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a importância das chaves

na minha rua, tem um chaveiro.

quando ele sai para atender alguém, deixa o quiosque aberto, como se tivesse ido só ali na esquina, mas ainda de olho, já voltando.

as pessoas aparecem para contratá-lo, veem tudo aberto e olham em volta — ele deve estar vindo, não?

mas ninguém chega.

aí perguntam pro garçom do boteco em frente:

“cadê o chaveiro?”

“deve estar atendendo alguém.”

“mas deixou tudo assim aberto e destrancado?! o chaveiro?”

“pra senhora ver!”

as quase-clientes bufam as ventas, circundam o quiosque, batem o pé: não sabem se ficam ou se saem, se guardam o forte ou se quebram tudo. acabam sempre indo embora, frustradas. onde já se viu!?

daqui a pouco, o chaveiro volta, senta lá dentro e espera, plácido, como um mestre zen dentro do seu koan, ensinando uma lição que ninguém compreende.

 

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bio de alex castro

alex castro é o espírito que tudo nega, a carne que sempre afirma.

não existe artista charlatão, existe mau artista

de vez em quando me perguntam:

“alex, você não acha que fulano é um charlatão?”

e respondo:

“como assim charlatão? você está me perguntando se ele é um fingidor, se está fingindo ser artista? mas faz sentido uma pergunta que já sugere um julgamento de valor NÃO sobre a produção artística da pessoa mas sobre suas intenções, sobre sua essência? como eu vou saber se ele é charlatão ou não? não é mais fácil, mais justo, mais objetivo simplesmente julgarmos o valor da obra que essa pessoa de fato produziu?”

* * *

por que esse discurso só existe nas artes plásticas e na literatura?

muita gente não gosta de jorge vercilo, mas ninguém diz que ele não é músico, que não é cantor, que é um charlatão, que é um fingidor.

entretanto, muitas das mesmas pessoas, para criticar um romero britto ou um paulo coelho, imediatamente lhes cassam a carteirinha de artista:

“esse aí é um charlatão!”

* * *

a obra de qualquer artista está no mundo para ser usufruída e avaliada.

mas uma coisa é considerar que fulano é um mau artista porque sua obra tem esses e aqueles problemas.

outra coisa, bem diferente, é nos darmos ao direito e à autoridade de afirmar categoricamente que fulano não é artista.

existem mil maneiras válidas de se criticar o trabalho de um artista. cassar sua carteirinha de artista é a pior delas.

chickenartist (1)

 

não sinta culpa por me ler de graça

os meus textos estão na internet para serem lidos, gratuitamente, por quem quiser, gostar, precisar.

quando um pastor pede por contribuições, existe uma ameaça implícita de que você pode ir para o inferno se não pagar.

quando eu peço por contribuições, não existe ameaça implícita alguma: se você não pagar, nada de mal vai acontecer, nem com você, nem comigo. (eu não te conheço e, se te conhecesse, não pensaria menos de você.)

sim, eu preciso das contribuições das minhas pessoas mecenas.

não tenho renda garantida nem emprego fixo. sem as mecenas, eu seria forçado a correr atrás de frilas, traduções, revisões, e acabaria escrevendo menos.

mas não seria o fim do mundo. e, mais importante, não é seu problema.

existem vários motivos para se tornar mecenas.

aceito sua generosidade altruísta em retribuição aos textos que leu de graça.

aceito seu autointeresse egoísta em possibilitar a produção de novos textos.

dispenso sua culpa.

adote o artista não deixe ele virar professor

(para contribuir e se tornar mecenas, clique aqui.)

receber todos, procurar ninguém

aos 12 anos, decidi que seria escritor.

não apenas escritor, mas escritor de ficção.

ou seja, artista.

para mim, artista era aquela pessoa que, ao mesmo tempo em que se colocava à disposição de seu público, com a generosidade e com a abertura de receber muito bem a todas as pessoas que a procuravam, também era autônoma e autossuficiente: quando não era procurada por ninguém, aproveitava para mergulhar na criação e na produção de seus muitos projetos.

hoje, percebo que vivi os últimos trinta anos assim:

nunca procurando ninguém, buscando sempre receber bem quem me procura.

continua sendo o meu mantra.

continuo aberto à visitação.

