar conta que a habilidade mais importante é “saber aceitar não”.

Nem sempre as pessoas vão poder ou querer nos ajudar. E tudo bem. Não tinham obrigação alguma. Não são nem mais nem menos nada por causa disso.

Se peço com a expectativa de receber e, portanto, se me frustro quando não recebo, minha vida se torna um inferno.

Mas, se consigo pedir sem expectativas, se consigo pedir respeitando os limites e desejos das outras pessoas, então, consigo acolher cada sim e cada não com a mesma alegria e com o mesmo agradecimento.

* * *

Minha maior fonte de sofrimento sempre foram minhas expectativas sobre o comportamento das outras pessoas. Se consigo diminuí-las ou desligá-las, minha interação social passa a ser muito mais prazeirosa e mais tranquila, menos egoísta e menos autocentrada.

E consigo até pedir.

Paixonite

Duas pessoas acabaram de se conhecer e se apaixonaram.

Uma delas, muito racional, disse:

“Esse estado de paixonite é completamente ridículo. Não é razoável estarmos assim.”

Respondeu a outra, também muito racional:

“Das duas, uma: ou isso levará a algum lugar, e, então, esses primeiros dias serão mitologizados, celebrados, suspirados, ou isso não levará a lugar algum, e não fará diferença. De um modo ou de outro, o mais razoável é viver plenamente esse estado ridículo.”

“Justo.”

E viveram.

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Por que fazemos o que fazemos?

O templo zen é cheio de regras de como falar, como andar, como comer.

Não são regras explicadas ou justificadas: elas simplesmente são.

Um dia, uma amiga me disse:

“Poxa, Alex, me admira você, tão libertário e tão rebelde, fazendo tudo isso sem nem saber porquê.”

Mas eu sei  o porquê.

Passo boa parte da minha semana no templo, seguindo regras aparentemente arbitrárias, porque sou uma pessoa vaidosa e egocêntrica, acostumada a sempre interpelar o mundo para exigir o porquê de tudo e que só admitia fazer qualquer coisa se o mundo satisfizesse essa minha incessante demanda por porquês.

Assim, trabalhar em um templo, aceitar as regras e não fazer perguntas é uma parte importante do meu projeto de desapegar desse meu Eu tão tirânico e de me tornar uma pessoa melhor para as outras pessoas à minha volta.

* * *

Outra amiga também perguntou:

“Alex, no templo zen você não se sente reprimido sob o peso de tantas regras? E sua liberdade?”

Em outras épocas, bem mais reativo, eu responderia:

“E você, não se sente presa aí fora, reprimido sob o peso de tantas regras? E sua liberdade?”

Mas hoje só respondo:

“Não me sinto preso, não. Pelo contrário. Aqui me sinto verdadeiramente livre: livre da tirania do meu Eu e livre dos meus desejos insaciáveis, livre da minha necessidade de aparecer e livre da minha compulsão por ser reconhecido. Livre.”

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vida que segue

ontem de manhã, extraordinariamente, comprei o jornal impresso. estou procurando um apartamento pra alugar e queria ver os classificados. em outro caderno, petrificados em fotos e condensados em resumos biográficos, estavam os mortos do acidente aéreo da air france: o casal de noivos de niterói, o maestro e o príncipe, a família que viajava separada justamente para que todos não morressem juntos, a mãe que perdeu a chance de ver a filha pela última vez pois ficou presa no trânsito. li tudo aquilo com a curiosidade mórbida que caracteriza os humanos, me emocionei, considerei minha própria mortalidade, etc etc, e deixei o jornal respeitosamente à beira da cama, talvez para ler de novo. mais tarde, houve sexo, com sua costumeira desordem viscosa. já de madrugada, antes de dormir, fui arrumar o quarto. em cima do jornal, tinha caído uma camisinha usada: gotas esparsas de sabe lá qual fluido manchavam o rosto do dinâmico chefe de gabinete de um jovem prefeito. dobrei o jornal em volta da camisinha, joguei tudo fora e fui dormir.

