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A política e o prazer

Talvez o maior de todos os dilemas:

Como criar um espaço de ação política efetiva onde seja possível encarar o horror do mundo e agir para transformá-lo…

… ao mesmo tempo em que preservamos um espaço pessoal seguro onde seja possível desfrutar dos prazeres da vida, gozar e dançar, comer Brie e escrever poesia?

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João diz que não faz sentido gozar enquanto houver crianças passando fome.

José doa para ONGs, vota no PSOL, escreve textos inspirados, mora e trabalha na zona oeste de SP e nunca nem passa perto da periferia.

Quem somos? Quem queremos ser?

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Os encontros “As Prisões: Exercícios de Atenção”

O próximo encontro “As Prisões: Exercícios de Atenção” acontece em São Paulo, no domingo, 27 de maio.

São instalações artísticas, indefiníveis e improvisadas, onde exploramos os limites e as possibilidades de nossa atenção, de nossa generosidade, de nosso cuidado.

Um espaço de prática, sempre imprevisível, onde pessoas se juntam e se chacoalham, compartilham vivências e trocam histórias e, no processo, criam novos tipos de interação.

Um evento que só pode ser presencial pois foi criado para só poder ser presencial, justamente para fazermos aquilo que é impossível de ser feito através de textos.

Foi nesses encontros, realizados desde 2013 nas cinco regiões do Brasil, no contato energizante e polifônico com milhares de pessoas, que os Exercícios de Atenção foram sendo lentamente criados e aprimorados e são, até hoje, praticados.

Tudo o que faço é sempre fundamentalmente gratuito, e os encontros não seriam a exceção. Existe um preço sugerido mas paga quem quer, o quanto quiser.

Hoje, eu literalmente vivo da generosidade alheia: graças às pessoas mecenas, que me sustentam com suas contribuições, não preciso ganhar a vida. Então, o mínimo que posso fazer com essa vida que me foi dada ganha é passar adiante a generosidade: promovo esses encontros como um serviço para as pessoas que precisam dele.

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alexcastro.com.br/encontros

Abaixo a normalidade

Só existe um “Outro” que pode ser excluído porque existe uma normalidade intolerante que o define fora dela.

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A origem da “normalidade”

A ideia da “normalidade” nos parece tão normal ao ponto de ter sempre existido, mas ela não é tão normal assim.

Na língua inglesa, a palavra “normal” somente passa a ter a acepção de

“constituting, conforming to, not deviating or different from, the common type or standard, regular, usual”

por volta de 1840. Na nossa língua, o dicionário Houaiss registra a data de 1836 e define “normal” como

“conforme a norma, a regra; regular; que é usual, comum; natural; sem defeitos ou problemas físicos ou mentais; cujo comportamento é considerado aceitável e comum (diz-se de pessoa)”.

O conceito de “normal” tem a mesma idade do trem e da fotografia. E, assim como a humanidade viveu muito bem obrigado por milhares de anos sem andar de trem e sem tirar fotos, viveu também sem a ideia da normalidade.

Antes de 1840, “normal” significava “perpendicular”. A partir desse momento, com a ascensão da estatística e da eugenia, “normal” começa a se aproximar do conceito de “média estatística”.

Para isso, o primeiro passo é presumir que uma população humana possa ser normatizada, ou seja, que a maior parte dessa população seria de alguma maneira parte de uma “norma”, que estaria na média ou em torno dessa média. (Em consequência, se existe uma população padrão, na média, normal, então é porque necessariamente existe uma população abaixo do padrão, fora da média, anormal.)

Essa ideia, tristemente óbvia para nós que vivemos oprimidos por ela há um século e meio, não faz muito tempo era radical e revolucionária. E, em breve, deu dois filhotes importantíssimos.

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Eugenia: o racismo científico e institucionalizado

Em primeiro lugar, a eugenia social e sua principal ferramenta prática, a antropometria.