* * *

se meus textos tiveram impacto em você, se usa meus argumentos para ganhar discussões, se minhas ideias adicionaram valor à sua vida, por favor, considere fazer uma contribuição do tamanho desse valor.

assim, você estará me dando a possibilidade de criar novos textos, produzir novos argumentos, inventar novas ideias.

e que machado te abençoe.

mecenato eu dei

torne-se mecenas.

caminhada do privilégio

a caminhada do privilégio é um exercício para tornar mais visível e mais palpável a distribuição desigual de privilégios em nossa sociedade.

o exercício começa com um grupo de pessoas, de pé, lado a lado. em seguida, são feitas perguntas relativas aos seus privilégios. dependendo de quais privilégios tiveram acesso, as pessoas dão passos à frente ou atrás.

nos meus encontros, tenho realizado uma versão brasileira desse exercício. quando possível, faço a atividade em uma escada ou ladeira, para que o resultado fique ainda mais graficamente concreto.

o vídeo abaixo ilustra bem o processo:

caminhada do privilégio, vídeo.

caminhada do privilégio, vídeo.

as pessoas que vêm aos meus encontros já são todas, em larga medida, bastante privilegiadas. mesmo assim, ao final do exercício, aquele grupo de pessoas privilegiadas que começou ombro a ombro está todo espalhado.

uma ilustração concreta das distâncias que nos separam.

abaixo, algumas das perguntas que faço, sempre em constante mutação.

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quem tem medo de virar pária social?

as pessoas me falam:

“se eu fizer isso vou virar uma pária social!”

como se fosse uma coisa ruim!

mas “virar uma pária social” significa que pessoas chatas vão parar de….

…me chamar pra fazer coisas que não quero fazer;

…esperar que eu me comporte como elas;

…dar pitaco em minha vida;

…projetar em mim suas expectativas insensatas.

ou seja, “virar pária social” não é o problema: é o final feliz.

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entropia

meus melhores textos sobre morte e entropia.
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seres inexistentes

se tudo acaba, se até mesmo o sol vai acabar, por que seria justamente eu a não acabar nunca?

por que eu seria tão importante assim?

aliás, por que a questão da minha existência seria minimamente importante?

por que eu deixar de existir é mais ou menos dramático do que um coelho deixar de existir?

passei a existir no momento no tempo que convencionamos chamar de 1974 mas, antes disso, eu não-existi por um período literalmente infinito.

e não foi ruim. não doeu. não foi desagradável.

muito em breve, voltarei a não-existir por um período infinito de tempo.

se não era ruim antes, por que seria ruim depois?

por que ter medo de voltar a um estado que já experimentei e que não foi ruim?

considerando o tempo que passamos existindo e o tempo que passamos não-existindo, nosso estado natural é a não-existência.

existir seria apenas um breve soluço, um glitch, um bug, dentro de uma perfeita, plena e eterna condição de não-existir.

somos todos seres inexistentes que, por um acaso, existem.

mas não por muito tempo.
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fausto, de goethe

notas de leitura sobre o fausto, de goethe.

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fausto, obra-prima da vida de goethe, talvez maior nome da literatura alemã, escrito ao longo de sessenta anos, é a história do homem que vende sua alma ao diabo — nesse caso, mefistófeles.

em seu afã criador e aperfeiçoador, tentando adaptar o mundo a si mesmo, fausto é a própria encarnação do capitalismo, destruindo tudo o que toca.

as duas histórias mais conhecidas são, com justiça, os pontos altos do poema: a “tragédia de gretchen”, na primeira parte, e a “tragédia do colonizador”, ou “colônia de fausto”, no quinto ato da segunda parte.

(filemon e baucis, na primeira cena do quinto ato da segunda parte, são os protótipos daquilo que hoje se tornou lugar-comum: o bondoso casal de velhinhos cuja única função narrativa é ser trucidado e estabelecer além de qualquer dúvida a malvadeza do vilão.)

faust goethe by harry clarke (2)

o poema busca abraçar o mundo, a experiência humana e todo o conhecimento literário e filosófico, teológico e científico da humanidade até então.

ou seja, é tão amplo e descomunal e ambicioso e genial quanto o homem que se dedicou a escrevê-lo.

na verdade, que projeto poderia ser mais literalmente fáustico do que passar sessenta anos escrevendo o fausto?

talvez fosse o final perfeito para um poema tão metalinguístico: fausto, quando fracassa seu projeto colonizador, em vez de morrer, senta-se para começar a escrever o poema que estamos lendo.

faust goethe by harry clarke (13)

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por quem choram as carpideiras de stalin

funeral kim jong-il 2011 (2)

quando stalin morreu, as próprias pessoas que ele tiranizou durante décadas, que tiveram entes queridos mortos pelo ditador, foram às ruas, trincando os cabelos e arrancando os dentes, numa dor intensa, num luto desesperado.

muita gente do lado de cá da cortina de ferro não entendeu, acharam que elas talvez estivessem sendo vigiadas, que fingiam o luto para não serem perseguidas pela kgb, etc.

funeral kim jong-il 2011 (1)

mas a questão não é de afeto, é de grandeza:

se até uma figura tão sobre-humana pode morrer…

então, que chance EU tenho?
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olha-me, e olha-te bem

epitáfio de gil vicente, um dos grandes escritores da nossa língua, reinventor do teatro:

sepultura gil vicente

O grão juízo esperando,
jazo aqui, nesta morada
também da vida cansada,
descansando.

