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O que um perde, outro acha

Moro em Copacabana, em um prédio de dez andares, quarenta quitinetes por andar. Essa é uma de suas histórias.

copacabana

(Sempre quero saber sua opinião sobre meus textos. Se está recebendo por email, basta responder. Se está no site, pode comentar. Além disso, compartilhar nas redes sociais é um favor que você me faz: alexcastro.com.br/o-que-um-perde-outro-acha)

* * *

Quatro pessoas esperando o elevador. Uma senhora com criança, um punk, e eu. A senhora está desesperada:

“Ai meu Deus! Como isso foi acontecer logo comigo? Quatrocentos reais!”

A criança tenta falar algo, e ela nem escuta:

“Não adianta. Ninguém vai devolver. Quem é que devolve alguma coisa nesse cidade?”

Eu pergunto:

“A senhora está bem? Posso ajudar em alguma coisa?”

“Tinha acabado de receber do pessoal da temporada, moço. Quatrocentos! Coloquei aqui no bolso de trás, e quando fui ver, sumiu.”

“Será que não bateram na rua?”

“Não, foi agorinha. Caiu aqui no prédio mesmo. Em notas de cinquenta. Mas não tem jeito, não tem jeito. Ah, não acredito!”

O elevador chega no andar. Enquanto vai saindo, o punk fala pela primeira vez, em tom carinhoso e com forte sotaque argentino:

“Agora é torcer para acabar nas mãos de quem precisa.”

A senhora sai sem dizer nada. Talvez não tenha ouvido. Talvez achou que não valia a pena responder. Talvez até considerou impertinente.

E ele, imperturbável, para mim:

“Difícil devolver dinheiro, né? Não tem nome. Então, sempre penso: Deus vai colocar esse dinheiro na mão de quem precisa.”

E continuamos subindo e subindo.

* * *

Imersão do Sudeste quase lotando

A imersão As Prisões: Exercícios de Atenção do Sudeste acontece daqui a duas semanas e já está quase lotada.

O evento acontece em local paradisíaco: a Pousada da Fazenda Sítio Velho, em Areias, SP, bem no meio do caminho entre as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.

(Além disso, é a melhor comida de todos os tempos: espero o ano inteiro para voltar pra lá.)

Abaixo, algumas dúvidas que surgem:

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Não posso pagar tudo de uma vez, e agora?

O valor do evento em si dá pra parcelar pelo PagSeguro. O valor da hospedagem e alimentação é metade agora e a outra metade só no dia.

* * *

Não tenho dinheiro, e agora?

Não posso fazer caridade com o bolso dos outros, então, você vai ter que pagar a hospedagem e a alimentação. Mas pode não pagar a minha parte, se quiser. Fala comigo.

* * *

Não tenho como chegar lá, e agora?

Em todas as imersões, nunca ninguém deixou de ir por falta de transporte. Sempre temos muitas pessoas-com-carro, e elas sempre conseguem trazer todas as pessoas-sem-carro. Pode ficar tranquila.

* * *

Moro longe e vou ter que pegar avião, e agora?

Basta você chegar no Rio ou SP até sexta feira de manhã, e a gente te arruma uma carona fácil. Marque see voo/ônibus de saída para a noite de domingo, ou manhã de segunda.

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Para se inscrever e saber mais, visite minha página de encontros.

O valor de uma artista

Amiga pintora, em crise de insegurança, me pergunta se já senti que eu, como artista, não tenho valor.

Respondi que essa me parece uma questão completamente irrelevante, que só faz sentido a partir de um ponto de vista egoico, vaidoso, narcissista.

Prefiro me perguntar: “Estou dando o meu melhor?”

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Quanto custa nosso perdão?

Por que vendemos nosso perdão tão caro?

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O lado em que a corda arrebenta

Rio de Janeiro, 1878. O preto Ciríaco, acusado de assassinato e julgado como escravo, é condenado a cinquenta açoites e a “conduzir ao pescoço um ferro por espaço de um mês”.

Entretanto, até o final do julgamento, seu “dono” ainda não conseguira produzir a papelada necessária para comprovar seu status de cativo, e a magnânima lei brasileira tinha por princípio sempre errar em prol da liberdade. Ou seja, na ausência de prova da escravidão, Ciríaco foi considerado livre.

Como homem livre, a pena para assassinato era de vinte anos de trabalhos forçados nas galés.