Sem a noção de normalidade estatística, não faria sentido mensurar antropometricamente todo o corpo humano em busca das dimensões ideais, do nariz perfeito, do crânio mais simétrico.

A partir do momento em que se determina quais são as dimensões ideais no nariz humano mais perfeito, quanto mais um indivíduo ou grupo étnico se afasta desse ideal, mais involuído, imperfeito e anormal ele é.

Naturalmente, essas medições não eram neutras. Os cientistas brancos europeus naturalmente concluiram que as suas medidas eram as medidas do homem ideal e que as medidas dos homens que eles já oprimiam e exploravam nos trópicos eram as medidas dos homens involuídos que precisavam ser tutelados.

Antes de ser levada às últimas consequências pelos nazistas e então descreditada, a eugenia passou cem anos sendo amplamente aceita no ocidente.

Por exemplo, em “O Carbúnculo Azul“, Sherlock Holmes deduz que uma pessoa é intelectual somente pelo tamanho do seu crânio. Aqui, no Brasil do século XIX, fazíamos cálculos complexos de quantos imigrantes europeus teríamos que receber por ano para nos tornarmos um país branco até 1950 ou até o ano 2000.

Tudo isso parece muito legal e muito inócuo, até que os nazistas começaram a decidir quem era homem-superior e quem era escória-humana-pra-ser-exterminada com base nessas teorias, com base em quem tinha o nariz assim e o lóbulo da orelha assado.

Aí acabou a graça.

(Sobre eugenia, leia: “Eugenia, a biologia como farsa“.)

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Psicanálise freudiana e a busca pela fugidia sexualidade normal

Como pensar o século XX sem a psicanálise freudiana e a ideia de que existe um desenvolvimento psicossexual normal do ser humano? Não vou repisar aqui o terreno já bem carpinado por Foucault: o conceito de normalidade em psicanálise é uma das forças mais opressoras da humanidade em todos os tempos.

Pensem comigo: é relativamente fácil determinar qual é o funcionamento normal, ou seja, correto, adequado, de acordo com os parâmetros, de um rim ou de um coração e, consequentemente, saber quando um rim não está funcionando direito e precisa ser consertado, retificado, normalizado.

Mas como determinar o que é um estado mental normal? O que é uma sexualidade normal?

O que é um comportamento social normal?

(Sobre psicanálise e normalidade, gosto muito, muito mesmo, desse artigo: A patologização da normalidade. É verdade que, no fim da vida, Freud começou a fugir desse conceito de normalidade, como explicado em O normal e o patológico em Freud.)

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O normal daqui não é o normal dali

Se uma mulher leva um esporro do chefe e chora no meio do escritório, isso é visto como relativamente normal; afinal, mulheres são mais emotivas, mais sensíveis, blá blá. Se um funcionário homem chora depois da reprimenda, isso é muito mais grave, indica um distúrbio psicológico muito mais sério, essa pessoa está completamente sem controle emocional; afinal, homem não chora, blá blá.

Se um pai e um filho falam aos berros sempre no meio da rua, eles são uma família normal em Havana, onde todo mundo fala gritando pela rua, mas são elementos psicologicamente instáveis e perturbadores da ordem pública em Zurique, onde estão a um passo de ser forçosamente internados num hospícios pelos vizinhos.

Um homem branco que não consegue tolerar a ideia de usar um banheiro que foi usado por um negro é um cidadão normal na Atlanta de 1850 (aliás, na de 1950 também), mas tem uma patologia grave na Atlanta do ano 2000.

Ou seja, ao contrário do rim e do coração, nossos parâmetros de comportamento normal não podem ser separados de nossos preconceitos socialmente construídos, e que dependem do lugar e da época onde vivemos.

Chorar no escritório só nos parece mais grave e mais preocupante quando é um homem justamente por causa de nossas ideias pré-concebidas de como homens e mulheres devem se comportar no ambiente de trabalho.

