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fazendo uma coisa de cada vez

venho tentado exercer a atenção plena em todas as esferas da vida.

então, quando estou comendo, estou só comendo: não estou lendo, não estou vendo filme, não estou ouvindo música, não estou pensando na vida. minha atenção plena está na comida.

(naturalmente, viver com atenção plena é um projeto que nunca pode ser realizado, uma caminho para o qual não há chegada.)

uma das primeiras consequências é uma seletividade maior das minhas atividades:

um velho episódio de seinfeld, que já assisti cinco vezes, ou um novo episódio de big bang theory pode ser até legal enquanto estou lavando louça mas simplesmente não vale a pena 22 de minutos de atenção plena dedicados exclusivamente a ele.

a vida é muito curta para atividades meia-boca, repetidas, “multitask”: só vale a pena ser feito aquilo que vale a pena ser feito com atenção plena. » leia o texto completo «

comentaristas do prato alheio

para as pessoas de modo geral, existem vários comportamentos eliminatórios à mesa: falar de boca aberta, arrotar, comer feijão com arroz de colher, etc.

devo ser mesmo muito diferente, pois nada disso me incomoda.

tem apenas um comportamento à mesa que considero eliminatório. já me levantei de algumas mesas por causa dele. existem várias pessoas com quem não sento mais à mesa por serem reincidentes.

é o comentarista do prato alheio:

“vai comer tudo isso?” // “vai comer só isso?”

“não pegou salada?” // “não pegou carne?”

“nossa, já acabou?” // “nossa, ainda não acabou?” etc etc

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a sujeira do mundo somos nós

uma estrada de terra não é suja. ela só é. o chão é o chão.

entretanto, se eu piso nela com meu o pé descalço, o meu pé fica sujo.

aquelas partículas da estrada de terra, que não eram sujas quando estavam no chão, se transformam automaticamente em sujeira quando entram em contato com o meu corpo e grudam na minha sola do pé, uma sujeira da qual eu preciso me livrar, uma sujeira que eu preciso lavar e purgar.

se não existisse o meu pé, se não existissem seres humanos, não existiria sujeira. a terra seria só a terra.

a sujeira do mundo somos nós.

como ajudar sem ser mecenas

você não precisa pagar nada para ler meus textos: eles estão aí, na internet, para isso.

mas, se você gosta, quer me ajudar mas não pode ser mecenas, eis algumas coisas que você pode fazer por mim:

1. assinar meu newsletter
2. comprar meus livros.
6. vir aos meus encontros.
8. se veio a um encontro, escrever um depoimento.
9. encaminhar minhas cartas para pessoas amigas.
22. me seguir no facebook, na página e no perfil.
45,8. compartilhar meus textos nas redes sociais.
81. vir me visitar quando estiver no rio.
102. responder minhas cartas dizendo o que achou.
987. só ler e já tá bom demais.

todas essas coisas, em maior e menor grau, me ajudam a permanecer aqui nesse caminho.

e eu agradeço.

o fascismo de mim mesmo

algumas pessoas acham estranho eu me abrir para visitas.

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porque a rejeição dói tanto

por que sofremos tanto ao terminar um relacionamento ou sair de um trabalho?

resposta: ego, narcisismo, vaidade, apego.

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moqueca

perto da minha casa, tem uma colônia de pescadores.

a colônia é mais antiga que o bairro: há mais de cem anos, quando abriram o primeiro túnel dando acesso a essas dunas desertas e isoladas, a colônia já estava aqui.

todo dia, de madrugada, os pescadores ainda saem pra pescar. todo dia, de manhã, vendem na praia o peixe fresquíssimo que pescaram.

perto da colônia, tem o bar dos pescadores.

no bar dos pescadores, dá pra comer bife, porco, frango, qualquer coisa.

menos peixe.

quem não é ficcional?

nunca é demais lembrar: sou um autor de ficção.

tudo o que escrevo deve ser tratado como ficção: eu invento fatos, eu invento pessoas, eu invento livros, eu invento citações.

é isso que faz um autor de ficção.

qualquer informação que você saiba por mim deve ser conferida em uma fonte independente antes de ser passada adiante.

então, quando você aprender a fazer isso comigo, passe a fazer isso com todas as informações que você receber de qualquer pessoa.

porque, no fundo, na prática, somos todas autoras de ficção, imersas em nossas pequenas realidades, inventando que somos aquilo que nunca seremos, criando narrativas com base em nossas esperanças e preconceitos.

