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a pergunta mais importante

minha pergunta favorita, versátil e salvadora de vidas, é:

“por que diabos estou fazendo isso?”

não tem contraindicações e posso fazê-la em minha própria cabeça várias vezes por dia:

“por que diabos estou me depilando? por que diabos estou falando nesse tom de voz grosseiro com a minha mãe? por que diabos estou fazendo mais um post no facebook? por que diabos não estou ajudando essa pessoa que está aqui na minha frente, agora?”

question everything why

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o paradoxo da história

a história nunca é paradoxal: se você acha que é, então não entendeu alguma coisa.

never forget never forget get over it slavery

opiniões

se uma pessoa não pediu minha opinião, é muito provável que ela não queira saber.

se pediu, é muito provável que tenha sido por polidez.

quase ninguém quer saber nossa opinião.

nem nós mesmas deveríamos estar assim tão interessadas em nossas próprias opiniões.

melhor momento quando nao tenho opiniao

by odyr

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Caminho do meio

Evito ler um texto quando já sei que concordo com suas ideias — pra quê, né? só pra fazer corinho?

Evito ler um texto quando já sei que discordo de suas ideias — pra quê, né? só pra me irritar?

o otário: quem é? onde vive?

falar das ações que podemos tomar para não sermos vítimas de crimes… não significa culpabilizar as vítimas e desculpar as criminosas.

ilustração original de flávia tótoli.

ilustração original de flávia tótoli.

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Leituras comentadas, março de 2017

O tema principal das leituras de março foi a Prisão Crescimento. (Tem uma palhinha preliminar aqui.)

* * *

1. (16) El sol de Breda, de Pérez-Reverte, 1998, espanhol.
2. (17) El oro del rey, 2000.
3. (18) El caballero del jubón amarillo, 2003.
4. (19) Breve história del Siglo de Oro, de Zorita Bayón, 2010.
5. (20) Para habernos matado, de Díaz Villanueva, 2013.
6. (21) On the abolition of all political parties, de Weil, 1943, francês.
7. (22) Pilgrim at sea, de Pär Lagerkvist, 1962, sueco.
8. (23) The holy land, 1964.
9. (24) Herod and Mariamne, 1967.
10. (25) Pequeno tratado do decrescimento sereno, de Latouche, 2007, francês.
11. (26) Democracia econômica, de Dowbor, português, 2013.
12. (27) O decrescimento, de Georgescu-Roegen, 1970-81, inglês.
13. (28) A natureza como limite da economia, de Cechin, 2010, português.
14. (29) Pantagruel, de Rabelais, 1531, francês.
15. (30) Gargantua, 1534.

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Leituras comentadas, fevereiro de 2017

Fevereiro foi um mês de leituras variadas. O principal tema foi empatia e seus limites.

1 (9). Nineteen eighty four, de George Orwell, 1949, inglês.
2 (10). Strangers drowning: impossible idealism, drastic choices, and the urge to help, de Larissa MacFarquhar, 2015, inglês.
3 (11). Opening Skinner’s box: great psychology experiments of the Twentieth Century, de Lauren Slater, 2004, inglês.
4 (12). Against empathy: the case for rational compassion, de Paul Bloom, 2016, inglês.
5 (13). The marshmallow test: understanding self-control and how to master it, de Walter Mischel, 2014, inglês.
6 (14). Gravity and grace, de Simone Weil, 1942, França. [Trad: Emma Craufurd, 1952.]
7 (15). Inside of a dog: what dogs see, smell, and know, de Alexandra Horowitz, 2010, inglês.

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a importância dos rituais

nem todo ritual é bobagem.

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Prisão Autossuficiência

É desejável sermos tão autossuficientes?

prisao autossuficiencia capa

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facundo

Facundo (1845), de Domingo Sarmiento, é um dos grandes textos latinoamericanos de todos os tempos.

Facundo não fala sobre o Brasil, mas Facundo nos explica, explica Os Sertões, explica Tropa de Elite, explica tudo. A grande tragédia latinoamericana está toda lá.