Pergunta-me quem fui eu,
atenta bem para mi,
porque tal fui, como a ti,
e tal hás de ser como eu.

E pois, tudo a isto vem,
ó leitor de meu conselho
toma-me por teu espelho,
olha-me, e olha-te bem.

a certeza da incerteza

eu sei que várias certezas que já tive estavam erradas.

eu presumo que, das certezas atuais, muitas estão igualmente erradas.

por que então tenho tanta certeza de que as minhas certezas de hoje, essas sim, são as realmente certas?

* * *

talvez seja o meu maior desafio pessoal:

antes de falar, antes de agir, antes de escrever…

tentar internalizar, absorver, corporificar essa certeza:

que a única certeza que realmente tenho é que muitas das minhas certezas mais certas são, na verdade, incertas.

então, será que tenho direito de apontar esse dedo, de fazer essa crítica, de cometer esse julgamento?

* * *

esses temas são desenvolvidos nos meus textos prisão verdade e cultivar o não-conhecimento.

 

A fragilidade do corpo negro

Resenha de Entre o mundo e eu de Ta-Nehisi Coates para a Folha de S. Paulo, publicada no dia 2 de janeiro de 2016. Abaixo, a versão integral.

entre o mundo e eu ta-nehisi coates

* * *

Entre o mundo e eu, uma carta do jornalista norte-americano Ta-Nehisi Coates (pronúncia aproximada: tanarrássi) para seu filho de quinze anos, é um livro sobre o corpo. Mais especificamente, sobre o corpo negro.
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ler mais para saber menos, ler menos para saber mais

Sempre que atualizo minha lista de leituras, várias pessoas me escrevem com uma variação de:

“Aaaah, que inveeeeja, eu queria taaaanto ler mais…”

Mas… por quê?!

leitura-alex-02
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última imersão “as prisões”


(vídeo by carolina barros, a fazedora de vídeos.)

um encontro de três dias para encarar nosso narcisismo e exercitar a empatia.

uma prática de escutatória, de generosidade, de atenção.

uma instalação artística.
uma performance polifônica.
um espaço interativo.
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leituras comentadas, novembro 2015

mudei um pouco as coisas nesses posts mensais de leituras comentadas.

a verdade é que preciso mesmo organizar minhas leituras, senão me perco.

(por exemplo, li erich fromm com tanta familiaridade que não sei se é por já ter lido ou apenas porque concordamos em quase tudo!)

então, a partir de agora, além de listar os livros lidos, vou resumir suas ideias principais e compartilhar meus comentários e anotações — que, às vezes, são muito, muito extensos.

ou seja, querida pessoa leitora, esses posts de “leituras comentadas” não serão mesmo para todo mundo. se os livros te interessam, maravilha. se não, pule tudo sem dor na consciência.

para facilitar, já no topo, a lista dos livros lidos em novembro. para os comentários e citações, é só ir descendo.

só queria dizer que demorei quatro dias inteiros escrevendo esse post gigantesco que quase ninguém vai ler. tomara que valha a pena. ao menos, foi delicioso reencontrar todas minhas recentes leituras.

* * *

livros lidos em novembro, 2015

  1. free will, de mark balaguer, 2014, inglês. 8nov15.
  2. breakdown of will, de george ainslie, 2001, inglês. nov15.
  3. “autobiografia”, de sigmund freud, 1925, alemão. (trad: paulo césar de souza) 21nov15.
  4. além do princípio do prazer, de sigmund freud, 1920, alemão. (trad: paulo césar de souza) 21nov15.
  5. o eu e o id, de sigmund freud, 1923, alemão. (trad: paulo césar de souza) 21nov15. releitura.
  6. escape from freedom, de erich fromm, 1941, inglês. 18-21nov15.
  7. the whisperer in darkness, de h. p. lovecraft, 1930, inglês. nov15. releitura.
  8. at the mountains of madness, de h. p. lovecraft, 1931, inglês. nov15. releitura.
  9. livro de ruth, anônimo, c.VI-IV aec, hebráico. nov15. releitura.
  10. primeiro livro de samuel, anônimo, c.630–540 aec, hebráico. nov15. releitura.
  11. rosencrantz & guildenstern are dead, de tom stoppard, 1967, inglês. 23nov15.
  12. the man in the high castle, de philip k. dick, 1962, inglês. 25nov15.
  13. strangers to ourselves: discovering the adaptive unconscious, de timothy d. wilson, 2004, inglês. 20nov15.
  14. why freud was wrong: sin, science and psychoanalysis, de richard webster, 1995, inglês. 27nov15.
  15. freud (the great philosophers), de richard webster, 2003, inglês. 30nov15.
  16. santo agostinho em 90 minutos, de paul strathern, 1997, inglês. (trad: maria helena geordane, 1999.) 30nov15.