Do mesmo modo, o comportamento normal em Havana é anormal em Zurique e, mais ainda, um comportamento sexual perfeitamente normal em 2012 poderia te levar preso em 1960, ou queimado em 1660.

Então, se o conceito de normal muda tanto, seja no tempo e no espaço, de um gênero para outro, de uma nacionalidade para outra, faz mesmo sentido falar em “normalidade”? Isso existe?

A normalidade serve pra alguma coisa?

(Um texto excelente sobre distúrbios psicológicos e conflitos culturais: “Do some cultures have their own ways of going mad?”)

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Os gays, esses anormais

Para não ir muito longe, durante décadas a ciência classificou a homossexualidade como uma perversão, uma doença, um distúrbio, uma condição anormal. Afinal, se o normal é homem gostar de mulher, então um homem que gosta de homem é anormal e o que é anormal tem que ser normatizado.

Foi só em 1973 que a Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). No Brasil, o Conselho Federal de Psicologia fez o mesmo somente em 1985, e apenas em 1999 afirmou categoricamente que

“a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”

e que os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e/ou cura da homossexualidade.

Enquanto isso, no ato em si, tudo permaneceu igual. Os gays hoje não enfiam pau no cu uns dos outros de maneira mais psicologicamente sadia e menos pervertida do que em 1960.

Foram só os tempos que mudaram. Ainda bem.

(Sobre a “anormalidade” dos gays, leia “Poder, anormalidade e homossexualidade: Aportes de Kinsey e Foucault“)

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A normalidade é tentadora, mas mortal

A ideia de normalidade nos parece muito natural, muito sedutora, muito “normal”. Várias vezes por dia, defendemos alguma coisa dizendo que “isso é que é o normal” ou criticamos algo dizendo que “isso não é normal”. Mas raramente pensamos como essa ideia é insidiosa, perversa, excludente, opressora, tirânica.

Afinal, todos também temos nosso lado anormal. Aquele lado que não podemos falar em voz alta. Que nos envergonha. Mas… E daí? Ser anormal é errado por definição?

Se quase todos os homens têm tesão em mulher mas alguns poucos homens têm tesão em homens, e daí? Por que isso seria errado somente por não ser “normal”? Por que não encarar com naturalidade nossas diferenças ao invés de tentar forçosamente enfiar o grosso da espécie humana em um entendimento estreito de normalidade que, por definição, exclui outros tantos infelizes? Quem gosta de uma coisa que pouca gente gosta é errado, estranho, anormal só por estar em minoria?

Poucas coisas são mais nocivas e perversas do que essa nossa ideia de “normal”. Quanto antes nos livrarmos dela, melhor.

Não pode ser normal vivermos assim oprimidos pelo normal.

(Muitas das observações acima são paráfrases do livro Enforcing Normalcy: Disability, Deafness, and the Body, de Lennard J. Davis, a partir de trechos selecionados pelo Fernando Serboncini.)

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Os encontros “As Prisões: Exercícios de Atenção”

Os próximos encontros “As Prisões: Exercícios de Atenção” acontecem no Rio, no domingo, 20 de maio, e depois em São Paulo, no domingo seguinte, 27.

São instalações artísticas, indefiníveis e improvisadas, onde exploramos os limites e as possibilidades de nossa atenção, de nossa generosidade, de nosso cuidado.

Um espaço de prática, sempre imprevisível, onde pessoas se juntam e se chacoalham, compartilham vivências e trocam histórias e, no processo, criam novos tipos de interação.

Um evento que só pode ser presencial pois foi criado para só poder ser presencial, justamente para fazermos aquilo que é impossível de ser feito através de textos.

Foi nesses encontros, realizados desde 2013 nas cinco regiões do Brasil, no contato energizante e polifônico com milhares de pessoas, que os Exercícios de Atenção foram sendo lentamente criados e aprimorados e são, até hoje, praticados.

Tudo o que faço é sempre fundamentalmente gratuito, e os encontros não seriam a exceção. Existe um preço sugerido mas paga quem quer, o quanto quiser.