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Carma

“Alex, como pode uma pessoa como você, agnóstica e cética, “acreditar” em carma?”

Não acho que carma seja algo em que eu “acredito” (realmente não acredito em nada) mas meu entendimento de carma é o seguinte, a partir de uma perspectiva budista secular.

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Título chamativo para atrair o leitor

Frase impactante para resumir a premissa e abrir o texto.

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Celebridade segurando nosso produto:

“Fiquei famoso fazendo algo que nada tem a ver com esse produto. Hoje, sou rico demais para consumir um produto desses. Mas você não. Compre esse produto!”

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Pessoas lindas, consumindo nosso produto e se divertindo. Deve haver alguma relação. Compre nosso produto.

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Uma pessoa milionária, que se enquadra no padrão arbitrário de beleza que inventamos, segurando nosso produto. Você pode se enquadrar no nosso padrão arbitrário de beleza também. Compre nosso produto.

* * *

Você fede. Compre nosso sabonete.

* * *

Pessoas magras e de dentes perfeitos, alegres e saciadas, comendo nosso produto alimentício. Close-up de um modelo em isopor do produto. Você está com fome. Tem uma franquia perto de você. Fome. Compre nosso produto.

* * *

Um texto descaralhante e matador em um site descolado. Logotipo piscante da nossa marca antes, depois e em volta do texto. Existe uma relação tênue entre o texto e o produto. Compre nosso produto.

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Um monge budista de pernas cruzadas. Uma paisagem calma. Uma música suave. Você não é como esses consumistas desenfreados por aí. Você é diferente. Você é melhor que eles. Nosso produto é pra você. Compre nosso produto.

* * *

Seja você mesmo. Torne-se mais um entre milhões de consumidores de nossa marca. Afirme sua individualidade. Compre nosso produto.

* * *

Uma frase final só para amarrar o texto.

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Um pedido para as pessoas curtirem página, compartilharem post, seguirem perfil.

A escolha de ser artista

Fez diferença? Valeu a pena? Alguém percebeu?

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Eclesiástico, de Jesus ben Sirá

“O que sabe aquele que não foi tentado?”

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O Eclesiástico é o livro mais recente do Antigo Testamento e o único cujo autor conhecemos. Ele foi escrito pelo sábio e escriba Jesus ben Sirá, por volta de 180 antes da Era Comum, em hebraico e provavelmente em Jerusalém. » leia o texto completo «

A marca do bom relacionamento

Relacionamento bem-sucedido é aquele onde gosto da pessoa que eu sou quando estou com a outra pessoa.

O pior relacionamento é aquele que me transforma em alguém que não quero ser.

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História da minha rua

me deu vontade de escrever sobre a minha rua.

todo mundo tem a sua rua. essa é a minha.

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Saneamento básico

Carnaval em Copacabana: banheiros químicos, foliões bêbados, muito glitter.

Vindo em minha direção, duas meninas. A mais nova repara em algo na calçada, faz cara de nojo, puxa a amiga pra não pisar. Cruzam por mim e escuto, pingando desprezo:

“Era de gente.”

Não temos como calar o mundo

Por todos os lados, vejo pessoas mudando suas vidas, abdicando de seus sonhos, se virando ao avesso, só porque não aguentam mais os constantes comentários, críticas, questionamentos de parentes, colegas, amigas.

Mas talvez exista uma maneira diferente de encarar a questão.

A Autoridade, e todos os seus representantes, sempre tentarão determinar nossa conduta, mandar em nossa vida, julgar nossas escolhas. Não há nada que possamos fazer para calar suas vozes.

Assim como o lado bom da publicidade é que o capitalismo ainda não pode nos obrigar a consumir, esses comentários invasivos e violentos significam que estamos de fato vivendo a vida que gostaríamos de viver.

Quando o pai do ator de teatro infantil critica as escolhas profissionais do filho, este sempre pode pensar, satisfeito e aliviado:

“Sim, estou ouvindo isso, mas hoje sou ator de teatro infantil como eu sempre quis. Pior seria que tivesse feito Direito, como papai mandou, e hoje estaria ouvindo igual, por alguma outra coisa qualquer, por trabalhar no escritório errado ou por ter perdido uma causa, mas nunca teria realizado meu sonho de ser ator de teatro infantil.”