* * *

leia também a prisão verdade.

o meu entendimento é irrelevante

se outra pessoa precisa me explicar suas razões para só então eu respeitar sua escolha…

então, eu já estou arrogantemente me colocando como árbitro de sua vida.

o verdadeiro respeito não depende da capacidade de entendimento de quem ouve ou da capacidade de persuasão de quem explica.

eu respeito a decisão que outra pessoa tomou sobre sua própria vida simplesmente porque ela é uma outra pessoa, com outros valores e outras prioridades, que tem direito de decidir sobre sua própria vida tanto quanto eu da minha.

ela não precisa me convencer de nada. o meu entendimento é irrelevante.

* * *

textinho para ser incluído na futura prisão empatia.

o dom da leitura

existe gente que “leva jeito” para ler?

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“esse é o último ano em que eu dei a mínima pra qualquer coisa”

admiro uma lojista que não só chuta o balde, como ainda deixa ali, na parede, a faixa de “feliz 2011” pra lembrar exatamente quando foi.

Juan Francisco Manzano: el esclavo y la palabra

Ponencia de Alex Castro, a 17 de febrero de 2016, como parte del seminário internacional 130 aniversário de la abolición de la esclavitud en Cuba, en Casa de las Américas.

seminario internacional 130 aniversario de la abolición de la esclavitud en cuba

seminario internacional 130 aniversario de la abolición de la esclavitud en cuba

Introducción » leia o texto completo «

leituras comentadas, dezembro 2015

1. the blind, de maurice maeterlinck, 1891, francês. (trad: maya slater, 1997.) 9dez15.

2. entre o mundo e eu, de ta-nehisi coates, 2015, inglês. (trad: paulo geiger, 2015.) 11dez15.

3. são joão marcos, patrimônio e progresso, de mv serra (org), 2011, português. 13dez15.

4. thinking, fast and slow, de daniel kahneman, 2011, inglês. 14dez15.

5a. fausto I, de johann wolfgang goethe, 1806, alemão. (trad: jenny klabin seagall, 1949.) 20dez15.

5b. fausto II, de johann wolfgang goethe, 1832, alemão. (trad: jenny klabin seagall, 1967.) 22dez15.

5c. faust, parts one and two, de johann wolfgang goethe, 1806-1832, alemão. (trad: george madison priest, 1932)

6. os monumentos do rio de janeiro – inventário 2015, de vera dias, 2015, português. 23dez15.

7a. decameron, de giovanni boccaccio, 1353, italiano. (trad: ivonne benedetti, 2013.) 29dez15-11jan16. releitura.

7b. decameron, dez novelas selecionadas, de giovanni boccaccio, 1353, italiano. (trad: mauricio santana dias, 2013.)

7c. decameron, vols I e II, de giovanni boccaccio, 1353, italiano. (trad: raul de polillo, 1952, atribuída a torrieri guimarães.)

7d. decameron, de giovanni boccaccio, 1353, italiano. (trad: g. h. mcwilliam, 1972.)

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decameron, de boccaccio

notas de leitura sobre o decameron, de boccaccio.

Decameron by Boccaccio, Giovanni.

Decameron by Boccaccio, Giovanni.

em plena erupção da peste negra, um grupo de dez pessoas foge de florença e se isola em uma villa rural.

verdadeiras xerazades medievais, elas mantém a morte afastada contando histórias umas para as outras: dez pessoas, contando dez histórias por dia, durante dez dias. (daí o título decameron.)

nenhuma outra obra da literatura universal acontece sob a sombra de tanta tragédia.

nenhuma outra obra da literatura universal celebra a vida com tanto vigor, com tanta força, com tanta alegria.

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a importância das chaves

na minha rua, tem um chaveiro.

quando ele sai para atender alguém, deixa o quiosque aberto, como se tivesse ido só ali na esquina, mas ainda de olho, já voltando.

as pessoas aparecem para contratá-lo, veem tudo aberto e olham em volta — ele deve estar vindo, não?

mas ninguém chega.

aí perguntam pro garçom do boteco em frente:

“cadê o chaveiro?”

“deve estar atendendo alguém.”

“mas deixou tudo assim aberto e destrancado?! o chaveiro?”

“pra senhora ver!”

as quase-clientes bufam as ventas, circundam o quiosque, batem o pé: não sabem se ficam ou se saem, se guardam o forte ou se quebram tudo. acabam sempre indo embora, frustradas. onde já se viu!?

daqui a pouco, o chaveiro volta, senta lá dentro e espera, plácido, como um mestre zen dentro do seu koan, ensinando uma lição que ninguém compreende.