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perdendo a guerra cultural

alguns conceitos que a esquerda deu de mão beijada para a direita:

  • deus/religião
  • propriedade
  • família
  • segurança pública/forças armadas/defesa
  • luta anticorrupção
  • moral/moralidade
  • patriotismo

esqueci algum?

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o catolicismo e eu

apesar de continuar tão agnóstico como sempre, tenho ido a missas católicas: gosto da atmosfera comunal das igrejas e do contato com o transcendente. » leia o texto completo «

O paradoxo do luto

Por um lado, o luto nos tortura com a dor insuperável e invencível da perda, uma dor que parece sem fim e sem limites.

Por outro lado, como sabemos que tudo passa, o luto também nos tortura por sua dor ser tão superável e tão vencível, um dor com fim e com limites:

No meio de tanta dor, nos parece insensível e desrespeitoso imaginar que um dia não estaremos sentindo aquela dor, que um dia aquela dor não será mais paralisante, que um dia a nossa vida vai voltar a ser como sempre foi.

Mas vai.

Como consolar alguém de luto

De repente, sem aviso, Jó perde tudo: seus rebanhos, seus empregados, seus filhos, suas casas.

Estupefato, com feridas terríveis da sola dos pés até o alto da cabeça, sem saber o que fazer, sentado nas cinzas da sua casa, ele se coça com um caco de telha, em uma das imagens mais patéticas e tristes da Bíblia.

Então, é visitado por três amigos.

Para compartilhar sua dor e consolá-lo, os amigos sentam-se nas cinzas ao seu lado e passam ali sete dias e sete noites, sem dizer uma palavra sequer.

Uma palavra sequer.

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O mundo é abusivo para as mulheres

Como ser um homem não-canalha em um mundo criado e pensado para ser abusivo para as mulheres?

toda relação homem mulher é assimétrica capa

* * *

Novíssimo texto, com ilustrações originais de Flávia Tótoli:

Toda relação homem-mulher é assimétrica

toda relação homem mulher é assimétrica

A desesperança do luto

A esperança é nos fode. A esperança nos estressa. A esperança nos faz lutar infindavelmente em prol de causas perdidas — pois, afinal, há uma esperança.

Quantas pacientes de câncer não teriam aproveitado melhor e com mais substância seus últimos meses de vida, em paz, em contemplação, cercadas de seus entes queridos…

…se não estivessem “lutando até o fim”, pulando de médica em médica, sendo as “batalhadoras” contra o câncer que nossa sociedade espera que todas sejamos?

A beleza do luto é que não há mais esperanças.

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o que é ler um livro?

uma pergunta: o quanto de um livro eu preciso ler para poder dizer que li esse livro?

outra pergunta: quem se importa?

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estupro ex machina

o mundo é tão, mas tão misógino que inventa novas maneiras de ser misógino até com mulheres que nem mesmo existem.

* * *

deus ex machina:

expressão grega. literalmente, “deus surgido da máquina”. quando, no fim de uma tragédia, deus desce dos céus e literalmente resgata o protagonista, criando assim um inesperado, improvável e mirabolante final feliz.

estupro ex machina:

neologismo, séc.XXI. quando, em uma obra de ficção, uma ou mais mulheres são estupradas, objetificadas, humilhadas somente para chocar a platéia e/ou avançar o arco narrativo de um personagem masculino, que precisa de um motivo para 1) sofrer, 2) se vingar, 3) tornar-se um homem forte, duro e silencioso, 4) etc etc.

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as pessoas são fracas

as pessoas são fracas.

elas não sabem o que querem e não tem a menor ideia de quem são. agem contra seus próprios interesses, machucam quem gostam, fazem tudo errado.

inclusive eu e você.

ou reconhecemos que somos todas assim (que essa é nossa condição existencial) e desenvolvemos uma maior tolerância para as fraquezas humanas (que também são as nossas)

ou passaremos a vida em um triste e solitário pedestal, julgando e criticando as pessoas abaixo de nós pelas mesmas fraquezas que cometemos sem perceber.

as pessoas sao fracas

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“e se todo mundo fizesse como eu?”

às vezes, em resposta a algum dos meus textos, ouço a seguinte objeção:

“e se todo mundo fizesse como você, hein? nisso você não pensa, né?”

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