Hoje, eu literalmente vivo da generosidade alheia: graças às pessoas mecenas, que me sustentam com suas contribuições, não preciso ganhar a vida. Então, o mínimo que posso fazer com essa vida que me foi dada ganha é passar adiante a generosidade: promovo esses encontros como um serviço para as pessoas que precisam dele.

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Somos o que fazemos

O que importa não é o que a gente sente, pensa, acha, mas o que a gente faz.

Por trás de tudo o que escrevo, de tudo o que penso, de tudo o que faço, está essa mesma afirmação, comprovada por tudo que já observei entre seres humanos.

Naturalmente, essa simples afirmação gera reações extremadas.

Mas, depois de anos e anos de pessoas contraargumentando, ninguém ainda conseguiu me mostrar nenhum pensamento, emoção, sentimento que tivesse tido qualquer impacto no mundo, na realidade, na existência a não ser através de ações, gestos, palavras.

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Zap

Abriu o celular e se deparou com 33 áudios da pessoa-com-quem-estava-namorando.

Respondeu: “Amor, ainda não ouvi. Quer que ouça ou prefere que apague sem ouvir? Espero sua resposta.”

E veio: “Apaga tudo e não se fala mais nisso.”

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Faltiel, filho de Laís, marido de Micol

A Bíblia é meu livro preferido. A história de Faltiel é um dos motivos.

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crítica construtiva

escuto muito:

“ah, eu gosto de ser criticada, mas só se for crítica construtiva, né?”

e eu acredito, ô, de verdade, acredito.

o problema é: como definir “crítica construtiva”?

na minha experiência de quase meio século de ouvir e observar humanos, a maioria das pessoas define “crítica construtiva” assim:

“aquelas criticas que eu faço, com todo o amor e carinho, e as ingratas defensivas rejeitam.”

já crítica negativa, obviamente, são

“aquelas que as invejosas fazem de mim, cheias de maldade, sem nunca tentar entender minhas verdadeiras razões.”

difícil é encontrar crítica construtiva vindo e crítica negativa indo.

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a beleza e o caos: uma carta de amor

ontem, fui à praia sozinho.

pensei: mesmo nos piores momentos, mesmo quando estou mais triste, mesmo quando parece que não tenho nada, eu sempre tenho a praia, meu patrimônio, minha herança, para usar quando quiser.

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As gratuidades e as visitas não são detalhes

Duas práticas que não são detalhes fortuitos ou idiossincráticos, e sim parte integrante do projeto artístico que venho desenvolvendo durante toda a minha vida:

1. Tudo o que produzo é sempre fundamentalmente gratuito.

2. Todos os dias, estou disponível para receber visitas de quaisquer pessoas.

Com o objetivo de:

a. Quebrar o paradigma consumista que transforma qualquer obra em produto pronto para ser empacotado e vendido;

b. Promover uma maior conexão humana verdadeira, significativa, presencial.

Sem isso, seria mais digno largar essa merda de “ser artista” e ir fazer qualquer outra coisa.

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Visitação:
alexcastro.com.br/visitacao

Gratuidades:
alexcastro.com.br/gratuidades

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O que a vida dos outros nos ensina

Só temos uma única vida para apostar na roleta dos nossos sonhos. As nossas dores e alegrias só quem vai sentir somos nós.

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Karine odiava seu emprego.

Não podia largá-lo, dizia ela, porque era o único jeito de pagar o caríssimo aluguel de seu apartamento.

E eu perguntei:

“Por que você mora nesse apartamento específico e não em outro?”

“Porque é perto do trabalho.”

* * *

Conheço duas pessoas que decidiram “largar tudo”, se arrependeram amargamente… e “pegaram tudo” de novo.

Um moço percebeu que dava pra curtir Ubatuba muito mais veraneando lá enquanto diretor de criação de agência na Vila Madalena do que como ajudante em escuna para turista, aturando belgas bêbados todos os dias.