 

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bio de alex castro

alex castro é o espírito que tudo nega, a carne que sempre afirma.

não existe artista charlatão, existe mau artista

de vez em quando me perguntam:

“alex, você não acha que fulano é um charlatão?”

e respondo:

“como assim charlatão? você está me perguntando se ele é um fingidor, se está fingindo ser artista? mas faz sentido uma pergunta que já sugere um julgamento de valor NÃO sobre a produção artística da pessoa mas sobre suas intenções, sobre sua essência? como eu vou saber se ele é charlatão ou não? não é mais fácil, mais justo, mais objetivo simplesmente julgarmos o valor da obra que essa pessoa de fato produziu?”

* * *

por que esse discurso só existe nas artes plásticas e na literatura?

muita gente não gosta de jorge vercilo, mas ninguém diz que ele não é músico, que não é cantor, que é um charlatão, que é um fingidor.

entretanto, muitas das mesmas pessoas, para criticar um romero britto ou um paulo coelho, imediatamente lhes cassam a carteirinha de artista:

“esse aí é um charlatão!”

* * *

a obra de qualquer artista está no mundo para ser usufruída e avaliada.

mas uma coisa é considerar que fulano é um mau artista porque sua obra tem esses e aqueles problemas.

outra coisa, bem diferente, é nos darmos ao direito e à autoridade de afirmar categoricamente que fulano não é artista.

existem mil maneiras válidas de se criticar o trabalho de um artista. cassar sua carteirinha de artista é a pior delas.

chickenartist (1)

 

não sinta culpa por me ler de graça

os meus textos estão na internet para serem lidos, gratuitamente, por quem quiser, gostar, precisar.

quando um pastor pede por contribuições, existe uma ameaça implícita de que você pode ir para o inferno se não pagar.

quando eu peço por contribuições, não existe ameaça implícita alguma: se você não pagar, nada de mal vai acontecer, nem com você, nem comigo. (eu não te conheço e, se te conhecesse, não pensaria menos de você.)

sim, eu preciso das contribuições das minhas pessoas mecenas.

não tenho renda garantida nem emprego fixo. sem as mecenas, eu seria forçado a correr atrás de frilas, traduções, revisões, e acabaria escrevendo menos.

mas não seria o fim do mundo. e, mais importante, não é seu problema.

existem vários motivos para se tornar mecenas.

aceito sua generosidade altruísta em retribuição aos textos que leu de graça.

aceito seu autointeresse egoísta em possibilitar a produção de novos textos.

dispenso sua culpa.

adote o artista não deixe ele virar professor

(para contribuir e se tornar mecenas, clique aqui.)

receber todos, procurar ninguém

aos 12 anos, decidi que seria escritor.

não apenas escritor, mas escritor de ficção.

ou seja, artista.

para mim, artista era aquela pessoa que, ao mesmo tempo em que se colocava à disposição de seu público, com a generosidade e com a abertura de receber muito bem a todas as pessoas que a procuravam, também era autônoma e autossuficiente: quando não era procurada por ninguém, aproveitava para mergulhar na criação e na produção de seus muitos projetos.

hoje, percebo que vivi os últimos trinta anos assim:

nunca procurando ninguém, buscando sempre receber bem quem me procura.

continua sendo o meu mantra.

continuo aberto à visitação.

* * *

se meus textos tiveram impacto em você, se usa meus argumentos para ganhar discussões, se minhas ideias adicionaram valor à sua vida, por favor, considere fazer uma contribuição do tamanho desse valor.

assim, você estará me dando a possibilidade de criar novos textos, produzir novos argumentos, inventar novas ideias.

e que machado te abençoe.

mecenato eu dei

torne-se mecenas.

caminhada do privilégio

a caminhada do privilégio é um exercício para tornar mais visível e mais palpável a distribuição desigual de privilégios em nossa sociedade.

o exercício começa com um grupo de pessoas, de pé, lado a lado. em seguida, são feitas perguntas relativas aos seus privilégios. dependendo de quais privilégios tiveram acesso, as pessoas dão passos à frente ou atrás.

nos meus encontros, tenho realizado uma versão brasileira desse exercício. quando possível, faço a atividade em uma escada ou ladeira, para que o resultado fique ainda mais graficamente concreto.

o vídeo abaixo ilustra bem o processo:

caminhada do privilégio, vídeo.

caminhada do privilégio, vídeo.

as pessoas que vêm aos meus encontros já são todas, em larga medida, bastante privilegiadas. mesmo assim, ao final do exercício, aquele grupo de pessoas privilegiadas que começou ombro a ombro está todo espalhado.

uma ilustração concreta das distâncias que nos separam.

abaixo, algumas das perguntas que faço, sempre em constante mutação.

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