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fato

a verdade é que tudo é mentira. a mentira é que nada é verdade.

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minha técnica para lidar com conselhos não-solicitados

quando a pessoa começa a dar o conselho não-solicitado, eu dou mute nela dentro da minha cabeça;

fico pensando em outra coisa enquanto ela está mexendo a boca;

quando vejo que ela parou de mexer a boca, eu seguro em sua mão, dou um sorriso caloroso e verdadeiro e digo, “poxa, muito, muito obrigado mesmo pelo seu carinho, infelizmente, agora eu tenho que correr, mas vou levar suas palavras no coração por toda a vida”;

vou embora e passo a evitar essa pessoa.

tem funcionado muito bem pelos últimos 41 anos. a maior vantagem é pouco a pouco ir construindo um círculo de amizades de pessoas que não se metem nas vidas umas das outras.

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pessoas intrusivas

a pessoa insiste em vir me dizer, de forma carinhosa e educada, que eu tenho essa e aquela questão, e que ela acha que isso e aquilo poderia resolver.

diante disso, tenho três opções:

1. aceitar a intrusão

(inaceitável);

2. tentar responder, também de forma carinhosa e educada, que por mais que eu goste dela e admire seu incrível trabalho, não tenho interesse algum em saber o que acha da minha vida e como eu poderia melhorá-la

(mas isso não consigo dizer e, ainda por cima, minha experiência demonstra que é inútil);

então, só me resta:

3. me afastar.

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respondendo comentários

às vezes me perguntam:

“por que você não responde comentários na internet?”

porque nunca, nunca aconteceu de eu responder um comentário e, então, no dia seguinte, pensar:

“puxa, que bom que respondi aquele comentário ontem. foi mesmo a coisa certa a se fazer!”

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resposta padrão à metade das comunicações que recebo

“oi, pessoa que eu não conheço e que não sabe nada sobre a minha vida. respeito sua opinião completamente não-solicitada sobre mim. adeus.”

porque não curto suas postagens no facebook

tentando não alimentar o monstro que nos devora.

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vacas felizes

um sonho.

que toda embalagem de carne orgânica tivesse uma pequena bio do animal que deu sua vida para nos alimentar.

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“essa é a giselda, uma galinha. ela veio ao mundo no dia 3 de maio de 2013. ao longo da vida, ela botou 50 ovos, dos quais 10 chocaram. nenhum dos seus pintinhos macho foi triturado. ela gostava de tomar sol encostada em uma mangueira. um dia, ela encarou um gato para defender sua ninhada. depois de viver uma vida bela e plena, giselda foi abatida no dia 20 de dezembro de 2014, para alimentar você e sua família.”

* * *

o próximo encontro “as prisões” será em curitiba, no domingo, 2 de outubro. mais detalhes aqui.

as cinco lembranças

— adoecer faz parte da minha natureza. adoecer é uma lembrança da presença do mundo em mim.

— envelhecer faz parte da minha natureza. envelhecer é o ornamento da minha impermanência.

— morrer faz parte da minha natureza. morrer é uma dádiva da impermanência.

— tudo aquilo que amo ou odeio (objetos, parentes, pessoas amigas e inimigas) também compartilham da mesma natureza impermanente e passageira.

— somente as minhas ações são os meus pertences verdadeiros. não posso fugir às suas consequências. minhas ações são o chão que fazem o meu caminho.

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quem sou eu, uma vídeo-biografia de alex castro

mais e mais pessoas autoras & artistas têm criado vídeos quem sou eu, onde falam sobre suas vidas & suas prioridades, seu trabalho & sua produção.

então, aqui vai a minha vídeo-biografia:

uma biografia em vídeo, do alex castro.

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paradoxo da amizade pós-término

para uma pessoa continuar amiga de outra com quem estava se relacionando, o segredo é terminar o relacionamento antes de ele implodir.

seinfeld

mas, se fizerem isso e mantiverem a amizade, vão sempre se perguntar:

“poxa, essa pessoa é tão legal, será que não terminamos cedo demais? será que não dava mesmo para salvar?”

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uma estante em branco

estante em brancojorge luis borges:

“tenho mais orgulho dos livros que li do que dos livros que escrevi.”

* * *

diante de uma pessoa que se pretenda escritora, o papel em branco nos desafia com toda a promessa, toda a pressão, todo o potencial do universo.

estaremos à altura de preenchê-lo?

* * *

em novembro, saí do meu quitinete em copacabana e vim morar com minha quase-irmã sônia no flamengo. hoje, em maio, cada vez mais satisfeito e confortável, instalei finalmente uma estante.

* * *

diante de uma pessoa que se pretenda leitora, a estante em branco nos desafia com toda a promessa, toda a pressão, todo o potencial do universo.

estaremos à altura de preenchê-la?

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habitar a dor

diz o budismo que toda emoção é dor: ou ela é literalmente dor, ou ela é uma felicidade transitória que em breve se tornará dor.

tenho algumas ausências que doem todo dia.

mas a ausência só dói porque está vinculada a coisas muito bonitas e incríveis que aconteceram e que fazem falta.

então, quando bate a dor, eu procuro uma dessas lembranças prazeirosas e entro fisicamente dentro dela, como quem entra em um quarto que está lá me esperando, com todos os seus toques, cheiros, sons, palavras.

não faço isso para negar a dor.