Uma moça percebeu que dava para curtir literatura muito mais sendo engenheira em multinacional e lendo Clarice Lispector a noite toda do que estudando Letras e sobrevivendo às custas de traduções e revisões.

Por outro lado, conheço várias e várias outras pessoas que largaram tudo e não se arrependeram.

Ou vai ver se convenceram que não tinham se arrependido, porque não tinha mais volta.

* * *

As lições das vidas de outras pessoas podem ser interessantes, podem ampliar nossos horizontes e indicar caminhos, mas têm utilidade limitada.

A decisão que se provou a mais acertada para Pedro foi a mesma que fudeu a vida de Paulo.

E aí?

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Como ensino Literatura

Uma aula de literatura é a aula mais democrática que existe.

Pela própria natureza da disciplina, não se trata de uma aula onde você tem uma mestra lá em cima magnanimamente distribuindo conhecimento e um grupo de pessoas alunas lá embaixo sorvendo tudo silenciosamente. Comparado com uma professora de História ou Química, tenho de fato muito pouco pra ensinar. Minha leitura de qualquer obra literária vale tanto quanto a de qualquer aluna.

A principal força-motriz que me arrasta pra sala de aula é a curiosidade sincera de saber o que as alunas vão falar sobre aquela obra que estamos lendo. Quase um terapeuta freudiano, eu estou em sala mais pra ouvir e guiar a discussão (e iluminar aqui e ali) do que de fato pra falar.

Em ordem decrescente de importância, eis aqui as minhas tarefas como professor de literatura:

1) Iluminar tudo o que já estaria iluminado para uma leitora contemporânea da obra. Pela distância temporal e espacial, muitas vezes a leitora não sabe coisas que o texto não diz porque presume que seriam óbvias. (Por isso, é impossível estudar literatura sem contextualizar a obra em sua cultura e época.)

2) Ensinar um certo tipo de raciocínio literário, como abordar a obra, como lhe fazer perguntas, como formular hipóteses, como ler as entrelinhas, etc, técnicas que são úteis por toda a vida.

3) Corrigir as hipóteses mais absurdas, que em geral estão erradas ou por anacronismo ou ignorância cultural (ver 1), ou por não estarem baseadas em evidências textuais (ver 2).

4) Conhecer a fortuna crítica para poder oferecer às pessoas alunas outras interpretações e leituras daquela obra ao longo dos anos e em outras culturas e, assim, enriquecer a discussão e estimular o debate.

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Prioridades, prioridades

Nossas ações revelam nossas prioridades.

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O Uber, a exploração, o livre-arbítrio

Devemos usar o Uber? As motoristas do Uber estão sendo exploradas? Temos efetivamente livre-arbítrio?

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Como começar a ler uma pessoa autora

Variação de comentário que escuto com frequência:

“Não sei o que o povo vê na Clarice/Guimarães Rosa/Machado/etc. Eu li e achei super chato!”

E respondo:

“Poxa, que incrível. São alguns dos maiores autores de todos os tempos. O que você leu dele?”

Perto do Coração Selvagem/Tutaméia/Helena/etc.”

“Ah, tá explicado.”

Existem obras e obras.

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Como lidar com pessoas-na-fúria

Na medida do possível, tento nunca interagir com pessoas-que-estão-na-fúria.

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O que significa ser um país livre?

Há muito tempo atrás, quando eu ensinava Cultura Brasileira em uma universidade norte-americana, parte da aula incluía explicar como funcionava nosso sistema político.

E comentei que, apesar do mito local de que “os Estados Unidos eram a nação mais livre do mundo”, a partir de um certo nível de liberdade, todas as nações livres eram igualmente livres.

A Austrália é mais livre que a França? A Argentina que o Japão?

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O que é raça?

“Alex, você se acha branco? Negro? Qual é a sua raça?”

Respondo que não me acho nada.

Na maior parte do Brasil, acham que sou branco. No sul, acham que sou negro, mulato. Nos Estados Unidos, acham que sou latino ou hispânico. Na Europa, acham que sou árabe.