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“e pelos coxinhas, ninguém tem empatia?”

um leitor pergunta, em tom de desafio:

“e pelos coxinhas, ninguém tem empatia?”

mas toda nossa sociedade já foi construída e é mantida como um imenso mecanismo para “ter empatia”, ou seja, para passar a mão na cabeça das pessoas privilegiadas.

o policial que “tem empatia” e quer ajudar a pobre loira branca que sofreu uma violência… ignora a cidadã negra favelada que tentou dar queixa da mesma violência.

o médico que “tem empatia” pela dor das pessoas brancas… dá menos anestesia para as pessoas negras.

nos escritórios, há muita “empatia” pelos pobres homens calorentos vestindo terno e nenhuma pelas mulheres friorentas de perna de fora. etc etc.

os exemplos poderiam continuar ao infinito.

então, não.

não são as pessoas privilegiadas que devem levantar os braços e pedir:

“poxa, e pra mim, não tem empatia?”

pelo contrário, são os homens que têm que ter empatia pelos problemas das mulheres, são as pessoas brancas que têm que ter empatia pelos problemas das pessoas negras, são as pessoas que moram em apartamentos de três quartos no eixo morumbi-leblon que têm que ter empatia pelas pessoas que precisam de bolsa-família para sobreviver.

meu trabalho é ensinar as pessoas privilegiadas a terem mais empatia pelas menos privilegiadas, e não a dominarem um novo vocabulário para exigir ainda mais privilégios:

“poxa, pelos empresários ninguém têm empatia, né?”

* * *

esse é o tema principal do meu livro outrofobia: textos militantes. se o assunto te interessa, experimente ler.

o vazio que nos consome

semana passada, dividi um táxi com um famoso coach e ele deu uma dica de carreira para uma moça que estava conosco:

“tem alguma coisa que as pessoas sempre mandam email te perguntando, pedindo sua ajuda? pois, se tem, então você pode ganhar a vida com isso.”

eu fiquei caladinho, pensando nos emails que recebo.

* * *

da prisão religião:

buscar pela melhor maneira de preencher nosso vazio (com mais consumo, mais ego, mais sucesso, mais ascetismo, mais religião, mais sexo, mais livros publicados, mais curtidas no meu post, etc) apenas faz com que pulemos de alternativa em alternativa, em uma infinita insatisfação.

se o buraco não tem fundo, tentar preenchê-lo não resolve.

buraco no peito prisao religiao

* * *

uma troca de emails que travei essa semana.

pessoa leitora:

“como viver com a certeza de que não há depois? como viver sabendo que sua vida e todos os seus feitos não fazem o menor sentido? como viver uma vida sem sentido? como não se importar com o amor (ou o não amor), já que ele próprio não faz sentido nenhum? … como você consegue deixar o buraco em seu peito vazio? por muito tempo eu preenchi o meu com a presença de um deus, mas não consigo mais. tentei colocar pessoas, mas nunca deu certo. me sinto tão perdido às vezes que penso que talvez a morte seja a escolha mais racional e libertadora. tem horas que não consigo continuar, que os sonhos que tenho não fazem sentido, que os livros que ainda quero escrever não fazem sentido. tem horas que é muito difícil.”

eu:

perguntar como consigo “deixar o buraco vazio” é como perguntar como consigo deixar meu nariz assim no meio da minha cara. e eu responderia: eu não deixo nem desdeixo. o nariz É no meio da minha cara.

pessoa leitora:

“eu … queria deixar o buraco vazio sem me importar, mas sinto que as vezes o vazio que carrego é tão grande que vai me engolir.”

eu:

o vazio sempre nos engole. a questão é o que vamos fazer antes disso.

pessoa leitora:

“obrigado. de verdade. seu último e-mail me ajudou bastante. obrigado.”

existe algo de grandioso se acumulando na pia

os grandes crimes da humanidade, as merdas absolutamente gigantescas, os genocídios e os fascismos, foram todos cometidos por pessoas que achavam fazer parte de algo “grandioso”.

as pessoas rebeldes, as pessoas incertas, as pessoas do contra, as pessoas confusas, essas podem até fazer muita besteira, mas não marcham em uníssono ao som de tambores.

sempre que me flagro pensando que o livro das prisões vai mudar o mundo, influenciar as pessoas, ser algo grandioso….

eu páro tudo e vou varrer o chão.

varrer o chão é a melhor cura para a grandiosidade.

recomendo.

quer participar de algo grandioso

(uma resposta a esse texto.)