Como não existe a possibilidade de calarmos o mundo, nossa melhor hipótese possível é fazermos o que quisermos de nossas vidas e que o Mundo fale o que quiser.

* * *

Trechinho da Prisão Obediência. Leia o texto completo.

Imersão do Nordeste, novas vagas

O azar de umas pessoas é a sorte de outras.

A Imersão “As Prisões: Exercícios de Atenção” em Aldeia, PE (16-18mar2018) estava lotada há várias semanas.

Agora, entretanto, um grupo teve que cancelar sua participação e abrimos cinco novas vagas.

Vão ser de quem pegar primeiro.

Em 2018, estou dedicado a terminar de escrever O Livro das Prisões, então realmente não tenho previsão nem de volta ao Nordeste, nem de fazer novos eventos.

O evento custa R$400 (mais hospedagem e refeições) e você paga pelo PagSeguro, via cartão ou boleto, podendo parcelar em muitas vezes.

(Dá pra vir de graça, ou pagando menos: fale comigo.)

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Porque Freud errou

há tempos eu procurava um bom livro que mostrasse o outro lado das polêmicas freudianas.

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Alex Castro no Twitter

O handle @outrofobia ficou disponível e aproveitei pra recuperar.

Vou postar links interessantes e novos textos.

Segue lá.

As conversas dos outros

Escritor”, “jornalista”, “dramaturgo”, etc, são todas palavras bonitas e prestigiosas para descrever uma mesma coisa: a categoria das fofoqueiras profissionais.

Eu, por exemplo, adoro a evasão de privacidade do mundo atual. Já adorava antes, quando as pessoas falavam em altos brados no celular em lugares públicos, e continuo amando agora, quando fazem o mesmo por áudio de Whatsapp.

Quem precisa de livros e iTralhas quando tenho à minha disposição um ônibus inteiro de dramas humanos? (Quase sempre escolho meu lugar pensando quem parece ter fofocas mais interessantes.)

Mas sabe qual é a parte mais estranha desse fenômeno?

É quando eu demonstro visivelmente que parei de ler meu livro para acompanhar a conversa que está acontecendo a 30 cm do meu ouvido…

…e a pessoa, até então bradando suas intimidades a plenos pulmões, fica incomodada de ver que estou prestando atenção àqueles sons que não tenho como fisicamente não ouvir.

Amiga, vamos combinar: se não reclamo de você descrever sua cirurgia de bócio enquanto tento comer, você não reclama de eu ouvir tudo e tomar notas.

* * *

Me ocorreu agora que muitas leitoras provavelmente pensarão que estou sendo irônico.

Não apenas não estou (enfaticamente não estou!), como não entendo como as pessoas podem não gostar de ouvir conversas alheias em lugares públicos. Só Deus sabe quantas vezes já passei do ponto pra continuar ouvindo uma fofoca da boa. Esse mês, estou lendo Guerra e Paz, de Tolstoi: são 2.500 páginas e 600 personagens. O que é isso senão fofoca num nível mega-uber-hard?

Para mim, certamente por ser um fofoqueiro profissional por toda a minha vida, nada pode ser mais fascinante do que essas sete bilhões de personagens únicas e fascinantes que dividem conosco essa pedra. Meu interesse por saber mais de suas vidas, dramas, dores, alegrias, é simplesmente insaciável.

Nada, nada, nada pode ser mais interessante que isso.

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Pequeno conto de metaterror

Eram umas três e quinze quando liguei para Gláucia. Ela atendeu meio grogue, alô?, hã?, quem é? Respondi: sou eu, Alex, te acordei? Sim, tava tirando um cochilo, o remédio me derrubou. Bem, são três e quinze, eu liguei mesmo só pra saber se você tinha melhorado, se estava bem. Estou, estou sim, já melhorei, só estou com soooono!, e bocejou. Achei melhor deixá-la dormir e disse: então tá, era só isso que eu queria saber, vai cochilar, a gente se fala direito mais tarde.

Na verdade, só de ouvi-la bocejar também peguei sono e decidi me deitar um pouquinho. Quando acordei, já noite alta, tinha uma mensagem piscando na minha secretária eletrônica. Oi Alex, aqui é a Gláucia, são oito da noite. Você me ligou hoje à tarde? Lá pelas três e quinze? Eu tava tão sonada que nem me lembro. Acho que sonhei que você tinha me ligado. Foi você mesmo ou foi delírio da febre? De qualquer modo, estou ok. Depois me liga.