Então, o que eu sou depende de onde estou e de quem vê.

O que importa é que, no Sudeste do Brasil, sou tratado como pessoa branca e, por isso, desfruto dos privilégios outorgados às pessoas brancas. Nos Estados Unidos, sou tratado como pessoa latina/hispânica e, por isso, compartilho do tratamento preconceituoso que essa cultura dispensa às pessoas latinas/hispânicas, etc.

E eu, o que eu sou?

Dado que raça, biologicamente falando, de fato, no gene, no DNA, não existe…

Dado que raça é um fenômeno totalmente político, cultural, social, econômico…

Então, eu sou rigorosamente tão branco quanto sou negro, tão hispânico quanto sou árabe.

Não existe isso de “ser uma pessoa branca”, mas existe, e é bem real, ser tratada, vista, percebida e, principalmente, valorizada como pessoa branca.

“Ser uma pessoa branca” é uma ilusão biológica. “Ser tratada como uma pessoa branca” é uma realidade social, politica, econômica.

Então, a resposta é que eu não me acho nada.

Na cidade onde nasci, cresci e moro, no Rio de Janeiro, sou percebido como branco e desfruto dos privilégios de branco.

Então, na prática, para todos os fins e efeitos, sou branco.

Mas se você me pergunta se eu me acho branco, a minha única resposta precisa e sincera é que não me acho nada.

O discurso essencialista (“sou X”) muitas vezes é somente uma tática conservadora para desviar a discussão da realidade como ela é: o que importa é como somos tratadas, tanto na entrevista de emprego quanto na blitz policial, nessa nossa sociedade tão incrivelmente racista.

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Toda caneca já está quebrada

Foi bom enquanto durou. Tudo é bom enquanto dura. Nada dura.

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O privilégio de ouvir histórias de horror

Ouvir histórias de horror — ao invés de vivê-las — é um baita privilégio.

Não passa um dia sem que eu escute não uma, não duas, mas várias mulheres pedindo ajuda, chorando dores, compartilhando agressões: violências sempre cometidas por homens.

E tem muito, muito pouco que eu possa fazer além de ouvir, abraçar, acolher.

Com o tempo, as histórias de horror vão pesando na minha alma.

Sempre que tenho vontade de puxar a tomada, desligar tudo, sair do Facebook, parar de ler os emails desesperados, penso que o simples fato de eu poder fazer tudo isso é um baita privilégio masculino.

As mulheres que sofrem essas violências que me pesam na alma não têm como desligar o mundo que as oprime.

Então, engulo o meu desespero e vou ver o que posso fazer pra ajudar.

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Quanto custa não pagar contas?

Diz a imagem que ficar adulto é como se perder da mãe no supermercado… pra sempre.

Eu diria que as pessoas que hoje preferem ser adultas são justamente aquelas que aproveitavam o supermercado para fugir da mãe.

Ser criança é querer se perder da mãe no supermercado…. e algum filho duma égua sempre te trazer de volta.

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Todo dia, vejo pessoas reclamando das suas contas a pagar.

E penso que devo ser mesmo todo ao contrário.

Porque eu lembro bem da época em que eu não tinha nenhuma conta no meu nome. Da época em que eu também não tinha nenhuma autonomia sobre meu corpo, minha vida, minha privacidade. Da época em que eu também não tinha nenhuma independência de ir e vir, de decidir o que fazer com meu tempo. Da época em que eu não também não tinha nenhuma liberdade de viajar quando desse vontade, de abrir uma empresa, de casar com a pessoa que eu amava.

Então, cada novo boleto que entra por debaixo da minha porta é um lembrete de que essa época acabou, uma afirmação de que sou uma pessoa humana adulta, uma verdadeira celebração da minha autonomia, da minha independência, da minha liberdade.

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A opressão da higiene

Por que acreditamos em quem nos chama de fedidas e então nos vende sabonete?

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