(a dor é minha e faz parte de mim. se eu quisesse negá-la, na minha esquina tem uma farmácia cheia de remédio pra isso.)

eu habito o momento de prazer para mostrar à dor de onde ela vem:

“você está doendo hoje, mas é só porque isso aqui ontem, ó, foi bão demais.”

medos

algumas pessoas têm medo de enlouquecer, de ficar de fora, de ser excluídas.

eu olho em volto, vejo um mundo absolutamente canalha e desigual, e tenho medo de me pegar subitamente bem-ajustado, dentro do sistema, incluído.

meu maior medo é ser cúmplice.

mapa de pressão, versão política

a História aí acontecendo e nós aqui cismando de levar nossas vidinhas.

dilma-discursa

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corporificando a narrativa

em 2003, entrei na internet para publicar os primeiros textos da série “as prisões“.

na época, criei para mim a narrativa de ser um escritor “liberal”, “libertário”, “libertino”, que pensava e escrevia o que bem entendia, doa a quem doer, etc.

ao longo dos anos, dia a dia, texto a texto, sempre em público, essa narrativa foi mudando.

enquanto isso, fui morar no exterior e pude observar as mazelas sociais do brasil de longe, ao mesmo tempo em que senti na pele os efeitos da enorme tragédia social que foi o furacão katrina.

hoje, para minha surpresa, percebo que criei para mim uma nova narrativa: a de que sou uma pessoa ruim, narcisista, vaidosa, egocêntrica, mas que tenta ser uma pessoa melhor, mais aberta, mais generosa, mais empática.

apesar de muitos deslizes pessoais da minha parte, as pessoas de modo geral acreditam nessa narrativa: quando me encontram ou interagem comigo, essa é a pessoa que esperam que eu seja.

por isso, mesmo nos dias em que não estou com saco de ser generoso ou empático, às vezes à minha revelia, acabo me vendo obrigado a me comportar de maneira a confirmar e sustentar essa narrativa.

então, ao agir de acordo com essa narrativa, eu acabo corporificando essa narrativa, reforçando e confirmando as expectativas alheias sobre mim, e criando assim um loop que se retroalimenta:

em minha próxima interação humana, será ainda mais difícil que eu escape dessa narrativa que eu mesmo criei e que eu, assim, corporifico.

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o problema da gentileza

não é porque eu fui gentil com você, ou te recebi na minha casa, ou escrevi um texto que te marcou, que eu quero ser seu amigo.

jokl

* * *

acontece muito comigo:

faço uma pequena gentileza e a outra pessoa reage como se aquilo tivesse sido uma prova de amor, um gesto de amizade, uma demonstração de carinho, como se nunca ninguém tivesse sido amoroso, amigo, carinhoso com ela.

e eu fico com vontade de dizer:

“eu não desgosto mas também não gosto de você. foi uma gentileza que eu faria literalmente por qualquer pessoa. até por uma pessoa que eu odiasse e desprezasse. um gesto completamente vazio de significado, fruto de mera educação e polidez.”

mas não falo nada, apenas agradeço e penso:

que merda é viver em um mundo tão rude que gentileza virou prova de amor verdadeiro.

inhotim

o inhotim, um parque-museu perto de belo horizonte, é meu lugar favorito no mundo.

na foto, por laura de las casas, eu e meu caderninho dentro do desert park (2010) de dominique gonzalez-foerster.

alex castro no inhotim 2 por laura de las casas
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contágio

agora à noite, saindo do inhotim, uma senhora ao telefone:

— oi, meu amor. papai morreu. sim, acabei de saber, nesse minuto. estou aqui no ônibus voltando para bh. ele estava internado e…

a conversa continua. ela ainda faz outras duas ligações: providências a tomar, problemas a resolver, a burocracia da morte.

de repente, em meio àquele breu refrigerado, começa a soar um verdadeiro coro polifônico de vozes sussurradas e luzes azuladas:

— oi, pai.

— liguei só pra ouvir sua voz, papai.

— a bença, meu pai.

— pai, o senhor melhorou da tosse?

— estou aqui em minas e pensei em você, pai.

esse último fui eu.

 

comentaristas do prato alheio

para as pessoas de modo geral, existem vários comportamentos eliminatórios à mesa: falar de boca aberta, arrotar, comer feijão com arroz de colher, etc.

devo ser mesmo muito diferente, pois nada disso me incomoda.

tem apenas um comportamento à mesa que considero eliminatório. já me levantei de algumas mesas por causa dele. existem várias pessoas com quem não sento mais à mesa por serem reincidentes.

é o comentarista do prato alheio:

“vai comer tudo isso?” // “vai comer só isso?”

“não pegou salada?” // “não pegou carne?”

“nossa, já acabou?” // “nossa, ainda não acabou?” etc etc

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a sujeira do mundo somos nós

uma estrada de terra não é suja. ela só é. o chão é o chão.

entretanto, se eu piso nela com meu o pé descalço, o meu pé fica sujo.

aquelas partículas da estrada de terra, que não eram sujas quando estavam no chão, se transformam automaticamente em sujeira quando entram em contato com o meu corpo e grudam na minha sola do pé, uma sujeira da qual eu preciso me livrar, uma sujeira que eu preciso lavar e purgar.

se não existisse o meu pé, se não existissem seres humanos, não existiria sujeira. a terra seria só a terra.

a sujeira do mundo somos nós.