(texto de 2009. a referência é a esse acidente.)

do pudor

antigamente, em minha casa, camisinhas e lubrificantes ficavam na gaveta do banheiro, guardadinhos, escondidinhos, como têm que ser.

em dias de sexo espontâneo, porém, um tempo precioso era perdido correndo de lá pra cá: “corre, vai pegar a camisinha!”

moro em um quitinete. durmo em um colchão. praticamente não tenho móveis. muito menos criado-mudo.

aos poucos, as camisinhas e os lubrificantes foram passando tanto tempo ali no chão ao lado da cabeceira que esse acabou sendo consagrado como seu lugar.

no começo, sempre que recebia visitas, me batia uma lufada de pudor.

pensava: guardo tudo? ninguém precisa ver minhas camisinhas, né?

mas, logo depois, vinha a pergunta: pra quê? por quê?

transar não é nem feio nem proibido, nem anti-ético nem nojento. os objetos não estão bagunçados, largados, babados. pelo contrário, as camisinhas estão cuidadosamente eempilhadas, os lubrificantes de pé, tudo limpo e arrumado, ao lado das canetas e dos livros.

que tipo de pessoa poderia se sentir incomodada ou ofendida de simplesmente ver um frasco de lubrificante íntimo e algumas camisinhas? certamente, não o tipo de pessoa que eu gostaria de receber.

em minha casa, sempre estiveram à mostra as marcas de que fumo (cinzeiro na janela) e de que cago (papel higiênico no banheiro), de que como (garfos e talheres) e de que cozinho (panelas e frigideiras).

por que não poderiam também estar expostas as marcas de que transo?

por que seria essa, de todas as atividades humanas realizadas em minha casa, a única que precisa ser completamente escondida e negada?

* * *

pós-escrito

quando foi publicado pela primeira vez, esse texto causou muita polêmica e diversas manifestações de ódio. li e reli o texto. não encontrei nada de errado nele. pelo contrário, o assunto do texto é JUSTAMENTE essa resposta extremada e raivosa: por que o sexo é tão tabu? por que podemos deixar à mostra os objetos que usamos, por exemplo, para fumar mas não para transar? por que até mesmo falar nisso já desperta tanta raiva, tanto ódio, tanta ojeriza? afinal, por que o sexo (especialmente o sexo praticado pelo Outro) ofende tanto? se o texto levantou essas questões, então cumpriu o seu papel.

Jamais saberei

Casa de sucos. A balconista Érica está passando meu cartão. De repente, olha por cima do meu ombro e emudece, paralizada.

Sigo seu olhar. Atrás de mim, do outro lado da rua, um ônibus acaba de parar no ponto.

Depois de manter a mirada no ônibus por alguns segundos, seu olhar sobe, se amplia, se expande, ganha o horizonte.

Em poucos segundos, porém, o ônibus sai do ponto e o encanto se quebra.

“Crédito ou débito?”, diz ela, como se nada tivesse acontecido.

Pergunto se está tudo bem, se gostaria de conversar, mas Érica me olha assustada, sem entender minha oferta.

Parece não ter percebido que passou trinta segundos viajando dentro de si mesma no meio de uma interação comercial.

O que aconteceu?

Pela minha cabeça, passam mil teorias. Viu alguém que conhecia? Rememorou toda uma história de vida com essa pessoa? Ou estava somente pensando no jantar?

Minha única certeza, entretanto, é que não sei. Jamais saberei. Cada pessoa é um universo que se estende eternamente além do meu olhar.

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Usar pessoas

Não existe nada mais libertador do que parar de usar as pessoas.

Já tive minhas épocas de empresário, empreendedor, freelancer. De viver sempre para o próximo negócio e para a próxima oportunidade. De fazer contatos e networking.

Além de exaustivo, era desagradável. Eu não gostava da pessoa que eu era.

Na prática, eu passava mais tempo “trabalhando”, adulando, azeitando as pessoas que podiam, talvez, quem sabe, ser de utilidade para mim… do que efetivamente curtindo, conversando, cuidando das pessoas que eu gostava.

Deixar de ser essa pessoa foi um processo longo e tortuoso: o primeiro passo, há muito tempo, foi decidir parar de aceitar caronas na volta de festas. Eu me sentia sujo aturando pessoas que eu não queria aturar só para economizar vinte reais do táxi.

O último passo, o passo que me libertou, foi passar a viver da generosidade das minhas mecenas (hoje, 750) e, em retribuição, oferecer tudo o que faço de graça.

Ou seja, não sobrou mais nada para eu querer das pessoas. As mecenas me sustentam justamente, entre outras coisas, para eu poder me libertar dessa mentalidade aquisitiva e interesseira, e poder ajudar qualquer pessoa sem pedir nada em troca.

Minha casa está aberta para pessoas do mundo inteiro, que me visitam, falam de suas vidas, buscam ajuda. Meus textos estão todos na internet.