E eu pensei que aquilo, de algum modo, poderia dar um bom argumento de história de terror. Imagina se ela acorda assim, sem saber se falou comigo ou não, deixa esse recado na secretária eletrônica, e depois descobre: sinto muito, Gláucia, ninguém te contou?, o Alex faleceu, ninguém entendeu nada, tudo tão súbito, teve um piripaque e caiu com a cara na sopa. Às três e quinze, nunca vou esquecer, meu filhinho! Oh, mas eu falei com ele hoje às três e quinze. Será que foi mesmo sonho? Ou será que há mais coisas entre o céu e a terra do que desconfia nossa vã filosofia?

Ri comigo mesmo e liguei pra ela pra contar a historinha. Gláucia era tão mórbida quanto eu, iria achar a maior graça. Ninguém atendeu em sua casa, caiu direto na sua secretária eletrônica, uma gravação estranha, com a voz do seu irmão: a família deseja agradecer a todos pelas manifestações de apoio. Desculpem não atendermos o telefone, ainda estamos em choque. A Gláucia teve uma piora súbita da febre, foi internada e acabou falecendo de infecção generalizada hoje à tarde, às três e quinze. O velório será etc. Por favor, não mandem flores.

Coloquei o telefone no gancho horrorizado, ainda tentando digerir aquilo tudo, poderia ser verdade? Gláucia, morta? E antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, o telefone voltou a tocar, dei mais dois passos para trás, não queria falar com ninguém, mas minha mãe entrou no quarto e atendeu:

Alô, é a mãe dele. Obrigada. Sim, hoje à tarde. Às três e quinze. Não sabemos. Os médicos não conseguiram explicar o que houve. Só sei que perdi meu filho! Meu pobre Alex!

Etc ad eternum ad nauseum para sempre.

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Meus textos, minha vida

Peço opiniões sobre meus textos e as pessoas respondem com opiniões sobre minha vida.

Acontece com tanta frequência que parece que são fáceis de confundir. Entretanto, não poderiam ser mais diferentes:

Um texto (ou qualquer obra de arte) é um ato de vontade criador cuja razão de ser é seu encontro com um público que vai consumi-lo e julgá-lo.

(Daí eu querer opiniões sobre meus textos.)

Já uma vida somente é. Ela se basta por si e não precisa de justificativa nem objetivo, especialmente não ser consumida ou julgada por ninguém.

(Daí eu não querer opiniões sobre minha vida.)

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Miss Tomate de Paty do Alferes, 1953

Dona Albertina anda sempre maquiada, penteado bem armado, cabelos tingidos de louro, brincos balançantes. Nos pés, sandálias abertas revelam dedos entrevados mas com a pedicure perfeita.

Anda devagar. Corpo muito ereto. Cada passo é um esforço. No mínimo, uma decisão. Ela decide dar um passo. Depois, decide dar o seguinte. Um de cada vez. Devagar. Com fraqueza mas com segurança. Devagar e sempre.

Em casa, investe toda uma manhã em se arrumar, dizendo para o espelho: até parece que vou sair descabelada que nem essas velhas loucas!, jamais!, logo eu! Quem ganhou a maratona de dança do Copacabana Palace em 1947 não vai sem rouge até o Posto Seis, não, senhora!

Dona Albertina já não consegue mais se arrumar na mesma velocidade de antigamente. Mas seu marido morreu e seus filhos cresceram: ela tem tempo.

A ida à padaria é a parte mais importante do seu dia.

Para encontrar os vizinhos. Para sentir o cheiro de maresia. Para conversar com os cachorros do quarteirão. Para ver e ser vista. Para mostrar que ainda não está morta. Para celebrar que está viva. Para afirmar que é linda! Linda!

E assim, entrevada e vagarosa, a eterna Miss Tomate 1953 (aclamada por unanimidade pelo júri do festival do tomate de Paty do Alferes!) vai até a padaria comprar duas cavacas com recheio de goiabada. Que o seu Manuel já se ofereceu diversas vezes para entregar em casa, de graça, para a senhora não ter esse trabalhão, Dona Albertina!

Mas seu Manuel não entende nada.

Critérios para dar entrevistas

Quem um escritor de ficção “realmente é” se não a soma de todas as histórias mentirosas que contou ao longo de toda uma vida de trabalho?

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