Se uma pessoa achar que estou aturando ela só porque quero que venha ao meu evento…

Bem, não seja por isso, venha de graça.

Ou não venha.

Tá tudo bem.

* * *

Uma amiga leu esse texto e comentou:

“Poxa, Alex, que pessoa horrível você era. Ainda bem que nunca fui assim.”

E fico pensando cá com meus botões, tentando não julgar:

“Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?”

Longe de mim achar que todo mundo compartilha das minhas muitas falhas de caráter, mas, agora que parei de usar as pessoas, passo boa parte do meu dia ouvindo histórias de vida. E reparei uma coisa:

Quase sempre quando alguém fala de outra pessoa com os olhinhos brilhando…. está falando de algo que acha que aquela outra pessoa pode fazer por ela.

Nada nos empolga mais em uma pessoa (não sua bondade, não seu caráter, nada!) do que pensar que, talvez, quem sabe, em breve ela pode nos fornecer sexo ou prestigio, dinheiro ou emprego — o que quer que estejamos buscando.

* * *

Tenho uma amiga que é muito, muito importante em um campo de atuação que não tem nada a ver com o meu.

Então, de vez em quando, as pessoas vêm me perguntar:

“Caralho, você é amigo da Fulana? Da FULANA, que é isso e aquilo e tal outro?”

E fica implícito:

“Da FULANA que pode validar minha carreira, publicar meu livro, liberar meu prédio, aprovar meu projeto?!”

E eu respondo:

“Pra mim, ela é só a Fulana.”

Às vezes, estamos tomando um chocolate quente ou assistindo um filme bobo, enquanto seu telefone não pára de tocar e de vibrar, pessoas importantes de todo Brasil querendo coisas da minha querida amiga…

…e sinto um certo prazer iconoclasta e subversivo de saber que eu, do fundo da minha alma, sinceramente, só quero dela um chocolate quente e um filme bobo.

Amizade, para ser amizade, precisa ser desinteressada.

Senão, é “contato”, é “conhecido”, é “aposta para o futuro”.

Qualquer coisa menos amizade.

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o que queremos

amigo:

“eu só queria uma mulher que estivesse comigo pro que desse e viesse, entende? que eu soubesse que não vai embora no primeiro problema.”

eu:

“bem, eu quero uma companheira que tenha liberdade de me escolher e de me des-escolher. mãe eu já tenho.”

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1938: A Copa do Mundo de Cuba

A história da única Copa do Mundo que Cuba participou, uma Copa entre muitas guerras.

Colaboração especial para o UOL como parte da Copa Brasileira de Letras. Ilustração por Divasca.

Leia o texto completo aqui.

homens: monstros de nascença ou socializados para ser monstros?

ninguém quer se tornar um canalha.

se nós, enquanto sociedade, não salvarmos os homens de se tornarem abusadores, não teremos como salvar as mulheres de quem abusarão.

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Corrente

Se você se sente em dívida comigo por algo que te fiz, por algum texto que escrevi, por alguma ajuda que lhe prestei, gostaria que pagasse essa dívida ajudando outra pessoa.

Gostaria que buscasse alguém que precise da sua ajuda, alguém que não tem direito nem expectativa alguma de ser ajudada por você, e que ajudasse essa pessoa do melhor jeito que pudesse.

Aliás, proponho que faça isso mesmo se eu nunca tiver te ajudado em nada.

Se você, em algum ponto crítico da sua vida, foi ajudada por alguma pessoa estranha cujo nome você nunca soube, então, agora, ajude alguma outra pessoa estranha cujo nome você não sabe.

Se nunca foi ajudada por alguma pessoa estranha cujo nome você nunca soube… então, seja a primeira.

Comece a corrente.

E eu te agradeço.

* * *

Um dia, fui pego no meio de uma catástrofe climática, quase perdi meu cachorro, me transformei em refugiado por seis meses e fui muito mais ajudado do que jamais conseguirei ajudar de volta.

Só hoje, 13 anos depois, consigo perceber o tamanho do impacto dessa experiência na história da minha vida, de como ela mudou minha orientação política, minhas prioridades literárias, basicamente tudo.

Esse textículo é dedicado a todas as pessoas que me ajudaram, e que estão discriminadas ao final desse meu depoimento.

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Um resumo da atual situação política brasileira

Passo por um boteco de Copacabana e vejo uma multidão olhando fixo para a tela, todo mundo tenso, nervoso.

Corro pra ver, coração acelerado, preparado pra tudo….

… e é só uma cobrança de pênaltis.

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